O papel da equipe gestora para que a escola seja completamente democrática na prática

Publicado em: 15/08/2012 |Comentário: 0 | Acessos: 3,544 |

O PAPEL DA EQUIPE GESTORA PARA QUE A ESCOLA SEJA COMPLETAMENTE DEMOCRÁTICA NA PRÁTICA

Ereci Silva Coelho

Orientadora Professora Marly Spier

RESUMO

 

Neste artigo serão abordados os desafios de uma equipe diretiva e a importância de uma reflexão quanto à democracia escolar na prática diária. Tem como objetivo principal demonstrar por que na prática a escola não possui uma ação democrática e na teoria (documental) a mesma se mostra democrática. Nessa perspectiva, também será analisado se o Projeto Político Pedagógico tem sido utilizado pelas escolas de forma clara, objetiva e transparente com toda a comunidade escolar visto que não se trata de um mero documento obrigatório, mas sim um instrumento fundamental para uma educação de qualidade. Diante destas situações, verificadas em algumas escolas, foi elaborado uma pesquisa através de entrevistas e observações em duas instituições públicas e foi constatada uma prática gestora onde predomina uma ação democrática apenas teórica.

Palavras - Chave: Equipe Diretiva. Democracia Escolar.  Projeto Político Pedagógico.

1 INTRODUÇÃO

            Considerando a importância de uma escola democrática tendo como agente principal desta ação a equipe diretiva escolar, viu-se a necessidade de pesquisar a cerca da ação gestora frente às dificuldades presentes no cotidiano escolar.

            De que forma a equipe gestora precisa atuar para que haja verdadeiramente uma gestão democrática? As escolas têm conseguido valorizar e acolher os pais que se disponibilizam para estarem presentes na escola durante o período em que seus filhos estão estudando?

            Para melhor compreendermos este assunto, no presente artigo serão abordadas as diferentes concepções para a melhoria na qualidade do aprendizado dos alunos das escolas públicas, bem como a postura da equipe gestora frente a uma ação democrática em meio às mudanças da atualidade.

             A equipe gestora, por sua vez, pode estabelecer a sua prática com autoritarismo ou com autoridade – dois conceitos distintos.

             Autoritarismo está ligado a arbítrio e a práticas antidemocráticas e anti-sociais. Autoridade ao contrário, refere-se a uma prática pró-social, que tem como objetivo levar o ser humano a perceber as normas colocadas pela sociedade, a julgar sua legitimidade e a avançar no sentido de tornar mais humana e mais democrática a vida em sociedade. Nesta perspectiva será feita uma análise dos tipos de gestão onde ocorre autoridade sem autoritarismo.

             Para que haja democracia escolar, a equipe gestora precisa atuar em todos os segmentos colegiados, oportunizando a cada membro, espaço para posicionar-se criticamente e para apresentar seus questionamentos.

             Outro aspecto importante é a flexibilidade, pois nem sempre é a opinião particular da equipe gestora que prevalece. Sabe-se que existem diretores que agem de forma autoritária impondo suas ideias, anulando a opinião de muitos e consequentemente desmotivam os integrantes que fazem parte dos colegiados.

2 A EQUIPE GESTORA

             Os novos cenários sociais e educacionais, apresentam impactos e desafios às Equipes gestoras, nas escolas, tais como: as freqüentes mudanças na LDB, violência, baixos salários pagos aos professores das redes públicas de ensino, falta de recursos humanos, avanços tecnológicos e professores com sentimentos de impotências frente à falta de comprometimento dos alunos. Diante de todo este cenário o gestor precisa mediar conflitos, ter um olhar atento a tudo e a todos buscando sempre o bem estar de todos e cumprindo o maior objetivo que é a qualidade do ensino/aprendizagem do aluno.

             O gestor escolar deve ser uma pessoa presente, atenta, participativa e motivadora no ambiente escolar, estabelecendo o sentido de unidade e mobilizando a participação dos demais profissionais e da comunidade, superando tensões e conflitos.

