Psicopedagogo: Qual É O Seu Papel Diante Da Avaliação Escolar?

Publicado em: 03/12/2009 |Comentário: 0 | Acessos: 7,963 |

 

 

 

 

ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL

DISCIPLINA: TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO - TCC

 

 

 

 

Avaliação Educacional

 

 

 

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito parcial à obtenção de grau no Curso de Pós-graduação em Psicopedagogia Institucional da EADCON.

 

 

 

 

 

 

 

Araguaina – TO

2008

ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL

DISCIPLINA: TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO - TCC

 

 

 

 

 

PSICOPEDAGOGO: QUAL É O SEU PAPEL DIANTE DA AVALIAÇÃO ESCOLAR?

 

 

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito parcial à obtenção de grau no Curso de Pós-graduação em Psicopedagogia Institucional da EADCON.

 

 

 

 

 

 

 

 

Pós-graduando:

 

 

 

Suedem Alceno Medeiros               AL 4009716

 

 

 

 

Araguaina – TO

 2008

TERMO DE APROVAÇÃO

 

 

 

 

SUEDEM ALCENO MEDEIROS  al4009716

 

 

 

 

 

PSICOPEDAGOGO: QUAL É O SEU PAPEL DIANTE DA AVALIAÇÃO ESCOLAR?

 

 

 

 

Relatório final de Estágio Supervisionado na Instituição Escolar apresentado à EDUCON – Educação Superior com Alta Tecnologia, como requisito obrigatório para a conclusão do Curso de Especialização em Psicopedagogia Institucional.

 

 

 

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Coordenação de Pós-Graduação em Educação

 

 

Nome e Assinatura

dos Membros da Banca Examinadora

 

 

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EADECON – Tecnologia em Educação Continuada

 

ARAGUAINA – 2008

 

 

EPÍGRAFE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Toda criança possui os elementos necessários para gostar de si mesma. Toda criança aprende a ver-se a si mesma tal qual vêem as pessoas importantes que a rodeiam. A criança constrói sua auto-imagem de acordo com as palavras, a linguagem corporal, as atitudes e os julgamentos dos outros. A criança julga a si própria da mesma maneira como os outros a julgam e, finalmente a alta estima surge de experiências”.

                                 MOSQUERA

DEDICATÓRIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 À Deus ...

            

“Sempre estiveste ao meu  lado, nas minhas fraquezas,

 nas minhas alegrias e tristezas, nas minhas desilusões,

 nas lutas, vitórias e derrotas”.

 

 

AGRADECIMENTOS

 

 

        A Deus em primeiro lugar, por ser o Senhor da minha vida, e por esta sempre presente no meu dia a dia.

        A minha madrinha, Luiza Medeiros (in memorian) e minha mãe Marineth Medeiros, por terem me dado vida e formado em  mim as regras do bem viver. E ainda por terem colaborado de forma inigualável para a realização deste curso.

        A minha esposa Pra. Maria Ivanilde, pelo seu apoio incondicional, por seu auxílio, sua compreensão nos momentos mais difíceis desta jornada e por ser uma ajudadora fiel, companheira presente com seu amor e carinho ao meu lado.

       Aos meus filhos, Laryssa Medeiros, Suedem Junior, Suanny Medeiros, Kamilla Medeiros e Ariel Kauã que me apoiaram.

       Aos mestres que durante este percurso contribuíram e se preocuparam profundamente para que pudéssemos receber com excelência o conhecimento tão importante nos dias atuais, mesmo a distancia.

      A todos os amigos de turma, que foram solidários a mim em todo o tempo e que jamais serão esquecidos.

      Aos meus amigos em especial Pr. Roberto Rocha, Pra. Aldaires Rocha e Vitor Rocha, que sempre me ajudaram quando precisei.

Por fim, a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho.

 

 

 

 

 

SUMÁRIO

 

RESUMO..................................................................................................................viii

1. INTRODUÇÃO........................................................................................................1

2. OBJETIVOS............................................................................................................4

2.1. OBJETIVO GERAL...............................................................................................6

2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS.................................................................................6

3. METODOLOGIA.......................................................................................................8

4. REFERENCIAL TEÓRICO-EMPÍRICO....................................................................9

4.1. AVALIAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR E SOCIAL ..........................................9

4.2. AVALIAÇÃO: REFLEXO DE UMA PRÁTICA......................................................10

4.3 QUANTIDADE OU QUALIDADE?........................................................................12

4.4. DA  AVALIAÇÃO  À  AÇÃO.................................................................................15

4.5 UM MECANISMO DE EXCLUSÃO OU INCLUSÃO?...........................................16

4.6.O ERRO E SUAS IMPLICAÇÕES NO FRACASSO OU SUCESSO ESCOLAR..20

4.7. . A AVALIAÇÃO E O ESPAÇO PSICOPEDAGÓGICO.......................................23

4.8. A ESCOLA SOBREVIVERIA SEM AVALIAÇÃO?..............................................25

4.9. PSICOPEDAGOGO,OLHAR SENSÍVEL E REFLEXIVO SOBRE A CRIANÇA..27

5.. MODALIDADES DE AVALIAÇÃO.........................................................................29

5. CONCLUSÕES............................................................................................ ..........36

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................39

 BIBLIOGRAFIA..........................................................................................................43

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PSICOPEDAGOGO: QUAL É O SEU PAPEL DIANTE DA AVALIAÇÃO EDUCACIONAL?

         Suedem Alceno Medeiros¹

 

Resumo: Avaliar é dinamizar oportunidades de auto-reflexão, num acompanhamento permanente do professor. O professor deve assumir a responsabilidade de refletir sobre toda a produção do conhecimento do aluno, promovendo o movimento, favorecendo a iniciativa e a curiosidade no perguntar e no responder, construindo assim, novos saberes junto com o aluno.

         É preciso mudar muita coisa ainda no ensino brasileiro, principalmente a cabeça dos professores, pois estou convencido de que os professores que usam a avaliação de forma inadequada, só fazem isso porque não estão preparados. Tal desafio é ainda maior quando pensada como um instrumento de cidadania. Logo, discutir o papel da avaliação na construção e no desenvolvimento de uma consciência cidadã é importante para a tomada de decisões, para ética e para reflexão de um posicionamento crítico em função do mundo excludente e seletivo na qual estamos inseridos, visto que, na atual conjuntura os professores são desafiados constantemente pelo desconhecido e a renovação de suas práticas educacionais torna-se uma questão de “sobrevivência” da escola. Porém, esta renovação é complexa, devido a vários fatores. Dentre eles perpassam-se todos os aspectos da prática pedagógica (a necessidade de atualização dos profissionais de educação, a capacidade de contextualizar os conteúdos de ensino à realidade do educando, o fato de buscar promover a interdisciplinaridade - necessidade de articulação de conhecimento, evitando a fragmentação dos mesmos -, a utilização de recursos didáticos, a fim de tornar as aulas dinâmicas e prazerosas etc).

