O Movimento de educação de Base e o Movimento de Cultura Popular

Publicado em: 29/08/2010 |Comentário: 1 | Acessos: 379 |

O Movimento de educação de Base e o Movimento de Cultura Popular.

Jorge Rocha Gonçalves

j.rocha60@yahoo.com.br

Resumo: Demonstrar o processo de relacionamento e de como ocorreu a conscientização das comunidades a partir do envolvimento das instituições representativa da sociedade na organização popular, após 1964.

Palavras Chaves: Organização popular, Igreja, Jovens

Éramos infantis até na arte da percepção, íamos à escola como qualquer criança e adolescente, caminhava junto de minha irmã, desde a rua carneiro Mariz, ate onde é a escola Leal de Barros

No trajeto, encontramos o que posteriormente ficou conhecida com o nome de parque Arnaldo Assunção, nas proximidades do parque, a Igreja catolica do bairro.

Através dos tempos, participamos da igreja católica romana, assim como estávamos presentes nas comunidades populares, que se originavam durante a ocupação de áreas publicas, longe dos ordenamentos realizados pelo estado, através da secretaria de habitação, no Bairro do Empenho do Meio.

Neste período, era conhecida como Secretaria Social Contra o Mocambo e posteriormente, Secretaria Estadual de Ação Social e hoje, depois COHAB, hoje, Secretaria de Habitação.

O principal entendimento para a existência dessas instituições dentro do âmbito do Estado federado, até o estado constituído na federação, vem a ser, diminuir o déficit habitacional e a luta institucional contra a formação das comunidades fora do interesse das elites que administravam as políticas publica, do Estado.

A finalidade no momento convinha em não permitir a proliferação dos mocambos, casas de tabuas ou de barro, onde agredia os olhos das elites.

O material de construção era caro e muito difícil, o tijolo produzido pelos portugueses que se estalaram com as suas olarias as várzeas do rio Capibaribe, as telhas que se chamava inglesa, cimento e todo o material necessário a construção de uma casa, para família de baixa renda era imposivel de obter para construir ou reformar sua casa.

Enquanto em determinadas ruas do bairro, já havia a existência de casas da chamada alvenaria.

São lindas as casas e seus desenhos diferentes das que morávamos, que era de tijolo, mais humilde, pois residíamos na vila popular, chamado Engenho do Meio novo.

Meu pai havia conseguido uma casa através da Secretaria Social Contra o Mocambo, na Rua Carneiro de Mariz, estávamos entre as cinco primeiras famílias que foram contempladas com uma casa popular nesta rua.

Sua composição possuía dois quartos, sala, cozinha, um banheiro e terreno para expandir, que duraram décadas para isso.

Ddevido à família ser composta de dez pessoas entre pai, mãe e irmãos, tínhamos que dormir na sala em esteiras e um dos irmãos na cama de lona na sala.

Não se permitia a existência de casas populares fora dos padrões estabelecidas pelas vontades de quem determinava os financiamentos habitacionais, ate hoje, ocorre essa permissibilidade dos governantes, a determinação dos grupos minoritários prevalecia ao ponto de mandar derrubar as casas que eram levantadas de madeira e barro, as moradias de taipas.

Comum vermos nas ruas a policia derrubando as casas por ordem de alguém do estado, que não se sabia quem era, enquanto famílias eram mandadas para outros lugares sob choro e se resistissem, apanhavam na rua da policia e eram levadas presas, tornava–se assim o maior sentimento de humilhação ao um homem no período.

Ser expulso de sua casa, preso e apanhado pela policia, a vergonha era tanta que dificilmente retornavam ao lugar de origem. Hoje, pensamos como é que a policia sabia que em determinado lugar estava se levantando casas com os padrões diferentes da determinada pelo o Estado, mesmo antes de se iniciar a construção? Pois quando se levantava a primeira casa e as outras, pouco tempo depois vinham os carros pretos e derrubavam.

A instalação das unidades habitacionais populares, incentivadas pelos governos eram todas iguais, em tudo, nada diferenciava uma das outras, a não ser que o proprietário fizesse uma reforma no prédio.

Nas casas do conhecido ate hoje Engenho do Meio antigo, as casas seguiam outros padrões, a do proprietário que em muitos casos, pessoas diferentes em se vestir, falar e no local que estudavam, principalmente, nas escolas religiosas.

