Hiago Rodrigues Reis de Queirós, o principal fundador do Realtragismo é, sem dúvida alguma, uma das maiores promessas para a Literatura e um dos poucos herdeiros do realismo brasileiro; com seu jeito trágico e irônico de traçar suas histórias e com elas criar uma intriga desordenada ao entendimento primário do leitor, é tido internacionalmente como uma obra de arte em si. Suas histórias começam onde o entendimento do leitor termina, e o silêncio deste entendimento, é um pedido de aplausos ao leitor.
A excursão
- Muito bons dias senhoras e senhores!
Meus parabéns pela atitude de quererem conhecer nossa fábrica. E, sejam muito bem-vindos à ela, que essa visita traga felicidades e conhecimento a todos!
Eu sou Hiago Rodrigues, o dono dessa belezura e seu guia, vamos aos setores?
Certo, chegamos. Bem, meus senhores, esse é o setor da poesia, é nesse setor que fazemos coisas interessantes e inteligentes, algumas até inteligíveis, pois, se forem bem analisadas as colocações das palavras, muitas coisas deixarão de ser simples, isso recebe o nome de parnasianismo; não são poesias comuns como alguma que as rimas se encaixam com o contexto, nessas poesias existem transformações para ironizar o contexto.
Aqui temos um exemplo:
Sozinho cantinho,
Sozinho fiquinho,
Sozinho chorinho.
Sozinho cantando,
Sozinho ficando,
Sozinho chorando.
Sozinho cantonho,
Sozinho ficonho,
Sozinho choronho.
Sozinho cantado,
Sozinho ficado,
Sozinho chorado.
- Bem, meus senhores, esse é um de muitos exemplos dos quais fabricamos aqui, pois, além de textos, também temos feito muitas palavras ultimamente; nossa fábrica é muito grande, não cabe na linguagem formal-informal, então, fizemos a linguagem formal informal-crial, e até então tem cabido. Se for preciso, futuramente faremos mais uma. É claro, com um lindo dicionário!
- Retomando nosso passeio! Agora, cá estamos meus senhores, no setor do desabafo, talvez no setor que tem mais a voz do povo do que a voz de nossa fábrica. Algum de vocês pode me dizer e qual setor estamos?
- Setor de crônicas, senhor Hiago!
- É isso mesmo senhoras e senhores. É o setor de crônicas!
- Aqui fabricamos diversos produtos; e esses produtos são fabricados de acordo com nossas pesquisas nas ruas da sociedade; costumo dizer que, aqui neste setor não criamos nada, apenas damos uma cara, para o que está na cara do consumidor.
- Acho que temos um exemplo aqui atrás de nós.
- Leiam por favor! Sim?
“ - Cidadãos cordeirinhos, não me importo se vocês apenas abaixam suas cabeças e vivem suas vidas, a revolta, a revolução, e a evolução vai ser inevitável, tal como inevitável vai ser o fim da sua insignificante vida!”.
- Desculpem-me meus senhores, é que daqui para frente terei de mostrar-lhes apenas uma sinopse dos nossos produtos, pois eles são muito bem fabricados e por isso são muito extensos também, se eu mostrar todos eles inteiros, teríamos que fazer nosso passeio em três ou quatro dias.
- Desculpem-me mesmo! Vamos avante?
- No fim desse corredor, chegamos ao setor que particularmente, para mim é o mais especial, pois ele exige muita determinação e esforço da nossa fábrica, pois o produto aqui fabricado é muito complexo e por isso todos os detalhes têm que ser muito bem empregados para que o resultado final não seja mal feito ou mal entendido.
- Senhoras e senhores, chegamos ao setor mais literal, eu digo literal de complexo, literal de detalhado, literal... de romance!
- Aqui, estamos no setor que nos faz navegar nas nuvens, às vezes traz algumas chuvas consigo, mas é tudo em nome do amor, e como já pede a lei, vamos à amostra!
“- Na casinha fechada, por dentro, mofada pela umidade de fora, ela dorme tranqüilamente em seu sonho nupcial, sobrevoando ao infinito de felicidades, pois acaba de viver a mais bela noite de sua vida...”.
- Ficaram com vontade de ler esse livro?