              O Diretor é o gestor escolar por excelência, aquele que lidera, gerencia e articula o trabalho de professores e funcionários em função de uma meta: aprendizagem de todos os alunos. É ele quem responde legal e judicialmente pela escola e pedagogicamente por seus resultados. ( Gestão Escolar, março/2010, p. 24.)

            A gestão é a instância de organização e funcionamento da escola. Ela acompanha a execução de um plano ou projeto. Constituem-se, assim, no aspecto da administração, junto com a política, planejamento e avaliação da instituição. Para Lück (2006, p. 1) o conceito de gestão "[...] está associado ao fortalecimento da democratização do processo pedagógico, à participação responsável de todos nas decisões necessárias e na sua efetivação mediante um compromisso coletivo com resultados educacionais cada vez mais efetivos e significativos".

                 O gestor escolar é o agente articulador, que assume, perante a comunidade, o compromisso de oferecer um serviço de qualidade, com habilidade para lidar tanto o administrativo-político quanto com o pedagógico. Hora (2005, p. 18) sinaliza que para o gestor "[...] sua principal função é realizar, por intermédio da administração, uma liderança política, cultural e pedagógica, a fim de garantir atendimento das necessidades educacionais de sua clientela, cuidando da elevação do nível cultural das massas". Desta forma, o gestor é o responsável direto pelas áreas da gestão pedagógica, gestão de recursos humanos e gestão administrativa.

             A gestão pedagógica é a ação mais importante porque institui objetivos para o ensino-aprendizagem e propõe metas para a concretização das propostas pedagógicas e sua avaliação.

             A gestão de recursos humanos compreende a gestão de pessoas: alunos, professores, comunidade escolar em geral. Na gestão administrativa, o gestor escolar deve zelar pela parte física e burocrática da escola, assim como dos direitos e deveres de todos os agentes da unidade, em acordo com o Regimento Interno Escolar.

             Sobre os gestores Lück (2007, p. 15) entende que são os funcionários da escola e que:

             Deste grupo fazem parte o diretor escolar, que é o líder responsável máximo por todo o processo escolar e mobilização de esforços e recursos para a eficaz realização dos objetivos educacionais; o supervisor/coordenador pedagógico, responsável pela orientação, acompanhamento e avaliação dos processos educacionais e o orientador educacional, responsável pelo atendimento na escola e em especial pela ação dos professores, às necessidades de desenvolvimento dos alunos como pessoas. (LÜCK et al., 2007, p. 15).

             A gestão de sistema educacional implica ordenamento normativo e jurídico e a vinculação de instituições sociais por meio de diretrizes comuns, pois:

            A democratização dos sistemas de ensino e da escola implica aprendizado e vivência do exercício de participação e de tomadas de decisão. Trata-se de um processo a ser construído coletivamente, que considere a especificidade e a possibilidade histórica e cultural de cada sistema de ensino: municipal, distrital, estadual ou federal de cada escola (BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2004, p. 23).

            Democratização, caminho fundamental que deve ser trilhado e praticado por todas as escolas, e a mesma precisa despertar para o que assegura e regulamenta a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no 9394/96, que, no artigo 14, apresenta os seguintes princípios:

             Art. 14 – os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios.

I. Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola.

II. Participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

             Neste sentido, para que ocorra a gestão democrática na escola, é importante detalhar os caminhos para a participação da comunidade escolar, bem como a garantia de financiamento das escolas pelo poder público. Para Buss (2008, p. 90) a gestão democrática exige em primeiro lugar:

           Uma mudança de mentalidade [...] convoca a comunidade e os usuários da escola a agirem como co-gestores e não apenas como fiscalizadores e, menos ainda, como meros receptores dos serviços educacionais. Na gestão democrática, pais e alunos, professores e funcionários assumem sua parte de responsabilidade pelo projeto da escola.

3  O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO

             É impossível falar de democracia escolar sem estudar sobre Projeto Político Pedagógico e a forma que deverá ser a construção deste. O projeto da escola é denominado em muitas escolas como Projeto Político Pedagógico (PPP). É um documento que orienta todas as ações do processo educativo, sendo primordial para a organização dos propósitos a serem alcançados.