Mesmo assim, nessa área, nesta vila, morava um sapateiro, sua casa e família, eram diferentes das demais, passei boa parte da infância, em companhia do sapateiro Sr, Geraldo e seus filhos e filhas, a casa de alvenaria, mais era a mais humilde e sem trato da vila, isso o distinguia das demais, este era um intruso.

Seus filhos são meus amigos ate hoje, alguns trazem na face, a sombra de morar em um lugar diferente e sendo identificado como diferentes, se sentia humilhados por serem filhos de um sapateiro.

Apesar de ser difícil vê-los, encontramos um ou outro às vezes nas ruas do centro de Recife, na correria do dia-a-dia e falamos pouco um com o outro, pois é difícil para cada um de nós, sentirmos na pele, o fato de morarmos em casas doadas pelo o governo.

E ficamos sabendo, que nem todos da família fizeram um curso técnico ou superior,pois o destino era um só, trabalhar para ajudar a família a se manter.

O motivo de meus irmãos, só três terem cursos superiores, e das irmãs nenhuma terem, é exatamente  isto, vem da estrutura familiar e educacional, que a mulher era para trabalhos domésticos, aos homens trabalhar.

Ouvíamos como criança, que teríamos que fazer um curso para ser alguém e enquanto isso, os mais velhos se envolviam nas fábricas que estava sendo instalada na cidade como ABC rádio e televisão do Nordeste e o grupo Bompreço que entre as primeiras lojas se destacava a da CEASA, durante sua formação.

Não possuindo tempo para estudar, pois largavam tarde, mais também, diziam que queriam se divertir um pouco, pois não tiveram infância as minhas irmãs se envolviam no trabalho fora de casa.

Não entendia nada, a não ser que minha mãe me levantava e junto com meu irmão menor Claudio e ela íamos juntos para levarmos minha irmã ao girador da Ceasa, hoje, um conjunto de viadutos com acesso ao agreste e outras regiões do estado, para que ela pega-se uma condução para ir ao trabalhar no bairro da Mustardinha na fábrica de radio, ABC, para economizar na condução e era muito cedo, com a marmita dela do almoço  na mão e depois a entregava, com tchau e o rosto de como se fosse sempre uma despedida.

O que gostava muito era de andar dentro do mato onde fica hoje a comunidade de roda de fogo, antes ocupada por um prédio único, todo branco e rodeado de fios e antenas, onde  vi pela primeira vez um homem de olhos azuis, roupa branca e de estatura mais alto e forte,corri, pois havia nas redondezas que se alguém fosse pego no local, seria levado para algum lugar.

Este local se chamava radional e hoje sabemos que era um prédio que fazia parte do sistema de informação instalado no bairro para servir de comunicação e apoio aos norte – americanos durante a guerra.

O Engenho do Meio, era um bairro lindo, cheio de lugares vazios e desprovidos de infra-estruturas, quando chovia, andávamos pulando as poças de lama, mesmo assim, do lado contrario onde moravamos, começava a se erguer casas de alvenaria, mais a policia vinha e derrubava, pois era considerada área de invasão, de propriedade não autorizada para ocupação como eles explicavam.

Até resistiram e hoje é uma vila enorme, mais estreitou a rua, pois a ânsia de ter um teto levou muitos moradores a sair do aliamento cartográfico e com isso, ficou difícil o trânsito de carros e também, outros benefícios, como a arborização da rua, mais ficou evidente desde infância a questão da propriedade e principalmente de mostrar ao outro que apesar de estar em lugar proibido, conseguiu sua casa.

Existia posteriormente, a divisão da população no próprio espaço, da afronta aos residentes na vila, como se dissessem, "você reside ai, eu aqui, e faço qualquer coisa e você não", por isso que os muros das casas avançavam tanto para frente como para o terreno baldio que ficava por traz, inclusive, construindo em cima do canal de água que passava no local.

Hoje, totalmente fechado pela vila que se formou depois da chegada do então Miguel Arraes ao governo de Pernambuco, após o exílio, mais só depois do segundo governo é que os lotes foram doados, após um entendimento entre o governo do estado e o proprietário da terra, que finalmente, ficamos sabendo que pertencia ao antigo INPS, vem então outra duvida, o povo não podia invadir, pois pertencia a União, mais por décadas, os norte americanos, mantinham uma base de comunicação em terreno pertencente à união.

