"Trilhando caminhos para uma ciência Psicanalítica" - O lugar da Psicanálise na investigação científica

Publicado em: 26/11/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 154 |

Desde o seu início que a Psicanálise tem vindo a ser confrontada com teorias e regras. De um lado encontramos os puristas das ciências duras, do outro estão os defensores das ciências humanas e da hermenêutica. Dentro da própria Psicanálise tem havido uma separação, criando-se grupos para que se consiga debater e concluir acerca do seu lugar no panorama da investigação. Segundo McAloon (1992, citado por Santos Neves, 2008) a integração da Psicanálise no sistema de saúde e o peso que as seguradoras têm vindo a receber na comparticipação de tratamentos têm forçado a Psicanálise a desenvolver tratamentos mais curtos para reduzir custos e a necessidade de medir a eficácia da intervenção de acordo com modelos quantitativos tem levantado várias questões junto do método Psicanalítico e relativamente à investigação feita nesta área. Instituições como a Fundação para a Ciência e Tecnologia, entre outras, têm feito pressão relativamente a prazos, exequibilidade de projectos e apresentação de resultados e relatórios, colocando a Psicanálise e o seu método entre a espada e a parede já que, por norma, estes não se enquadram nos parâmetros tradicionais das ciência duras - ciências financiadas e suportadas por várias instituições públicas e privadas.

Onde se encontra então a investigação em Psicanálise? A investigação em Psicoterapia pode dividir-se em quatro gerações, diz Wallerstein (2001), marcadas por evolução tecnológica e maior sofisticação. A primeira destas gerações pode dizer-se que se enquadra entre 1917 e 1968 e durante este período a investigação feita compreendia apenas retrospectivas e análises de bons resultados atingidos contudo, sem critérios específicos (Wallerstein, 2001). Já a segunda geração, que foi de 1959 a 1985, já trilhou caminhos ligados à investigação da psicoterapia psicanalítica em grupos e em sequências de pacientes. No entanto, neste período começou já a surgir nesta área definições específicas, critérios operacionáveis e previsões de resultados esperados. A terceira geração, diz Wallerstein (2001), decorreu de 1954 a 1986 e já combinou os dois tipos de investigação presentes na segunda geração com a separação dos resultados promissores e consequente seguimento dos casos. A última geração iniciou em 1970 e não terminou todavia. Acrescenta a tudo o resto micro-análises que podem hoje ser feitas com o recurso a gravações e pesquisas que antes não se podiam levar a cabo.

Ao longo destas gerações definidas por Wallerstein (2001), se estivermos atentos aos debates que têm ocorrido no seio da própria Psicanálise, podemos encontrar vários elementos que têm servido como obstáculo ao exercício da discussão científica (Bernardi, 2002). O facto de existirem várias posições diferentes com limites pouco claros não facilita a tarefa. Mesmo as discussões que tiveram lugar na sociedade Britânica (nos anos 40), diz Bernardi (2002), estavam enquadradas das tradições dominantes. Contudo, é do debate que nasce a luz e é da discussão que se faz ciência. Apesar da controvérsia sobre a plausibilidade da investigação em Psicanálise, trabalho significativo tem vindo a ser feito ao longo das décadas, com importantes descobertas que têm expandido as aplicações teóricas e clínicas inclusive permitindo a colaboração de campos do saber como a neurobiologia e as ciências neurocognitivas (Kernberg, 2004).

Wallerstein (1999) acredita que, ao longo do tempo, tem vindo a dar-se uma verdadeira internacionalização na Psicanálise. Essa expansão manifesta-se quer através das perspectivas teóricas e clínicas, quer pela realização de vários congressos internacionais, como pela partilha de saber entre Psicanalistas europeus e de países longínquos, com visões, culturas e experiências diferentes. E, claramente, falamos de debates e congressos de extrema importância para o desenvolvimento da Psicanálise já que, segundo Kernberg (2006), a investigação empírica que não tem em linha de conta os complexos temas que rodeiam os conceitos psicanalíticos corre sérios riscos na operacionalização das variáveis, confundido a verdadeira natureza do que se pretende medir. Porém, a investigação conceptual em Psicanálise, que se foca no desenvolvimento histórico, definições em conflito e uso predominantemente social e presente de certos conceitos arrisca-se à esterilidade da investigação a não ser que esse estudo esteja associado a uma investigação empírica que possa clarificar as controversias conectadas aos campos conceptuais e teorias associadas a estes conceitos (Kernberg, 2006). É então necessário conhecer e clarificar o lugar da Psicanálise na investigação científica, desmistificar os paradigmas dominantes, perceber de que forma a Psicanálise pode e deve formar-se como unidade sólida de investigação, quer ao nível universitário / académico, quer ao nível das instituições públicas e privadas que financiam e possibilitam o avanço científico.

