Professores fascinantes e os desafios na arte de ensinar frente às transformações oriundas do século 21

08/12/2011 • Por • 242 Acessos

A FORMAÇÃO DO PROFESSOR FASCINANTE E SEUS DESAFIOS NA ARTE DE ENSINAR        

              A formação do professor na sociedade brasileira, segundo Saviani (1989), até meados da década de 30, fundamentava-se na pedagogia tradicional, na qual os educadores tradicionalistas acreditavam que sua tarefa principal era a de transmitir as informações, as regras e os valores coletados do passado para as novas gerações. No entanto, com o surgimento de uma nova sociedade industrializada o ensino tradicional clássico foi perdendo seu vigor e não mais correspondia às necessidades do "aprender fazendo" da sociedade capitalista, no qual a construção do conhecimento se dava através da aprendizagem cooperativa e significativa. 

              Tais transformações sugerem a profissionalização do professor, sendo necessário que o docente desenvolva hábitos inerentes a esse processo, como ler, estudar, refletir e pesquisar. A partir disso, surgirá um profissional de educação com novas atitudes, o professor reflexivo e, por sua vez, o professor pesquisador (Schön, 2000). Esta atitude cria condições favoráveis para o desenvolvimento de atividades de pesquisa na sala de aula, isto é, de educar pela pesquisa.

              Sendo que neste contexto necessita-se de um professor capacitado, que esteja em constante aprendizado e acima de tudo interaja com o sistema de ensino e às suas necessidades sociais, portanto é essencial que o exercício do profissional de educação seja constituído de uma formação profunda, crítica, para que ele possa acompanhar as transformações que se impõem no contexto da sociedade.

              As situações desafiadoras, entretanto, o colocam imerso em um cenário complexo, vivo e mutável, enfrentando problemas individuais e grupais, mas o êxito do profissional depende de sua capacidade de manejar a complexidade e de resolver problemas práticos, sendo necessário um processo reflexivo para vencer os desafios que se apresentam na sua prática. Nesse sentido, observa-se que somente uma reflexão sistemática e continuada é capaz de promover a dimensão formadora da prática.

             Portanto, ao estruturar sua proposta pedagógica, utilizando tecnologia digital, o professor precisa estabelecer vínculos com os alunos, conhecer seus interesses, saber o que o aluno já sabe o que não sabe e o que gostaria de saber. Motivar o mesmo a fazer parte da proposta pedagógica, colocando-o a par do que será abordado e convidá-lo a contribuir. Dessa maneira, o professor ao estruturar o planejamento, ao utilizar novas técnicas e contar com a co-participação do aluno, estará experimentando outras propostas pedagógicas, qualificando o processo de ensino/aprendizagem.

             Refletir a prática apresenta-se, então, com dois aspectos complementares:  em primeira instância aliar teoria e prática e por outro lado, refletir a prática, adotando como perspectiva a possibilidade inerente de construção de um novo saber.

             Posto que através desta conotação o professor tornar-se-á preparado para o novo, para o difícil, para outras circunstâncias através de permanente interação, contextualização e colaboração, além da capacidade de aprender autonomamente, o que se tornou fundamental. Partir do próprio saber dos alunos para vencer obstáculos, estabelecendo relações entre o saber, a experiência e o trabalho, numa visão longitudinal dos objetivos, observando e avaliando as situações, valorizando as tecnologias e os dispositivos didáticos, criando, intensificando e diversificando, o desejo de aprender, são rotinas que devem fazer parte da atuação do professor.                         

              Portanto, a prática docente reflexiva exige que o professor não se limite às investigações produzidas na escola, devendo produzir um conhecimento prático, sendo que tal forma de pensar e agir pode orientar mudanças e dar respostas a certos dilemas que aparecem no dia a dia do exercício profissional.

             Com a chegada do século XXI, o compromisso do professor com os temas atuais da educação em sentido amplo vai além da simples transmissão de conhecimento e, sua experiência profissional é uma questão de reflexão. Educar, no entanto, é ato consciente e intencional que ultrapassa a etapa do instruir e somente o professor que busca conhecer intensamente o processo de ensino/aprendizagem poderá modificar e aperfeiçoar a sua prática, tendo na formação escolar condição necessária, mas não suficiente, para garantir uma atuação comprometida com um projeto educacional em evolução.

            Neste contexto, as pesquisas sobre a formação de professores e os saberes docentes surgem como marca da produção intelectual, com o desenvolvimento de estudos que utilizam uma abordagem teórico-metodológica que dá a voz ao professor, a partir da análise de trajetórias, histórias de vida. Segundo Nóvoa (1995), esta nova abordagem veio em oposição aos estudos anteriores que acabavam por reduzir a profissão docente a um conjunto de competências e técnicas, gerando uma crise de identidade dos professores em decorrência de uma separação entre o eu profissional e o eu pessoal. Essa virada nas investigações passou a ter o professor como foco central em estudos e debates, considerando o quanto o "modo de vida" pessoal acaba por interferir no profissional. Acrescenta-se ainda que esse movimento surgiu, num universo pedagógico, numa vontade de produzir um outro tipo de conhecimento, mais próximo das realidades educativas e do quotidiano dos professores.