- Sim senhor Hiago!
Na saída todos ganharão um exemplar então, mas
tenho que ressalvar que, nem sempre os romances são românticos; caracterizam-se romances por serem histórias com capítulos, de modo denotativo e é claro... com sequência nos capítulos. Agora, vamos a outro setor?
- Sim senhor Thiago!
- Me desculpem... meu nome é Hiago. Muita gente confunde e por isso eu quase, mas quase não ligo. Continuemos!
- Certo meus senhores visitantes, agora, mudando da água para o vinho, estamos no setor do drama, parece que é drama de medo, mas é quase igual à isso, eu digo drama de dramaturgia, de ação, ou de teatro pode ser. Depois da Gil vicente, uma grande fábrica de dramaturgia portuguesa e nosso exemplo, essa é uma das melhores fábricas, e que por enquanto trabalha só em conjunto com o terror.
- Aqui fabricamos produtos de todos os tamanhos, pois temos o drama e o terror como um multiuso, ou uma chave-mestra que, abre todas as portas. É isso mesmo. Ele não pode ser classificado apenas como um setor, mas uma parte de cada setor, entenderam?
- Pois então eu explico: por exemplo, o drama e o terror em um romance serve para valorizar o amor, a paixão, e tudo o que há de bom, etc. Já no poema ele não precisa ser exclusivamente de amor, o drama também pode ser bem empregado em
um poema rimante e revoltante contra o que é bom e traz a desilusão. Já nas crônicas são mais encaixantes ainda, pois as crônicas retratam muitas vezes nossas vidas e seus dramas do dia-dia, é claro que, sempre com um gostinho de humor.
- Então, está explicado meus senhores?
- Sim senhor Hiago!
- Que bom que acertaram eu nome, sinto-me lisonjeado!
- Bem, nesse setor eu não vou dar sinopse, vou fazer melhor, vou provar-lhes o que eu acabei de dizer. Vamos presenciar o drama dentro de um conto!
Ok. Tudo certo. Cá chegamos no setor dos contos, que nada mais são do que situações que fazem uma breve história sobre qualquer coisa, seja essa coisa real ou puramente imaginária. Aqui temos o exemplo tanto aguardado, lembrando-lhes de que um conto com drama sempre chega perto de ser real, então não podemos dramatizar nada
que o consumidor não conheça, vejam esse exemplo :
“A escova de dente, tadinha, era torcida, e enquebrescida, dentro daquela nojenta boca que nunca vira uma escova. Ela chorava amargamente,
numa tortura cruel ao seu lindo cabo branco, suas cerdas emporcalhavam-se, morriam-se a
cada toque naqueles dentes podres...”
- Senhoras e senhores prestem atenção como é conto, pois a escova está personificada, é drama-trágico ao mesmo tempo por que ela está sofrendo uma tortura repararam?
- Sim senhor Hiago!
- Muito bem! Vamos a outro setor?
- Vamos sim senhor Hiago. Mas qual?
- Eu sabia que vocês iriam fazer essa pergunta, então eu lhes respondo: esse setor foi recentemente montado em nossa fábrica. Por ser de rápida fabricação, os produtos foram facilmente aceitos por nossa direção e consequentemente por nossos consumidores.
- Senhoras e senhores, bem-vindos ao setor de frases!
- Isso mesmo! Frases meus senhores. Elas são curtas e impactantes. E, não são frases
comuns, cada frase aqui fabricada, podemos com o sentido que ela faz, fazer qualquer produto fabricado em qualquer setor dessa fábrica, por isso digo que elas são curtas mas são longas e para finalizar vou dar-lhes o último exemplo:
“O conhecimento não se aprende, se conhece!”
H.R
- Notaram que, o nome de quem fabricou essa frase está junto, mais precisamente abaixo da frase, pois se é a fábrica famosa, esse nome é valorizado e a frase é pensada mil vezes à procura de um sentido. Assim funciona uma fábrica de literáceos!
- Senhores, espero que tenham gostado, estando esclarecidos sobre todos os produtos de um fábrica literária,“além de conhecerem mais conhecimento” apresentado por mim. Até a próxima! Estamos esperando mais turmas, tchau!
- Obrigado senhor Hiago


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