1. Escavando o Paradigma...

Sempre a Psicanálise procurou ir mais além mas só mais recentemente se tem debatido o seu estatuto no meio académico e no mundo da investigação científica. Foi no Século XVII, com a emergência do dualismo de Descartes e a entrada no Iluminismo, que se dá a divisão entre ciência e espírito. Nesta altura, segundo Whitehead (2006), Freud introduz a sua revolução Psicanalítica deixando a epistemologia para os filósofos. A sua carreira atravessou a transição do período Victoriano para uma Era moderna, mais inspirada no igualitarismo (Whitehead, 2002). a somar a todas as mudanças da época, uma guerra mundial. Com os conhecimentos que tinha de Neurologia, rodeado de circunstâncias científicas, Freud procurou explicar a histeria baseando-se no conhecimento científico, pessoal e clínico mas, diz Whitehead (2006), esse projecto falhou e Freud decidiu manter-se no terreno da Psicologia, evitando os campos da neurofisiologia e biologia. Assim, permitiu-se conhecer o inconsciente, revolucionando esse campo do conhecimento mas levando a criticas e dúvidas que se centravam na interacção mente-cérebro e como se poderia relacionar com a realidade envolvente.

Foram sempre precisamente as dúvidas que levaram a questões e ao debate. Efectivamente, na história da Psicanálise, a reflexão epistemológica acerca da sua cientificidade foi tardia. Foi em 1958 na conferência de Nova Iorque que foi forçada a sair do seu refúgio enfrentando acusações de falta de cientificidade e procurando defender-se. Esta conferência foi um ponto de viragem e um momento histórico para a Psicanálise e para a sua progressiva inserção no campo da investigação (Robertis, 2001), procurando alterar-se o foco das questões ontológicas para as epistemológicas. Assim, o estabelecimento de uma relação entre proposições teóricas e elementos observáveis de forma a estabelecer uma base empírica onde assentem teorias específicas, passou a consistir o problema fulcral. No Mundo, queria-se a separação da Ciência de outros saberes como a Teologia, Filosofia e as Humanidades. No entanto, diz Boczar et al (2001) a total aceitação dos critérios ditos científicos apenas resulta numa rejeição de outras vastas áreas de conhecimento que já se encontram sob o domínio da ciência. Se a adesão aos pressupostos de diferenciação de ciência de outros saberes fossem feitos a 100%, áreas inteiras de conhecimento nunca seriam legitimadas na investigação científica e domínios de saber nunca seriam explorados e divulgados trazendo novos contributos.

1.1. Solidificando as Bases para o Realismo Crítico

O facto dos epistemologistas terem permanentemente questionado a Psicanálise, tem vindo a contribuir muito para o fortalecimento da teoria analítica conduzindo a uma melhor aplicação, não só na prática individual, como gerando novos compromissos científicos e sucesso terapêutico. Da mesma forma, o pensamento analítico tem vindo a contribuir para o questionamento e enriquecimento do campo epistemológico (Aguillaume, 2001). Assim, a Epistemologia, diz Ahumada (1997), emerge do estudo do modo como as várias áreas científicas chegam ao conhecimento. Segundo o autor, as polémicas relativas ao conhecimento Psicanalítico prendem-se com concepções da natureza da mente humana.

Como tal, e apesar do paradigma positivista ter vigorado como epistemologia de investigação, o facto é que mesmo na tradição quantitativa, outros modelos se impõem para a investigação nesta área, nomeadamente o Realismo Crítico (Cook & Campbell, 1979). As bases filosóficas do realismo crítico têm estado associadas aos filósofos britânicos Roy Bhaskar e ao mentor Ron Harré (Losch, 2009), seu professor de Filosofia (Kaidesoja, 2007) que, inicialmente, começa por colocar questões acerca do que existe (Bergin, Wells & Owen, 2008). Tem sido então usado como elo de ligação entre as diferentes posições epistemológicas (Losch, 2009) e sugere, segundo Bergin et al (2008), uma ontologia partilhada entre as ciências naturais e sociais.