 

Palavras – chave: Dinamizar; Avaliação escolar;  Conciencia cidadã e decisões; Auto-reflexão; Conhecimento.

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¹. Acadêmico do Curso de Pós-graduação em Psicopedagogia na Modalidade Telepresencial  -  da EDUCON, Funcionário Publico da Rede Estadual de Saude - Pedagogo com Habilitação nos anos iniciais do Ensino Fundamental e Supervisão Educacional,  Ministro de Confissões Religiosa.

 

 

1.    INTRODUÇÃO

Atualmente a criança não é considerada como o centro da ação avaliativa. Comumente a avaliação é entendida como o resultado de testes, provas, trabalhos ou pesquisas que são dados ao aluno e aos quais se atribui uma nota ou conceito. Este aprova ou reprova. Temos, então, um julgamento.

Na verdade, a avaliação acompanha todo o processo de aprendizagem e não só um momento privilegiado (o da prova ou teste), pois é um instrumento de “feedback” contínuo para o educando e para todos os participantes. Nesse sentido, fala da consecução e não dos objetivos da aprendizagem.

Freqüentemente, o professor, preocupado em manter a disciplina e cumprir o conteúdo, não se interessa em saber se o aluno aprendeu ou não.

Julga que quem não aprendeu é porque é “desinteressado”, “carente”, “indisciplinado”. A avaliação precisa olhar o educando como ser social, sujeito do seu próprio desenvolvimento. A reconstrução da avaliação não acontecerá por experiências isoladas ou fragmentadas, mas por uma avaliação continuada e que ultrapasse o espaço da escola.

A principal questão tratada nesse trabalho foi: por que o professor tem dificuldade de avaliar o aluno da Educação Infantil?

O interesse por esse assunto surgiu das dificuldades enfrentadas pela pesquisadora em utilizar os instrumentos de avaliação na escola em que trabalha. Acreditou-se que o tema abordado fosse de interesse de professores, gestores, e orientadores educacionais. Através do tema escolhido, esta pesquisadora pretende pesquisar as avaliações feitas pelos professores na  Educação Infantil.

Sendo assim, neste estudo foi levantada a seguinte hipótese: o processo de avaliação na Educação Infantil deve ser de uma forma clara, contínua, com observação permanente do aluno, buscando dele a autonomia e liberdade.

O referencial teórico para esta monografia foi de Hoffmann (1999), onde a autora relata que a avaliação precisa ser diária através da observação permanente e que possibilite ao aluno uma aprendizagem, uma transformação  dos conhecimentos de forma efetiva e inteligente.

Buscando conhecer as diferentes formas de avaliar, foi realizada uma pesquisa de campo (pesquisa de campo consiste em aprofundar-se numa  única realidade) em uma escola da rede particular no seguimento da Educação Infantil, na zona oeste, com clientela de classe média alta e pais com formação superior.

Foi utilizada como instrumento uma entrevista onde quatro professores responderam a todas as perguntas relacionadas ao tema desta monografia.

Esta monografia ficou dividida em três capítulos.

No primeiro capítulo, foi definido como avaliar o aluno. Foram abordados alguns tópicos relativos a esse tema, tais como: o que é avaliação, o papel do professor no processo de avaliação e como o professor avalia.

O assunto do segundo capítulo tratou da avaliação na escola pesquisada. Nesse tópico, foram abordadas formas de avaliação.

O terceiro capítulo tratou das entrevistas que foram feitas com professores. Concluiu-se que na avaliação não é apenas a criança que é avaliada, mas todo o trabalho pedagógico oferecido a ela, também é avaliado, repensado e modificado sempre que necessário.

Frente a tais situações é imprescindível, que a escola valorize a família dos educando, buscando sempre aproximá-las do ambiente escolar, e que os professores busquem sempre a trabalhar de acordo com a realidade dos educandos. É o que se espera do sistema educativo na escola contemporânea, que o papel do professor seja levar o aluno a aprender para conhecer, o que pode ser traduzido por aprender a aprender, em que o aluno é capaz de exercitar a atenção, a memória e o pensamento autônomo.

Quanto à delimitação do campo de estudo, buscou-se apoio nos trabalhos anteriores de Estágio Supervisionado realizado no decorrer do Curso de Pedagogia, principalmente na Observação e Regência em sala de aula e nas Pesquisas Bibliográficas e virtual, embasamento principal deste, pois sem uma fundamentação teórica condizente, não seria possível realizar um trabalho desse porte.

Para uma melhor compreensão do assunto, buscou-se abordar o mesmo sob um ponto de vista amplo e reflexivo, levando-se em consideração conforme frisado anteriormente, estudos realizados nas disciplinas de Pesquisa na Prática Pedagógica e Estágios Supervisionados dos Cursos de Graduação – Pedagogia e de Pós-graduação - Psicopedagogia, os quais serviram de bases para o desenvolvimento deste.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2.    OBJETIVOS

2.1.        Objetivo Geral

Conhecer mais a fundo esses problemas  que  envolovem a avaliação             afetam a relação entre professor e aluno, aos viés educativos e encontrar possíveis soluções, são os objetivos principais da presente pesquisa, desejando assim chegar-se de fato a uma avaliação humanitária respeitando a opnião dos alunos e do ensino de qualidade tragendo assim uma aprendizagem significativa, pois o processo de avaliar, não é ato tão fácil de ser entendido, mas também não é um bicho de sete cabeças; no entanto, é imprescindível que a escola e os educadores se conscientizem,  para ser avaliado, o aluno precisa participar de situações que coloquem a necessidade de refletir, transformando informações em conhecimento próprio e enfrentando desafios.

 

2.2.        Objetivos Específicos

 

Esse trabalho monográfico pretendeu refletir sobre a dificuldade de Avaliação na Educação Infantil, com o intuito de investigar a dificuldade do professor ao avaliar o aluno da Educação Infantil. Surgiu para o estudo a questão de como utilizar os instrumentos de avaliação na escola. Este estudo  foi baseado em Hoffmann (1999) onde relata que a avaliação precisa ser diária através da observação permanente e que possibilite ao aluno uma  aprendizagem, uma transformação dos conhecimentos de forma efetiva e inteligente.

Como objetivos secundários da presente reflexão, vê a urgente necessidade de criar condições para que todos os alunos desenvolvam suas capacidades e aprendam os conteúdos necessários para a vida em sociedade;

  • Buscar novas soluções, criando situações que exijam o máximo de exploração por parte dos alunos e estimular novas estratégias de compreensão da realidade;
  • Melhorar a qualidade do ensino, motivando e efetivando a permanência do aluno na Escola;
  • Criar mecanismos de participação que traduzam o compromisso de todos na melhoria da qualidade de ensino e com o aprimoramento do processo pedagógico;
  • Atuar no sentido do desenvolvimento humano e social tendo em vista sua função maior de agente de desenvolvimento cultural e social na comunidade, a par de seu trabalho educativo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3.    METODOLOGIA

 

Neste trabalho, busca-se uma maior compreensão sobre avaliação no contexto escolar e social. Essa compreensão é de grande importância no processo pedagógico, para que a escola volte seu olhar para o objetivo do processo educativo, que é o sucesso do aluno e não o seu fracasso.

