Pesadelo Búlgaro
Estava ainda por terminar os afazeres do escritório e caminhava em direção à casa da viúva do maestro Gaspar. Infelizmente, ele havia falecido. Disseram que ele tinha softrido um ataque cardíaco fulminante enquanto trabalhava em casa. Quem o conheceu, sabia de seu enorme talento e capacidade, e também, sobre sua revolta por nunca ter tido uma real oportunidade em sua carreira, de nunca ter sido reconhecido pela crítica, pelo excludente e exclusivista meio artístico, e finalmente, escutado pelo grande público. O Ministério da Cultura de Monte Blanco, a exemplo dos países mais desenvolvidos e ricos, decidiu investir no resgate, edição e divulgação de todas as obras musicais de seus maestros-compositores do passado e do presente. E minha função como editor, era localizar, negociar, revisar e imprimir todo aquele material, tão precioso para a cultura de nosso jovem país. Eu sabia exatamente por onde começar. Pena que isto tenha acontecido tarde demais para o maestro Gaspar…
(Fui até a "Calle de Los Ojos Negros" número 54 e toquei a campainha. Uma velha senhora com uma voz muito fraca, me atendeu abrindo a janelinha da porta.)
Viúva do maestro Gaspar - Quem é?
Encarregado Ministerial - Sou o encarregado do Ministério da Cultura. A senhora é a viúva do maestro Gaspar?
Viúva do maestro Gaspar - Sim. O que o senhor deseja?
Encarregado Ministerial - Gostaria de falar-lhe um momento.
(Ela abriu a porta e fez sinal para que eu entrasse.)
Viúva do maestro Gaspar - Sente-se, por favor.
Encarregado Ministerial - O Ministério da Cultura irá divulgar em Monte Blanco e no exterior, as obras de todos os nossos maestros-compositores. Fui encarregado de cuidar para que a obra do maestro Gaspar seja a primeira a ser difundida. Somente algumas poucas pessoas sabem sobre a magnitude do trabalho que ele desenvolveu. Teremos um histórico acerto de contas. Finalmente, justiça. A obra dele será resgatada e divulgada como merece. A senhora naturalmente tem as partituras guardadas em algum lugar, não é mesmo?
Viúva do maestro Gaspar - Não temos mais nada. Tudo o que ele escreveu estava em uma antiga casa que nós já vendemos há mais de um ano. Um dia o telhado despencou e deve ter chovido muito em cima de tudo, porque quando uma de minhas filhas foi levar o corretor de imóveis até lá, todas as partituras tinham virado um grande monte de fungos. Foi então que colocamos fogo naquela enorme massa de papel embolorada. Até uns grandes rolos de fitas velhas e empoeiradas, verdadeiros ninhos de bactérias, nós queimamos. Sobrou só cinzas que depois a companhia de lixo levou embora.
(Fazendo uma expressão de demência senil.)
- Mas deixe-me olhar se tem algo guardado no armário, se tiver, você pode ficar com tudo. Aliás, eu quero queimar todos os documentos que encontrar. Minha carta de identidade, certidões, foi tudo queimado! Ha! Ha! Ha! Ha! (Ela levanta-se e vai em direção ao interior da casa. Retorna com uma velha pasta que me entrega. Ao abri-la, encontro um papel de um branco desbotado dobrado ao meio: era uma carta escrita a bico de pena…)
Cidade de Varna - Bulgária. Quatorze de Julho, 21:10h, mesa do hall do Hotel Titan. Hora do término deste relatório: 3:15h. Original em inglês. O pânico de ser preso e extraditado manteve-me ali naquele lugar estranho, fazendo-me escrever, a mão e às pressas, a maior parte deste documento. A polícia búlgara é violenta. Muito! O texto a seguir, tentaria justificar e advogar por si, caso houvesse contratempos, qualquer arbitrariedade e excesso por parte das autoridades locais. O “cidadão comum” de Monte Blanco, pode contar muito pouco com alguma ajuda especializada no exterior. Nada, diz melhor. Fôra uma última opção para quem estava esperando pelo pior... Tudo começou há dois anos, quando recebi uma correspondência com informações sobre um festival de gravação de música sinfônica na Bulgária. Era história, tradição, competência e custos muito atrativos. Elaborei uma boa proposta para o Ministério da Cultura. A primeira gravação da história da música