             Repensando a formação dos professores a partir da análise da prática pedagógica, Pimenta (1999) identifica o aparecimento da questão dos saberes como um dos aspectos fundamentais nos estudos sobre a identidade da profissão do professor e partindo dessa premissa pode-se considerar que a identidade é construída a partir da significação social da profissão, da revisão constante dos significados sociais.

               Dessa forma, se resgata a importância de se considerar o professor em sua própria formação. Processo pelo qual os saberes vão se constituindo, a partir de uma reflexão teórico/pedagógica, onde as novas abordagens de pesquisa passam a reconhecer o professor como sujeito de um saber e de um fazer, fazendo surgir à necessidade de se investigarem os saberes de referência sobre suas próprias ações e pensamentos, já que a análise dos valores e princípios de ação que norteiam o trabalho dos docentes pode trazer novas luzes sobre a compreensão acerca dos fundamentos, seja no sentido de desvendar atitudes e práticas presentes no dia-a-dia das escolas que historicamente foram ignoradas pela literatura educacional. Para Cury (2003 p.07) "Um excelente educador não é um ser humano perfeito, mas alguém que tem serenidade para se esvaziar e sensibilidade para aprender".

              O professor é um facilitador, mas tem os limites do conteúdo programático a seguir, o tempo de aula e as normas legais para cumprir. Ele tem uma grande liberdade concreta, na forma de conseguir organizar o processo de ensino/aprendizagem, mas dentro dos parâmetros básicos previstos socialmente. Para tanto, é preciso que se conheçam alguns papéis da memória e algumas áreas do processo de construção da inteligência para encontrar as ferramentas necessárias e capazes de dar uma reviravolta na educação.

             Hoje em pleno século XXI, acredita-se que se devam transformar a formação desse professor, transpondo as práticas cristalizadas pela sua formação inicial. Refazendo o seu caminho e construindo novos, através de uma nova postura que o leve a posicionar-se e assumir-se profissionalmente e politicamente como um educador.

              Uma vez que, assim o professor transcenderá e garantirá um espaço pedagógico, político e social, que mesmo dependente da legislação, das normas e dos programas oficializados pelo Estado, favoreçam um espaço de luta e ações efetivas, apontadas como possibilidades reais, contra essa Educação que domina, seleciona e exclui.

              Tomando como referencial o contexto histórico-social da formação de professores, percebe-se a necessidade de se descrever tal trajetória, apontando os descaminhos nesta formação como indicativo para a reconstrução de um novo pensar e agir dos professores, frente aos novos desafios apontados na realidade.

               Entretanto, para se efetuar uma verdadeira transformação no cenário educacional, deve-se ir além da interpretação de uma lei, dever-se-á buscar o que não está escrito em seus artigos, transformar o ensino, lutar para mudar a escola, promovendo alterações estruturais e reformas curriculares coerentes. Mas, antes de tudo, dever-se-á fortalecer a profissão do professor tão desgastada pelas lutas diárias.

              Nesse contexto, torna-se necessário um novo olhar às necessidades da sociedade que não atendem mais ao modelo educacional obedecido e propagado na formação inicial dos professores. Formar-se um professor crítico, agente ativo, cuja auto-análise reflexiva leva à ação, é tornar-se agente responsável como investigador ativo na releitura do mundo e da sala de aula, a partir de uma pesquisa que favoreça um pensar sobre o próprio pensar, sobre a própria formação. Ou seja, é assumir uma atitude reflexiva nas práticas pedagógicas que oportunize liberdade aos procedimentos rígidos como fonte de estratégias que sejam compatíveis com cada dificuldade encontrada e que favoreçam oportunidades para o desenvolvimento de uma ação democrática.

           Portanto, os cursos de formação de professores devem ser capazes de inovar, de identificar problemas, encontrar as soluções tornando o professor reflexivo, conhecedor de seu próprio cotidiano, produzir novas atitudes, construir conhecimentos, pesquisar, efetuar um diálogo entre a didática e a prática, que proporcione as aulas momentos de reflexões, que favoreça espaço para respostas críticas, que efetue questões concretas em suas avaliações a fim de amenizar os fracassos escolares, que transforme a sua avaliação em uma perspectiva de reconstrução, de erro e desacerto, e novas possibilidades, a partir do domínio de conteúdos científicos, pedagógicos e técnicos, do seu compromisso ético, político, histórico e social para com a educação.