Os problemas educacionais estão no conceito de que a escola reproduz desigualdade social, na medida em que contribui para a reprodução da ideologia das classes dominantes e mesmo para a reprodução das próprias classes sociais.

 As ações para uma avaliação mais racional ,pressupõe a ultrapassagem das distorções encontradas, onde julga-se o resultado final sem preocupar-se com o processo e a metodologia adotada durante o percurso. É preciso questionar, analisar e compreender o contexto para que de posse desses dados, se busque uma avaliação construída em prol da melhoria da qualidade do processo ensino aprendizagem, compreendendo ser este um momento único, o momento onde se pode verificar se o que se está fazendo é o que foi planejado.

Neste contexto, entramos com o trabalho do psicopedagogo como norteador dos procedimentos necessários ao trabalho com crianças, adolescentes... que apresentam problemas no seu desenvolvimento, visando retirar o obstáculo que o impede de aprender.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4.          REFERENCIAL TEÓRICO E EMPÍRICO

 

 

4.1. AVALIAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR E SOCIAL

 Em nossa sociedade, de um modo geral, ainda é bastante comum as pessoas entenderem que não se pode avaliar sem que os estudantes recebam uma nota(conceito) pela sua produção. Avaliar, para o senso comum, aparece como sinônimo de medida, de atribuição de um valor em forma de nota ou conceito. Porém nós professores, temos um compromisso de ir além do senso comum e não confundir avaliar com medir.

A educação escolar é cheia de intenções, visa atingir determinados objetivos educacionais, sejam estes relativos a valores, atitudes ou aos conteúdos escolares. A avaliação é uma das atividades que ocorrem dentro de um processo pedagógico.

A avaliação tem como foco fornecer informações acerca das ações de aprendizagem e, portanto não pode ser realizada apenas ao final do processo, sob pena de perder seu propósito.

A escola, portanto não é apenas um local onde se aprende um determinado conteúdo escolar, mas um espaço onde se aprende a construir relações com as coisas ( mundo natural), e com pessoas ( mundo social). Essas relações devem propiciar a inclusão de todos e o desenvolvimento da autonomia dos estudantes, com vistas a que participem como construtores de uma nova vida social.

  1. Se por um lado, a escola deve valorizar a capacidade dos estudantes de criar e expressar sua cultura, por outro, vivendo em um mundo altamente tecnológico e exigente, as contribuições já sistematizadas das variadas ciências e das artes não podem ser ignoradas no trabalho escolar.

 

4.2 Avaliação: reflexo de uma prática pedagógica.

 

No sistema de ensino vigente, a avaliação tem sido vista como sinônimo de  estar e medir. Avaliar, na verdade, a todo o momento estamos praticando o ato de avaliar: avaliamos a conduta de uma pessoa, a cultura de um grupo social...avaliamos e também somos avaliados, aí está a importância de se saber avaliar. No processo ensino-aprendizagem, avaliar, envolve muitos aspectos que devem ser observados atenciosamente.

Sabemos que uma prática avaliativa é resultado de uma prática pedagógica, por isso encontramos maneiras de avaliar tão distintas, ao longo dos anos a avaliação vem se apoiando em práticas totalmente tradicionais, sendo assim caracterizada como principal fator que ocasiona a reprovação, depois de repetidas várias vezes à mesma série o aluno se sente desmotivado e sai da escola ocasionando a evasão escolar que faz crescer o índice de exclusão social. A avaliação, se usada de maneira errada, pode trazer vários danos, não só para a vida secular de um indivíduo, mas também na sua vida social.

Um aspecto importante é a atuação do professor no processo de avaliação, pois são os professores que o realizam perante sua prática tendo como resultado desse processo o sucesso ou o fracasso dos alunos.

 

 

“(...) A avaliação, o que a gente vê, tem o objetivo somente

de  trabalhar  aquele    determinado  conhecimento  que o

professor trabalhou em sala de aula e pronto. Quer  dizer,

é medir mesmo, se o aluno aprendeu ou se não aprendeu

(...) Eu acho que os professores na escola se detêm muito

no... na questão do final do ano mesmo, da  aprovação  e

da reprovação. Então, aquilo fica  assim...  só  tem  como

objetivo dar nota ou conceito  para  no  final  do ano você

  1. aprovar         ou      reprovar. ”     (Esteban,      2000: 103)

 

 

 

Partindo dessa visão de Esteban, podemos perceber como o conceito de avaliação está distorcido e a cada dia se distorcendo mais, a preocupação com conceitos e notas leva os professores a fazerem uso de uma avaliação mecânica com objetivo apenas de classificar. A expressão MEDIDA, em educação, adquiriu grande importância sendo aliado a ela alguns instrumentos como testes, trabalhos e etc.

O caminho seguido pela avaliação tem sido confuso, complicado e mal sucedido, por isso, é extremamente importante o repensar do significado da avaliação no sistema de ensino brasileiro, repensar esta estrutura reprodutora que vivemos há décadas, repleta de conteúdos desnecessários e que existem porque ainda estão baseados no poder das notas.

O que percebemos na escola é que a avaliação ainda encontra-se estruturada em práticas tradicionais, servindo esta para medir o aluno e não diagnosticar o sucesso ou as dificuldades dos mesmos, ou seja, a escola ainda está voltada para o produto e não para o processo, o que dificulta a compreensão por parte dos alunos que o interessante não é a nota, mais os conhecimentos abstraídos no decorres de sua escolarização. Este é o discurso, mas na prática a realidade é outra. Dessa forma, fica evidente o caráter ideológico e mascarado que a escola prega, ora oculto ora explícito. No entanto, como é possível realizar uma educação como prática de autonomia, de liberdade por intermédio de uma avaliação que visa classificar o aluno?

É necessário, no entanto, que a escola volte seu olhar para o verdadeiro objetivo de processo educativo que deve visar o sucesso do aluno e não o seu fracasso.

Nesse sentido, é necessário que a escola enxergue a necessidade de realizar uma educação problematizadora, que vise emancipar os educandos e não estabelecer um ambiente de competitividade. Para se reelaborar esta estrutura é preciso se rever o valor e o significado da nota para educadores e educandos, é preciso aprender a pensar, a refletir e a rever posições e julgamentos, utilizando a avaliação somente com o objetivo da nota o sistema de ensino estará proporcionando aos alunos a passagem por um grande funil, onde só sairá aquele intitulado “capaz”, por ter “vencido” as mais diferentes formas de medir seus conhecimentos.

