Um olhar sistêmico da avaliação da aprendizagem em seu contexto global e no ensino superior

Publicado em: 21/03/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 991 |

1 – INTRODUÇÃO

 

     O presente trabalho de investigação científica apresenta-se como elemento propulsor para a desmistificação do conceito de avaliação como elemento alheio e independente do processo de ensino-aprendizagem a fim de torná-lo grande aliado da educação, desta forma justifica-se a escolha do tema.

Atualmente, a educação é um dos primeiros problemas a serem resolvidos pela sociedade contemporânea, pois se tratado de forma incorreta, poderá acarretar sérios transtornos sociais, mas se utilizada adequadamente será um meio eficaz e único para moldar uma sociedade melhor para as próximas gerações.

Em nosso país, a situação do ensino não é satisfatória, o que se observa, mesmo com a presença da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional trazendo aspectos pedagógicos inovadores, são profissionais carentes de qualificação e com o baixo nível de satisfação, elevado índice de evasão e repetência.

Outro problema no âmbito escolar é o processo avaliativo, visto que na maioria das vezes é concebido através de resultados obtidos em provas e/ou exames, entrando em detrimento a aprendizagem.

Pode se afirmar que a avaliação não é um simples elemento técnico, mas um processo que envolve sentimentos, diversidade cultural e social, posicionamentos políticos e o mais importante, mexe com a auto-estima do individuo.

     Neste sentido, a presente investigação tem o contributo de incentivar a adoção do comprometimento com o trabalho e a visão critica e política do professor em ter a avaliação como principal ferramenta para o desenvolvimento humano e profissional do aluno, seja ele da educação básica ou do ensino superior.

A avaliação hoje tem sido um dos pontos de maior destaque no campo da pesquisa educacional, visto que, muito têm se discutido a partir dos conflitos e contradições postas e apresentadas na prática, as quais rogam para a grande necessidade de alterações na cultura avaliativa desenvolvida no cenário educacional atual.

Frisa-se que, por diversos momentos históricos a avaliação do processo de ensino-aprendizagem sofreu diversas alterações e/ou interpretações, no entanto, hoje a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e as Diretrizes Curriculares Nacionais de Formação de Professores defendem a avaliação como processo contínuo e cumulativo e descomprometido com os modelos tradicionalistas.

     Frente ao exposto, permitiu-se o estudo acerca das situações suso mencionadas, assim como experiências advindas dos bancos acadêmicos, despertando o interesse por esta temática para a elaboração deste documento, a fim de torná-lo referencial para futuras pesquisas.

 

2 – AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: ASPECTOS GLOBAIS

 

A discussão acerca da avaliação da aprendizagem nos remonta à sucessão de indagações de sua perfeita e correta utilização, no entanto, precipuamente, para que haja um perfeito entendimento, deve-se realizar, acertadamente, análise histórica sobre este tema.

A partir de pesquisas bibliográficas, verifica-se que, o ciclo avaliativo atualmente empregado, apresenta resquícios das pedagogias utilizadas no século XVI e XVII, como também dos ideais defendidos pela sociedade burguesa da Revolução Francesa.

De forma pioneira, a pedagogia jesuítica do século XVI, procurava alcançar precipuamente dois objetivos: o missionário - trazendo os nativos pra o encontro de Cristo e para o mundo civilizado e; o educacional – na qual a ação jesuítica concentrava-se nos colégios e nos seminários, subsidiados pela Coroa, colocando a causa católica acima de tudo, com o enaltecimento das provas e/ou exames, sendo estes amplamente divulgados na sociedade, e por muitas vezes, motivo de aclamação pública quando na obtenção de altas notas.

Seu processo educacional consistia basicamente em aulas de ler, escrever e contar, para filhos de colonos e índios, com o uso exacerbado de normas rigorosas para os estudos escolásticos na busca de um ensino eficiente, relacionando o serviço de catequização a um trabalho pedagógico a serviço da metrópole, rompendo com os limites da educação formal e influenciando, conseqüentemente, a estrutura e dinâmica social.

Vale ressaltar que, além dos jesuítas, outras ordens religiosas foram autorizadas a catequizar nossos nativos: os Franciscanos, os Carmelitas, os Beneditinos e os Capuchinhos.