culta da República de Monte Blanco no velho continente, composta e dirigida por um maestro-compositor da terra! O governo gostou e aprovou, pagando a conta. Mas o que deveria ser uma maravilhosa e enriquecedora experiência artística e cultural, tornou-se o maior pesadelo de toda a minha vida. Para o bom andamento da empresa, tinha sido elaborado um termo de compromisso com Mr. Larry Mac Dowell, presidente da empresa britânica Recording Symphonies S.A., que previa a contratação da Filarmônica Internacional Búlgara, bem como a utilização de diversos técnicos especializados e os mais modernos equipamentos, para a gravação da fita master somente com obras inéditas de minha autoria. Elaborei um contrato em língua inglesa, que continha dez cláusulas que teoricamente me garantiriam uma estada internacional “tranqüila”, sem maiores problemas que não os da interpretação e produção musical em si. Estaria só, longe de casa e rodeado por violinistas. Eles com suas idiosincrasias, sempre me ocupavam previamente. Em minha carreira profissional como maestro-compositor e professor em diversos países, tive incontáveis problemas com violinistas. Mozart os teve com os flautistas. Não sei a razão de alguém compor obras musicais para um instrumento que às vezes parece ser tão insuportavelmente histérico e neurótico. Cheguei à uma conclusão definitiva depois de ter tido acesso à um raro e valioso documento muito bem guardado no Museu de Berlim: o ensaio de Albert Einstein, datado de 1928, sobre as frequências super-agudas do violino e seu efeito destrutivo no cérebro humano. Tendo sido violinista, Einstein, fez ele próprio alguns auto-experimentos, chegando a conclusões irrefutáveis sobre a interrupção de transmissão de serotonina pelas células nervosas causada pelas freqüências super-agudas do violino no cérebro humano, especialmente por aqueles que tocam este instrumento por muitas horas consecutivas. Estas freqüências, encontram-se a partir do mi cinco, acima de 18500 hertz, inibindo a sinapse - transmissão da informação entre os neurônios -, causando mal funcionamento cerebral, distorção da análise da vida real por parte do indivíduo, além de afetar suas emoções e sensações, incapacitando-o de discernir entre o certo e o errado, realidade e fantasia, bem e mal, e assim por diante. Dizem alguns experts, que este documento vital para a saúde da humanidade não foi divulgado até hoje, por causa da intervenção de alguns indivíduos e grupos privados influentes, que alegavam que esta publicidade poderia causar um colapso nos grandes interesses macroeconômicos das multinacionais do entretenimento, abalando todo um sistema de produção e venda de bens culturais de consumo, com resultados desastrosos para o mundo capitalista. Foi então que tudo começou ...
Duas horas antes de embarcar com destino à Sófia, recebo um telefonema de Mr. Larry Mac Dowell informando-me que não seria mais possível gravar meu Concerto para Violino e Orquestra. O violinista tinha estudado a partitura e chegado à conclusão de que aquela música era impossível de se tocar, tendo desistido de gravá-la. Mesmo com uma terrível interferência estática na linha, conseguimos discutir sobre o problema e ele me convenceu a ir assim mesmo. Como explicaria ao Governo um dinheiro gasto por nada? Não poderia perder a passagem e o adiantamento. Mesmo em condições adversas, decidi seguir viagem. Embarquei no vôo da Monte Blanco Airlines 4877, dia 04 de Julho, saindo do Aeroporto Internacional El Guarany com destino a Sofia e com escala em Paris. Na sala de embarque do aeroporto Charles de Gaule, conheci uma mulher de negócios de nacionalidade búlgara e lhe contei rapidamente sobre meu projeto em Burgas. Foi então que ela me alertou que se tivesse algum tipo de negócio com os habitantes de Burgas, que eu tomasse cuidado. Em outras palavras, “era para eu abrir os olhos”. Não entendi a razão daquela afirmação sem contexto definido, mas mesmo assim, fiquei apreensivo… A frase ficou ecoando em minha mente... “Se você tiver algum negócio com as