Vejamos como é de grande importância o uso correto da avaliação, como denomina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96:

 

Art. 24

V- a verificação do rendimento escolar observará o seguinte critério:

a) A avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos

aspectos qualitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais.

Nesse prisma, a avaliação torna-se um instrumento que auxilia o professor e principalmente o aluno, a conhecer suas possibilidades de crescimento, valorizando seu desempenho, maturidade e originalidade, deixando de lado a idéia de classificar os alunos e de desperdiçar o grande potencial humano. A LDB, abordando a avaliação de forma contínua e cumulativa do desempenho do aluno, mostra-nos que a avaliação não é um fim, mas sim um meio pelo qual o professor diagnostificará as possibilidades de crescimento do aluno.

 

 

“A avaliação   deve  ser   considerada pelos

 educadores, pois como uma tarefa coletiva,

 e  não  uma obrigação formal,burocrática e

isolada       no      processo    pedagógico.”

 (Rodrigues,2000:80)

 

 

Podemos assim tornar válida a fala de Rodrigues citada acima, pois aquele que recebe toda ação educativa é o educando, e portanto, ao avaliar deve ficar evidente para o educador de que o processo avaliativo não está só, ele é apenas um ponto incluso no sistema escolar com o poder de incluir ou excluir os alunos, tanto na comunidade escolar como na própria sociedade. Deve-se ficar claro que reconhecer a importância do ato de avaliar não significa pensar que ele é mais importante entre todo o processo educativo. Significa reconhecer que ele é fundamental para o crescimento, desenvolvimento e estruturação de toda uma sociedade, ou seja, o educador deve estabelecer uma prática que esteja baseada em garantir o desenvolvimento de todo o potencial das novas gerações, trabalhar de forma que permita perceber todo processo de crescimento do aluno. Não é tranqüilo, é dificílimo. Porém o resultado final é muito melhor.

O professor deve enxergar a avaliação também, como uma forma de analisar sua prática e assim saber o que precisa nela mudar. Observando o que os alunos aprenderam, o professor avalia o que precisa retomar, e isso tem de ser feito diariamente. É duro, mas necessário pois é a partir daí que ocorrerão grandes e importantes mudanças para o ensino brasileiro. Analisar- se dia a dia é empenhar-se para estabelecer uma coerência entre teoria e prática fazendo assim valer a autenticidade do seu testemunho de dizer e o de fazer. Além de estar voltada para a análise da prática do educador, a avaliação também deve refletir sobre a competência dos educadores, assim como faz com os educandos, para estar assim comprometida com a renovação da prática educativa, promover em si mesmo uma avaliação da sua própria prática é internalizar um discurso feito por Freire:

 

 

“É pensando   criticamente  a  prática de hoje ou de ontem

que se pode melhorar a próxima prática.” (Freire,1996: 43)

 

 

Esse é o verdadeiro pensar certo, pois é agindo assim que educadores e ducadoras passarão a entender o verdadeiro sentido da avaliação: encontrar ovos caminhos para a construção do conhecimento.

 

 

 

4.3 Quantidade ou qualidade?

 

A luta entre o tradicional e o transformador. Qualidade e quantidade são fatores presentes em todas as áreas de nossa vida, na verdade em tudo que fazemos ou temos, procuramos encontrar qualidade ou quantidade.

Em educação qualidade e quantidade podem gerar entre os alunos o fenômeno do individualismo e da competição, isso dentro de uma dinâmica social fortemente excludente, faz com que os alunos adotem o discurso: “Hei de vencer a qualquer custo.” A avaliação aí surge com o efeito não de promover no aluno uma real preocupação com o saber, mas sim a possibilidade de obter uma alta pontuação. Aprender, nesta concepção, não é tão importante fazendo assim fortalecer cada vez mais a hierarquização do saber.

O desafio entre qualidade e quantidade, não quer dizer que uma é inferior ou oposta à outra, elas apenas possuem perspectivas próprias. Qualidade e quantidade são faces da mesma moeda onde interfere uma na outra sendo assim necessárias para o processo ensino-aprendizagem. Quando falamos em qualidade e quantidade temos, em contra partida, duas teorias um tanto quanto conflitantes: o tradicional e o transformador. Bem sabemos que para essas duas teorias, não só avaliação, mas a educação como um todo, tem funções e realidades distintas.

As teorias tradicionais estão centradas e preocupadas somente na transmissão de conhecimentos e conteúdos fazendo o uso da avaliação quantitativa para classificar e hierarquizar as pessoas, ou seja, aqueles que tem melhor desempenho recebem o ítulo de capazes e os outros, por não se desempenharem tão bem são os chamados problemas. Uma pequena quantidade de favorecidos sustentada pela grande massa desvalorizada e nada merecedora de conhecimentos.

As práticas tradicionais, interessadas apenas na quantidade de conhecimento adquiridos pelos alunos, acabam fazendo uso de meios com resultados momentâneos como a decoreba, e também acabam se equivocando ao transmitirem conhecimentos fora da realidade do aluno e que os mesmos julgam inútil! A avaliação nesse prisma, quer por sua vez mensurar, ou seja, calcular através de um valor ou nota o que foi apreendido pelo aluno até aquele momento.

E quando consegue isso entrega ao aluno como se fosse um troféu uma estrelinha

dourada e um dez, ou um traço vermelho com a nota zero. Sendo assim valorizadas no meio social como sucesso ou fracasso, mas o ideal é que essa realidade mude.

Nas escolas, há uma grande preocupação com a quantidade daquilo que se aprende e pouquíssima preocupação com a qualidade, ou seja, com as diretrizes capazes de acelerar o aprendizado para distanciar assim o indivíduo da marginalização social.

Aí, nos surge uma pergunta: “Será que os atuais critérios de avaliação estão corretos?” A avaliação vem desempenhando na prática um papel mais político do que pedagógico, ou seja, não vem sendo usada como um recurso metodológico mas sim como instrumento de poder e de controle. Na verdade seria ingênuo da minha parte, pensar que a avaliação é apenas uma metodologia, um processo técnico. Ela é também uma questão política por isso avaliar pode se constituir num exercício autoritário do poder e até mesmo num processo onde educando e educador buscam uma mudança qualitativa.

Acreditar e investir numa prática e numa avaliação transformadora é um grande desafio para os educadores, pois a princípio deve-se partir de uma prática escolar libertadora onde investe para que o aluno perca o medo de errar, de perguntar, de ser e de expor suas opiniões, uma prática escolar transformadora onde o professor acima de tudo ame seu trabalho e seus alunos a fim de que use as avaliações como incentivo e estímulo para o crescimento do aluno e não como uma ação corretiva, classificatória e sentenciva, o que nos faz lembrar dos vestibulares e cursos preparatórios que fazem do aluno uma máquina que deve assimilar tudo que lhe foi transmitido se quiser o sucesso.