Segundo Hanly (1999) a história da Filosofia sublinha a extrema importância de se saber se o ponto de partida é ontológico ou epistemológico. Se é ontológico, então o ponto de partida do investigador é de que existe uma realidade independente dos nossos sentidos e pensamento a ser explorada e, se possível, conhecida e compreendida. Assim, a questão epistemológica diz respeito ao modo como sabemos o que é o outro e o que somos nós próprios. Estas questões tão importantes para a investigação têm suscitado controvérsias e discussões no mundo Psicanalítico. Os teóricos da Psicanálise, sobretudo alguns Kleinianos e Freudianos, defende que a questão ontológica tem primazia sobre a epistemológica e este é um assunto de debate em investigação em Psicanálise (Hanly, 1999).

Em oposição às perspectivas Empiristas e Positivistas, o Realismo Crítico presume que a resolução da investigação ocorre sim ao nível ontológico (Scott, 2007). Como tal, efectivamente, este paradigma é Realista e Crítico, pressupondo que os objectos no mundo - sobretudo os objectos sociais - existem independentemente do observador ser capaz de os conhecer ou não (Realismo). Em segundo lugar, defende que o conhecimento destes objectos é sempre falível pois quaisquer tentativas para os descrever necessitam ter em conta a natureza transitiva do conhecimento (Crítico). Assim, e para Lund (2005), o que é pretendido com o Realismo Crítico é mostrar que os fenómenos em estudo numa investigação científica não são apenas construções criadas nas mentes dos observadores mas correspondem a entidades reais ou processos que existem de forma autónoma. A necessidade de se ser crítico deriva deste ponto. A dificuldade em conhecer estes fenómenos exige, de quem os estuda, uma atitude activa e crítica relativamente às inferências feitas (Lund, 2005).Quando falamos em Realismo Crítico, o termo evidência não pode pressupor uma verdade perfeita e absoluta como no paradigma Positivista mas sim um conhecimento de que existe um mundo imperfeito (Boesky, 2005).

1.2. Realismo Crítico – vantagens na investigação em Psicanálise

Entretanto, a subjectividade epistemológica chegou, como esperado, à investigação na área Psicanalítica. Segundo Hanly (1999) esta desenvolveu-se para além dos interesses clínicos já conhecidos nos conceitos de transferência e contra-transferência. Hanly (1999) defende assim que a atenção dada à relação analista-analisando foi alterada para interaccionismo ou intersubjectividade negando ou recusando a diferenciação epistemológica de sujeito-objecto. Para o autor, o Realismo Crítico como epistemologia para a investigação em Psicanálise tem ainda várias vantagens. Está livre dos problemas lógicos e conceptuais gerados pelos historicismo e pelas epistemologias subjectivas em geral (Hanly, 1999). Se podemos ter conhecimento acerca dos objectos, podemos também conhecer e estudar o nosso próprio conhecimento acerca dos mesmos. Para além disso, o Realismo Crítico não nos pede, de forma alguma, menos auto-crítica, menos cepticismo, anti-absolutismo ou menos tolerância relativamente ao incerto que o Subjectivismo. O Realismo Crítico, para Hanly (1999), desafia-nos sim a melhorar a nossa capacidade de usar evidências as clínicas para avaliar interpretações e teorias, procurando descobrir o nosso caminho para além do fácil isolamento teórico que, segundo o autor, tem dominado a Psicanálise.

Na visão de Hanly (1995) Psicanalistas que escolhem o Realismo Crítico como modelo epistemológico, estão situados na tradição filosófica de Aristóteles, Epicuro, Hobbes, Locke, Mill , Feigl e Grünbaum. Esta é também a epistemologia de Freud. E, para Etchegoyen (1991), é dentro da perspectiva enquadrada pelo Realismo Crítico, que se compreende que a nossa ideia acerca da história do paciente tem apenas um grau de boa probabilidade de estar próxima mas nunca de certeza absoluta, requerendo um complexo e contínuo processo de validação. Esta noção é o melhor contributo e um excelente incentivo à investigação em Psicanálise. Longe de lhe retirar rigor, confere-lhe precisão, conhecimento das limitações e condições para aperfeiçoar não apenas as suas técnicas mas a sua investigação. Hanly (1996) acrescenta ainda que na tradição do realismo crítico, a percepção do mundo e as memórias de percepções passadas representam aspectos essenciais da história. Também desta visão partilham os Psicanalistas.

