Análise: A LITERATURA E A FORMAÇÃO DO HOMEM, de Antonio Candido

10/12/2013 • Por • 926 Acessos

     Para o ensaísta, o conceito de função não está em voga em sua escrita, pois, as correntes mais modernas concentram suas preocupações, sobretudo com o conceito de estrutura. Para confirmar sua ideia, Candido cita que os dois enfoques seriam mutuamente exclusivos. Imediatamente lança o seguinte questionamento: "Que incompatibilidade metodológica poderia existir entre o estudo da estrutura e o da função?" (CANDIDO, 1982).

Mediante a isso, o autor propõe a discussão das variações da função humanizadora que ela apresenta. O estudioso assinala três funções básicas do texto literário, a saber: a psicológica, a formativa da personalidade e a função formativa de conhecimento de mundo e do ser.

Candido argumenta que de fato, quando enfocamos função no domínio da literatura, logo vem a mente "função da literatura como um todo", seguindo de "função de uma determinada obra" e por último, "função do autor", tudo isso voltado aos receptores.

 Segue sua escrita defendendo a ideia inicial de que os estudos modernos de literatura se voltam mais para a estrutura do que para a função. Portanto, a ideia de função passa verdadeiramente por certa crise.

Nesse contexto, o escritor centra sua expectativa em desvendar aspectos internos relacionados a sua intenção, ao papel de uma obra, que exprime o seu modo de ver e pensar a realidade no qual está inserido. Para isso é mostrado que o estudo da função da obra literária ultrapassa seus limites estruturais, isto é, seus elementos de organizações, levando ao valor e intenções que a obra representa para o público leitor.  Logo, expandindo a literatura como força humanizadora, não fechada como sistema de obras, de maneira ampla, como algo que exprime o homem e depois atua na própria formação do homem.

Na segunda parte do texto, Antonio Candido, fala que a função humanizadora da literatura, além de exprimir o homem, também ajuda na construção de sua formação.

A partir desta visão, o autor apresenta duas funções voltadas à literatura, trata-se da função psicológica e da função formadora. A primeira está relacionada com uma característica própria dos ser humano, se baseia numa espécie de necessidade universal de ficção e de fantasia. A segunda é mais complexa do que pressupõe a visão da pedagogia tradicional. De acordo com as palavras do ensaísta podem ser observadas lado a lado com as necessidades mais elementares do ser humano, como algo universal e involuntário, independentemente da cultura, raça ou classe social, ou outro fator externo que explique o homem em sua diversidade.

A função formadora contribui para a formação da personalidade, confere a literatura um caráter formativo, distinto da pedagogia oficial, educativo, atuando diretamente na formação do ser humano. Assim, sua função educativa é muito mais complexa do que pressupõe um ponto de vista rigorosamente pedagógico. Em suma, essas complexidades encontradas na literatura podem justificar as atitudes ambivalentes de alguns educadores que em algum momento se sente fascinados pela força humanizadora da literatura. Logo, o escritor defende que a literatura não corrompe nem edifica, mas sim humaniza o homem em sua totalidade.

Por fim, na terceira e última parte do texto, é mostrado outra função da literatura social, resultante da relação pelo o leitor entre e a realidade e ficção. Trata-se da função formativa de conhecimento de mundo e do ser. O leitor participa de uma representação em que procura conhecer seu mundo. Foca na interação com a obra literária, assim o leitor pode adquirir novos conhecimentos.

No que se refere ao problema da função literatura como representação de uma dada realidade social e humana, o autor faz referencia a regionalismo brasileiro, à luz de escritos de dois autores, Coelho Neto e Simões Lopes Neto que representa de maneira geral a dualidade entre a postura predominantemente regionalista da referente época.

De acordo com o autor, alguns regionalistas fizeram uso da linguagem regional, acentuando assim as diferenças entre o discurso do autor com seu modo convencional caracterizando as falas típicas da região. Como se ele estivesse querendo marcar pela dualidade de discursos a diferença de natureza e de posição que o separava do objeto exótico que é o seu personagem.

Em suma, as questões perpassadas por Antonio Candido, mostrou um caráter humanizador da literatura, por meio do seu texto, ele ressaltou que a obra literária merece um enfoque que ultrapasse seus limites estruturais, mostrando que a literatura tem uma força capaz de tornar o homem mais humano.

Referência

 

CÂNDIDO, Antônio. A literatura e a formação do homem. Ciência e cultura. São Paulo, 1972.

Perfil do Autor

Adriana M. de Almeida Carvalho

Graduada em Letras habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas (2010) pela Universidade Federal de Mato Grosso. Possui Especialização em Língua Portuguesa. Gêneros Textuais: questões de análise e de intrepretação. UFMT (2012/ 2013).