O escravismo no Brasil Colônia

Publicado em: 28/06/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 699 |

Este artigo é o relatório do seminário apresentado como pré-requisito de conclusão da disciplina de História do Brasil I, do curso de Licenciatura em História, ministrado pela professora Maria do Socorro Bezerra, da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Portanto, o desenvolvimento do conteúdo em estudo será sucinto, organizado da seguinte forma: 1 – A definição de escravismo e escravidão, segundo o dicionário novo Aurélio eletrônico; 2 – Escravismo na África – a escravidão esteve presente no continente africano muito antes do início do comércio de escravos na costa Atlântica; 3 – Escravismo no Brasil Colônia – o Brasil foi um dos primeiros países americanos a conhecer a escravidão e o último a aboli-la. Veremos ainda, neste mesmo tópico: A escravidão nas cidades – onde tratamos da escravidão urbana e seu modo de viver; A escravidão nos campos – seu modo de viver e que o Brasil escravista foi essencialmente rural e 4 – A revolução abolicionista – falamos sobre o movimento abolicionista que em 1888 alcançou a vitória final contra a escravidão. Valendo-nos do referencial bibliográfico, construímos o texto que aqui é apresentado e por fim as nossas considerações finais.

 Palavras-chave: Escravismo, Brasil, Colônia, História

1. DEFINIÇÃO (segundo o novo dicionário Aurélio eletrônico)

Escravismo - é sistema dos escravistas e influência do sistema da escravatura.

Escravidão - regime social de sujeição do homem e utilização de sua força, explorada para fins econômicos, como propriedade privada; escravatura.

 2. ESCRAVISMO NA ÁFRICA

A escravidão esteve presente no continente africano muito antes do início do comércio de escravos com europeus na costa atlântica. Mas, esse mercado cresceu porque os europeus se estabeleceram nas costas da África, oferecendo apreciadas e abundantes mercadorias por cativos.

Em meados do século XV, as sociedades africanas compunham-se, em geral de comunidades aldeãs que conheciam uma organização econômica e social baseada na família e, sobretudo, na aldeia. As aldeias eram formadas por uma ou mais famílias, ou seja, pelo grupo social constituido pelo patriarca, por suas esposas, descendentes e agregados. Na África negra, os homens ricos possuiam diversas esposas; os jovens e os pobres, apenas uma.

Porém, todas as famílias tinham acesso a terra, viviam especialmente da agricultura apesar de não conhecer as técnicas do arado, mas, seu principal instrumento agrícola consistia na enxada de ferro. Suas plantações destinavam-se aos cereais e tubérculos (batata), cultivam-se pequenas hortas e vegetais. E o comércio era pouco desenvolvido, pois não se plantava apenas para vender e sim para sustentar e entregar parte da produção ao patriarca.

O comércio português atraiu os rivais comerciais europeus, que no século XVI criaram suas próprias feitorias e enclaves para captar o comércio existente. A justiça africana muito contribui para o tráfico negreiro, com a retirada da liberdade de multidões de homens e mulheres, quando eles cometiam alguns delitos (adultério, feitiçaria, furto, etc.) a punição era a perda de sua liberdade, ou seja, eram escravizados.

Com a falta e o alto preço dos alimentos, os patriarcas e pais de família eram obrigados a vender ou empenhar seus cativos, agregados e familiares. O rapto de crianças e jovens era muito comum, pois os patriarcas preferiam comprá-los, por que se adaptavam melhor a nova família. 

Com o aumento do comércio de escravos para as Américas, as guerras pelo controle do comércio africano tornaram-se mais intensas, por mais de três séculos obteve um papel dominante no Novo Mundo.

 3. ESCRAVISMO NO BRASIL COLÔNIA

Os espanhóis chegaram a América em 1492, e os portugueses chegaram à costa do Brasil em 1500. Mas só a partir de 1530, fundaram-se as primeiras plantações na América lusitana.

O Brasil um dos primeiros países americanos a conhecer a escravidão e o último a aboli-la.

Os primeiros escravos no Brasil foram os índios, de modo geral, explica-se a substituição dos cativos americanos pelos africanos com base na maior resistência física e docilidade do negro. O índio seria selvagem, frágil, incapaz para o trabalho contínuo, ou seja, um ser imprestável para a civilização. O negro, por sua vez, seria um ser dócil, resistente, sem iniciativa, adaptado ontem e hoje ao trabalho duro e penoso, um homem talhado para a escravidão.