2. Investigação em debate: Europa vs. E.U.A

E é quando a discussão se acende, que as comunidades se dividem. Segundo Bernardi (2002) nunca é fácil para qualquer participante numa controvérsia aceitar discutir as suas premissas e suposições quer por motivos lógicos e racionais, quer por motivos compreendidos psicanaliticamente. E como o debate não se restringe aos grupos exteriores à Psicanálise, também dentro da comunidade Psicanalítica existem divergências relativamente à forma como é feita ou deveria ser feita a investigação nesta área. Dois dos momentos marcantes na história da Psicanálise passaram-se em Río de la Plata. O primeiro, segundo Bernardi (2002) foi a recepção e desenvolvimento das ideias Kleinianas, a sua maior parte nos anos 50, tornando possível contribuições originais. O segundo momento deu-se quando essas ideias locais e dominantes originaram uma diversidade de influências e autores como Winnicott, Bion, Kohut, etc.

Para Santos Neves (2008) houve mais recentemente um reacendimento das controvérsias dentro da área Psicanalítica. Diz Widlocher (2003, citado por Santos Neves, 2008), que prova disso foi, por exemplo, a realização da Conferência Internacional de Frankfurt em 2002 sobre a investigação em Psicanálise e a criação de dois sub-comités de investigação na IPA. Botella & Botella (2001) esboçam um retrato dessas duas forças investigativas que duelam no interior da Psicanálise. Por um lado, uma corrente que defende uma pesquisa apoiada no modelo próprio das ciências na Natureza. As ditas ciências duras. Este modelo remete-nos para critérios como repetibilidade, verificação, previsibilidade, quantificação, etc. Este método segue a tradição da pesquisa objectiva e quantitiva. O seu método defende um compromisso entre o método Psicanalítico e a Investigação Experimental, havendo a obrigatoriedade de validação de acordo com os standards tradicionais (Steiner, 2000, citado por Santos Neves, 2008). Esta perspectiva considera a Psicanálise como "objecto" de pesquisa, daí que o seu método e o conhecimento empírico produzido sejam submetidos a confirmação experimental. Quando falamos do modelo Anglo-Americano de Investigação em Psicanálise, falamos de um modelo que recorre a meios técnicos para recolha de material clínico (transcrições, vídeo, etc.) e que defende como base o empirismo directo de forma a que seja possível a previsibilidade, a operacionalização de variáveis, a experimentação, etc. (Widlocher, 2003, citado por Santos Neves, 2008). Trata-se de um método de investigação baseado no modelo logico-racionalista de ciência (Santos Neves, 2008).

Do outro lado reside uma corrente – irredutível como a aldeia Gaulesa de Asterix – que ainda procura defender uma disciplina Psicanalítica efectivamente específica (Botella & Botella, 2001). Debruça-se sobre uma pesquisa conceptual, clínica, epistemológica e histórica. Defende assim uma linha próxima da visão clínica e metapsicológica de Freud. Está relacionada com o grupo independente Britânico, Kleiniano e pós Kleiniano, escolas Lacanianas, etc. A sua posição é, certamente, mais ortodoxa pois esta corrente vê o modelo experimental como inadequado para o estudo do fenómeno Psicanalítico (Steiner, 2000, citado por Santos Neves, 2008). Dedica-se ao estudo de caso ou à análise relatada pelo analista e considera a Psicanálise não como "objecto" mas como "instrumento" de pesquisa sendo o seu método (analítico) ferramenta do conhecimento e descoberta (Widlocher, 2003 citado por Santos Nunes, 2008).