             O primeiro passo para que toda a comunidade escolar participe ativamente e democraticamente da gestão escolar está na construção do Projeto Político- Pedagógico de forma coletiva. Para isso Silva Junior salienta que a constituição da autonomia da escola pela via do projeto pedagógico, supõe finalmente, a existência de condições para a prática do trabalho coletivo, entendido este como a valorização das pessoas e a relativização das funções. Pessoas autônomas valorizam um projeto e são valorizadas por ele em razão do seu compromisso e de sua lealdade e isso não está ligado necessariamente as funções desempenhadas e as posições ocupadas (SILVA JUNIOR, 2002, p. 206).             

             Para André (2001, p. 188), o Projeto Político Pedagógico não é somente uma carta de intenções, nem apenas uma exigência de ordem administrativa, pois deve "[...] expressar a reflexão e o trabalho realizado em conjunto por todos os profissionais da escola, no sentido de atender às diretrizes do Sistema Nacional de Educação, bem como às necessidades locais e específicas da clientela da escola".

             No entendimento de Libâneo (2004, p. 152) o Projeto Político Pedagógico está em constante reelaboração, reorganização e avaliação por que:

             O Projeto Político-Pedagógico pode ser comparado, de forma análoga, a uma árvore. ou seja, plantamos uma semente que brota, cria e fortalece suas raízes, produz sombra, flores e frutos que dão origem a outras árvores, frutos. Mas, para mantê-la viva, não basta regá-la, adubá-la e podá-la apenas uma vez.

             O Projeto Pedagógico tem duas dimensões: a política e a pedagógica. Na visão de André (2001, p. 189): "é político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade e é pedagógico porque possibilita a efetivação da intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo". "Essa última é a dimensão que trata de definir as ações educativas da escola, visando a efetivação de seus propósitos e sua intencionalidade" (Veiga, 1998, p. 12).

             Em relação à frequência das mudanças do Projeto Político Pedagógico, é importante considerar que há escolas que elaboraram este documento de forma democrática, outras, elaboraram de uma forma mais centrada na equipe diretiva escolar e outras ainda, consideram o PPP um documento obrigatório, porém utópico e desnecessário.

              Sabe-se que o Projeto Político Pedagógico deve ser conhecido por toda a comunidade escolar. Então, para uma maior observação do trabalho dos gestores, foram visitadas duas escolas estaduais do município de Viamão/RS. Porém, nas duas escolas, conforme depoimento de alguns professores, funcionários e até mesmo pais de alunos, os mesmos afirmam desconhecerem este documento e de nunca terem participado de uma reunião para a elaboração deste projeto. Ao ser questionado, a Equipe Diretiva afirmou que o PPP da escola fica na sala da direção e possuem uma cópia na sala da supervisão que está à disposição de quem quiser ver, porém até o momento ninguém demonstrou interesse em manuseá-lo.

            4  O CONSELHO ESCOLAR

             O Conselho Escolar é um órgão de representação da comunidade escolar. Trata-se de uma instância colegiada que deve ser composta por representantes dos segmentos da comunidade escolar como: pais, alunos, professores, direção e demais funcionários. O papel do Conselho Escolar é o de contribuir para que o estabelecimento de ensino consiga superar suas dificuldades em busca do sucesso educacional.

             De acordo com Navarro (2004, p. 39) o Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares estabelece que o Conselho Escolar tem as seguintes funções:

 a) Deliberativas: quando decidem sobre o Projeto Político Pedagógico e outros assuntos, aprovam encaminhamento para a solução de problemas; garantem a elaboração de normas internas sobre questões referentes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, administrativo ou financeiro; e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino;

b) Consultivas: quando têm caráter de assessoramento fazendo sugestões sobre as questões encaminhadas pelos diversos segmentos da escola;

c) Fiscais: quando acompanham e avaliam a execução das ações pedagógicas e financeiras, cuidando para que todos os esforços sejam voltados para o cumprimento do ensino de qualidade;

d) Mobilizadoras: quando incentivam a participação de todos os segmentos da escola garantindo a democracia participativa na busca da qualidade educacional.

