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Vale apena fazer uma pós lato sensu!
Por: João Florêncio Bastos Filho  | Publicado em: 25-02-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 187 | Avaliação: (99) (?)
Vale a pena fazer uma pós lato sensu!
O mercado de trabalho, cada vez mais exigente e competitivo, está provocando entre os profissionais, simultaneamente, um desejo de melhor posicionamento frente à competição acirrada, uma leve insegurança quanto ao futuro próximo e, conseqüentemente, um ligeiro medo de ficar excluído das melhores oportunidades. A insegurança e o medo destes profissionais podem levá-los a um comportamento passivo, se acreditarem que devem esperar a "neblina abaixar" para ver se as coisas melhoram. Porém, uma constante e atenta reflexão sobre os rumos de suas carreiras, pode auxiliá-los no sentido de acompanhar esta maratona de crescimento em todo mundo e abraçar as novas oportunidades como grandes desafios.
Com o objetivo de ampliar a percepção sobre as suas atuais atribuições e o perfeito alinhamento com os novos paradigmas empresariais, muitos profissionais graduados têm encontrado nos cursos de pós-graduação lato sensu oportunidades para compartilhar suas preocupações, dúvidas, anseios e, principalmente, de conversar sobre os seus projetos de carreira.
Em outubro de 1999, durante a realização do I Fórum Nacional Ensino Superior Particular Brasileiro em São Paulo, divulgaram uma pesquisa realizada em Washington, Estados Unidos, com diretores de Recursos Humanos de grandes empresas. Questionados sobre o que esperavam de um recém-egresso da universidade, classificaram as exigências por ordem de importância: capacidade de trabalhar em equipe, boa comunicação, capacidade de apresentar idéias, dimensionamento de tempo, autonomia para aprender e, por último, conhecimento técnico. Ao analisar a ordem de classificação das exigências, podemos reordená-la tendo por base algumas experiências de alunos de cursos de pós-graduação lato sensu no que se refere à autonomia para aprender que, na pesquisa citada, ocupou o quinto lugar e que nos dias de hoje poderia estar entre as primeiras daquela lista de exigências.
A autonomia para aprender significa, por exemplo, que o profissional com a orientação adequada, inserido num ambiente que incentive a troca de experiências em equipes, pode ser capaz de assumir grande responsabilidade pelo próprio processo de aprendizagem e, conseqüentemente, adaptar parte deste aprendizado à gestão de sua carreira. A construção de uma carreira bem-sucedida pode ser encarada como uma interminável sucessão de disputas diárias pela ocupação dos melhores espaços profissionais. Espaços que são conquistados por meio de estratégias eficazes.
No livro A Quinta Disciplina – Arte e Prática da Organização que Aprende, Peter Senge (1998) comenta sobre um elemento básico da aprendizagem em equipe, que é a palavra "diálogo" – do grego dialogos, "fluxo de significado". Segundo Senge, nós estamos aprendendo que existe um profundo desejo de redescoberta de nossa capacidade de conversarmos uns com os outros. Portanto, se levarmos em consideração que este desejo é realmente importante para que os profissionais ampliem as suas percepções de carreira, a criação de oportunidades para que possam dialogar e trocar experiências, certamente contribuirá para o desenvolvimento da autonomia para aprender.
Nos cursos de pós lato sensu, existem oportunidades para os profissionais conversarem sobre as necessidades do mercado de trabalho. Estas necessidades estão representadas nas competências de: produzir em equipe, comunicar-se bem oralmente e por escrito, aproveitar o tempo e cultivar relacionamentos.
1 – Produzir em equipe.
As pessoas que, individualmente, produzem bons resultados sempre serão bem aproveitadas. Porém, se estas mesmas pessoas demonstrarem dificuldades para desenvolver atividades em grupos - que têm vida útil cada vez mais curta e que, por esta razão devem apresentar resultados imediatos - vão perder grandes oportunidades de trabalho e enriquecimento de carreira.
As equipes multifuncionais proporcionam, aos seus integrantes, ótimas oportunidades para a compreensão do negócio da empresa e do comportamento do cliente em vários setores da economia. Algumas dificuldades que uma pessoa possui para trabalhar em equipe são facilmente detectadas em dinâmicas de grupo, nos processos seletivos, e na estruturação de grupos, para os mais variados trabalhos interdisciplinares nas organizações. Dificuldades relacionadas à habilidade em saber ouvir o que o outro está dizendo, falta de capacidade para tolerar idéias e opiniões divergentes e pouca paciência para conviver com pessoas que possuem crenças muito diferentes, encabeçam a lista.
O conceito de trabalho em equipe, numa perspectiva de aprendizagem organizacional, está sendo aplicado em um número cada vez maior de empresas, pois cada componente da equipe pode compartilhar com os seus colegas, aquelas valiosas informações que estão ao seu alcance, possibilitando que a atividade seja desenvolvida com padrões elevados de qualidade.
2 – Comunicar-se bem oralmente e por escrito.
No campo da comunicação, as pessoas que sabem transmitir de maneira simples o que estão pensando têm acesso às melhores oportunidades nas empresas. Segundo Peter Drucker (1989), poucas instituições educacionais – até mesmo, escolas de pós-graduação em administração – procuram transmitir a seus alunos as duas habilidades básicas que eles devem possuir para ser membros eficazes de uma organização: a capacidade de apresentar idéias oralmente e por escrito (com concisão, simplicidade e clareza) e a capacidade de trabalhar junto com outras pessoas. Estas capacidades, por sinal, são basicamente as mesmas mencionadas por Sócrates nos Diálogos de Platão, 2.500 anos atrás como sendo a chave para a vida valer a pena ser vivida.