Wallerstein, durante a sua presidência da IPA expressou por duas vezes (1988 e 1990) a ideia de que existiria uma base comum na Psicanálise. Por detrás de todas as divergências era importante que a Psicanálise se focasse naquilo que conduzia à união. Green (2005) respondeu a estas comunicações chamando-as de actos políticos. Para Green, estas palavras não retratavam forçosamente a realidade mas eram palavras diplomáticas que Wallerstein, como presidente, teria de dizer tal como um pai procura unir a sua prole. Seria então uma manobra bem intencionada. Green não vê a união destes dois polos como possível. Kernberg (2008), por sua vez, compreende a divisão política existente entre investigadores empíricos e teóricos na Psicanálise como causa para danos na área. Na sua opinião, devem dar-se oportunidades aos interessados na pesquisa conceptual e qualitativa e aos investigadores empíricos ou quantitativos.

3. A Psicanálise como ciência dura ou antes hermenêutica?

Temos então, até este ponto, todos os indicadores de que existe um modelo epistemológico no qual se integra a investigação em Psicanálise. No entanto, as dúvidas centram-se agora na sua cientificidade e no lugar específico que ocupa para a investigação e respectivos pares. Assoun (1981, cit. Cramer & Manzano, 1984) refere que Freud passou ao lado de uma polémica emergente entre os defensores das ciências naturais que buscavam explicações e os que procuravam o conhecimento. Para que Freud evitasse este dualismo permaneceu monista acreditando e defendendo que há apenas uma ciência – a ciência da Natureza onde conhecer é explicar. O modelo Freudiano de investigação em Psicanálise baseava-se no método analítico e caracterizava-se pela aplicação de um modelo psicológico ao pensamento acerca das teorias, examinando os processos de desenvolvimento e de mudança que estariam na base da reconstrução do passado. Este modelo identifica os níveis de investigação e reconhece a dualidade dos factores conscientes e inconscientes em todas as ideias e produtos culturais (Wilson, 2003).

Segundo Bowman (1996), a ênfase tem sido sempre colocada no tema da cientificidade da Psicanálise devido à influência da noção Kantiana de filosofia da ciência que pretende afastar as questões da moralidade do campo da investigação científica. Contudo, na última década, o termo relativo a uma forma literária "narrativa" tem sido falada e debatida na literatura Psicanalítica de uma perspectiva Hermenêutica. Assim, o termo "verdade narrativa" tem vindo a sugerir que não há base para a validação de uma interpretação na história do paciente, mas apenas na "coerência" da interpretação do analista (Hanly, 1996).

Temos então, por um lado, o cerco das "ciências duras" que defendem o seu modelo unitário de conhecimento científico, o modelo de Galileu. Deste lado do cerco diz-se que a Psicanálise clínica não preenche os critérios empíricos relativos às suas alegações. Nagel (1959, cit. Aguillaume, 2001) afirma que a Psicanálise deveria ligar algumas das suas teorias a factos observáveis, determinados de forma adequada e especificados sem quaisquer ambiguidades, não devendo uma teoria ser formulada de modo a poder sempre ser interpretada, manipulada para explicar qualquer evento. Ainda dentro das críticas, também Nagel, como Popper, aborda a Psicanálise como uma teoria criada de forma a nunca poder ser refutada (Nagel 1959 cit. Aguillaume , 2001). Popper, por sua vez, demarcou a diferença entre ciência e não-ciência através deste conceito de falsificabilidade, condenando então a Psicanálise ao campo das teorias não-falsificáveis e, portanto, definindo-a como não ciência. Aguillaume (2001) justifica este rótulo com a falta de conhecimento de Popper e Nagel acerca da teoria psicanalítica Grünbaum (1993 cit. Aguillaume, 2001) apontou este desconhecimento e inconsistência de Popper mostrando que Freud fez repetidas alterações às suas teorias à medida que estas iam revelando inconsistências. Estas alterações basearam-se em factos e evidências e não nas suas idiossincrasias.

Do outro lado da "barricada" encontra-se a Hermenêutica que, concordando com as "ciências duras", afirma que a Psicanálise não é empírica mas uma ciência de interpretação humana (Ahumada, 1997). Hartmann (1964), por sua vez, descreve as semelhanças entre Psicanálise e Ciências Naturais referindo que tal como elas, desenvolve conceitos gerais e dedica o seu esforço investigativo na formulação de leis geralmente aplicadas com base na informação que recolhe dos sujeitos. Contudo, os dados recolhidos na investigação Psicanalítica são estruturas e desenvolvimentos psíquicos extremamente complexos (pensamentos, desejos, afectos, sonhos, sintomas neuróticos e todo o seu historial), havendo ainda uma parafernália de material – individual ou colectivo – que também é recolhido como diários, poemas, obras de arte, mitos, fenómenos sociais, legais e religiosos (Hartmann, 1964).

