O Incrível Conquistador

Publicado em: 13/09/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 56

Em uma bela casa de campo com seu imenso quintal, onde circula por todos os cantos como senhor absoluto o gato Benê, com seu andar elegante de cabeça altiva, com seus pêlos limpos, perfumados e brilhantes. Convivendo no mesmo espaço com a cadelinha Lilica toda enfeitada como se fosse uma menininha metida. Mas Benê nem toma conhecimento dela, é como se ela nem existisse.

 Nas suas andanças pelas noites de lua cheia, viu na casa vizinha uma linda gatinha de olhos verdes com pêlos enormes como ele nunca viu, o seu coração bateu mais forte, e pensou:

_Deve ser mais uma dessas almofadinhas paparicadas pelas madames. Sem querer deu mais uma olhada para ter certeza que ela não era o seu tipo.

 Ela também estava dando o seu passeio noturno e já o tinha visto de longe e pensou:

_Esse gato cheio de pose quer ser o bonitão do pedaço. Se ele pensa que eu vou cair de boca por ele, pode esquecer. Virou-se, foi caminhando lentamente sem olhar para ele, para mostrar que ela não estava interessada.

 Nesta noite cada um partiu para o seu lado, mas os pensamentos mesmo não querendo iam e vinham da gatinha ao Benê e vice-versa.

 Com o passar dos dias Benê se apaixonou perdidamente pela dengosa vizinha que o enfeitiçara com seus olhos verdes e penetrantes, que derruba qualquer coração e fez dele seu escravo.

 Ele já não comia e o dia todo ronda a casa vizinha, mas nada de ver a charmosa gatinha. Queria conversar para lhe dizer que seu coração é somente dela.

  Nas noites de luar ele sobe no telhado de sua casa e olha a Lua, e pede que sua amada venha até ele para poderem conversar e se acertarem. E nada!

No outro dia lá estava ele cabisbaixo, cada vez mais apaixonado.

 Lilíca vê Benê na maior fossa e tira um barato da cara dele.

_Oi bonitão, como é, está com o teto baixo? Ou já não convence mais ninguém com seu ar de Dom Juan, o gostoso do bairro.

 Benê fica furioso e parte para cima de Lilíca, que corre gritando por socorro para a sua protetora, que vem em seu auxílio, pegando-a no colo e cobrindo de afagos, e ela com aquele olhar de safada da uma piscada para ele. E lá vinha a maior bronca contra ele.

_Onde se viu Benê, você judiar dessa belezinha que é a minha Lilíca? Você não se enxerga não? Deixe-a em paz, ela é muito pequena e indefesa. Ela não perdia tempo olhava para ele com aqueles olhos tão sentido.

 Benê vai se retirando pensando, eu ainda vou pegá-la de jeito e você vai ver o que é ser indefesa, ele ficou furioso, louco da vida.

 A noite surgiu e aquela Lua que mais parecia uma enorme bola tão brilhante que mais parecia dia de tão claro, com São Jorge montado em seu cavalo com lança e tudo.  

Benê olhou para a Lua e rogou:

_Se existe mesmo São Jorge, me ajuda a realizar meu desejo, uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Foi andando devagar e pulou no telhado da vizinha e lá fica esperando.

 De repente um barulhinho bem perto, ele percebe uma sombra que também apreciava o luar.

Seu coração bateu forte, como se quisesse sair do peito, era ela, a sua amada!

Foi se chegando e como quem não quer nada disse:

_Como a noite está linda, você também veio apreciá-la, é tão romântico!

 -Sim ela está muito bonita. Como você se chama, olhando bem em seus olhos?

Ele se derreteu todo e com voz mais doce, susurrou:

_Meu nome é Nenê, e o seu?

_Eu sou a Isabela da Pérsia.

_Que lindo nome, se parece mesmo com a dona.

E assim travaram a maior conversa, e pela noite adentro, os dois abraçados e felizes, trocando carinhos, e olhando a Lua dos eternos namorados, fazendo as juras de amor para sempre.

Benê ainda olha para São Jorge da uma piscada falando baixinho:

_Valeu, amigão eu lhe devo essa!

Neuza Razza - www.historiasecontos.com.br

 

(Artigonal SC #1225492)

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