Os interesses eram conflitantes e de forma contraditória em nossa cabeça quando adolescente, pois quando criança era de ouvir, "cuidado não vá ali, o bicho pode pegar e levar você". "Não pode ir lá, pois o bicho papão leva as crianças e elas não voltam mais".

E o bicho papão, por algum tempo ficava no imaginário das crianças de minha época, ate entendermos posteriormente, que o bicho papão além de roubar crianças, matava roubava, estrupavam e chamava–se comunistas, assim todos que se organizavam em grupos eram o bicho papão, os pais não permitiam que ficássemos em grupos, nas ruas só possíveis ate determinadas horas e dentro do perímetro visível a família.

Não poderíamos fazer nada que pudesse chamar o "bicho papão", tais como, cantar musica proibido, vestir roupas de cor vermelha ou usar uma rosa e não falar com estranhos e quando vir a policia, correr para casa, ficava com um medo quando via soldados a cavalos passarem na rua onde morávamos, eles dizia que faziam a ronda para manter a ordem e prender os maus feitores.

Na caminhada para escola Leal de Barros, encontrava-mos quase mensalmente, era difícil não vê-lo, um padre que caminhava com passos curtos, mais não lentos e de fala mansa, lhe pedia a benção e beijava a sua mão, ele abria um sorriso discreto, de roupa preta, que vieram dizer que era a batina a roupa preta como um vestido e nos braços um guarda–chuva, posteriormente, fiquei sabendo dessas informações por minha irmã Diraci, que o mesmo se chamava padre Helder, arcebispo de Olinda e Recife, ele visitava as casas da rua onde morava que não eram muitas, mais havia uma em particular que posteriormente fiquei sabendo que seu morador era o e Josué de Castro e depois não o vi mais nas redondezas, onde iniciou suas pesquisas sobre a fome.

Eram dias fáceis para a s crianças, a não ser o bicho papão, mais difícil para os adultos e adolescentes e não queria que chegasse minha idade de ser adolescente, ir se apresentar ao exercito, pois diziam que era muito ruim.

Toda minha infância vinha diante de uma comunidade cheia de historias e algumas assustavam quando víamos, como por exemplo, a de um homem que ate hoje não sabemos quem o é, mais, saia correndo a chamado de uma vizinha quando o via, o desconhecido e no seu pé, havia muitas feridas e sua perna estava inchada, foi ai que conheci o drama de quem possuía a doença que destruía os órgãos da pessoa, a lepra em forma de bolhas, e ele caminhava em direção a Ceasa, foi quando avisaram que ele ia para o Sancho em Tejipio, e onde era esse local?

Neste local até o presente momento, funciona uma casa de abrigo aos portadores de lepra degenerativa chamada de Santo Cristo.

As informações chegam pelo radio e pelas conversas de rua, muitas vezes com voz baixa e de preferência dentro de casa, alguns assuntos não podem ser dito aos outros, "só dentro de casa", assim também, "em conversa de adultos, criança não pode ouvir ou falar sob pena de apanhar", como o diálogo era difícil em casa ou na rua.

Na escola nem pensar, respeito aos professores e professoras, e a forma de ensino era bastante complicada, tabuada na ponta da língua como dizia os professores e se não soubesse, ficava de castigo no recreio.

Nesta época, lembro da participação de um professor diferente, o nome dele era Manuel, depois ficamos sabendo que era pastor da igreja Presbiteriana e era baiano.

Jovem, de aproximadamente uns 30 anos, magro, mais ou menos 1.70 de altura e conversava com os alunos e alunas, falava diferente, que tínhamos de ver o mundo a nossa volta e participar, também ensinava e dançava capoeira, dizia ele que era comum na Bahia e os negros utilizava para se defender, de quem se defender?

Um mês depois não víamos mais Manuel, cadê o professor perguntava - mos a dona Margarida, chefe de disciplina, ela vivia pelos corredores da escola vendo o que fazíamos e colocava quem deixava de fazer de castigo, de rosto para parede, ou de joelhos em cima do milho e de vez em quando, com orelhas como de burro em frente da sala de aula e na rua os colegas cantavam, "orelha de burro, pois não gosta de estudar".