O principal motivo da substituição do índio pelo negro foi à extinção das populações nativas, e os índios passaram a ser protegidos pelos Jesuítas.

A venda de africanos para os colonos interessava a coroa e aos comerciantes europeus, os navios partiam da Europa carregados de mercadorias baratas, elas eram trocadas nas costas africanas por multidões de cativos.

Nas Américas, os africanos eram trocados por grandes quantidades de produtos coloniais. Os negreiros traficantes de negros pagavam pouco pelos cativos na África, e os vendiam por preços elevados no Novo Mundo.  

Entre 10 e 15 milhões de africanos homens, mulheres, crianças, jovens e adultos foram desembarcados nas Américas. Estima-se que de 3 a 5 milhões desses africanos chegaram ao Brasil.

A travessia entre a costa ocidental da África ao Brasil levava de 40 a 60 dias, quanto mais demorada a viagem maior a mortalidade. Durante a viagem, os cativos permaneciam, boa parte do dia, em fila, amarrados, dois a dois, pelos tornozelos, nos porões.

Os africanos chegados ao Brasil eram chamados de cativos novos ou boçais. Quando se acostumavam na terra eram chamados de ladinos, os trabalhadores escravizados nascidos no Brasil eram chamados de crioulos. No Brasil durante a escravidão o mundo rural dominou o urbano as cidades nasciam e cresciam para apoiar a sociedade escravista agrícola, monocultora e exportadora.

 3.1 A ESCRAVIDÃO NAS CIDADES

  • Era comum os escravos trabalharem nas construções das cidades, mas isso acontecia devido à entressafra e nos momentos de marasmo da economia de exportação. Obrigados ou voluntariamente, os senhores emprestavam os cativos;
  • Quem tivesse escravos em suas casas era sinal de riqueza, poder e status;
  • Muitos senhores faziam de seus cativos vendedores ambulantes;
  • Senhoras enfeitavam as mais lindas escravas e obrigavam-nas a vender o corpo;
  • As construções das ruas, praças, chafarizes, residências, igrejas, mercados e edifícios públicos eram dirigidos por homens livres e executada por escravo;
  • Cativas eram obrigadas a abandonar os filhos recém nascidos em asilos e orfanatos, para ser alugadas como amas de leite;
  • Nas residências mais ricas, trabalhava uma grande quantidade de cativos – porteiros, pajens, mucamas, etc. Nas menos ricas, era comum que alguns cativos se ocupassem de todas essas funções;
  • Os cativos exaustos recolhiam-se a estreitos e insalubres dormitórios, nos andares térreos dos sobrados, nos porões das residências, em quartinhos construídos nos quintais.

 3.2 A ESCRAVIDÃO NOS CAMPOS

  • No campo trabalhavam nas plantações e minas;
  • Nos engenhos viviam os amos e seus familiares, alguns moradores e agregados, em média uns oitenta cativos;
  • Além de açúcar, os engenhos produziam praticamente tudo o que os proprietários e os cativos consumiam;
  • A casa grande era construída num ponto alto e sadio, de modo que se pudesse controlar a senzala e os canaviais;
  • Durante os cinco meses ou mais da safra trabalhavam dezoito horas diárias, o principal instrumento de trabalho consistia no pesado e resistente enxadão com uns dois quilos;
  • As condições de vida e trabalho no engenho eram tão duras que a esperança de vida média útil de um jovem e saudável africano não passava dos dez anos aproximadamente. Ex: Se chegassem ao Brasil com quatorze anos, aos vinte e quatro estaria virado um bagaço.

 O açúcar dominou a economia escravista brasileira durante os séculos XVI e XVII. Na mineração escravista no século XVIII foi à principal atividade na colônia.

A descoberta das minas contribuiu para que muitos empresários escravistas abandonassem com as escravarias as plantações no litoral. Na mineração também podia ser empregados grandes equipes de escravos, obtendo-se grandes lucros.

Na época da mineração os principais instrumentos de trabalho era um pequeno saco de couro, pá, enxada e bateia. Como nos engenhos, centenas de milhares de cativos trabalhavam, até a morte, produzindo as riquezas que terminaram, em sua maior parte enriquecendo as elites portuguesas e européias.