A habilidade de transmitir idéias com clareza e segurança é de fundamental importância, uma vez que é crescente o número de empresas que estão incentivando a formação grupos multifuncionais, reunindo colaboradores de vários departamentos e de diferentes formações profissionais, com o objetivo de encontrarem soluções para os seus problemas organizacionais.
O processo de comunicação e relacionamento interpessoal, dentro das organizações, está passando por profundas transformações tendo em vista o achatamento das estruturas hierárquicas, ou seja, cada vez mais as pessoas responsáveis pelas decisões estão se aproximando daquelas que fazem o produto final ou prestam serviços ao
cliente-usuário.
3 – Aproveitar o tempo.
Por que será que algumas pessoas e alguns grupos produzem mais?
Podemos compreender que pessoas ou grupos que possuem uma visão clara dos objetivos a serem atingidos, que estão comprometidas com os resultados esperados, que estão capacitadas para as tarefas, que são bem remuneradas e reconhecidas e que sabem quais são as expectativas dos clientes, estão potencialmente mais preparadas para administrar e aproveitar o tempo.
Muitas organizações desperdiçam tempo com o retrabalho e com a falta de autonomia de muitos colaboradores que - mesmo altamente qualificados - têm que depender de supervisores que ainda fazem questão de acompanhar de perto as atividades. Felizmente, a maioria destes supervisores está abandonando a atitude de chefe e desenvolvendo o papel de líder, facilitando o surgimento de espaços para colaboradores mais comprometidos e com maior iniciativa.
4 – Cultivar relacionamentos.
Em cada tipo de relacionamento nos abrimos para inúmeras oportunidades de conhecer pessoas que direta ou indiretamente irão influenciar as nossas vidas. Neste sentido, podemos às vezes perceber que com algumas pessoas os relacionamentos são mais duradouros e com outras os relacionamentos são mais passageiros.
Cultivar relacionamentos, ao longo dos últimos anos, tem sido uma das mais discutidas competências no mercado de trabalho. O conceito de fidelidade do colaborador para com a organização mudou muito, a partir do momento em que as empresas começaram a reduzir os níveis hierárquicos e a enxugar o quadro de funcionários.
Alguns facilitadores de programas de desenvolvimento gerencial solicitam que os participantes tragam para a sala de aula, todos os cartões de visita de pessoas que eles conheceram na escola, na comunidade e no trabalho.
Ao longo do programa os participantes são orientados a refletir sobre como estes cartões podem ser úteis - pessoal e profissionalmente - a qualquer momento, e que se uma pessoa ficar muito tempo sem fazer contato com outra, corre o risco de até nem ser lembrada. Este exercício, aparentemente simples, é um verdadeiro alerta no sentido de nos conscientizar de que as melhores oportunidades de trabalho não estão, necessariamente, nos classificados dos jornais, nas páginas da Internet, nas agências de emprego ou nas mãos dos headhunters e sim nos relacionamentos que aprendemos a cultivar, como uma planta (terra, água, adubo, luz e poda) ao longo de nossa carreira.
Por quê vale a pena fazer uma pós lato sensu?
Podemos perceber no mercado de trabalho uma maior valorização do conhecimento em poder dos colaboradores, tanto individualmente como através de projetos desenvolvidos em grupos. Estes colaboradores desenvolvem redes internas (parceiros de outros departamentos) e externas (terceirizados, cooperados, clientes, fornecedores e colegas de faculdade) à organização, trocando milhares de informações numa velocidade estonteante, devido às facilidades da tecnologia digital.
Os profissionais atualizados sabem que precisam ser eternos estudantes para manter a capacidade de competir no mercado de trabalho e para usufruir as novas tecnologias. Por esta razão, permanecem numa condição de aprendizado e atualização contínuos. A educação continuada nos prepara frente aos novos desafios e às constantes e velozes mudanças na sociedade. Nossa formação e conhecimento são para sempre nossos e são eles que nos conferem o embasamento para que possamos nos desenvolver, não apenas profissionalmente, mas em todos os campos da vida social.
O diploma universitário cada vez mais se torna um produto perecível. Sem educação continuada, a nossa carreira pode se deteriorar muito rapidamente. Neste contexto, a gestão de carreira se torna um processo que envolve fazer escolhas e tomar decisões apropriadas na vida profissional. Esta prática que, na maioria das vezes representa investimento de dinheiro, tempo e esforço é claramente um dos pilares do sucesso que estimula o profissional a exercitar a sua autonomia para aprender.
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Fonte Artigos Gratuitos Online - Artigonal.com
Perfil o autor:João Florêncio Bastos Filho CMC - Consultor em Educação Continuada e Projeto de Carreira. Primeiro consultor brasileiro, na área de Gestão de Carreiras, a obter a certificação CMC - Certified Management Consultant pelo ICMCI - International Council Of Management Consulting Institutes. Professor de Projeto de Carreira em cursos de pós-graduação lato sensu. Autor do livro "Gestão de Carreiras - Âncoras, Portos e Timoneiros" Editora Fênix, 2005.
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