Causa Morte De Jesus: Choque Hipovolêmico

15/03/2010 • Por • 2,871 Acessos

A morte de Cristo na cruz do calvário tem grandes significados para nós e quando nos referimos à cruz de Cristo na verdade estamos falando do seu sacrifício, da sua entrega, da sua morte por nós. Para nós tudo começa na cruz, nossa vida, nossa paz, a comunhão com Deus, entre outras.

A cruz de Cristo trouxe-nos grandes benefícios – nos libertou (Cl. 1.13); trouxe paz com Deus (Rm 5.1); constituiu-nos reino e sacerdote (Ap. 1.5, 6). A cruz ao mesmo tempo que nos trouxe graça, trouxe-nos também a misericórdia.

Deixando as maravilhas da crucificação, passamos agora, a partir da cruz, olhar para           aquele que deu significado a crucificação. Sabemos pela Escritura Sagrada que o motivo da morte de Cristo foi nos salvar, nos religar novamente com Deus, nos trazer a esperança de salvação por meia da graça mediante a fé, foi, em fim, morrer em nosso lugar e pagar os nossos pecados. Entretanto como ele era 100% homem e 100% Deus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus qual foi realmente a causa morte biológica de Jesus, o que fez seu coração parar de bater, se fosse emitir uma certidão de óbito qual seria o real motivo clínico. A causa morte de Cristo foi por Choque Hipovolêmico (mais de 25% de perda de sangue do corpo, diminuindo o volume sanguíneo corporal aumentando assim o débito cardíaco).

Como chegamos a tal definição? Pelos seguintes fatos: cruzamos dados clínicos de alguém que morre por perder muito sangue com alguns dados da crucificação citados no texto sagrado.

Pois bem, temos em média 4.500 à 5.000 ml de sangue no corpo, para termos uma hemorragia é necessário se perder entre 7 à 8ml por minuto durante um longo período de horas sem realizar nenhuma contensão. Levando-se em consideração que a crucificação levou cerca de 6 horas (Mc 15.25, 33 e 34) fazemos o seguinte calculo:

Tempo     Ml     Porc.       Consequência

1h          420       5%        IMPERCEPTÍVEL

2h          840      10%       IMPERCEPTÍVEL

3h          1260     25%      INÍCIO DO CHOQUE – sede (Jo 19.28).

4h          1680     35%      PERFUSÃO

5h          2100     40%      Hemorragia IV

6h          2500     50%      Parada Cárdio Respiratória – PCR

É preciso levar em consideração os seguintes fatos: foi posto nele cravos em suas mãos, coroa de espinho em sua cabeça e cravos em seus pés o que ocasionou lesões traumáticas, atingindo veias e artérias, como não lhe havia posto curativos o sangramento estava presente durante as 6 horas no madeiro e o corrimento sanguíneo era potencializado pela lei da gravidade, uma vez que seu corpo estava suspenso no madeiro. Não precisamos nem adentrar no detalhe de que ele já havia perdido certa quantidade de sangue quando recebeu as torturas, antes da crucificação. Sendo assim, segue o processo fisiológico:

PROCESSO:

As primeiras duas horas são imperceptíveis, mas depois...

3h - 1260 ml =25% - Início do choque – O organismo libera adrenalina para aumentar a contração do músculo cardíaco (o objetivo é compensar a perda do sangue) com isso o coração dispara (taquicardia) a respiração fica rápida o pulso fraco e a pele fica fria logo esta pessoa vai sentir sede (Jo 19.28).

4h - 1680 ml= 35% - Perfusão, estado compensatório – A pele, músculo e abdomêm têm o seu fluxo sanguíneo desviado para os órgãos vitais (coração, cérebro e rins) com a intenção de compensar a perda para dar tempo de reverter o quadro, preservando os órgãos nobres do corpo, caso houvesse um socorro.

5h - 2.100 ml = 40% - Hemorragia tipo IV – Como o quadro não foi revertido as extremidades das mãos e dos pés ficam cianótica (roxas) começa ocorrer a  insuficiência do sangue chegar ao coração para ser bombeado portanto a pressão baixa a pessoa fica pálida e em sinal de alerta ou perigo as pupilas dos olhos se dilatam (midríase).

6h -2.500 ml = 50% - PCR – com perda igual ou superior ao volume sanguíneo do corpo ocorre a morte celular e então o coração para e o cérebro cessa suas atividades (Jo 19.34).

A morte por choque hipovolêmico é uma das piores mortes que se tem notícia, pelo fato da pessoa sentir sua vida se esvair em sangue, como se escorregasse pelas mãos sem poder recuperá-la, a pessoa sente literalmente que está morrendo aos poucos (Jo 19.30). Onde estava o pessoal dos direitos humanos? Onde estavam os bombeiros? Qual era o hospital mais próximo? Qual ambulância poderia socorrê-lo? Onde estava a equipe médica para conter o sangramento? Onde estava a equipe de enfermagem para realizar a massagem cardíaca? Onde estavam os cirurgiões para suturar seus membros superiores e inferiores e sua cabeça? Quem poderia receitar um analgésico, uma morfina ou um tramal para ele ser sedado e não sofrer enquanto morria aos poucos? Fazia parte do plano de Deus ele resistir até o final, o cálice não foi passado (Mt 26.39) por amor a nós. Gota a gota sendo derramado por mim e por você, o sangue percorrendo seu corpo em queda livre até regar o chão do Gólgota. O sofrimento de Jesus na cruz do calvário não foi só ser torturado e pregado na cruz, foi isto e mais seis horas de dor, de sofrimento e de sangramento, sentindo o seu corpo reagir para sobreviver, mas já sabendo que o socorro não iria chegar e então quando vê que a hora chegou ele exclama: Tetelestai (Jo 19.30) – Está consumado! Está totalmente pago, não deve mais nada. Esta palavra era usada tanto no final de um pagamento na compra de um escravo, como também era escrita na cela da prisão quando o réu cumpria sua pena por completo. Com seu sacrifício ele nos comprou para Deus e pagou nossa dívida (Cl 2.14). Você continuará achando que o sacrifício de Jesus por você foi algo simples, chegou ali foi crucificado e acabou? Acabou sim, depois de seis horas quando pelo derramamento do seu sangue houve perdão dos nossos pecados (Hb 9.22)

Perfil do Autor

CHARLES ANDERSON RAMOS LORETI

Pr. Charles Loreti é casado com Ligia Loreti, é pastor colaborador da Igreja Evangélica Congegacional em Piabetá. É graduado em Bacharel em Teologia, possui duas pós-graduções: uma em Aconselhamento Cristão e outra em Metodologia do Ensino Superior, ambas pela escola de Pastores. É Capelão voluntário do INCA IV, é professor do Seminário Teológico Congregacional em Niterói e serve a Deus também nos Bombeiros do Rio de Janeiro na área de resgate.