             Portanto, é importante que o gestor, em conjunto com o Conselho Escolar, trabalhe em parceria com todos os setores da escola, coordenando o trabalho dos funcionários, professores, pessoal técnico-pedagógico, alunos e pais envolvidos no processo educacional.

             Uma questão a ser considerada é o fato de que cada membro do conselho escolar não recebe nenhuma gratificação para motivar o empenho neste trabalho. Os professores muitas vezes precisam deixar a sala de aula para se reunir, prejudicando o bom andamento das aulas, ou então precisam se reunir fora do horário das aulas, prejudicando sua vida pessoal.

             Em uma das escolas visitadas, observou-se uma gestão democrática somente no papel através das assinaturas dos membros dos conselhos escolares, e percebeu-se que, na prática, ocorrem reuniões apenas de prestações de contas e esclarecimentos de decisões já tomadas pela equipe diretiva ocorrendo assim uma grande desmotivação por parte dos pais, alunos, funcionários e professores que fazem parte deste órgão.

        [...] a gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação e as suas formas externas – as eleições, as assembléias e as reuniões. Ela esta a serviço dos objetivos do ensino, especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino-aprendizagem. Além disso, a adoção de práticas participativas não esta livre de servir à manipulação das pessoas, as quais podem ser induzidas a pensar que estão participando. De fato, frequentemente, são manipuladas por movimentos, partidos e lideranças políticas, em defesa dos próprios interesses. A participação não pode servir para respaldar decisões previamente definidas, mas deve ser uma forma de levar a equipe escolar a soluções inovadoras e criativas (LIBÂNEO, 2005, p. 335-336).

             No outro estabelecimento de ensino, do mesmo município, a gestão escolar tem ocorrido de forma democrática, onde todas as decisões ocorrem no grupo do Conselho Escolar e para que todos estejam motivados a participar, a Equipe Diretiva incentiva a todos para, além de votarem, expressarem suas opiniões sobre o motivo de tal decisão.

             Quanto à administração pública dos recursos financeiros, os mesmos devem ser gerenciados com base nos princípios da gestão escolar referente ao financiamento da educação, descritos no Artigo 37 da Constituição Federal de 1988. Estes princípios são baseados na legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência, indicando que ao administrar os recursos públicos, o gestor estará gerenciando algo que não é seu, mas de todos. Isto requer que o gestor perceba a gestão financeira como uma das atribuições de seu cargo e tenha uma visão correta da realidade escolar.

             Constata-se, desta forma, que o gestor deve planejar coordenar e prestar contas de todos os investimentos e despesas realizados com os recursos públicos recebidos. Neste sentido, Buss (2008, p. 161) recomenda que: "O planejamento financeiro elaborado e executado em consonância com o coletivo, com o Conselho Escolar e seu Projeto Político Pedagógico, irá favorecer o sucesso no alcance de resultados mais eficazes e positivos, satisfazendo a comunidade escolar".

             Seguindo esses passos, a função social da escola deixa de ser um acumulado de tentativas de ações e passa a se evidenciar em trabalho conjunto, com resultados significativos em várias dimensões: administrativa, pedagógica, humana e jurídica.

            5 O CAIXA ESCOLAR

            O caixa escolar é instituição jurídica, de direito privado, sem fins lucrativos, que tem como função básica administrar os recursos financeiros da escola, oriundos da União, Estados e Municípios, e aqueles arrecadados pelas unidades escolares. Ou seja, são unidades financeiras executoras, na expressão genérica definida pelo Ministério da Educação. Os recursos recolhidos por ela destinam-se à aquisição de bens e serviços necessários à melhoria das condições de funcionamento da escola, incluídos no seu plano de desenvolvimento.

            A estrutura do Caixa Escolar é geralmente constituída de um presidente, que é o diretor ou o coordenador da escola, de um tesoureiro e do conselho fiscal. Recomenda-se que o conselho fiscal seja integrado por membros do conselho escolar. Ela é composta de três órgãos: assembléia geral, diretoria e conselho fiscal. Este último compõe-se de representantes de pais de alunos e de outras pessoas da comunidade. O Caixa Escolar e o Conselho Escolar, juntos, se complementam, cabendo ao conselho escolar aprovar as prioridades propostas pela escola para a alocação de recursos e a prestação de contas de sua aplicação. O caixa viabiliza a aplicação dos recursos, observando os instrumentos legais em vigor e de acordo com as prioridades aprovadas pelo conselho escolar.