Defensora do medo para a manutenção dos alunos na atividade escolar, a Pedagogia Comeniana, declarava a educação como centro de interesse da atenção do educador, não deixando de utilizar os exames como estímulo do trabalho intelectual do aluno.

Já a pedagogia utilizada pela sociedade burguesa, difusora da pedagogia tradicional, atualmente cristalizada, prega a seletividade escolar e o medo e o fetiche como processos de formação de personalidade do educando, através da realização de provas.

Com a presença destes elementos históricos, a avaliação escolar é tida como algo ou elemento distinto do processo ensino-aprendizagem, concretizado num ínterim pré- estabelecido, consistindo numa mera prática de registro de resultados acerca do desempenho do aluno em determinado período letivo.

No modelo tradicionalista, empregado largamente nos ambientes escolares, o fator predominante é a nota, não importando como se é obtida, mas sim seu alto valor, enaltecendo o recurso que se a obtém como objeto de prazer, fetiche e ameaça por parte dos educadores e pais. Este modelo arcaico é predominantemente contra a democratização de ensino, contribuindo, vertiginosamente, para a evasão escolar e a falta para a promoção do aluno.

Por diversas vezes os educadores assumem a avaliação como uma ação ou dispositivo autoritário, sendo reflexo do que lhes foi vivenciado quando estudantes, observando-se a constante contradição entre o discurso anti-avaliação e as suas práticas escolares, se tornando na realidade uma prática coletiva julgadora por falta de propostas opcionais. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira – LDB é defensora de uma prática avaliativa descomprometida com o tradicionalismo, como aqui asseverado:

 

"(...) V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:

a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; ..."

 

      Valendo-se que, o ambiente familiar e social interfere no processo ensino-aprendizagem, a nota se torna um objeto bastante significativo, onde quando o aluno obtém notas altas ocorre a recompensa por meio de elementos materiais, esquecendo-se do valor afetivo de uma conversa e de um elogio ou de um estímulo, em contrário a isto, a nota baixa resulta num problema social catastrófico, como assevera LUCKESI (2006,19):

 

"(...) Tais problemas, na maior parte das vezes, se referem às baixas notas de aproveitamento. Os pais, cujos filhos apresentam notas significativas, não sentem necessidade de conversar com os professores de seus filhos..."

 

Destaca-se que, a seletividade do sistema educacional é mais marcante na fase da alfabetização, primeira fase do processo de escolarização, sendo nesta a etapa decisória quanto a destinação do aluno, retendo-o nas séries iniciais, aprovando-o para as series seguintes ou colocando-o em classes especiais.

Estes apontamentos nos levam a fazer questionamentos acerca do funcionamento das instituições educacionais, se realmente estaria levando em conta na avaliação o processo de desenvolvimento cognitivo do aluno ou se este mesmo instrumento estaria enaltecido como centro de atenção das aulas, sendo o ponto mais importante do projeto pedagógico da escola ou do planejamento de ensino dos docentes.

     Para que haja esta desvinculação da avaliação como processo punitivo, este elemento deve estar inserido em um arcabouço e/ou projeto pedagógico mais amplo, basilado na identidade da comunidade em que a instituição está localizada, a fim de atingir as principais necessidades e interesses dos alunos para sua formação crítica e reflexiva.

Neste sentido, duas correntes pedagógicas devem ser empregadas: a concepção técnico-científica e a política- ideológica, onde apontarão as respostas mais conscientes para o critério avaliativo, as tendências a serem adotadas e a metodologia para aferição dos objetivos e metas traçadas para o processo de ensino- aprendizagem.

Com isto, o docente terá como requisito a competência para demonstrar não somente a domínio do conteúdo, mas também propostas pedagógicas inovadoras e a capacidade para articular o binômio teoria-prática frente às necessidades e as possibilidades dos alunos. Neste sentido, Luckesi (2006, 45) assevera:

 

"Para tanto, sugere-se que, tecnicamente, ao planejar suas atividades de ensino, o professor estabeleça previamente o mínimo a ser aprendido efetivamente pelo aluno. É preciso que os conceitos ou notas médias de aprovação signifiquem o mínimo necessário para que cada ‘cidadão' se capacite para governar."

