Controle Remoto

Publicado em: 06/24/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 51

BLECAUTE ILUMINADO NO OLHAR.

Como toda maré orgulhosa de sua prole, estimulou para todo sempre a introversão já arraigada e uma timidez severa no seu filho, que sempre reagia de cara amarrada a novas experiências, sejam elas quais forem, boas ou ruins.  A Fé do menino era domada a dentes  pela mãe, sempre sugerindo e induzindo a ele acreditar nas coisas na qual, ela acreditava desacreditando.

Improviso. Esta palavra era proibida no lar, para que o filho  sempre fosse e fora o que a mãe havia planejado  para ele, antes mesmo dele existir.  Assim sendo, este menino era na verdade, um controle remoto em forma de gente. Mas, num dia ensolarado, o olhar dele passivo e cheio de curiosidade, viu algo extremamente diferente, que a sua mãe nunca lhe havia dito que existia: um olhar languido, curioso, um  olhar feminino.  Pela primeira vez ele se viu num olhar feminino, para desespero de sua mãe, que já havia planejado toda a sua vida ao lado de outro olhar da sua preferência. Olhar este que era pra ser sacramentado  oficialmente através de  um casamento.

    Dizem até que um mero olhar pode ser o inicio de tudo ou nada. Quando e tudo, automaticamente este olhar enxerga a alma de quem o está fitando com um olhar blasé, pois no dia ensolarado, o menino enxergou ali uma menina. Pensou que talvez fora todo feito pra ele, ela.  Mas, abaixou os olhos tímidos, e viu que nunca poderá colocar para fora o ser desejante e desejado, que ele nunca imaginara ser ali para ela. 

O desejo não e algo físico que se vê. Mas através dos raios solares o desejo  refratou-se  por osmose. Naquele exato momento  ele viu nela a sua imagem e semelhança. Embora nunca poderá  dar vazão a este desejo retumbante, pois ele é um controle remoto  humano. Mas quem disse que controles remotos  não podem ter sentimentos  não – programados?

Mas a mãe, que tinha trejeitos ultrajantes de uma cadela pequenez com sífilis, encontrou todo o “não sentido  da sua vida” numa espiritualidade cambaleante e social. Iludindo a ela e a todos os que haviam encontrado um sentido  pra a sua prática como ser evoluído. Prática que não tinha dogmas, doutrinas. Era uma “religião-ghost”: só aparecia quando havia patrocinadores que a bancavam.

No primeiro dia de sua pratica, vestiu o seu filho de anjinho e colocou um cartaz em letras garrafais e berrantes, mostrando que ali estava nascendo  uma nova pessoa. Mostrando  a todos que  não ousavam  discordar dela, que ela havia chegado ao nirvana através dessa prática. Só assim ela conseguia fugir da punição da sua sombra, que queria que ela visse o lado escuro de ser a  sombra dela. Pobre sombra!

Mas graças ao nosso Bom Deus, ele desceu a Terra e, pisando de mansinho com sapatos brancos feito de nuvens novas, fez o menino  esbarrar com aquele olhar feminino  gerando  um descompasso  elétrico no seu coração. A programação  do menino como controle remoto,  findou-se, para  choque absoluto  da programação maternal, de sua mãe. E sorriu para a menina que nunca fora programada para existir na Terra, pelo o contrario, na verdade era pra ela nem existir, porque ela era um acidente que fugiu da programação de uma pílula anticoncepcional.

TEXTO REVISADO POR MURILO GOMES, MY FRIEND.

 

(Artigonal SC #990198)

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    Fonte do artigo: http://www.artigonal.com/ficcao-artigos/controle-remoto-990198.html

    Palavras-chave do artigo:

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