3.1. A Psicanálise e a Hermenêutica

A Hermenêutica era o modo como se extraia sentido de textos antigos e misteriosos, sobretudo aqueles que teria significado simbólico ou vários níveis de conhecimento associados como as alegorias, metáforas e os mitos (Friedman, 2000). Os estudos Hermenêuticos têm estado focados na ligação entre o funcionamento psicológico social e individual. Assim, este ramo propõe modelos que permitem perceber o modo como o ser humano decifra e encontra sentido no material produzido por alguém que pode ser completamente diferente do investigador no que diz respeito a preconceitos, crenças e conhecimento (Hoit, 1995). Alguns Psicanalistas, afirma o autor, sentem que esta filosofia Hermenêutica permitiu um conhecimento geral do acto de interpretar e deu alguns contributos importantes na relação clínica entre analista e analisando já que a Hermenêutica mais recente não está apenas confinada aos tradicionais problemas de interpretação de textos (Friedman, 2000).

De acordo com Steele (1979 cit. Irwin, 1996) Freud era também um Hermeneuticista já que tinha a consciência de que a teoria e a prática eram indissociáveis. Também na visão de Ricoeur (1977 cit. Irwin, 1996), a Psicanálise pode ser uma ciência social que usa métodos hermenêuticos. Contudo, diz Ricoeur (1977, cit. Irwin, 1996), apesar de utilizar os seus métodos, não se trata de uma Hermenêutica já que não vê a coerência narrativa como o único indicador de verdade, ao contrário da Hermenêutica tradicional. Parece-nos haver dentro da Psicanálise (quando a percebemos como forma de interpretação da realidade) uma tentativa de utilização de métodos aproximados aos científicos, bem como métodos hermenêuticos que visam a interpretação do material complexo, criativo e subjectivo com o qual trabalha.

Bernner (1980 cit. Irwin, 1996), por exemplo, reconhece a posição Hermenêutica já que defende que os dados recolhidos da Psicanálise pertencem, sobretudo, ao campo das interpretações de sentido como sendo desejos ou medos, fantasias e sonhos. Os Psicanalistas usam os significados como sendo os seus dados. Caws (2003) dá o seu contributo colocando mais dúvidas na validação da Psicanálise enquanto ciência, defendendo que, caso o seja, será então uma ciência humana. A única forma de contornar esta situação será não pretender atingir uma generalização, devedo-se antes procurar reconceptualizar a Psicanálise como uma teoria na qual os casos particulares são efectivamente relevantes, não para conduzir a uma generalização, mas para se poder aplicar a casos que, pelas suas idiossincrasias, podem beneficiar desse conhecimento científico. Cada caso, cada paciente, é um mundo novo e único (Caws, 2003).

Porém, existem opiniões mistas. Vozes que acreditam que o lugar da Psicanálise deveria ser um meio termo que se ancorasse à objectividade do empiricismo mas que tenha em conta as complexidades e idiossincrasias do objecto de estudo. Bucci (2001) defende que a centração excessiva nos estudos de caso e nos designs qualitativos acaba por não corresponder aos critérios científicos exigidos. Por outro lado, a insistência nos pressupostos conducentes a uma tão ansiada objectividade, faz obscurecer o ponto de vista dos participantes e simplifica em demasia assuntos clínicos de elevada complexidade. Não tendo de estar presa a nenhuma das abordagens, deveria existir um terceiro caminho com métodos já existentes ou, pelo contrário, métodos ainda a serem criados para uma investigação adequada que tenha em conta o rigor científico e a complexidade dos processos inconscientes.