 

E, quando se estabelece os objetivos do processo de ensino-aprendizagem dentro do projeto pedagógico da instituição, os interesses e metas específicas da disciplina de cada docente, permite-se que se indague a importância do trabalho desempenhado, ficando evidente o que será essencial para a aprendizagem, a relevância dos conteúdos e as habilidades a ser utilizadas, possibilitando ainda, o entendimento da avaliação como um auxílio a fim de compreender o grau de conhecimento adquirido pelo aluno, articulando-se com um projeto pedagógico escolar e o planejamento de ensino.

Torna-se possível, notoriamente, a partir do exposto, que o processo avaliativo não só represente a simples mensuração do conhecimento, como também a capacidade de usá-lo na resolução de problemas do cotidiano e sua aplicação no âmbito profissional. 

 

 

 

 

3 – AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO ENSINO SUPERIOR

 

Desde os tempos mais remotos, a avaliação faz-se presente na evolução humana, sempre acompanhando as transformações educacionais, ocupando um importante espaço no conjunto das práticas pedagógicas.

Hoje, no cenário educacional, existe uma constante busca por práticas inovadoras de avaliação, contudo ocorre uma dificuldade em pô-las em práticas, já que o estudante do ensino superior traz aspectos positivos e negativos de avaliações trazidas do ensino fundamental e médio, modelos educacionais trazidos principalmente pós-revolução industrial, como prega SAVIANI (2000):

 

"Embutia no modelo industrial, a educação em massa ensina leitura, escrita e aritmética básicas, com um pouco de história e outras materiais. Este era um curriculum aberto. Mas por debaixo dele escondia-se um curriculum encoberto, invisível, que era muito mais básico. Consistia este - e consiste na maioria das nações industriais – em três cursos: um de pontualidade, um de obediência e um de trabalho maquinal repetitivo.

 

O aspirante a docência é condicionado por toda a sua vida de estudante, a processos de avaliação basilados na educação tradicionalista, que tem como objetivo mensurar a capacidade dos alunos, e quando chegam à sala de aula de ensino superior como docentes trazem intrinsecamente essa tendência.

Desta forma, não se pode atribuir o fracasso escolar somente ao aluno, uma vez que este elemento pode ser originado nas ações do professor e nos seus critérios e técnicas avaliativas. É preciso levar em conta a individualidade de cada um, já que os métodos quantitativos descartam as peculiaridades de cada aluno, e impede a verdadeira construção do conhecimento.  

Dentro das escolas, principalmente na academia, se faz necessário a criação de um espaço de reflexão para o desenvolvimento de cidadãos críticos, através de práticas de vivência, ocasionando o processo de mudança dos modelos avaliativos, e na educação superior deve-se definir dentro do Projeto Pedagógico Institucional os valores e os conhecimentos a serem envolvidos.

O Projeto Pedagógico Institucional e os Projetos Pedagógicos dos Cursos devem ser elaborados de forma coletiva e democrática, a fim de deixar clara a missão, objetivos e propósitos da Instituição e do Curso, elucidando os critérios através dos quais as práticas docentes são desenvolvidas, permitindo que estas sejam avaliadas e aperfeiçoadas. E, ainda, devem prever a avaliação não só como fim e meio de julgamento de valores acerca do aluno, mas sim um processo pelo qual todos os atores do processo ensino-aprendizagem avaliam uma prática educativa, já que este elemento é mais do que uma simples contemplação, mas sim grandes tomadas de decisão.

Percebe-se no meio acadêmico uma crescente busca em realizar uma prática avaliativa diferenciada, pois as expectativas geradas em torno do estudante do ensino superior são elevadas, já que se espera do mesmo a capacidade para a resolução de problemas que envolvem diversas áreas de conhecimento.

Cada vez mais os docentes do Ensino Superior acreditam que não exista uma forma mais justa e igualitária para avaliar seus alunos, desta maneira, grande parte está optando pela doção da avaliação formativa, na qual tem como principal representante Perrenoud, e que valoriza outros aspectos, além da avaliação tradicional, como a relação de parceria entre o aluno e o professor na construção do conhecimento.

Neste método avaliativo se permite um acompanhamento diferenciado e permanente do aluno e, o aprimoramento contínuo das estratégias de ensino. Mas nos indagamos se este método resolveria este problema em pauta?

