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OS ELEMENTOS ESSENCIAIS NA FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO REFLEXIVO

Por: Ana Paula Brito Ranking do Autor Bronza | Publicado em: 07-03-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 906 | Avaliação:  (380) Ranking do Artigo Bronza (?)

INTRODUÇÃO

Atuar no ensino de graduação em enfermagem, como supervisoras de estágio nas disciplinas de Administração e Saúde do Idoso, trouxe a reflexão da grande responsabilidade em oferecer elementos importantes para o ensino da prática profissional, através de uma linguagem comum que facilite para o aluno, o processo de reflexão utilizando-se de todos os elementos e instrumentos oferecidos em sala de aula e da prática em campo de estágio.

A Enfermagem vem progredindo expressivamente, buscando firmar-se como detentora do saber científico, sem deixar de lado o aspecto humanitário da profissão. Nos dias de hoje a profissão tem se especializado cada vez mais, pois o campo de trabalho tem se tornado cada vez mais amplo, indo da área da saúde pública até a gestão de negócios, em áreas comerciais de empresas voltadas para a área da saúde.

Quando a prática nos mostra que há necessidade de mudanças, é indispensável realizar uma reflexão cuidadosa para decidir o que, como e porque mudar. As atividades de ensino-aprendizagem devem ser planejadas e acompanhadas rigorosamente com a utilização de um referencial teórico explícito, pois propor uma mudança sem planejamento pode levar a resultados inesperados, e muitas vezes, até desastrosos.

O processo de formar enfermeiros reflexivos é extremamente complexa. Uma das tarefas mais importantes da prática educativa-crítica é dar condições aos alunos, em suas relações inter-pessoais, de tornar-se um ser social e histórico como ser pensante, comunicante, transformador e criador. “Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade”, FREIRE (1996, p.102).

A comunicação estabelecida entre os diversos sujeitos, alunos, professores, profissionais da saúde e clientes é extremamente relevante para se exercer a prática de ensino-aprendizagem, sendo o diálogo o mediador do processo de ensinar-aprender, sendo exigido uma postura ética por ambas as partes envolvidas (professor e aluno), o que permite que ambos aprendam com a experiência um do outro, sendo as informações sempre valorizadas, gerando confiança entre aluno e professor e vice-versa.

O MUNDO DO TRABALHO NA ENFERMAGEM

O grande desafio dos professores é formar enfermeiros crítico-reflexivos exigido pelo mercado de trabalho, enquanto agentes inovadores e transformadores da realidade, inseridos e valorizados no mundo do trabalho.

O ensino de enfermagem de nível superior não prepara suficientemente o enfermeiro para o seu exercício profissional e está pouco adequado ao mercado de trabalho.

Atualmente a postura pedagógica tende a formar enfermeiros não críticos frente às redes de interesse na área da saúde. GERMANO (1993, p.105) afirma sobre o ensino de enfermagem:

É (...) uma prática bancária, conservadora e não uma prática problematizadora, questionadora, que se faz presente na formação dos profissionais de enfermagem e nessa perspectiva bancária, no dizer de Paulo Freire, é mais um elemento a contribuir na reprodução das desigualdades sociais.

Segundo SORDI, BERGANATO (1998), para que a formação na área possa dar o salto qualitativo proposto, há a necessidade de que as seguintes rupturas ocorram:

1. Criação de novos paradigmas que esclareça o que se entende por ciência;

2. Reorganização do trabalho pedagógico acelerando as transformações teóricas e aproximando discussão e ação.

É necessário desenvolver habilidades sociais e ação crítica e ética, que possam impulsionar o rompimento com os atuais paradigmas de gestão.

O curso de graduação deve possibilitar ao futuro enfermeiro, sua instrumentalização para a intervenção na realidade, favorecendo a organização/ reorganização do trabalho.

A competência profissional é definida como a capacidade de articular e mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes, colocando-os em ação para resolver problemas e enfrentar situações de imprevisibilidade em dada situação e contexto cultural. De acordo com a UNESCO, 1999, referente à Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, os sistemas educativos devem alicerçar-se em torno de quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a fazer; aprender a viver em conjunto a aprender a ser, que são habilidades exigidas de um profissional reflexivo.

COMO EDUCAR O PROFISSIONAL REFLEXIVO

A metodologia de ensino utilizada pelo docente deve considerar o aluno como sujeito, do processo ensino-aprendizagem, auxiliando a desenvolver a curiosidade epistemológica e reflexão CESTARI E LOUREIRO (2004).

A reflexão do professor sobre a sua própria prática supõe que a docência também é fonte de conhecimento, por se tratar de uma forma de investigação, O professor enquanto prático-reflexivo constrói uma teoria própria e explicativa da sua prática, contribuindo para a formação de novos conhecimentos, e com isso realiza a tradução do conhecimento em conteúdos didaticamente assimiláveis pelo aluno, que é chamado de transposição didática, sendo um dos diferenciais da docência como profissão.