pessoas de Burgas, abra seus olhos…” Hall do aeroporto de Sofia. Cheguei às 0:00h em ponto. Não esperava que alguém estivesse me aguardando, mas existia um painel onde se podia ver nomes e números telefônicos de hotéis na cidade. Fiz alguns telefonemas. Com alguma dificuldade, finalmente consegui um quarto no hotel “Sophia Inn”. A maioria das telefonistas não falava inglês ou o falavam muitíssimo mal. O preço? Alto. Comparando, consegui achar algo mais econômico. O quarto era horrível: um cubículo de dois metros e meio por três, que pelo valor pago, era um absurdo. Pelo menos tinha banheiro privativo - igualmente minúsculo. Tomei uma ducha e caí na cama como uma pedra. Estava há mais de vinte e seis horas sem dormir. No dia seguinte, fiz um pequeno tour pela cidade, aproveitando para entender um pouco do modus vivendis de uma nação que teve sua terra sucessivamente invadida por diferentes povos em diversas eras. Sofia é, no verão, uma cidade turística muito interessante, mas senti ali uma pesada “aura” pela violência e morte ao longo de sua história. Voltei para o hotel, peguei minha bagagem e fui para a estação ferroviária rumo à Burgas. Na estação ninguém falava outra língua que não o búlgaro. A aparência geral, lembrou-me algumas de nossas rodoviárias… Nem mesmo o vendedor de bilhetes falava inglês e a funcionária do quiosque de informação atendia com uma má vontade que nem valia a pena lhe perguntar nada. Com alguma sorte e sondando várias pessoas na fila, encontrei uma moça que falava inglês. Ela me ajudou a conseguir o bilhete do trem para Burgas. Como havia apenas dois trens por dia, peguei o das 13:51h. No vagão em que estava, havia uma senhora e uma jovem. Casualmente, iniciei uma estranha conversa com a senhora, troca de informações sobre discriminação racial entre os países europeus e uma possível equivalência em Monte Blanco. Mas o que me impressionou, foi a única frase que a jovem disse durante as quatro horas de viagem que se passaram: foi a mesma que a mulher de negócios me disse no aeroporto de Paris: “se tivesse algum negócio com as pessoas de Burgas, era para eu abrir os olhos…”. Chegando em Burgas fui para o hotel The Best, que havia sido reservado pela empresa britânica. Não tinha nenhuma mensagem ou qualquer orientação para mim. Segui diretamente para a praça central para conhecer a sede da Filarmônica Internacional Búlgara, mas esta estava fechada. Eu não possuía nenhum contato além dos nomes constantes no contrato, o que foi um erro. Tentei localizar no catálogo telefônico o número da casa do sub-gerente da orquestra, Vassil Grechaninov. Consegui encontrar seu nome e número telefônico no catálogo- às vezes um pouco de sorte não faz mal. Falei com seu pai, que também para minha sorte, sabia um pouco de inglês. Ele me disse que Grechaninov havia viajado em férias para as ilhas gregas recentemente. Fiquei muito nervoso, pois, à esta altura, não encontraria nem Mr. Larry Mac Dowell - o presidente da empresa britânica -, seu assistente Jerry ou o sub-gerente da orquestra-, Vassil Grechaninov, responsável pela logística local. Era tudo muito desgastante e um total desrespeito profissional. Pensei em retornar à Monte Blanco ou mudar radicalmente os planos. Quem sabe, com os contatos que tinha, não poderia gravar o trabalho na Rússia? À essa altura, começei a imaginar se a pessoa com quem havia falado, não seria o próprio Vassil Grechaninov, e que ele, com a confusão arquitetada pelo violinista, tinha criado uma maneira maquiavélica de me fazer desistir de todo o projeto e voltar para Monte Blanco de mãos vazias. Por trás disso tudo, deveriam estar o binômio "dinheiro & violinista". Gananciosos, sempre querendo ganhar mais e mais. Mozart, teria concordado comigo se se tratasse de um flautista. Fiz então um último telefonema para o pai de Vassil Grechaninov, pedindo o contato de algum colega de trabalho de seu filho, para que pudesse obter informações sobre a logística do projeto da gravação. Era verdade! O homem era mesmo o pai dele. Ele gentilmente me