 

 

“Na qualidade     não  vale  o  maior,  mas o melhor, não o

extenso, mas o intenso, não o violento, mas o envolvente,

não  a  pressão,  mas  a   impregnação.” (Demo,1995: 36)

 

 

Ao usar estas palavras Demo expressa com bastante clareza o que vem a ser qualidade e isso em educação é algo realmente valioso porque o que nós, a sociedade, queremos é o melhor para o ensino, a mais intensa dedicação do professor, as mais envolventes aulas e conteúdos para que assim cresça o amor e todos os indivíduos sejam impregnados por uma educação de qualidade.

Uma educação transformadora, desenvolve no aluno a capacidade de criticar. Criticar é pensar sob outra perspectiva, é duvidar, afirmar diferenças e não ficar ileso às decisões aceitando-as pré- estabelecidas. Com a educação transformadora o professor poderá sim fazer uso da avaliação qualitativa estimulando assim a criação e reflexão de seus alunos preparando-os para a vida.

Na luta entre o tradicional e o transformador o professor deve acima de tudo lutar contra si mesmo e o seu medo de aceitar o novo, pois, só assim reverteremos a realidade vivida por todos nós: uma sociedade imobilizada pela ideologia dominante.

O professor deve estimular nos alunos a reflexão a fim de que se libertem das algemas que os impedem de serem livres para expressarem seus pensamentos. É preciso, mudarmos o nosso olhar sobre a avaliação. É necessário refletirmos como ensinaremos aos nossos alunos os conhecimentos que serão pertinentes (significativos) ao mundo deles? Que profissões desaparecerão? Quais surgirão? Como prepará-los para enfrentar as incertezas do futuro? Que futuro? Que competências serão necessárias a esse FUTURO – que já chegou? Como desenvolvê-las. E como trabalhar as habilidades necessárias ao mundo futuro dos nossos aluno?

Contudo, não podemos pensar apenas no lado negativo da educação.

Devemos, cada um, fazer a sua parte para modificar esta imagem negativa que se tem de educação falida. Para tal, alguns pressupostos são de fundamental importância para que a escola possa funcionar como elemento de mudança das relações sociais e assim, contribuir para que se tenha uma educação mais qualitativa. São eles:

• Fazer da escola espaço de criação de identidade e de socialização.

• Oportunizar a formação para a verdadeira autonomia intelectual.

• Considerar que, vivendo em uma época onde o conhecimento dobra

aceleradamente, é preciso possibilitar meios para o desenvolvimento da capacidade, nos alunos, de aprender a aprender.

• Favorecer o desenvolvimento de instrumentos de participação na sociedade, através da construção de conhecimentos de forma significativa e do trabalho com conceitos fundamentais para a leitura e intervenção no mundo.

• Proporcionar uma escola com espaço sadio, onde o ensino não se confunda

com o consumo de idéias .

 

 

4.4 DA  AVALIAÇÃO  À  AÇÃO

 

 

Estabelecer uma análise da ação avaliativa é promover em si mesmo uma reflexão sobre sua visão de avaliação, é refletir como a avaliação é usada para incluir ou excluir o aluno do contexto escolar e social, produzindo assim o sucesso ou o fracasso do indivíduo.

 

“A avaliação, demarcando as fronteiras, facilita o isolamento

dos sujeitos.”

(Esteban, 2001:103)

 

É partindo da citação de Esteban que, veremos como a avaliação distancia, hierarquiza e silencia os indivíduos tornando-os subordinados às normas e conformistas, acreditando que tudo o que acontece é porque são pobres e incapazes para terem algo melhor. O fracasso do aluno pode ser atribuído ao seu erro que é visto de várias formas pelos educadores , porém o mais importante é que ele seja encarado como uma das etapas do processo de construção do conhecimento.

Dessa forma, a crítica que levantamos sobre avaliação escolar desrespeito ao modo de como ela é passada e praticada além de seus instrumentos/ técnicas que muitas vezes se direcionam para lutar “contra” o aluno, estabelecendo assim uma postura nada ética. Pois ao visar “resultados” e competências, distancia-se de uma perspectiva democrática de avaliação.

O que percebemos, no entanto é que as práticas avaliativas que são desenvolvidas, apresentam em sua dinâmica, caráter monopolizador, seletivo e excludente e que abordam apenas os conteúdos científicos e disciplinares, ou seja, está voltado apenas para a questão da aquisição do conhecimento acabando por fragmentar o processo de ensino, quando só leva em consideração os conhecimentos sistemáticos, não interagindo aos interesses dos alunos.

 A proposta da avaliação escolar não tem sustentação senão for mediada pela relação teoria e prática. Ou seja, a avaliação não está no vazio, não deve ser  pensada como uma atividade neutra frente aos processos educativos.

 

4.5 Um mecanismo de exclusão ou inclusão?

 

 

“Que   o  saber tem tudo a ver com o crescer, tem. Mas é

preciso, absolutamente preciso, que o saber de minorias

dominantes não proíba, não asfixie, não castre o crescer

das   imensas   maiorias  dominadas.” (Freire, 1993: 127)

 

 

A escola hoje, mantém as diferenças sociais servindo como aparelho ideológico do Estado, diferenciando seu ensino entre pobre e ricos. O que faz reforçar mais ainda a exclusão social e escolar do aluno. Tem por traz de si mesma, um discurso contraditório onde, ao mesmo tempo em que forma e informa, também deforma por dar importância, acreditar e utilizar a ideologia da classe dominante.

Entende-se, por ideologia, o conjunto de representações e idéias, bem como normas de conduta por meio das quais o homem é levado a pensar, sentir e agir da maneira que convém à classe dominante, uma vez que a consciência da realidade que temos é uma pseudoconsciência, ou seja, uma falsa consciência, porque camufla a divisão existente dentro da sociedade, apresentando-a como una e harmônica, como se todos partilhassem dos mesmos objetivos e idéias.

Freire, (2001:25) escreve ainda, que “a educação não é transferência de conhecimentos, mais criação de possibilidade para a sua própria produção ou construção”. Ou seja, educar exige consciência do inacabado. Assim sendo, a melhor maneira de se relacionar educação e inclusão é desconstruindo a imagem que algumas pessoas têm de que educação é um mecanismo de arbitragem sobre a quem onde e quando é permitida a condição de cidadão e de sujeito político.

É considerando a educação especificidade humana, como um ato de intervenção no mundo, que busco relacioná-la com a cidadania, uma vez que educação é política e que se constrói num trabalho lento duro, enfrentando muita adversidade, descaso dos governantes e muito pessimismo generalizado.

Há quem diga que, sem a educação, temos a exclusão. É preciso, no entanto, uma educação para além da auto-suficiência, com a necessidade de preparar idadãos comunicativos, indagantes e inovadores. Uma educação que possibilite desenvolver habilidades e autonomia para refletir sobre as condições que nos são oferecidas enquanto cidadãos.