Depois do Manuel, surgiram outras professoras diferentes, tratava os alunos com mais carinhos e atenção, ensinava utilizando o quadro preto com frases e palavras conhecidas da gente, como trabalho, respeito, ser humano, mais também, a de ave, b de borboleta e por ai vai.

Tínhamos que rezar e cantar o hino do Brasil, de Pernambuco e outros todos os dias antes de entrar na sala de aula, fazíamos fila, entrava turma por turma e tínhamos de estar fardados.

Os pais pagavam uma taxa na escola, quando podiam doar, e ganhávamos sapato conga de cor azul, tecido branco para fazer uma bata, emblema da escola e tecido azul para fazer calça ou saia para as meninas.

O padre ia à escola onde rezava e dava a bênção e a programação da igreja, mais havia padres que não parecia padres, se vestiam de roupa branca de linho e organizavam o então grupo jovem da igreja, onde convidávamos para irmos à missa no domingo.

Em um desses domingos, chamaram-me para ir aos encontros de jovens no sábado e dos jovens com Cristo em datas especificas.

Nos sábados á noite, iniciava a missa dos jovens as sete e terminava as 21h00min h, mais havia sábados específicos que terminava mais cedo ou se fazia uma festa na casa de alguém.

Todos os jovens apareciam e cada vez mais jovens, nestes encontros, começava a conhecer Padre Moura, jovem também, e tocava violão, dançava era diferente dos padres carrancudos, falava conosco e em circulo.

Ficamos em roda um olhando para o outro e ele na roda e falava de ajudar os necessitados e ensinar a ler e escrever quem não sabia na igreja, foi assim que conheci a escola paroquial Nossa senhora da Conceição, que ficava por traz da igreja.

Aquele padre que mim encontrava com ele, chamado de padre Helder entrava para ir a igreja, certo dia foi atrás, escondido e fiquei sabendo que a entrada pela escola paroquial, terminava dentro da igreja e lá havia uma porta que dava no primeiro andar e havia vários quartos e camas, sala, cozinha, banheiros e um escritório e janelas que via tudo que se passava fora do terreno da igreja.

A igreja tem um terreno enorme, um quarteirão e quando terminava a missa dos jovens, ficamos na frente da igreja juntos com a comunidade e o padre Moura, conversava com todos que participava do circulo que fazia a sua volta, seja sentado na grama, ou na cadeira da lanchonete.

Nesta conversa, combinávamos como íamos ajudar os necessitados, principalmente aqueles que moravam em umas casas de madeira que ficava arrudiando ao cano de água da compensa próximo ao a colônia penal do Bom Pastor, que muito tempo depois é que se falou que era um presídio feminino, antes, sabíamos que é ate hoje, um convento de freiras e em poucas vezes que consegui entrar nele, pois era proibido homem entrar segundos as freiras.

Alguns padres e freiras faziam reuniões lá, como pode, eu Recifense, não podia, padres e freiras de língua diferente, estranhas, podiam.

E alguns passavam á noite, principalmente, aqueles padres e freiras que vinham do estrangeiro como algumas freiras do convento diziam, nós não podiam ficar nem na entrada do convento e os carros que entravam vinham com padres, freiras e as vezes a policia estacionavam o carro na entrada.

Quando a policia vinha, as portas da capela ficavam abertas e entravamos no convento para assistir a missa, depois como era difícil assistir uma missa no local, geralmente era pela manhã do domingo ou no final da tarde e depois passava fechado a semana toda, ate as janelas.

Normalmente, os nomes dos padres ou freiras não eram verdadeiros, isso ficava sabendo depois quando falavam com uma das meninas que entrava no convento, elas diziam que o nome do padre ou freira que estava la era outro nome, diferente e de pronuncia difícil, normalmente, esses padres e freiras não usavam a batina ou o habito.

Andavam com roupas comuns de cor branco e tecido de linho e mim chamava atenção é que todos era assim, inclusive o padre Moura, como também, eles na rezavam a missa, às vezes auxiliavam o padre, normalmente, ficavam sentados nos bancos e só falavam quando terminavam as atividades religiosas.

Um dos pontos que hoje colocamos para analise vem a ser a questão dos padres e freiras envolvidos no processo de renovação social desde os jovens católicos, a falta de participação direta destes nas missas, normalmente, apareciam nas igrejas onde os jovens estavam reunidos e não usavam o traje típico, estavam normalmente vestidos com roupas civis e de vez em quando, passavam um tempo sem ser vistos.