forneceu o contato do gerente geral da Filarmônica Internacional Búlgara: Yuri Shostakovich. Liguei para o senhor Shostakovich, me identifiquei e marcamos um encontro no hotel “The Best” às 18:00h. Conversamos por cerca de uma hora. As condições para a produção não eram muito boas, além disso, o investimento era muito alto e sendo verba governamental, era tudo mais complicado ainda. Expliquei-lhe que todo o projeto havia levado dois anos para ficar pronto e que só o contrato tinha demorado seis meses para ser acordado e assinado. O mesmo continha cláusulas importantes para a perfeita execução da gravação. Cuidadosamente, incluí uma cópia do contrato no malote quando do envio das partituras à Filarmônica. Este contrato incluía a posteriori a exigência da assinatura de todo e qualquer documento necessário para a impressão do disco e posteriores utilizações do mesmo material em Monte Blanco e no exterior. A princípio, ele se mostrou simpático e compreensivo. E me disponibilizou até mais tempo do que eu precisava para gravar o trabalho, o que não coincidia com a planilha enviada para ele pela empresa britânica. Enfim uma triangulação dos diabos, que deveria ser aperfeiçoada muito ainda. Dia 8 de julho, 8:00h. O senhor Shostakovich passou no hotel para me levar até a sede da Filarmônica. Chegando lá, eu fui diretamente para a sala do “diretor convidado”, mas, ao entrar, não pude deixar de observar uma loira maravilhosa de cerca de vinte e cinco anos. Ela estava sentada em frente à sala, com lindas e contornadas pernas cruzadas que atravessavam uma fenda lateral de um belo vestido azul cobalto, que lhe caía perfeitamente bem. Sem que ela o percebesse e por alguns rápidos instantes, parei para observar aquela maravilhosa obra da natureza européia…
Chega o senhor Shostakovich e me apresenta à representante local da empresa britânica: Ms. Youliana Todorova, que se levantou da cadeira onde estava para me conhecer. Tudo começou a complicar ainda mais… Eles não tinham o solista da peça de violino que constava do contrato. O spalla tinha desistido da gravação. Suponho que tenha desanimado com a proposta financeira que deve ter sido feita por parte da Filarmônica e não pela inviabilidade técnica e artística da obra (?). Por essa razão, pedi um desconto de três mil dólares americanos, pois teria custos extras para completar o trabalho. O gerente da orquestra negou. Foi uma situação tensa: ao mesmo tempo em que acontecia uma negociação que não se resolvia, a orquestra esperava o maestro para iniciar o ensaio. Cento e vinte músicos aguardavam com seus instrumentos, posicionados adequadamente em um palco bem iluminado e montado com praticáveis, estantes, partituras, intermediados por aquela deusa loira estonteante, de olhos azuis e seios e pernas helenicamente perfeitas… A representante da empresa, não reconhecia as assinaturas de seus próprios superiores, me mostrando um recibo que absolutamente não coincidia com os valores do contrato assinado. Reagi e não cedi um milímetro sequer. Ela telefonou para Londres e resolveu provisoriamente a questão, concordando em manter o que tinha sido assinado. Fiz o segundo acerto e fui dirigir minha obra à frente da Filarmônica Internacional Búlgara. O trabalho havia sido iniciado e nas minhas mãos, um recibo provisório, rasurado e sem valor legal. Fizemos um grande ensaio pela manhã, tudo aquilo que eu havia escrito na partitura resultava excelente, tal qual havia escutado mentalmente durante décadas de estudos e partituras escritas. Não havia nenhum erro sequer. Efeitos musicais luminosos e passagens virtuosísticas foram solucionados brilhantemente pelos músicos intérpretes e até com uma certa facilidade. Havia sido recompensado pelo esforço de anos, estudando cada pequeno detalhe das obras de grandes mestres: Gesualdo da Venosa, Vivaldi, Bach, Mozart, Beethoven, Brahms, Korsakoff, Ravel, Debusssy, Strawinsky, Schoenberg… sintetizando e traduzindo estes pensamentos universais regionalmente. Antes de almoçar, fui falar com o senhor Shostakovich, mas ele