Nós professores, falamos e lutamos pela inclusão numa situação excludente, orque a princípio somos excluídos por sermos professores. Na verdade a exclusão começa por nós, através da desvalorização da nossa profissão, a má remuneração...A inclusão é na verdade, mais ética do que a exclusão pois luta pelo direito igual de acesso à escolaridade, cultura...por isso, ao repensarmos a ética da inclusão estamos repensando a nossa exclusão.

  1. Bem sabemos que as exigências sociais vêm crescendo a cada dia e para isso a escola e os alunos devem acompanhar essa exigência e atestar sua preparação para o exercício das funções exigidas no âmbito da sociedade.

Sabendo dessa exigência social é que nos surge uma pergunta: Como a avaliação é usada para excluir ou incluir?  Tradicionalmente, nossas experiências em avaliação são marcadas por uma concepção que classifica as aprendizagens em certas ou erradas e, dessa forma, termina por separar aqueles estudantes que aprenderam os conteúdos programados para a série em que se encontram daqueles que não aprenderam.

 Essa perspectiva de avaliação classificatória e seletiva, muita vezes, torna-se um fator de exclusão escolar.

Entretanto, é possível concebermos uma perspectiva de avaliação cuja vivência seja marcada pela lógica da inclusão, do diálogo, da construção da autonomia, da mediação, da participação, da construção da responsabilidade com o coletivo. Tal perspectiva de avaliação alinha-se com a proposta de uma escola mais democrática, inclusiva, que considerara as infindáveis possibilidades de realização de aprendizagens por parte dos estudantes.

A avaliação excludente faz parte de uma ideologia dominante, pois na sociedade de classes, os interesses são diferentes. Embora empresários e outros componentes da elite, assegurem a importância e necessidade da educação para as classes menos favorecidas, isso é colocado em prática com menos intensidade, pois para eles, não é produtivo que o povo cresça intelectualmente pois se isso acontecer seu domínio será ameaçado. Portanto fazem uso de um ensino diferenciado entre pobres e ricos, públicos e particulares para assim manter a diferença social e também o poder.

Agindo sobre essa perspectiva, é que alguns professores criam e utilizam a avaliação excludente, que é aquela forma de avaliar ,baseada no autoritarismo, na punição, na imposição de poder... passando assim de geração a geração a idéia de que avaliar é uma atividade de controle que resulta na inclusão ou exclusão dos alunos. O cotidiano escolar nos mostra bem claramente isso, no discurso de um professor que percebe que seu trabalho não está como esperava: “Estudem!

Caso contrário, poderão se dar mal na prova.” A prova está chegando, vocês verão o que vai acontecer!”, ou então utiliza a prova como terrorismo, anunciando a cada dia uma pequena ameaça: “estou elaborando uma bem difícil”.

 A avaliação excludente é constituída basicamente dessas e outras falas que demonstra o quanto o professor utiliza-se das provas como um fator negativo de motivação, pois, a partir dessas ameaças o estudante irá se dedicar aos estudos não porque seja importante, prazeroso, necessário..., mas, sim porque está ameaçado pela prova. Então o medo o levará a estudar, acarretando assim uma mera memorização momentânea.

Por outro lado, conseguimos encontrar aquela avaliação que busca a inclusão do aluno, a avaliação includente, que está baseada na valorização da prática do aluno. Trabalhando sobre essa perspectiva, o professor consegue fazer do aluno um indivíduo crítico e capaz de ver com os seus próprios olhos.

Conhecendo seus alunos, escolhendo a melhor forma de trabalhar com eles, o educador propiciará excelentes oportunidades para elevar o rendimento escolar dos ducandos, elevando também o auto conceito destes, tornando a aprendizagem mais agradável e produtiva.

A avaliação inclusiva é reflexo de uma prática transformadora que baseia-se no diálogo e na negociação, afinal de contas, o aluno deve estar sempre por dentro de como seu rendimento vem sendo avaliado. Os instrumentos ou meios que são utilizados no processo de avaliação devem estar bem adequados aos objetivos, aos conteúdos e às condições intelectuais, emocionais e as habilidades psicomotoras dos alunos. Ela, a avaliação includente, desmonta toda e qualquer estratégia da classe dominante, pois, vai de encontro ao seu ideal, que é tornar os cidadãos que constituem a grande massa de indivíduos surdo, cegos e mudos em seres pensantes e livres das amarras da dominação.

Nós educadores, temos um papel muito importante na formação social desses alunos, devemos sempre parar e refletir sobre nossas ações no cotidiano escolar, pois, somos o espelho dos educandos. Temos por obrigação saber que tipo de cidadão queremos formar: Passivos ou conscientes, capazes de transformar seu destino.

Partindo desse questionamento e utilizando a avaliação como instrumento para auxiliar cada educando no seu processo de competências e crescimento para a autonomia, estaremos ajudando o mesmo a avançar na aprendizagem e na construção do seu saber.

Demo (1994:20), retrata muito bem quando nos diz que “o papel da educação é um fator de mudança na sociedade que tende a formar bons cidadãos, cientes de seus direitos e deveres perante a sociedade”. Mas a educação sozinha não é capaz de mudar nada. A busca da mudança deve ser uma atividade coletiva, devendo a educação promover, aos educandos, uma capacidade de pensar criticamente, de problematizar os fatos, agindo e interagindo na sociedade na qual atua.

 

 

4.6 O erro e suas implicações no fracasso ou sucesso escolar

 

 

A associação entre erro e fracasso escolar sempre nos vem ligado à reprovação do aluno. Na verdade o erro pode ser analisado de diferentes formas, dependendo da visão do professor sobre o mesmo. Uns vêem como falha grave e outros encaram apenas como um deslize. O que realmente é intrigante, é que o erro é visto por muitos como um indício de fracasso do aluno, mas, na verdade, o erro faz parte do aprendizado e possibilita ao mesmo, uma melhor oportunidade de crescimento e amadurecimento diante das situações com que se depara no cotidiano escolar.

A postura do professor frente às alternativas de solução construídas pelo aluno deve estar necessariamente comprometida com tal concepção de erro construtivo.

O que significa considerar que o conhecimento produzido pelo educando, num  dado momento de sua experiência de vida, é um conhecimento em processo de superação.

O professor deve elogiar o aluno quando obtiver sucesso na aprendizagem, e demonstrar interesse quando o mesmo não obter êxodo, desta maneira, poderemos melhorar o relacionamento entre professor e aluno, fazendo com que as dificuldades existentes possam ser trabalhadas, para que o processo educacional possa fluir.

Dizemos que a criança aprimora sua forma de pensar o mundo, na medida em que se depara com novas situações e, é capaz por si própria de aplicar o conhecimento prévio em uma situação nova. Porém, a maior parte dos instrumentos de avaliação que usamos, centra-se na busca de informações como se nosso saber pudesse ser reduzido a um simples conceito.

