Transcrição fonética

Publicado em: 03/06/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 1,471 |

Segundo Borba (1975) fonética é o ramo da Línguistica que estuda a natureza física da produção e da percepção dos sons da fala humana. Preocupa-se com a parte significante do signo linguístico e não com o seu conteúdo.

De acordo com Bisol (2005), o objeto de estudo é a realidade física dos sons produzidos pelos falantes de uma língua. A fonética visa ao estudo dos sons da fala ao ponto de vista articulatório, verificando como os sons são produzidos ou articulados pelo aparelho fonador, ou do ponto de vista acústica, analisando as propriedades físicas da produção e propagação dos sons, ou ainda do ponto de vista auditivo, parte que cuida da recepção dos sons.

A fonética articulatória se destina ao estudo da fisiologia e da anatomia da criação da fala, ou seja, observa e traça a forma como os sons da fala são articulados pelo aparelho fonador. O aparelho fonador inclui órgãos que são ao mesmo tempo comuns ao aparelho digestivo e ao aparelho respiratório e que são responsáveis pela articulação da fala humana. Sendo grande parte dos sons das línguas criadas durante a expiração, o ar sai dos pulmões, percorre os brônquios, a traqueia e a laringe até que encontra as cordas vocais na glote. Se estas membranas estiverem abertas, os sons articulados são surdos ou não vozeados, se as cordas vocais estiverem fechadas, os sons tornam-se sonoros ou vozeados. Depois, o ar passa pela faringe e encontra outro órgão que influencia a produção sonora: o véu palatino. Este responsável pela produção de sons nasais. Se for levantado, fecha a cavidade nasal, e conduz o ar apenas pela cavidade oral. Assim se produzem os sons orais [p], [b], [k], etc., que constituem a maioria dos sons da fala. Se, ao contrário, o véu palatino estiver baixado, o ar sai igualmente pelas cavidades oral e nasal, produzindo-se sons nasais.
Na boca é que se criam os refinamentos sonoros. Definitivamente o ar passa livremente pela cavidade bucal, criando-as vogais ou semivogais. Se existir alguma obstrução feita à passagem do ar, quer pelo contato da língua nos alvéolos dos dentes ([t], [d]) ou no palato ([L], [S], [Z]) quer através da obstrução ocorrida ao nível dos lábios ([p], [b]) ou do lábio inferior contra os incisivos superiores ([f], [v]), obtêm-se as consoantes. Quanto ao ângulo de abertura do maxilar superior em relação à língua, as vogais podem ser fechadas, semi-fechadas, semi-abertas e abertas. Quanto à posição da língua em relação ao palato, as vogais podem ser anteriores, centrais e posteriores. As vogais posteriores [u], [o], [ó] podem ainda ser mais ou menos arredondadas conforme a projeção dos lábios. Do ponto de vista articulatório, as consoantes são classificadas quanto ao seu modo de articulação, ou seja, a maneira como se dá a obstrução, e quanto ao seu ponto de articulação, ou região na boca onde se dá a obstrução.

A fonética Acústica se destina às propriedades acústicas dos sons da fala, estudando o tipo de ondas sonoras que a produzem a sua propagação e proteção, os filtros que a modificam, os ressonadores que a alongam além do necessário, etc. A fonética acústica recorre a instrumentos de análise e de observação das características físicas dos sons, análise essa que atualmente pode ser feita por ferramentas computacionais de análise de sinais de fala.
A fonética Auditiva se destina ao estudo dos processos de audição da fala humana e de processamento das suas características pelo cérebro humano. Estuda também a anatomia e fisiologia do ouvido humano, a forma como são recebidas as ondas sonoras e como estas são conduzidas pelos neurônios ao cérebro, onde são finalmente processadas e reconhecidas. A fonética auditiva interessa-se também pela "realidade psicológica" ou representação mental dos sons da fala, profundamente condicionados pelos processos cognitivos de reconhecimento dos sons e muito influenciados pelas representações cerebrais dos sons pela escrita. Por outras palavras, o número de sons do português reconhecidos por um falante estrangeiro será diferente em relação ao número de sons reconhecidos por um português nativo. De qualquer modo, a realidade fonética é muito superior, uma vez que nunca produzimos um som exatamente igual, como o provam as análises acústicas computacionais.

Segundo Celso Cunha (2001), para simbolizar na escrita a pronúncia real de um som usa-se um alfabeto especial, o alfabeto fonético. Em nossas transcrições fonéticas, sempre que possível utilizamos o Alfabeto Fonético Internacional, no entanto, tivemos de acrescentar e adaptar alguns sinais necessários para a transcrição de sons de variações da língua portuguesa para os quais não existe sinal próprio naquele Alfabeto.

Para ilustrar as diferentes formas de pronunciar uma mesma palavra em um mesmo país, no caso o Brasil, a seguir uma tabela com transcrições fonéticas de 20 palavras diferentes, com a transcrição de um sergipano, a transcrição de um carioca e a transcrição de um paulista, nesta mesma ordem.

A importância da transcrição fonética está além do que muitos imaginam, ela pode nos auxiliar desde o aprendizado de uma língua estrangeira, quanto no caso de uma descoberta de uma nova língua completamente estranha, pois os estudiosos poderiam anotar o que eles falam através da transcrição fonética, criar um trabalho para localizar as palavras recorrentes, as fronteiras das palavras e a partir desse estudo criar um dicionário dessa nova língua.

A transcrição fonética também auxilia na descrição das variantes lingüísticas de um país, como no Brasil, que possui uma vasta variedade lingüística e que através da transcrição fonética é possível diferencia - lá.

 

 

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