não estava com uma cara nada boa e conversava com dois músicos da orquestra. Um deles, o violista, me impressionou. Era mal encarado, enorme e fortíssimo, e tinha a cabeça toda raspada. Por que foram falar com ele e qual a razão das ríspidas frases do gerente para mim naquele momento? Tinha chegado na hora H? Muito trabalho? Queriam mais dinheiro? Saí da sala como se tivesse pressentido algo estranho, aquele mal estar que, às vezes, paira no ar de alguns maquiavélicos e maledicentes bastidores da arte. O que se passava ali? Fiquei imaginando - e até agora ainda estou - o que se passou naquele momento. Só lembrava das frases idênticas ditas no aeroporto de Paris e no vagão do trem por duas pessoas diferentes. Fiquei imaginando algo assim:
“…pode deixar que se ele não pagar mais, daqui ele não sai.” Após o almoço, continuei o ensaio. Eles conseguiram de última hora, um bom violinista para tocar o concerto. Depois de uma conversa introdutória com ele, fui diretamente ao assunto: eles vão te pagar um extra pelo solo do Concerto? O que o violinista Petrov Boukoff me respondeu era que eu é que pagaria um “extra” para ele. Eu disse que ele estava enganado e mostrei-lhe o contrato assinado. As cláusulas contradiziam esta afirmação. Estaria formado um complô? Eu seria a vítima? Para ter a gravação eu teria de pagar muito mais? Perderia o dinheiro inicial e a gravação? Comecei a pensar em outras soluções. O que aconteceria comigo quando chegasse em Monte Blanco sem a obra gravada e sem o dinheiro? Passavam-se os dias e longas eram as noites, nas quais dormia cerca de três ou quatro horas. Haveria algum tipo de represália? Resolvi então, mudar de hotel. Acordei muito cedo e fiz a mudança. Se acontecesse um fato incomum, ninguém me acharia. E se alguém quisesse tomar-me as fitas com a gravação, a bagagem, a passagem, o passaporte ou tudo? Fui para o hotel Good One, perto da sede da Filarmônica Internacional Búlgara. Estranho como me recordava de todos os nomes das pessoas que conheci durante esta viagem: o recepcionista chamava-se Leiv Yossifov. Dia 10 de Julho. Liguei para a Embaixada de Monte Blanco mas não consegui falar com nenhum diplomata. Em qualquer lugar do mundo, montenês é sempre montenês. Às 10:30h, ninguém tinha chegado e às 15:00h já tinham saído. Consegui finalmente falar com uma funcionária. Expliquei-lhe a situação que estava se formando, que incluía uma quebra de contrato e que eu talvez precisasse de algum tipo de auxílio jurídico por parte da representação montenense. A resposta da funcionária foi que eu estava em outra cidade e não na capital…Só faltou me perguntar por que eu havia saído de Monte Blanco. Foi neste instante, que por alguns segundos - uma eternidade - senti meu coração acelerar descompassadamente e bater muito forte, um suor frio escorreu-me pelas têmporas. Pensei que tudo acabaria naquele momento…Fui para o quarto e dormi até a manhã seguinte. Acordei bem disposto e às 8:30h, estava na sede da Filarmônica Internacional Búlgara. A essa altura... Chamei dois músicos da orquestra - um flautista - Georgi Koutev e um contrabaixista - pedindo ajuda à eles. O flautista falava inglês. Expliquei-lhes que não poderia pagar mais do que o valor contratado, pois acreditava que haveria uma tentativa de se extrair mais dinheiro de mim pelo trabalho. Eles chamaram também o violinista solista e tentei explicar-lhe o mesmo, mas este, de modo algum, foi acessível. Elaborei um documento, no qual a representante da Recording Symphonies S.A., Ms. Youliana Todorova, certificava o recebimento da quantia já paga e que deveria constar também a assinatura do gerente geral. O restante do pagamento deveria ser efetuado no ato da entrega das fitas, de acordo com o contrato assinado. Fui falar com o gerente na presença do violinista e discutimos. Ele levantou a voz me dizendo que eu não estava em Monte Blanco e eu lhe disse mais forte ainda com o dedo em riste: alto lá! Eu não sou seu empregado! Disse-lhe mais: se aquele documento não chegasse às minhas mãos assinado, até as 