As experiências que os futuros educadores têm no seu processo formativo são decisivas para suas práticas posteriores em sala de aula, portanto a esses educadores devem ser apresentados a novos sistemas avaliativos.

Para que as aulas na academia não se transformem em "escolas de adestramento de alunos", recomenda-se a prática de atividades que envolvam leitura de textos, debates, pesquisas, painéis, apresentação de seminários e procedimentos didáticos que envolvam o uno de novas tecnologias educacionais.

Sendo a avaliação um processo complexo, se faz necessária a reflexão do educador acerca de algumas questões : Por que e para que avaliar? Quem deve avaliar? Quais critérios a serem utilizados para avaliar? Em que se baseiam estes critérios? O que fazer com os resultados obtidos?

A avaliação da aprendizagem deverá considerar os indicadores endógenos e exógenos dos discentes nos mais diversos campos de conhecimento, permitindo-lhes a compreensão acerca da sua própria aprendizagem, estimulando a criticidade e o desenvolvimento do sentido de pertencer ao processo educativo, assim como o ato de avaliar pressupõe que o professor estabeleça o seu real significado para as suas ações educativas.

Não se pode limitar o ato de avaliar aos conhecimentos transmitidos pelo docente e aquisição destes pelo aluno, mas sim pela congruência de experiências trazidas pelos alunos para o âmbito escolar, resultando assim a contínua produção do conhecimento.

Dentro deste contexto, a avaliação não deve ser tida somente como o fim da aprendizagem, mas sim estímulo para a auto-avaliação, expressando a reflexão e a aquisição de conhecimentos, sendo estas propostas e estratégias para a melhoria e/ou manutenção da qualidade de ensino, neste sentido se expressa as DCN's de formação de professores:

 

"(...) V – a avaliação deve ter como finalidade a orientação do trabalho dos formadores, a autonomia dos professores em relação ao seu processo de ensino aprendizagem e a qualificação dos profissionais com condições de iniciar a carreira."

 

Neste sentido, a avaliação não deve ser apontada como único e exclusivo instrumento para decidir acerca do destino do aluno, sua aprovação ou sua reprovação, ou ainda, ser apontada como desvendadora da personalidade do aluno, já que a amplitude deste mecanismo abrange somente os objetivos assentados no planejamento escolar.

Para que a avaliação não se torne um processo obsoleto e retrogrado, se faz necessário um verdadeiro entendimento daquilo que está sendo avaliado, a essência e o propósito do que se quer avaliar, não sendo apenas aplicar provas que priorizem um tempo específico de esforço do aluno para respondê-las.

Se a mudança de atitude não for adotada os métodos avaliativos arcaicos se consolidarão mais ainda, e para que sejam promovidas estas renovações é preciso discutir o processo de avaliação nos cursos de formação de professores, alterar a forma de avaliar os estudantes do ensino superior, trazer a lume outras formas de avaliar e empregar a avaliação como aliada da educação.

O professor que lança mão de diversos instrumentos de avaliação ao decorrer do período, com o objetivo de acompanhar mais intimamente o processo de ensino-aprendizagem, é completamente diferente daquele que se limita a aplicar uma prova ao final da discussão de conteúdo programático, visto que, o professor que utiliza a dificuldade do aluno para o entendimento do seu desenvolvimento tem maiores condições de rever sua prática pedagógica se esta estiver inadequada.

Demonstra-se, desta forma, que é são indispensáveis debates acerca desta temática, expor ao discente a verdadeira importância de avaliar, com o fito de descristalizar o paradigma da avaliação tradicionalista.

Uma grande aliada desta mudança no ensino superior é a avaliação institucional interna, onde serão avaliados através de questionários e/ou mecanismos diversos pontos relativos para o funcionamento da instituição de ensino, principalmente, no que diz respeito ao eixo do ensino, com isso permite-se a verificação das potencialidades e fragilidades de cada ponto analisado, assim como a revisão dos procedimentos utilizados.

Na leitura das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores e das Áreas que envolvem diretamente o ensino, percebe-se a constante preocupação de oportunizar ações de acompanhamento permanente docente, propiciando ao aluno no processo de ensino de aprendizagem, amplas reflexões acerca do mundo, afloramento da sua capacidade critica, reflexiva e participativa na construção de novos conhecimentos, como podemos analisar no fragmento abaixo:

 

(...)d) a avaliação como parte integrante do processo de formação, que possibilita o diagnóstico de lacunas e a aferição dos resultados alcançados, considerando as competências a serem constituídas e a identificação das mudanças do percurso eventualmente necesárias."

