A Falta Que Ele Faz

29/09/2009 • Por • 98 Acessos

                                 A falta que Ele faz

        Naquele dia eu estava cansado. Havia trabalhado doze horas seguidas e alguns fatos desagradáveis aconteceram, como por exemplo, o terrível atropelamento que presenciara quando atravessava a Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, no qual pereceram duas pessoas, uma da quais uma criança de aproximadamente dez anos de idade, de maneira estúpida e repugnante.

        À noite, ao chegar em casa, com o corpo e a mente desgastados pelo cansaço físico e mental, e pela tristeza do acontecido, não tive fome e me alimentei com apenas um copo de leite e uma fruta.  Deitei-me e, como não conseguia adormecer, pus-me a analisar toda a minha existência até aquela data. E a pensar  nos dias em que vivemos, tão pleno de desamor, indiferença, violência e desesperança. Pensei e me perguntei como conseguimos deixar este planeta tão à deriva e tão ameaçado pelos próprios seres humanos que somos, aliás cada  vez mais desumanos, mais ansiosos em ter, conquistar, possuir, exercer poder. Destruímos as matas e florestas, destruímos parte da camada de ozônio, destruímos milhares de espécies viventes, tanto no mar quanto nos campos e florestas, exterminamos animais inocentes e inofensivos, que nunca mais voltarão a viver, e estamos aquecendo nosso mundo e provocando incríveis mudanças climáticas, que já estão ocorrendo, provocando tragédias de todo tipo, como por exemplo, furacões, enchentes, tornados, desertificação de regiões férteis, etc. E estes acontecimentos serão cada vez mais cataclísmicos, dizem os cientistas.

           As coisas verdadeiras e valiosas passaram a não ter valor, a serem consideradas falsas e inúteis. Onde anda a exaltação da humildade, o aplauso à honestidade, o cumprimento gentil e simpático do vizinho, do desconhecido? Como disse Jesus, qual o mérito de amar nossos filhos, nossos amigos, aos que nos fazem bem? Até o ladrão e o assassino amam a seus filhos, seus amigos, aos que lhe querem bem. Difícil e elogiável é amar ao desconhecido, perdoar ao que te feriu, ao que te fez mal, ao que te odeia. Este é o verdadeiro amor, isento de interesse, amor sincero, amor puro, amor incompreensível para quase todos nós, difícil de entender. Quando se comenta sobre esse amor áureo, não há quem o aceite ou quem se proponha a praticá-lo, e se faz invariavelmente o seguinte comentário:“ Só Deus, só Jesus é capaz de exercitar este amor”.

          Será? Se só Ele é capaz de amar assim, temos aqui um paradoxo. Sendo Deus, e Jesus é Deus, porque Ele nos ensinaria algo que só ele, Deus, poderia fazer? Seria no mínimo pouco inteligente agir assim. Até porque, o próprio Jesus disse que não nos mandaria provas que não pudéssemos suportar. Por mais que analisemos e questionemos os seus ensinamentos, não encontramos base para deles discordar e nem duvidar.  

         Que tipo de ajuda o mundo tem nos proposto, para acabar com nossas angústias e medos, que nos acompanham desde sempre, da adolescência até a chamada maturidade, também chamada a idade da razão? É obvio que a psicologia possui explicações e armas poderosas para nos ajudar, para nos levar a compreender nossos problemas vivenciais; não há como negar isso. Há outras ciências e técnicas,  e métodos e meios, muitos deles com embasamento científico, que também tem o seu valor e, em muitos casos, ajudam e até resolvem muitos de nossos problemas.

          Mas, todas as proposições, soluções e remédios, enfim, que o mundo nos oferece vem do próprio homem, obtidas por seres que falham, que erram, que se enganam, e não raro confessam seus erros e nos dizem que o que pensavam antes não estava tão certo assim. Quantos remédios vendidos durante anos para combater determinados males, provocaram males maiores dos que os males que se propuseram a curar e foram retirados do mercado. Assim é o homem, assim somos nós.

           Mais do que nunca, precisamos da ajuda de algo maior do que a nossa pequenez e insignificância, de algo definitivo e infalível, de algo insuperável e inigualável,  Precisamos de Deus e do seu filho, que morreu por nós na cruz do Calvário.

         Naquela noite comecei a entender que quem mais precisa de ajuda são aqueles que mais tem certeza de que não precisam, que são auto-suficientes e confiantes, apesar de conseguirem ver tudo de errado que ocorre no nosso mundo, à nossa volta e no coração dos homens. O simples posicionamento de questionar e não aceitar o que está acontecendo, não é suficiente, e nem nos coloca numa posição confortável perante nossas dúvidas e  nós mesmos. Tendo ciência dos erros, sentindo-se agredidos pelos fatos e tendo certeza de que a solução nos é quase impossível encontrar por nós mesmos, não nos resta outra solução do que procurar por Deus. Do que clamar por Ele e buscar a Sua Presença, ouvindo o que Ele tem a dizer.  Se Deus é perfeito, tudo criou, e tudo está sob o Seu controle, é incompreensível que a sua criatura mais perfeita, o homem, feita  à sua imagem e semelhança - como Ele mesmo diz – se recuse a procurá-Lo e D’Ele indagar sobre as suas dúvidas e necessidades.

        E não é tão difícil assim encontrá-Lo e pedir orientações. E Ele as dá por escrito. É muito fácil. Entre em qualquer boa livraria e peça o Manual do Fabricante, também conhecido pelo nome de Bíblia Sagrada. Neste livro você encontrará todas as respostas  às perguntas que a mente do homem é capaz de formular sobre si mesmo e sobre o mundo, tais como, quem sou eu, de onde eu vim, quem me criou, porque fui criado, para quê fui criado, para onde vou, o que posso fazer para agradar ao Fabricante, o que Ele quer de mim, como posso buscar a Sua presença, como Ele pode curar minha doença? E por aí vai.

        Contudo, sempre ouvi dizer que ele não invade a nossa vida, não entra sem ser convidado. Ele apenas bate suavemente na porta do seu coração, e se você abrir e convidá-Lo a entrar, Ele entrará, e ceará contigo e perdoará os teus pecados. Ele é Jesus.

         E você nascerá de novo.

          

Perfil do Autor

Ebenézer Anselmo

Membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, membro da Sala de Letras Gabriela Mistral de Petrópolis, professor de Motivação Pessoal,cronista, articulista político de vários jornais. E-mail: ebenezeranselmo@yahoo.com.br