Resenha Do Livro Trote Na Universidade
ZUIN, Antonio Álvaro Soares. Trote na Universidade: Passagens de um rito de iniciação. São Paulo. Cortez. 2002. 119 p.
O autor é psicólogo o mestrado em Educação pela UFSCar o doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Pós- doutorado em Filosofia da Educação pela Universidade de Leipzig na Alemanha. É professor associado do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação da Universidade de São Carlos e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPQ). Entre os seus escritos mais famosos está o livro Adoro odiar meu professor: aluno entre a ironia e o sarcasmo pedagógico entre outros.
O presente texto visa apresentar as idéias centrais debatida por ZUIN sobre o seu livro o trote na universidade em que por ocasião do ingresso de muitos jovens na universidade teve vários trotes em que levaram vários calouros à morte. O trote universitário que antes devia ser um rito de passagem para que os jovens calouros se tornem amigo dos veteranos em que conhecem uma nova forma de socialização com os outros (veteranos) se torna um rito de passagem marcado pela violência física e moral baseado na agressão e na humilhação daqueles que estão iniciando o curso superior. Como no caso que ocorreu com um estudante que passou em medicina em São Paulo perdeu a vida vitima de um trote violento, e que faz pensar em que sociedade que se vive, principalmente que não existe diferença entre a rua e a universidade (que se pensa que não existe violência) para se encontra o perigo e o risco de perder a vida. ZUIN faz uma reflexão que vivemos em uma sociedade do espetáculo que não está preocupado com outro, mas somente uma sociedade cheia de ressentimento que espera um determinado momento em pode se vingar do outro. Como é feito nos trotes das universidades que é uma forma de desconta todo o constrangimento que os veteranos passaram quando eram calouros. ADORNO em seu texto a educação após a barbárie diz que a barbárie continuará existindo em quando persistirem as atitudes que são fundamentais para continuar gerando as agressões, no caso do trote é uma atitude que continua assegurando a existência da barbárie como ocorreu com o índio Galdino que foi morto por um grupo de adolescentes filhos de juízes de desembargadores que teoricamente deveriam ser esclarecido, mas na verdade agiram com uma tremenda barbárie tirando a vida de uma pessoa pensando que posse um mendigo (como se este não fosse humano para que tirassem sua vida). A sociedade continua na barbárie, pois existe uma indiferença com o outro. ZUIN desdobra essa reflexão em três capítulos.
No primeiro, "o trote universitário e a educação para disciplina por meio da dureza" (p. 19-40) diz que não adianta ter um professor que diga que uma atitude é racista se seus alunos continuam em sala de aula fazendo piadas racistas, e vai discutindo o inicio dos trotes que tem seu inicio na idade média em que os jovens antes de serem admitidos em sala de aula depois de cortarem os cabelos e tirarem as roupas para não contaminarem o resto dos estudantes, e suas roupas são queimadas, e são obrigados a usarem uma túnica branca, e no inicio esses calouros não podiam entrar em sala de aula. Trazendo para a realidade do Brasil o trote chegou ao Brasil em 1800 quando surgiram às primeiras faculdades com uma grande influencia de Portugal. Com o trote o aluno tem todas as condições de desenvolver o rancor, principalmente com relação ao professor, pois a agressão que este faz relembra a atitude de como o aluno o idealizou, e como o docente não respondeu as expectativas existe um ressentimento do aluno contra o seu mestre. E o trote é uma forma de descontar o ressentimento que este sofre desconta nos calouros. E os calouros só vão descontar nos calouros do ano que vem.