           Embora já venha se instituindo historicamente, ancorada nos movimentos sociais desde a década de 70, O Caixa Escolar passou a ter maior importância a partir de meados da década de 90, quando o MEC passou a transferir recursos financeiros diretamente para as unidades escolares, de acordo com o princípio da escola autônoma, estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996. Outras estruturas de gestão colegiada que podem atuar no lugar ou em conjunto com o Caixa Escolar são a Associação de Pais e Mestres (APM), e o Conselho de Escola desenvolvendo assim uma ação democrática em todos os âmbitos escolares.

           6 AUTORITARISMO E AUTORIDADE

            A forma de gerenciar uma escola de maneira democrática exige da equipe gestora um total equilíbrio para manter a ordem democrática do estabelecimento uma vez que o Diretor escolar é membro integrante de todos os órgãos escolar tais como o Conselho Escolar, Círculo de Pais e Mestres e Caixa Escolar.

             Mesmo com todos estes órgãos trabalhando juntos ainda assim existe a possibilidade de a escola não ser totalmente democrática. Esta situação ocorre quando o diretor na qualidade de membro integrante de todos os órgãos, leva suas decisões prontas e, com apelo, procura convencer os integrantes do grupo de que sua decisão é a mais cabível possível. Outra situação comum vivenciada nas escolas é que no momento de compor uma chapa para conselho escolar ou CPM, o diretor já faz um convite especial aos membros - escolhido por ele - para comporem a determinada chapa, e os membros - por terem sido convidados - são pessoas que trabalham nestes órgãos apenas para formalizar as decisões que já vem prontas do gabinete do diretor.

               Uma escola democrática é uma escola que se baseia em princípios democráticos    em especial na democracia participativa, dando direitos de participação iguais para estudantes, professores e funcionários. Esses ambientes de ensino colocam as vozes da juventude como os atores centrais do processo educacional, ao engajar estudantes em cada aspecto das operações da escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança. Os adultos participam do processo educacional facilitando as atividades de acordo com os interesses dos estudantes ( Wikipédia).

            Todas as Leis favorecem para que as escolas sejam completamente democráticas, porém cabe a cada membro da comunidade escolar se envolver de forma que todos os estabelecimentos de ensino sejam completamente democráticos, ocorrendo (contribuindo) para um melhor desempenho escolar dos alunos.        

                        7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

             O papel do diretor frente à democracia exige comprometimento e flexibilidade diante das diversas tomadas de decisões que partem dos anseios da comunidade escolar. Vê-se por um lado, a equipe diretiva tendo que participar de diversas reuniões administrativas, lidar com o preenchimento de diversos formulários de informações que devem ser encaminhados aos órgãos superiores e gerenciar toda a equipe do quadro de pessoal da escola. Por outro lado, o processo de ensino/aprendizagem dos alunos precisa ser prioridade, em acordo com o Projeto Político Pedagógico da escola. Como uma mola propulsora, a Equipe Diretiva precisa estar completamente comprometida no desempenho de suas funções escolares para que não resulte em uma má administração escolar, podendo contribuir negativamente para a aprendizagem escolar dos alunos.

            O diretor precisa buscar com muito empenho a participação coletiva da comunidade escolar, valorizando cada membro, pai ou responsável, cadastrar a escola junto a Secretaria da Educação para que consiga bons Amigos da Escola, valorizar e respeitar cada opinião e acima de tudo manter um espírito democrático e humilde para aceitar as críticas e opiniões contrárias. Valorizar cada membro da comunidade – pois muitas vezes eles fazem diferenças devido ao nível de escolarização ou o tipo de ocupação (se trabalha ou não) – levando em consideração o conhecimento de mundo e da própria realidade em que estão inseridos, pois tais aspectos muito poderão contribuir nas tomadas de decisões e assim uma nova realidade poderá ser vista de outro "ângulo".