SCHON (2000) define esse processo como ciclo vicioso da aprendizagem, que leva professor e aluno ao diálogo.

A comunicação estabelecida entre os diversos sujeitos, alunos, profissionais da equipe de saúde, pacientes, professores, mostra-se como extremamente relevante para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem.

A comunicação estabelecida entre aluno e professor evolui do silêncio dos alunos para uma comunicação funcional, que tem como objetivo a realização de ações práticas (troco o curativo?). A problematização das situações vividas e a busca coletiva de estratégias de superação das dificuldades permitem que, aos poucos, os alunos percam a desconfiança quanto as reais intenções dos docentes e começassem a verbalizar seus pensamentos sem preocuparem-se em ocultar seu não saber.

A partir do diálogo com os alunos é possível conhecer os fatores que condicionam sua comunicação com os pacientes que, inicialmente parece ser estereotipada e, aparentemente, não considera o paciente como sujeito. É possível perceber, então, que o medo de não saber responder as perguntas do paciente e o constrangimento de se aproximar dele sem ter um objetivo claro, como realizar um curativo, levam os alunos a manterem-se afastados, estabelecendo uma comunicação padronizada. O reconhecimento destas dificuldades é que permitem o estabelecimento de estratégias, tanto individuais quanto coletivas, para sua superação.

É por meio de uma comunicação efetiva que o professor pode saber como o aluno aprende o que permite estabelecer atividades de ensino-aprendizagem mais individualizadas.

Os alunos demonstram também, por palavras e ações, qual o saber e o fazer que valorizam e, conseqüentemente, o que julgam seja, ou deva ser o trabalho da enfermagem. Estes dados também se mostram relevantes já que possibilita a problematização tanto da teoria quanto da prática do processo de ensino-aprendizagem e do trabalho profissional e apontam para as possíveis lacunas no currículo adotado e a sua aderência, ou não, a um projeto de prática da enfermagem.

O tipo de comunicação, e em conseqüência o tipo de relacionamento, que o professor estabelece com os alunos, com os pacientes e com a equipe de saúde, condiciona a comunicação dos alunos com o próprio professor, com os pacientes e com a equipe. O conhecimento que alunos e professores consideram necessário está relacionado com o tipo de atividades que são privilegiados, e o que é relegado a segundo plano, condicionando a própria comunicação destas com a equipe, com os pacientes e entre si. O professor estabelece estratégias baseadas na crença que possui sobre como os alunos podem adquirir os conhecimentos e habilidades julgadas necessários. Os alunos, com suas características e interesses específicos, podem, ou não, beneficiar-se com as estratégias implementadas e são capazes de demonstrar, de forma explícita ou não, como aprendem e como gostariam de aprender.

Frente ao quadro extremamente complexo existente nas instituições de saúde, com inúmeros focos de conflito, o planejamento das atividades de ensino-aprendizado desenvolvidas devem levar em conta, além de outros aspectos, as características deste ambiente. O planejamento e acompanhamento cuidadosos podem impedir tanto a alienação de professores e alunos da realidade que as circunda quanto sua total imersão nesta realidade. Da mesma forma, a reflexão sobre as experiências concretas contribui significativamente para que professores e alunos consigam desenvolver um processo de ensino-aprendizagem que, de fato, instrumentalize os estudantes para uma atividade profissional que seja crítica e criativa.

REFERÊNCIAS

CESTARI, M.E.; LOUREIRO, M. O processo de ensinar e aprender enfermagem; Revista electrônica semestral Enfermería Global – Docencia y Formación, nº7, novembro de 2005.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. – São Paulo, Paz e terra, 1996.

GERMANO, R.M. Educação e ideologia da enfermagem no Brasil. São Paulo: Cortez, 1993.

SCHON, D.A. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre. Artmed, 2000.

SORDI, M.R.L. de; BAGNATO, M.H.S. Subsídios para uma formação profissional crítico-reflexiva na área da saúde: o desafio da virada do século. Rev.latino-am.enfermagem, Ribeirão Preto, v.6, m.2, p 83-88, abril 1998.

UNESCO. Política de mudança e desenvolvimento no ensino superior. Rio de Janeiro. Garamond, 1999.

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Fonte Artigos - Artigonal.com

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Ana Paula BritoPerfil o autor:

Enfermeira.
Supervisora de Estágio do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Nove de Julho (Uninove).
Aluna do curso de pós-graduação lato sensu em Formação de Docentes para o Ensino Superior do Centro Universitário Nove de Julho (Uninove).
Membro do Comitê Assessor do Grupo de Pesquisa Administração e Planejamento em Saúde da Fundação Getulio Vargas - SP - FGV-SP

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