Nas avaliações, é sempre importante que o professor analise o erro do aluno, pois, o mesmo pode ser ocasionado por vários fatores da vida escolar e social.

Para que uma criança aprenda, é necessário que ela tenha o desejo de aprender, e não que ela seja forçada a aprender o que lhe é imposto por ordem de seus pais e professores. O aluno por sua vez, ao compreender o significado da avaliação para o seu processo de aprendizagem, estará desenvolvendo e crescendo como pessoa, visto que a seleção de uma técnica de avaliação expressa uma opção educativa e, portanto deve ser pensada como um instrumento para auxiliar cada educando no seu processo de abstração de conhecimento .

A correção dos erros, não é necessariamente classificação de fracasso, pode sim representar sinais norteadores para o aluno criar seu próprio caminho.

Procuramos sempre um motivo para colocar no aluno a culpa do fracasso,  otulamos os alunos de preguiçoso, despreparado... dificilmente assumimos que o conteúdo ensinado e a metodologia usada para a aplicação do mesmo não esteja adequada ao aluno, por isso, é que o professor deve passar a avaliar de forma diferente o erro de um aluno, para que este não se desiluda com o ensino e assim deixe de lutar pelo seu direito de acesso à escola. Afinal, a avaliação também serve como um termômetro, para oferecer ao professor a oportunidade de verificar se as atividades, métodos, recursos e técnicas que ele utiliza estão realmente possibilitando ao aluno alcançar os objetivos propostos.

O educador é um agente produtivo, portanto, deve trabalhar com o aluno de forma envolvente, de modo que possa despertar no aluno sua criatividade, sua capacidade de assimilar o que está sendo proposto. É preciso que o professor conheça seus bem seus alunos, para saber utilizar técnicas de acordo com a realidade do sujeito. Segundo Piaget, “não há operação sem cooperação”, o que indica a importância do professor estar bem preparado e envolvido com seus alunos, organizando situações de aprendizagem.

É fundamental ver o aluno como um ser social e político, sujeito de seu  próprio desenvolvimento. Ver o aluno como alguém capaz de estabelecer uma relação cognitiva e afetiva com o meio, mantendo uma ação interativa capaz de uma transformação libertadora, que proporcione uma vivência harmoniosa com a realidade pessoal e social que o envolve.

O acerto é importante, mas o fracasso também. É preciso, no entanto, não cometer o mesmo erro duas vezes. Precisamos tirar vantagem de nossos erros, mas, para isso é preciso estar livre para errar. O professor, marcando e criticando os erros, só estará reforçando-os. É preciso acreditar no potencial do aluno e darlhe liberdade para aprender, a desaprovação constante é a responsável pelo fracasso e evasão escolar.

Na verdade, o maior fracasso é a realidade da repetência e da evasão escolar. Fracasso não só do aluno, mas sim das instituições escolares, que não têm  sido capazes de se adequarem à população que se destinam, gerando assim, o fracasso também dos que ensinam e de todos os ingredientes da sociedade.

 

 

 

“Não existimos para decretar fracassos, mas para

  1. Promover  aprendizagens.”   ( Carvalho, 1997:54)

 

 

Frente à citação acima, podemos ver que o erro nem sempre diz se o aluno sabe ou não sabe, o erro representa um indício do processo de construção de conhecimentos, assim o professor deve reconhecer que sua função é de trabalhar contra o fracasso do aluno e da escola, é acreditar nas potencialidades de seus alunos, investindo no crescimento dos mesmos para melhorar a visão que ele tem de si. A avaliação só será eficiente e eficaz se ocorrer de forma interativa entre professor e aluno, ambos caminhado juntos na mesma direção, em busca de atingirem o mesmo objetivo.

Não é somente responsabilidade do professor avaliar o aluno. Este pode receber subsídios dos orientadores, psicólogos e psicopedagogos, ou seja, toda equipe pedagógica deve colocar a força de trabalho na construção do conhecimento do aluno e das aprendizagens específicas.

Contudo, acreditamos que os fins que a educação deve priorizar, diz respeito a novas concepções que oriente com responsabilidade os processos da prática educativa, com o objetivo de contribuir para uma melhor qualidade do ensino de nossas escolas. E, é, o psicopedagogo com sua visão pedagógica, política e métodos novos inseridos no contexto escolar que deve desenvolver um trabalho em equipe com todos os participantes do processo educacional, visando uma educação libertadora, transformadora e cheia de novos desafios.

 

 

4.7  A AVALIAÇÃO E O ESPAÇO PSICOPEDAGÓGICO

 

 

            A avaliação educacional, vem ao longo dos anos, sofrendo os modismos e as influências de outras culturas, acarretando assim, o desvio do seu compromisso pedagógico. Dentro dessa trajetória, a dimensão avaliativa do rendimento escolar, tem se traduzido nas escolas como uma prática autoritária, legitimando um processo de seletividade e discriminação dos alunos resultando em grandes danos sociais e pessoais.

            Ao contrário do que está acontecendo, a avaliação do rendimento escolar deveria ter sua função direcionada para o aperfeiçoamento das decisões relacionadas ao processo-apredizagem para que ocorra a valorização da avaliação, bem como a transformação de sua utilização. Neste processo, entra o trabalho do psicopedagogo, que são profissionais preparados para a prevenção dos problemas de aprendizagem escolar. Através do diagnóstico institucional, identificam as causas dos problemas e elaboram um plano de prevenção junto aos professores para que os alunos se sintam bem no ambiente escolar, valorizando sua auto-estima, revertendo o quadro de desequilíbrio do educando.

            Para que a avaliação não gere nos profissionais bem como nos alunos um sentimento de insatisfação, é preciso que ela, assuma um compromisso com a educação transformadora, isto é, estar a serviço da transformação de uma sociedade com o objetivo no desenvolvimento do povo e acesso do mesmo ao conhecimento. Na escola, o psicopedagogo institucional, vai estar atuando junto aos professores e outros profissionais para a melhoria das condições do processo ensino-aprendizagem, como também para a prevenção dos problemas de aprendizagem. Por isso, é de extrema importância que em cada escola tenha um psicopedagogo institucional.

            Como já abordamos, a educação tem grande importância nos processos de busca e aprimoramento do conhecimento e também do crescimento social e intelectual, e a avaliação na maioria das vezes, serve para controlar boa parte desses processos.

            Nas escolas públicas, a avaliação tem sido vista como algo que limita as oportunidades educacionais e sociais dos indivíduos menos favorecidos, fazendo reforçar assim a discriminação pedagógica daqueles já discriminados economicamente, socialmente e culturalmente pela condição de vida. Já na escola particular, onde a diferença do desempenho do aluno não pode ser culpa dos fatores sócio-econômicos, a avaliação gira em torno de limitar a autonomia do educando, constituindo-se assim num processo de produção e reprodução para obtenção de resultado padrão exigido pela sociedade.

