O EVANGELHO E AS MULHERES - Curadas

14/10/2010 • Por • 4,603 Acessos

O papel da mulher nas Escrituras sempre foi motivo de crítica por parte daqueles que sempre procuram degredar o valor sobrenatural da Bíblia.
Desde sua primeira parte, o Antigo Testamento, e muito mais explicito na sua segunda parte, o Novo Testamento, a mulher sempre foi elevada ao seu valor e dignidade, pois em momento algum Deus a fez menor do que o homem.
Esta série de artigos que estamos iniciando visa destacar a importância da mulher no contexto dos evangelhos. Ela sempre se faz presente e torna-se tão proeminente quanto qualquer homem, pois jamais foi tratada apenas como figurante ou personagem secundário, mas em muitos e os mais diversos momentos tornou-se personagem central dos acontecimentos.
Escolhi iniciar por estas mulheres que foram curadas por Jesus, pois como sabemos os milagres de Jesus jamais foram ao acaso ou ocasionais, mas sempre tiveram o propósito de manifestar claramente sua divindade. Deste modo, ao curar estas mulheres, Jesus as coloca como instrumento de proclamação de que Ele era muito mais do que apenas um grande mestre, mas o Senhor e Cristo com toda autoridade e poder.
Mulheres Curadas por Jesus
- A sogra de Pedro (Mt 8.14,15; Mc 1.30,31; Lc 4.38-39). Esta foi a primeira mulher a ser curada por Jesus. É tão relevante este acontecimento que os três evangelistas sinóticos registraram e assim o preservaram para todos os seus leitores. Os textos evangélicos não indicam que ela tenha expressado pessoalmente sua fé em Cristo, mas a fé de seus familiares incluindo Pedro, seu genro, é evidenciada nos três textos. A reação de Jesus, diante do pedido é imediata: toca-lhe (na mão) e repreende a enfermidade e a febre desaparece imediatamente. Uma vez curada a mulher levanta-se e passou a fazer suas atividades caseiras, servindo ao Senhor e seus demais visitantes.
- A mulher com hemorragia (Mt 9.20-22; Mc 5.25-34; Lc 8.43-48). Uma vez mais temos um registro triplo, o que nem sempre acontece, e que demonstra a importância do acontecimento. Se no relato acima a protagonista não declara pessoalmente a sua fé, neste segundo relato a fé da mulher não somente é mencionada, mas destacada pelo próprio Senhor Jesus. Aquela mulher ainda que exprimida pela imensa multidão esforça-se por aproximar-se de Jesus o suficiente para apenas tocar-lhe as vestes, e este simples toque foi suficiente para curar sua enfermidade imediatamente e chamar a atenção de Jesus. A fé dela é destacada e Jesus declara que além da cura física ela também agora estava curada da doença derradeira do pecado e assim passou a fazer parte daquelas que foram salvas e passaram a gozar da paz que excede todo o entendimento.
- A mulher Cananéia (Mt 15.21-28; Mc 7.24-30) Lucas, chamado de evangelista do feminino, por destacar muito o papel das mulheres no ministério de Jesus, não acompanha Mateus e Marcos neste relato. A explicação é que a dupla esta muito preocupada em quebrar definitivamente o ranço nacionalista dos judeus de que a salvação e o Messias viriam apenas e tão somente para eles. O relato desta mãe, que é a maior e mais extraordinária manifestação de feminilidade, é talvez um dos mais dramáticos dos evangelhos. Jesus havia saído das fronteiras da Palestina, fato raríssimo, e aquela mulher estrangeira (contrastando com as anteriores que eram judias) aproximam-se de Jesus para interceder não por ela mesma, mas por sua filha que esta possessa de demônios. Mateus nos dá a entender de que desde quando Jesus chegou à região ela passou a segui-lo e clamar, enquanto que Marcos registra que o Mestre entra em uma casa e a mulher adentra as dependências e continua com seu insistente clamor. O dialogo de Jesus com esta mulher grega de origem sírio-fenícia é algo inédito em toda literatura bíblica. Inicialmente Jesus demonstra total falta de interesse pela causa dela, mas ela não desanima, pois tinha convicção que somente Ele poderia mudar a terrível situação de sua filha. A persistência desta mulher quebranta totalmente o coração misericordioso de Jesus e extrai da boca dele uma preciosa exclamação: "Ó mulher, grande é a tua fé!" Imediatamente a sua filhinha foi completamente liberta dos demônios que por tanto tempo lhe infligia os maiores horrores. A alegria daquela mulher certamente fez contraponto à vergonha que fez corar o rosto dos discípulos, pois o Mestre em momento algum lhes destaca a fé, ao contrário, em alguns momentos os exorta justamente por não demonstrarem fé suficiente.
- A mulher encurvada (Lc 13.10-13). Apenas Lucas registra esta cura. Como das vezes anterior o nome da mulher não é declarada e aqui também não se diz nada sobre a fé demonstrada por ela. Jesus esta em uma Sinagoga em pleno sábado, o dia mais concorrido para a reunião. Jesus se identifica e se compadece de uma mulher que tinha um problema sério de saúde há dezoito anos - era encurvada. Jesus a chama e declara que ela será curada e impõe sobre ela as suas mãos, imediatamente a mulher fica curada e começa a glorificar a Deus. Tudo maravilhoso, mas nem todos se alegraram. Os líderes da Sinagoga reagiram de forma extremamente negativa e sem qualquer sensibilidade para com a condição anterior daquela mulher. Jesus aproveita para desmascarar a hipocrisia com que a grande maioria dos religiosos manifestam entre o discurso e a prática.
Cada um destes relatos destaca o papel e a importância que Jesus sempre deu à mulher. E mais ainda, cada um destes relatos manifesta o poder divino de Jesus e contém ensinos preciosos que tem rasgado os séculos e continuam sendo instrumento do Espírito Santo para conversão e edificação dos cristãos em todo o mundo.

Rev. Ivan Pereira Guedes

 

Perfil do Autor

Ivan Guedes

Tenha uma grande paixão pela pesquisa e nestes últimos anos tenho me dedicado aos textos bíblicos.