             Acredita-se que se estes pais participativos forem honrados, com um destaque especial em festas e atividades extraclasse, muitos se sentirão motivados a participar dos órgãos de colegiados da instituição, pois um processo educativo integrado contempla na sua essência, as necessidades dos alunos e de toda a comunidade escolar.

Diante das observações e pesquisa, conclui-se que é possível haver democracia escolar, porém requer esforço por parte de toda a equipe diretiva, pois ninguém pode ser o único detentor da verdade. O bom gestor é aquele que exerce o seu mandato com autoridade, sem ser autoritário. Pois, somente e por meio de uma equipe unida será possível construir uma escola democrática capaz de formar cidadãos conscientes, críticos e prontos para atuarem na sociedade e no mercado do trabalho.

               8 REFERÊNCIAS

ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo. O projeto pedagógico como suporte para novas formas de avaliação. In: Amélia Domingues de Castro e Anna Maria Pessoa de Carvalho (Orgs.). Ensinar a Ensinar. São Paulo, 2001.

BRASIL, Lei no 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial [da União], Brasília, 20 de dezembro de 1996.

______. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988/obra coletiva de autoria da editora Saraiva com a colaboração de Antonio Luiz de Toledo Pinto. Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt e Luiz Eduardo Alves de Siqueira. 24 ed. São Paulo: Saraiva. (Coleção Saraiva de legislação).

______. Ministério da Educação. Secretária de Educação Básica. Programa Nacional de Fortalecimento dos conselhos escolares. vol. 5. p. 23, 2004.

BUSS, Rosinete Bloemer Pickler. Gestão Escolar. Indaial: Editora ASSELVI, 2008.

HORA, Dinair Leal da. Gestão democrática na escola. Campinas: Papirus, 2005.

http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=268  08/02/2012 às 10h 29m

http://pt.wikipedia.org/wiki/Escolas_democráticas    08/02/2012 11h 08m

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão Escolar: Teoria e prática. 5. ed. Goiânia: Alternativa, 2004.

 LÜCK, Heloisa. Gestão educacional: uma questão paradigmática. Petrópolis: Vozes, 2006.

 LÜCK, Heloisa et al. A escola participativa: o trabalho do gestor escolar. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2007.

 NAVARRO, Ignez Pinto et al. Conselhos escolares: democratização da escola e construção da cidadania. Brasília: MEC, SEB, 2004. (caderno 1).

 SILVA JUNIOR, C. A. da. O espaço da administração no tempo da gestão.MACHADO, L. M.; FERREIRA, N. S. C. Política e gestão da educação: dois olhares. 2002.

 VEIGA, Ilma Passos Alencastro (Org.). Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 23. ed. Campinas: Papirus, 2001.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/o-papel-da-equipe-gestora-para-que-a-escola-seja-completamente-democratica-na-pratica-6124644.html

    Palavras-chave do artigo:

    equipe gestora

    ,

    democracia

    ,

    projeto politico pedagogico

    Comentar sobre o artigo

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    Ereci Coelho

    Diante de inúmeros jogos, música que isentiva as crianças as práticas desonestas, qual a postura dos pais e educadores frente a estes acontecimentos? O presente artigo tem por finalidade levar o leitor refletir e debater sobre este tema que para muitos são apenas jogos inofensivos na formação da criança e para outros, há uma grande influencia negativa sim.

    Por: Ereci Coelhol Educaçãol 02/09/2011 lAcessos: 154
    Ereci Coelho

    Neste artigo será abordada a importância das práticas curriculares obrigatórias para as mudanças de opiniões e quebra de pré-conceitos formados pelo senso comum que levam às decisões futuras a cerca das escolhas profissionais. Através da pesquisa, experiências e muitos estudos, a autora relata de que forma pode-se desmistificar pensamentos errôneos a cerca da educação infantil bem como a forma e metodologias aplicadas a esta etapa tão importante da vida escolar de uma criança.

    Por: Ereci Coelhol Educaçãol 01/09/2011 lAcessos: 294
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