12:00h, eu iria embora. Ensaiei a orquestra até as 10:20h e fui falar outra vez com o gerente. Desta vez na frente do diretor de gravação Prof. Misho Hristov. Disse-lhe que o gerente tinha presenciado parte do pagamento. O gerente negou tudo. Li de soslaio sobre a mesa, o documento manuscrito que eu havia lhe entregado e vi que tinha sido rasurado onde dizia “na presença do senhor Shostakovich”. Discutimos outra vez, agora sozinhos, e por pouco não partimos para a agressão física. Foi o auge, o clímax de uma tensão acumulada capitaneada por desentendimentos, intolerância, um pouco de xenofobia, falhas na comunicação e por falta de horas de sono. Já sem muitos argumentos e estressado, disse uma mágica e conclusiva frase, que por minha sorte, surtiu um grande efeito: I'm a client! Passei pela sala do arquivo da orquestra. Como não havia ninguém, decidi parar e entrar por um minuto. Comecei a olhar algumas partituras inéditas muito interessantes e que estavam, por acaso, à vista. Foi quando notei uma mesa disposta no fundo e no canto da sala. Em cima dela, um perigoso instrumento de aço maciço. Não era um simples canivete para descascar laranjas, mas uma faca de aço inteiriço e muito afiada, de cabo de madeira entalhada com uma ponta fina que se curvava levemente. Tinha tamanho e forma suficiente para ser utilizada como uma eficiente e letal arma… No final do ensaio, às 12:00h, o gerente chegou com o documento solicitado, assinado por Ms. Youliana Todorova e por ele próprio. Haviam cedido. A última reunião para o acerto final, havia sido planejada para quinta-feira às 11:00h. Foi então que liguei novamente para a Embaixada de Monte Blanco. Para variar, não consegui falar com nenhum diplomata. Tentei explicar para a funcionária minha situação. E se houvesse uma tentativa de extorsão? Se houvesse cárcere privado? Ela me questionou: - Mas o que é que o Governo de Monte Blanco tem a ver com isso? - Trata-se de dinheiro público, respondi. Ela disse o de sempre: não tem nenhum diplomata aqui agora. Para mim, tudo aquilo era um filme de suspense com um final inesperado, demasiadamente real para o meu gosto. Em meu desespero e sem ter a quem recorrer, pedi ajuda ao senhor do hotel, Leiv Yossifov. Ele não falava nenhuma língua além do búlgaro e nossa comunicação fez-se através de gestos e algumas palavras de radicais neolatinos que ele - para minha sorte -, compreendeu. Utilizei palavras de todas as línguas que sabia: espanhol, português, inglês, italiano, francês, alemão e sueco. Basicamente, comuniquei-lhe tratar-se de um negócio que envolvia milhares de dólares e fitas de rolo de duas polegadas, e que, se por acaso algo me acontecesse, eu lhe faria apenas uma ligação, e então ele chamaria a polícia que iria diretamente para o local indicado no endereço deixado com ele escrito em um pedaço de papel. Fui à sede da Filarmônica Internacional Búlgara e tive a reunião final com Ms. Youliana Todorova, que veio acompanhada de um rapaz. O recibo total estava pronto, autenticado em cartório e também os dois rolos de fita de duas polegadas. Procedimento normal e usual. O senhor Shostakovich não se encontrava ali, havia viajado para Sofia. Para minha segurança, quis escutar as fitas antes de efetuar o pagamento restante. Ela me disse que não era possível e que os técnicos não permitiriam meu acesso ao estúdio. Foi então que contei o dinheiro. Contei-o outra vez. Um pouco relutante entreguei aquele polpudo maço de notas verdes, mediante o recibo autenticado e as fitas - que não sabia se continham ou não, minha música. Receava, eles tivessem apagado magneticamente toda a música gravada (?). Saímos cada qual para seu lado. Fiquei andando um pouco pela sede da Filarmônica sem rumo certo, até que por acasso, aparecesse o violinista. Perguntei se ele sabia onde eu poderia escutar as fitas e ele disse não saber. Seria verdade? Voltei para o hotel e mostrei as fitas para o Sr. Leiv Yossifov e acabei dizendo quanto havia pagado por elas. Nesse exato momento, ele mostrou uma feição própria de um homem