O Exercício Da Sexualidade Dos Adolescentes E As Conseqüências Que Poderão Advir
O exercício da sexualidade dos adolescentes (10 a 19 anos) é influenciado de modo mais negativo que positivo por diversos fatores socioculturais, dentre os quais (1) a influência dos meios de comunicação sobre atitudes e comportamentos no exercício da sexualidade e, (2) a fragilização familiar no repasse de informações e valores para o exercício positivo da sexualidade. Associado a isso, na mais das vezes, os adolescentes apresentam déficit de informações sobre o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), dentre outras 33 Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), e os processos de gravidez e paternidade não planejadas, representam-lhes agravos significativos no processo saúde-doença.
É na puberdade que ocorrem as primeiras mudanças físicas. Nas adolescentes, a menarca (primeira menstruação) marca o início da puberdade e nos adolescentes, não existe um marco para iniciar, pois faz parte de um processo até a ejaculação. A liberação de hormônios é responsável por tais mudanças, assim como pelas constantes variações de humor.
As adaptações sociais, psicológicas e físicas podem se refletir na observada dificuldade que possuem no relacionamento com os pais e com a sociedade. Por outro lado, a adolescência marca o início do interesse pelas relações afetivas e sexuais com pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo. A partir daí, o namoro (ou o "ficar"), poderá ser iniciado, vivenciado de modo prazeroso e responsável ou não, em que se obtêm trocas de satisfação pela relação com o outro ser humano e trocas conflitivas no sentido de que a vivência do namoro propicia um choque com determinadas interdições.
Contudo o envolvimento sexual que poderá ocorrer deste namoro deve ser bem orientado pela família, não de maneira proibitiva, mas em relação às conseqüências que poderão advir deste relacionamento, tais como as DSTs curáveis e incuráveis, a paternidade e a gravidez, muitas vezes, não desejadas e não planejadas. No que se refere à gravidez, em alguns momentos, os jovens revelam motivações conscientes ou não da necessidade da paternidade e, muitas vezes, se contradizem em suas afirmações.
Para muitos jovens, o contato sexual visa mais o "status" de ser macho, visto que o prazer sexual ainda nem foi vivenciado. Para outros, a paternidade foi um acidente decorrente da falta de conhecimento das conseqüências inerentes a prática de sexo sem proteção. Neste sentido, a paternidade na adolescência ocorre em um período onde o jovem está organizando sua vida e seu organismo está em plena transformação física, endócrina, emocional e psíquica. Os jovens podem vivenciar problemas emocionais tanto pela perda do corpo infantil, e outro por um corpo adulto recém-adquirido, que está se modificando no processo da adolescência.
Na linha desse enfoque são identificadas três angústias principais, pelas quais o adolescente vivencia: 1) insegurança quanto ao corpo; 2) sofrem de angústia difusa, advindas de conflitos com os pais ou de situações vividas em seu meio e mal resolvidas e, por último, 3) vivenciam problemas com o exercício da sexualidade. Os jovens do sexo masculino de hoje percebem o sexo com naturalidade, mas ainda não o discutem com a devida profundidade. Eis aí que pode estar um dos fatores do incremento das estatísticas da incidência de paternidades precoces e de HIV/AIDS/DSTs entre eles.
A propagação do HIV entre diversos grupos da população, devido às conseqüências causadas pela aids, transformou-se em um dos mais graves problemas de Saúde Pública mundial. Atualmente, a disseminação acelerada do HIV e o aparecimento de novos casos de aids, é um fenômeno global, dinâmico e instável, cujas formas atual e futura de evolução e desenvolvimento dependem, também do comportamento humano individual e coletivo no exercício da sexualidade. Com isto, indivíduos de todos os continentes que apresentam comportamentos de risco à saúde estão mais expostos a contaminação pelo HIV.
A aids está associada ao exercício da genitalidade ao ser considerada como uma doença de transmissão sexual sem o uso correto e contínuo de preservativos, seja em relações com heteros, homos ou bissexuais. Diante desse fato, ressaltamos a necessidade e a importância de serem implementadas ações educativas e preventivas relacionadas com o HIV, aids, paternidade e gravidez por meio de políticas de saúde específicas para os jovens. Com isto, buscar-se-á promover melhor qualidade no exercício da sexualidade destes.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, EC de. Aspectos biopsicossociais na sexualidade dos adolescentes: assistência de enfermagem. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 1996. 159p. (Dissertação, Mestrado em Enfermagem de Saúde Pública).
ARAÚJO, EC de. Adoção de práticas de sexo mais seguro de jovens do sexo masculino. São Paulo, 2001. 213f. (Tese) Doutorado em Enfermagem ¾ Universidade Federal de São Paulo.
ARAÚJO, EC; OLIVEIRA, EM. . Grado de entendimiento sobre el vih y el sida entre jóvenes de sexo masculino basado en la teoria de las representaciones sociales. Enfermería Global, v. 12, p. 1-15, 2008.
SANTOS, IN; LIMA, JCM; LOPES, TM; ARAÚJO, EC; VASCONCELOS, EMR; FERNANDES, EC. Comportamento sexual de adolescentes escolarizados do gênero masculino em Recife. Revista de Enfermagem UFPE On Line (REUOL), v. 1, p. 139-143, 2007.
ARAÚJO, E. C. Na contramão para o exercício da sexualidade entre adolescentes está o HIV e a AIDS. Sexualidade Vida, Ribeirão Preto - SP, 22 dez. 2005.
(Artigonal SC #613390)
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