Nestes períodos, ficávamos fazendo algum tipo de trabalho na igreja e também visitando as famílias da comunidade que passava por algumas dificuldades.

Nossos pais normalmente, não aceitavam o fato de passarmos horas fora de casa, especificamente a minha, não havia muitas cobranças, pois éramos caseiros e quando saímos era por pouco tempo, mais havia casos de jovens que ficavam presos, trancados no quarto ou em outra área da casa e tínhamos às vezes de usar a escadas ou destelhar parte da casa para que entrassem ou saíssem das suas moradias e nunca explicavam esta atitude deles, a não ser na chamada surra.

As casas eram normalmente paredes ligadas com outras paredes, isto nas casas populares, o que chamavam de parede com parede, só nas áreas conhecidas como nobres nos bairros populares, é que víamos casas onde as paredes eram separadas e de muros, com terrenos grandes, normalmente, cabiam mais de uma casa no terreno que componha o lote dessas casas.

Havia normalmente, arvores plantada, normalmente, eram coqueiros, mangueiras, cajueiros, pitombeiras. Jenipapeiros, e muitas outras plantas inclusive de uso espiritual e medicina caseira, principalmente contra vermes, coceiras, dores de barriga e o chamado sangue fraco ou anemia.

Aprendemos a comer contra a anemia, muito comum na época, alimentar–nos da carne da venda chamada figo de alemão, normalmente encontrada nas mecearias dos bairros e tipicamente consumida pela população de baixa renda.

A solução das populações carentes as suas carências, foi a utilização das plantas medicinais, trazida pelas gerações, o que era comum onde as famílias possuíam uma parentela de origem negra, na qual nas aqueles anos, até 1970, era possível encontra na vizinhança ou na própria família descendentes de escravos libertos com a lei do ventre livre que não foram habitar nos quilombos.

Assim tivemos contato direto com minha avô dona Severina, nega Bil como era chamada desde criança, a dona Izaura, avô Izaura, também a negra Janete como ela se identificava, como a mais velhas de todas na qual dizia ter nascida poucos dias depois da lei do ventre livre, todas vieram falecer com mais de noventa anos, lúcidas e com historia de arrepiar.

Eu tinha 26 anos quando do falecimento da vô Izaura, negas Bil e Janete já haviam falecidos há muito tempo. Todas mim falavam a mesma coisa, como era difícil os dias da mocidade onde as negras eram brutalmente tratadas a não ser, quando escolhidas pelas sinhazinhas para cuidar delas, mais antes eram analisadas pelo dono das terras se eram boas para parir.

A alimentação que estas negras faziam e mim deixava com vontade de comer mais eram, o pé de moleque, a cocada, o bolo de fubá e qualquer comida onde se usava a panela de barro, sem deixar de ver os homens mais velhos beberem certo licor que depois fiquei sabendo que era de jenipapo, onde enxertavam a aguardente artesanal feita de da cana por eles com jenipapo e depois enterrava por um período no quintal que era comum ter alguns pés de cana que chamavam ser da espécie caiana, a melhor para fazer a bebida e rolos de cana.

Os incentivos financeiros vindos de países financiadores no cultivo da formação de impérios tornaram – se a forma legal de permitir a entrado do capital estrangeiro, burlando a legislação brasileira.

Apesar das iniciativas de moralização do país, observa – se que os procedimentos não seguiam os reais interesses da nação e a sociedade continuava pobre, não só de casa, comida e vestuários, saúde, emprego, mais principalmente, da liberdade de ir e vir, de pensar, de ser o que alguns não gostariam que fossem, pessoas portadoras da habilidade de pensar, criar e agir em busca de uma comunidade mais justa, ideal para uma nova ordem, a partir das comunidades.

 

Referenciais

FREIRE, P.1983. Educação como Prática da Liberdade. São Paulo: Paz e Terra.

FREIRE,P. !990. Carta a Guinê-Bissau. São Paulo: Paz e terra.

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/o-movimento-de-educacao-de-base-e-o-movimento-de-cultura-popular-3153366.html

    Palavras-chave do artigo:

    organizacao popular

    ,

    igreja

    ,

    jovens

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    Bruno Gomes 22/09/2010
    Gostei Muito
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