            Quando falamos em autonomia, lembro-me logo de Paulo Freire, quando em um de seus livros falou:

 

 

“ O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um

imperativo   ético    e    não    favor    que   podemos ou

conceder      uns     aos      outros”.     ( Freire, 1996:66)

 

 

            Partindo da comparação dessas duas visões de avaliação, devemos reconhecer que a escola necessária é aquela que não faz diferença de conceitos, pois, tem como base o educador necessário que não se deixa levar pelos discursos da classe dominante, reconhecendo assim que, “avaliar é um ato amoroso”, como diz Luckesi (2001:28), e que torna os alunos em indivíduos iguais e com direito de aprender as mesmas coisas.

            A avaliação deve ter um grande significado para o professor, para levá-lo a reconhecer a importância de acolher os acertos e os erros do aluno, para ajudá-lo a progredir. E também deixar no professor a certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar conteúdos, mas sim ensinar a pensar certo. O significado da avaliação, deve então ter o mesmo sentido para educandos e educadores de escola pública ou privada, a fim de que possam a partir dela compreender sua realidade e participar de mudanças na mesma.

 

 

4.8  A escola sobreviveria sem avaliação?

 

 

Ao levar a pergunta acima para os alunos, estes de imediato responderam que sim, alegando que tudo se tornaria mais legal, pois a ausência da avaliação possibilitaria que eles tivessem mais tempo para brincar, ao invés de ficarem estudando. Evitaria que levassem castigos e broncas por causa das notas baixas e daria por fim o trabalho de ficarem decorando conteúdos, que julgam desnecessários, e preparando “colas” para a prova.

Após as repostas dadas pelos alunos, direcionei a pergunta para os professores: Será que a escola sobreviveria sem avaliação? Na verdade não há uma resposta precisa sobre essa questão, levando em conta as pilhas de provas e trabalhos para corrigir, o tempo gasto para elaboração de exercícios que estimulem a memorização dos conteúdos e a dificuldade de propor atividades que motivem e façam os alunos se sentirem interessados pelos conteúdos, seria melhor esquecermos as avaliações! Por outro lado, sem a prova, o que faria os alunos estudarem? Sem as ameaças como controlaríamos a disciplina na sala?

Como garantir que os conteúdos foram aprendidos? E como colocar em prática a função da escola de identificar quem sabe e quem não sabe ?

Depois de tantos questionamentos, pude perceber que a avaliação, mesmo sendo muito criticada, é uma atividade fundamental na escola. Ela é mesmo um “mal necessário”. Para a pergunta inicial do texto, tenho a resposta: “Não. A escola não sobreviveria sem a avaliação!”. A crítica que levanto sobre a avaliação, é relacionada aos instrumentos e técnicas usados para avaliar em sala de aula, que muitas das vezes se direcionam para lutar contra o aluno, estabelecendo assim, uma postura nada ética, acarretando para o aluno um futuro pouco promissor.

Na verdade, a democratização da avaliação, parte do principio da democratização da escola e de todos os atores que contribuem para o funcionamento da mesma.

 

 

“É    difícil,    realmente,    fazer democracia. É

Que  a democracia,   como     qualquer sonho,

não    se faz com palavras desencadernadas,

mas com reflexão e prática.” (Freire, 1993:91)

 

 

Refletir sobre a existência ou não da escola sem avaliação, é pensar e agir democraticamente para que no futuro, não enxerguemos mais a avaliação como um “mal necessário”, mas sim como porta aberta, um caminho a seguir para a construção do conhecimento. Na verdade, o objetivo não é que a escola elimine a avaliação e sim, que passe a usá-la de forma correta.

Deve ficar claro, que o ato de avaliar existe para se verificar como o aluno vem construindo conhecimento acerca dos conteúdos trabalhadas pela escola e como modifica sua compreensão de mundo, elevando assim, sua capacidade de intervir na realidade vivida.

 

 

 

4.9 Psicopedagogo, um olhar sensível e reflexivo sobre a criança

 

 

O cotidiano é planejado pelo professor a partir do conhecimento que ele adquire sobre a criança, articulado à sua proposta educativa. Entretanto, esse planejamento se reconstrói com base nos interesses, necessidades e reações das crianças a cada momento observadas pelo professor. Nesse contexto, entra o  rabalho do psicopedagogo institucional, que auxilia todos os participantes da escola, para que a entendam e a transformem em um lugar de conhecimento, auxiliando os professores, quando sua maneira de ensinar não está apropriada à forma do aluno aprender, orientando no acompanhamento do aluno com dificuldades de aprendizagem, propondo atividades para desenvolver habilidades e competências requeridas no aprendizado escolar, etc.

O tempo e o espaço do cotidiano estão sempre atrelados ao possível e ao necessário de cada grupo de crianças, reestruturando-se, reconstituindo-se apartir do acompanhamento de sua ação pelo professor. O psicopedagogo, tem muito trabalho a fazer na escola, pois ele com sua intervenção, tem um caráter preventivo nos problemas apresentados no cotidiano escolar.

A ação mediadora do educador, junto ao psicopedagogo, resulta, igualmente, num trabalho pedagógico que valoriza as experiências de vida de cada criança, suas vivências culturais, raciais, religiosas, etc., tentando sanar as frustrações dos mesmos, contribuindo também para a percepção global do fato educativo e para compreensão satisfatória dos objetivos da educação e da finalidade da escola, possibilitando assim, uma ação transformadora.

Os profissionais da área de educação, necessitam de um constante movimento de olhar para novos horizontes e caminhos para trilhar. O fazer pedagógico, deve ser o mais variado e envolvente possível.

A presença do psicopedagogo na instituição escolar contribuirá para um bom desempenho do processo de ensino aprendizagem e envolvimento das pessoas na melhoria das relações interpessoais. O seu trabalho trará o cumprimento dos fins educativos e desenvolverá ações que garantam aos educandos e educadores com dificuldades, oportunidade de permanecerem neste ambiente escolar, com condições de continuarem a aquisição dos conhecimentos de forma integrada, participativa e evolutiva.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5. Modalidades de Avaliação.

 

 

Quando se fala em avaliação do processo ensino/aprendizagem,  estamos nos referindo à verificação do nível de aprendizagem dos alunos, isto é, o que os alunos aprenderam. Mas, por quê? E para que? Basicamente, a avaliação apresenta três modalidades de avaliação: diagnóstica, formativa e somativa. Ainda, segundo Olívia Porto (2006, p. 76):

 

 

“Essas três formas de avaliação estão intimamente vinculadas.

Para garantir a eficiência do sistema de avaliação e a eficácia do

processo ensino/aprendizagem, o professor deve fazer uso

conjugado das três modalidades”.

 

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/psicopedagogo-qual-e-o-seu-papel-diante-da-avaliacao-escolar-1536626.html

    Palavras-chave do artigo:

    dinamizar avaliacao escolar conciencia cidada e decisoes auto reflexao conhecimento

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