 

A discussão da avaliação como fazer da prática pedagógica é carente dentro das instituições de ensino superior, a maioria dos cursos de licenciatura não trazem em sua matriz curricular conteúdos específicos acerca da temática, tendo somente idéias superficiais e errôneas sobre este processo. Os futuros docentes devem ter uma noção aprofundada da verdadeira essência sobre a avaliação, sua realização, sua aplicação e seus resultados.

Fazendo com que a avaliação seja aplicada de forma participativa e transparente, abre-se o caminho para o aluno identificar as suas necessidades e desenvolver a consciência da sua situação escolar.

Por em prática uma avaliação coerente requer uma discussão ampla, para que não seja adotada uma avaliação descomprometida com a aprendizagem do aluno, e o entendimento que as práticas inovadoras revestem-se de uma necessidade constante de revisão do saber pedagógico.

 

 

 

4 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

     A trajetória do ensino, especialmente no que diz respeito a avaliação, sofreu diversas modelagens, onde se registrava a falta de acompanhamento da aprendizagem dos alunos e a negligência quanto as dificuldades levantadas.

     A avaliação é, sem dúvida, um elemento de grande importância a ser utilizado como propulsor do desenvolvimento da atuação escolar, mas para que isso ocorra este procedimento deverá ser conduzido com um cunho reflexivo e identificador das dificuldades dos alunos durante o período letivo. Outro ponto importante é o fato da avaliação propiciar a revisão de métodos de ensino adotados pelo docente, a fim de permitir o alcance dos previamente planejados.

     No ensino superior é ideal que os aspectos qualitativos na avaliação sejam adotados desde os primeiros períodos, para que assim permita-se a adaptação ao novo método e possíveis erros sejam corrigidos, fornecendo subsídios para o aperfeiçoamento do ensino.

     Destarte que, estes modelos tradicionalistas avaliativos não serão somente extintos por força de leis ou outros atos legislativos, deve-se sim, alterar padrões e/ou conceitos produzidos pelo sistema social.

     Os aspectos qualitativos e quantitativos devem estar em perfeita congruência, possibilitando aos mecanismos existentes verificar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem.

     Neste sentido, o aluno deve ser visto como um ser social e político, não como um mero reprodutor ou depósito de informações, através da avaliação feita de forma adequada favorecendo o desenvolvimento crítico e autônomo, deixando de ser vista como um fim e passando a ser encarada como um meio para a educação.

     O ensino e a avaliação de qualidade significam a inserção do aluno no meio social em que vive, podendo expressar-se de diferentes formas, permitindo-lhe a vivência como ser crítico e reflexivo acerca das concepções sócio-políticas em que se insere.

     Espera-se, desta forma que, este estudo acerca da avaliação da aprendizagem seja tido como referencial para a prática defendida na LDB e nos demais diplomas legais, da mesma forma que haja comprometimento dos docentes e, principalmente, seja um norte para futuras pesquisas sobre a temática, assim como a implementação de políticas educativas, atreladas a uma atuação pedagógica atenta as mudanças sócio-culturais, conflitos e outros elementos que poderão dar novos sentidos à didática da avaliação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ABRAHÃO, Maria Helena Menna Barreto. Avaliação e erro construtivo libertador: uma teoria - prática includente em avaliação. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000.

AFONSO, Almerindo Janela. Avaliação Educacional: regulação e emancipação. Cortez Editora: São Paulo, 1999.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez Editora, 1996.

_____________________.Avaliação da aprendizagem na escola: reelaborando conceitos e recriando a prática. Malabares Comunicação e Eventos: Salvador, 2005.

FRANCO, Celso. Avaliação, ciclos e promoção na educação. Artes Médicas: Porto Alegre, 2001.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/um-olhar-sistemico-da-avaliacao-da-aprendizagem-em-seu-contexto-global-e-no-ensino-superior-4447395.html

    Palavras-chave do artigo:

    palavras chave avaliacao discente formacao de professores

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