Os africanos desconheciam a criação extensiva, não conheciam o cavalo, por essas e outras razões o trabalho escravizado adaptava-se mal ao pastoreio. As tarefas pastoreais não exigiam trabalhos duros e necessitava de pouca mão-de-obra.

Alguns cativos trabalhavam como peões, devido a esta função obtinham alguns privilégios e podiam receber pequenos salários.

No início do século XIX os ingleses iniciaram o combate ao tráfico negreiro internacional. Em 1830 os ingleses obtiveram das autoridades brasileiras a proibição formal do tráfico. Deste ano até 1851 quando cessou o tráfico transatlântico em direção ao Brasil, centenas de milhares de cativos desembarcaram ilegalmente nas costas brasileiras.

A produção escravista entrara em crise no início do século XIX. O preço do açúcar caíra no mercado internacional. As minas haviam se esgotado, como o algodão no sul dos Estados Unidos, o café no Brasil daria um novo vigor à produção negreira. Com a revolução industrial o café passou a ser consumido em larga escala na Europa e nos Estados Unidos.

O funcionamento das fazendas escravistas produtoras de açúcar assemelhava-se ao das fazendas de café.

Os cativos vestiam-se de forma sumária e andavam descalços. A falta de calçados facilitava acidentes e enfermidades. Os cativos viviam infestados de verminoses e bichos-de-pé. Nas cabeças, podiam portar turbantes de panos, à africana, rústicos barretes e chapéus de palha. Os alimentos custavam caro, então eles comiam pouco e mal, passavam muita fome.

As principais ferramentas de castigo eram as palmatórias e os chicotes. Muitos escravos se suicidaram, deprimido pelas péssimas condições de vida.

 4. A REVOLUÇÃO ABOLICIONISTA

Até o fim do tráfico, os cativos eram predominantemente africanos, chegados de diferentes regiões do continente negro. Falavam línguas e possuíam culturas diversas.

No Brasil, os escravos jamais organizavam movimentos gerais contra a escravidão. As mais importantes rebeliões servis limitaram-se a um ou alguns municípios dos territórios nacionais.

No início de 1860, a pressão internacional e, sobretudo, a nova opinião interna antiescravista exigiam leis que reformassem e preparassem o fim do cativeiro. No seio desse movimento emancipacionista, surgiram as primeiras vozes abolicionistas, exigindo o fim total da instituição.

Para combater o abolicionismo, o governo aprova liberdade de cativos com mais de sessenta anos, que devem trabalhar mais cinco anos para indenizar os amos – Lei Saraiva - Cotegipe.

Em 13 de Maio de 1888 o regente imperial sanciona a Lei Áurea, que aboli a escravatura, no momento em que a escravidão praticamente não existia. O Brasil foi a última nação moderna a abolir a escravidão, o longo passado escravista brasileiro ainda pesa tristemente sobre o presente de nossa nação.

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após refletirmos  o texto sobre o escravismo no Brasil, concluimos que a escravidão no Brasil iniciou com os índios.  Por serem fragis e selvagens seriam incapazes para o trabalho contínuo, ou seja, imprestável para a civilização, logo foram substituidos pelos negros africanos. Os negros africanos foram tirados de sua terra natal e trazidos para um novo mundo de forma brutal.

A partir disso começou o tráfico negreiro, expandindo a economia de mercado do Brasil Colônia, de modo que o acúçar predominou durante os séculos XVI e XVII, no século XVIII a mineração foi a principal atividade e no século XIX surgiu o café dando um novo vigor a produção negreira. 

Nas cidades era comum encontrar escravos trabalhando nas construções e em múltiplas atividades tornando possível a permanência dos senhores na área urbana. Com relação a vida no campo os escravos trabalhavam nas plantações, minas e pastoreio. Durante a safra, eles executavam  dezoito horas diárias de trabalho pesado.

No início de 1860, a pressão internacional exigia leis que reformassem e preparassem o fim do cativeiro. Em 1879 inicia-se o movimento abolicionista surgindo novas leis contra a escravidão. Em 1888 o regente imperial sanciona a Lei Áurea, que aboliu a escravidão. O Brasil foi a última nação a abolir a escravidão.

BIBLIOGRAFIA 

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Eletrônico. Versão 5.0. Positivo, 2004.

MAESTRI, Mário. O escravismo no Brasil. Discutindo a História do Brasil. São Paulo: Atual, 1994.

 

 

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