Lingüística Textual

26/02/2010 • Por • 7,670 Acessos

As gramáticas textuais surgiram com o intuito de dar significação aos textos redigidos. Assim, estas vêm trabalhar os aspectos de coesão e coerência dos textos.No entanto, com o passar do tempo criou-se um dilema quanto aos aspectos significativos dos textos.Será que seria suficiente somente a gramática que trata da ordenação de palavras e construção de paradigmas no texto? ou será necessário um novo instrumento de análise e construção para a compreensão do “contexto” dos textos?

Conte vem dizer que são necessários três momentos fundamentais para essa construção do sentido dos textos, ou sua objetividade.O primeiro seria o da análise transfrástica, o qual trata da compreensão e significação dos enunciados os quais remeterão a enunciados transcendentes ao sentido dos enunciados postos.O segundo momento, da construção das gramáticas textual, vem ordenar os enunciados para o correto emprego de pronomes, verbos, preposições, enfim, da construção coerente do conjunto de enunciados que compõem o texto.O terceiro momento trata-se das teorias de texto, as quais trarão a objetividade do texto, no trabalho direto com o espaço e tempo do ato de fala, as influências sofridas no ato de fala por questões sociais e instrucionais (níveis de conhecimento e aprendizado e língua materna dos participantes do ato de fala).

Nesta parte dos estudos se dá grande importância à constituição do texto no sentido pragmático (objetivo), ou seja, o texto passa a ser avaliado no seu aspecto significativo (contextual), tomando-se cuidado com aspectos exteriores ao texto que influem em sua compreensão como a sua produção (atos de fala), recepção (lógica das ações) e interpretação (teoria lógico-matemática).

Dressler acredita que a pragmática é apenas um componente acrescentado a posteriori, ou seja, sua única função é dar sentido ao texto de acordo com o tipo de situação comunicativa em que este é introduzido.

Já para outros como Schmidt, a inserção da pragmática na descrição lingüística é uma evolução da lingüística textual em direção a uma teoria pragmática do texto, ou seja, é a possibilidade de se associar o conteúdo do texto a outros tipos de textos ou a melhor compreensão de seus participantes (numa situação específica de ato de fala), uma vez que entendida a objetividade do texto este pode ser compreendido e associado por todos os indivíduos da situação de ato de fala.

Desta forma, o ato de comunicação, visto como forma específica de interação social por Schmidt, torna-se uma explicação acessível a qualquer participante de um ato de fala, sendo assim a base empírica do texto deixa de ser a competência textual e passa a ser a competência comunicativa, adaptando-se ao meio social, a situação de fala e aos indivíduos participantes deste ato de fala.

Para Oller, o uso da língua é um processo constituído por três dimensões indissolúveis: a dimensão sintática, a dimensão semântica e a dimensão pragmática.A sintática trabalha o arranjo temporal, a semântica as relações de sentidos dos elementos (paradigmas), e a pragmática associa esses elementos temporais e paradigmáticos a conhecimentos adquiridos anteriormente destes mesmos sentidos.E é esse elemento pragmático que torna o enunciado a concreto.Sem estes sentidos os outros (sintático e semântico) não podem se realizar.Em outras palavras, é a pragmática da geração de frases que determina a opção a ser feita em cada situação sintática e semântica.A pragmática é vista como a interação dinâmica entre o conhecimento do locutor e as dimensões sintático-semânticas.

Também para Petofi, é impossível separar semântica, sintática e pragmática.

Petofi vem desenvolvendo uma teoria que ele chama de TeSWeST(Teoria da Estrutura de Texto-Estrutura do Mundo), a qual seu objeto de estudo são os sentidos atribuídos aos textos pelo mundo e a estrutura destes textos.

A gramática textual não é uma gramática específica, uma vez que esta tem como diferencial a definição explícita do “texto” ou “discurso”.Da mesma forma a lingüística textual deve ser também vista por sua intenção de pesquisa ou campo de estudos.

O conceito de texto é definido por conceito central da lingüística e da teoria de texto, uma vez que este não pode ser definido diretamente a um só contexto pela abrangência de sentidos atribuídos ao ato de fala e texto por meio da pragmática, semântica e situações de produção.

Um texto só pode ser analisado como seqüência de signos significativos isolados se esta for feita de forma concomitante, ou seja, que se manifesta ao mesmo tempo que outra.

Nos textos encontramos os fenômenos textuais, por assim dizer, anafóricos e catafóricos.Os anafóricos correspondem às informações anteriores à enunciação, enquanto as catafóricas são as informações subseqüentes à enunciação.Por meio desses fenômenos lingüísticos tornam-se discutíveis os conceitos de unidade de frase como estatuto especial dentro do texto, no âmbito da lingüística textual.

A diferença entre texto e discurso é um tanto complexa quanto a sua interpretação.Criou-se várias dúvidas quanto a sua dissociação.O texto, trata da estrutura contextual composta por signos que, quando ligados(organizados de forma sintática), formam seqüências de frases que dão coesão ao tema (enunciado) do texto, no sentido semântico.Já o discurso é o ato de fala (enunciação) do texto produzido, o qual traz coesão e coerência a este, construindo sentido no seu âmbito pragmático, o qual é formado não só pelos elementos sintáticos e semânticos, mas, também fonéticos e outros elementos que constituem as condições de produção do ato de fala(ato discursivo).

Perfil do Autor

Jonas N. Costa

Paulista, estudante de Letras e pesuisador linguista. Influências principais nos textos: Michel Pechêux, MIchail Michailovich Bakhtin....