No segundo capitulo, "o trote nos cursos de física e de pedagogia da UFSCAR" (p. 41-73) o autor faz uma pesquisa em dois cursos da universidade de Santa Catarina uma de exatas de física como estes recepcionam os novos estudantes do curso e um curso de humanas de pedagogia como as mulheres recepcionam suas calouras. Pois a sociedade valoriza as imagens para poder impressionar. Os calouros quando entram na universidade são humilhados pelos veteranos e chega a escrevem "bixo" errado para demonstrar que esses jovens que entram nessa universidade não sabendo nada e os veteranos como os donos dos "modos universitários civilizados", e inicia apresentando o exemplo de como os veteranos de física recebe os calouros em que são obrigados a cantar vinheta em que humilha os estudantes de física e são obrigados a caminhar agachado e levar um cachão xigando os estudantes de física. Antes de apresentar como as veteranas de pedagogia recepcionam as calouras o autor faz uma reflexão sobre Kant em seu tratado sobre a pedagogia em que defende a idéia de que somente com a educação pode se chegar à autonomia, mas as calouras são tratadas como aquela que nada sabe em que não é humilhada somente uma das calouras, mas em geral, em que essas são obrigadas a fazer pedágio para dar dinheiro para as veteranas beberem, e no momento em que chegam ao restaurante universitário são obrigadas a pagar o almoço das veteranas. E conclui esse capitulo dizendo que a realização do trote significa uma condição da própria existência da auto-afirmação das duas identidades de calouro e veterano, na qual esses festejam barbaramente esse processo de iniciação. E com essas agressões que o autor vai analisar os conceitos de identidade de cada trote no próximo capitulo.
No terceiro capítulo, "Universidade e Barbárie: o trote, o narcisismo das pequenas diferenças e a educação pela ironia", (p. 74-113) o autor vai dizer a diferença existente entre o trote do curso de física e o do curso de pedagogia existe uma pequena diferença que a primeira é caracterizado de narcisismo das pequenas diferenças e da pedagogia representa a educação pela ironia. Iniciando a analise do trote de física que não existe diferença entre veterano e calouro no momento de falar mal dos acadêmicos de química, essa rixa se deve pela mínima diferença existente entre os cursos que devem ser demarcadas apesar de que tanto os dois cursos são difíceis de ser feito pela dificuldade colocada pelos professores, nessa parte do texto existe uma relação existente com o outro livro de Zuin sobre o sentimento que o aluno tem contra os seus professores. Já o curso de pedagogia os calouros esperam um ano para descontar os desprezos que teve no momento em que é calouros, diferente o de física que não precisam esperar um ano para descontar as humilhações passada pelos veteranos. Os professores que aparecem na aula do trote são o professor autoritário que vão encontra ao longo do curso. E conclui esse capitulo apresentado quatro idéias que estão presente na sociedade do consumo da indústria cultural que foram desenvolvidas ao longo do livro: a educação pela ironia; discriminação dos que são de fora; identificação com agressor e a importância de ser notado. O primeiro sobre a educação pela ironia é que o professor no primeiro momento aparece ser amigo, mas que ao longo do curso se apresenta como aquele que é o algoz que maltrata os seus alunos usando a ironia como é colocado por Comênio em sua obra Didática Magna. Já sobre a discriminação daqueles que não são do grupo é caso dos acadêmicos de física que já introduzem os calouros a terem uma rixa com os acadêmicos de física para delimitar os seus espaços e reforça o narcisismo de quem faz o curso de física como o melhor curso do que os dos outros. A identificação com o agressor é o que as calouras de pedagogia da UFCAR fazem com as calouras do ano que vem e preparar a mesma opressão que essas tiveram quando eram calouras é tentar ser igual ao seu opressor, e finaliza a importância de ser notado por todos que estão ao seu arredor, pois aparecer é aquilo que é notado na sociedade do consumo.
A obra é um subsidio para todos os docentes de maneira especial para aqueles que trabalham no nível Superior e os estudantes universitários tanto das licenciaturas como dos bacharelados das mais diferentes áreas.
No Plano Estrutural usa o método reflexivo da teoria crítica colocando o exemplo de dois cursos da UFSCar um de humanas e outra de exatas de como os calouros são tratados quando entram na universidade .
A linguagem da obra é simples e bem fundamentada na teoria crítica que faz uma reflexão de como é rito de passagem do ensino médio para o superior é cheio de hostilidade com quem está entrando na universidade, como este depois reproduz o que foi feito com este e que muitas vezes fazem até pior com os outros.
Assim, essa obra quis fazer refletir como vivemos em uma sociedade de consumo em que aceita algo tudo padronizado e que não percebe muitas vezes que tem atos bárbaros que passa despercebida no cotidiano, principalmente no curso do ensino superior que deveria ser ter entre as uma educação critica, mas que muitas vezes reforça o estigma de uma sociedade bárbara.
Perguntas e Respostas
Palavras-chave do artigo:
trote universitario
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,barbarie
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