4. Caminhos a trilhar – a Nova Psicanálise?

Desde sempre, sabemos, a ciência teve de lidar com desafios. No início até mesmo com a crise da razão. Thomas Kuhn (1962 cit. Giannoni, 2003) afirmava que para analisar e avaliar teorias, o método hipotetico-dedutivo (modificado pela falsificabilidade) não seria a única forma de abordagem. Defendia ainda que a ciência não avança progressivamente mas através de revoluções nas quais um novo paradigma substitui o anterior, não havendo pontos de comparação entre ambos já que teorias concorrentes não seriam apenas incompatíveis mas mesmo incomensuráveis. Claro que estas ideias foram criticadas por quem defendia princípios mais tradicionais. Ganhou inimigos, vozes discordantes mas para a história ficou o facto das ideias de Kuhn terem mudado radicalmente a filosofia da ciência. Também Freud acreditou nos ideais da modernidade. E apesar da influência Freudiana não ter tornado fácil a criação de uma cultura de debate e examinação das diferenças pois, segundo Bernardi (2002), o uso de argumentos baseados na autoridade excluindo posições divergentes foi favorecido, muitos anos já passaram desde as suas descobertas. De acordo com Giannoni (2003), se acreditamos que a Psicanálise é também um produto cultural teremos de aceitar as suas consequentes mudanças historico-culturais.

Essas controversias têm de supôr, para Bernardi (2002), uma vontade de aceder à verdade, recebendo novas ideias e modificando as anteriores já que as ideias psicanalíticas, diz o autor, mudam também com o tempo. Esta mudança conduz então a questões ligadas a que ideias mudam, quando, como, quais os efeitos e consequências, etc. Estas questões – não específicas da Psicanálise – diz Bernardi (2002) são transversais às dicussões científicas que se prendem com o momento em que uma teoria deve ser abandonada e substituída por uma nova e como se dá a mudanças das ideias.

Hoje, o que é facto, é que parece não haver uma única e absoluta verdade Psicanalítica (Giannoni, 2003). Contudo, diz Jiménez (2006), se acreditamos que a Psicanálise é uma ciência autónoma temos de reconhecer que o conhecimento Psicanalítico se tem acumulado de uma forma um pouco caótica e feito com pouca disciplina. Isto, para Jiménez (2006), pode dever-se ao facto de cada escola Psicanalítica ter sempre acreditado e defendido que possuia o legado mais próximo dos ensinamentos de Freud. Como tal, vários são os contributos e as visões que se duelam quando está em discussão o estatuto da Psicanálise.

Que esta pode utilizar elementos da Hermenêutica na sua forma de interpretar o mundo, parece ser opinião consonante. Giannoni (2003) acredita que a Hermenêutica fornece ferramentas que permitem à Psicanálise explorar quer a contribuição da subjectividade do analista, quer a multiplicidade teórica da investigação. Segundo o autor, esta filosofia nem sequer é hostil para com a ciência empírica e permite sim a integração num modelo "científico-hermenêutico" onde os princípios históricos e biológicos têm igual valor. Sendo que a investigação empírica não pode capturar a totalidade dos processos inconscientes envolvidos entre paciente e analista, a Psicanálise toca um ponto que falha profundamente na investigação empírica (Kernberg, 2006). Todas as problemáticas mais profundas como os conflitos edipianos e pré-edipianos, as fantasias sexuais e agressivas escapam à lente do empiricista.

Então o que deve ser a ciência Psicanalítica? Segundo Bucci (2000 cit. Bucci, 2001), uma ciência Psicanalítica deverá ser então uma disciplina integrativa focada no organismo humano, no seu desenvolvimento adaptado ou patológico e no processo de mudança terapêutico que conduz a uma maior adaptação. Afinal, e segundo Kernberg (2006), os grandes desenvolvimentos na teoria e técnica Psicanalítica não surgiram da investigação empírica mas de trabalhos produzidos por teóricos e clínicos como Melanie Klein, Edith Jacobson, Winnicott, Bion, André Green e muitos outros.

Temos de ter em linha de conta que a Psicanálise é uma ciência recente, padecendo, como tal, dos problemas e dúvidas da época em que nasceu. O caminho é longo mas o facto é que não existe uma e única forma de fazer ciência. Vários são os caminhos e a mente humana é bem rica e complexa. É preciso abrir janelas de oportunidades para uma investigação que utilize a Psicanálise e o método analítico como "instrumento" privilegiado de investigação. Talvez a Psicanálise possa ser ciência em certas ocasiões, possa ser usada como hermenêutica noutras. O facto é que para curar, é preciso saber. Numa palavra: "Junktin".

Referências Bibliográficas

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/trilhando-caminhos-para-uma-ciencia-psicanalitica-o-lugar-da-psicanalise-na-investigacao-cientifica-5431188.html

    Palavras-chave do artigo:

    psicanalise

    ,

    ciencia

    ,

    investigacao

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