ganancioso e mau, arregalando os olhos de uma maneira que eu nunca havia visto. Sem saber, havia cometido um grande erro… Andei pelo centro da cidade por algum tempo, procurando um gravador de rolo de duas polegadas para escutar as fitas, mas não encontrei nenhuma loja que tinha tal gravador. Pedi ao senhor Leiv Yossifov para me informar sobre o horário da partida do trem para Sofia. Somente na capital seria possível encontrar uma maneira de escutar as fitas. Fui de táxi para a estação ferroviária e encontrei casualmente o flautista da orquestra, Georgi Koutev. Foi quando uma mulher, magra, com a face cheia de pintas marron-escuras, cabelos mal cuidados e amarelados de raízes escuras, usando uma calça jeans desbotada, aproximou-se de mim de um modo muito estranho e me perguntou: - Are you going to Sofia? - Yes - respondi. Foi aí que ela disse para si mesma em um tom de voz muito baixo: - It should be you. Sorte minha ter um ouvido bem treinado e a audição acima da média: gelei. Logo em seguida, subiu pelas escadas um homem - talvez seu comparsa (?) - trazendo um grande sanduíche na mão. O flautista então me disse: - Mas que frase estranha... Eles parecem ladrões. Senti uma grande descarga de adrenalina em meu corpo naquele momento. Não esperaria para ver, não tomaria o trem e sairia dali o quanto antes. Ajudado pelo flautista, imediatamente peguei minha bagagem e desci a escada. Alcancei o hall da estação, despedi-me do Georgi Koutev e peguei um táxi em direção à rodoviária. Não iria ser ali que meliantes europeus iriam ganhar facilmente de um montenês experiente e viajado como eu. Perdi as trezentas pratas da passagem e ganhei segurança... O ônibus para Sofia estava lotado e só havia um por dia. O funcionário do pequeno escritório de vendas de passagens, me sugeriu pegar um ônibus para Varna e depois de lá seguir para Sofia. Foi então que me lembrei que o prof. Misho Hristov, diretor musical da gravação, morava em Varna e talvez eu pudesse encontrá-lo, ou na pior das hipóteses, comprar, alugar ou pedir emprestado um gravador de rolo de duas polegadas, já que era uma cidade maior. Dia 11 de julho. Cheguei em Varna no Hotel Titan, de onde, imediatamente liguei para o prof. Misho Hristov, mas não consegui falar com ele. Decidi procurar o gravador em algumas lojas na cidade, mas também não consegui encontrar nenhum. Me informaram que provavelmente eu só encontraria um gravador de rolo de duas polegadas em Sofia ou na Rádio Estatal local. Decidi ir à rádio onde o prof. trabalhava, eles provavelmente tinham um gravador desses. Na rádio, o porteiro não falava inglês e não me atendia. Insisti. Ele me mandou embora diversas vezes mas eu não ia embora. Foi quando apareceu a editora geral, Dra. Valia Rangelova, que me pegou pelo braço e me levou para sua sala. Ela também não falava inglês. Fez alguns telefonemas para uma colega do professor e me colocou na linha com ela. Expliquei-lhe que tinha tentado contato com o professor sem sucesso e que talvez eu pudesse, com a ajuda de algum colega dele, escutar as fitas. Apareceu um senhor de meia idade e me conduziu à uma poltrona no hall da rádio, e com um olhar sério, me pediu para esperar. Seria preso? Estava sendo procurado? Discriminação étnica? Haviam chamado a imigração? Esperei que ele subisse as escadas e fui falar com o porteiro. Ele não me deixava sair, mas lhe mostrei o relógio, como quem está atrasado e fui saindo pela porta afora. Fiquei na esquina esperando pela chegada ou da polícia ou do professor. Foi então que apareceu o prof. Misho Hristov. Ficou admirado em me ver. Ele me disse que tinham lhe chamado em casa e que alguém o estava esperando na rádio. Não estava nada contente. Expliquei-lhe que precisava escutar as fitas e tirar algumas dúvidas. Ele estacionou o carro e pediu que eu o aguardasse. Quando retornou estava ainda mais irado, por eu ter ido lá e ainda ter tentado contatar um colega seu. Me disse algo naquele momento para mim muito tranquilizador em meio à toda aquela situação constrangedora: "que a minha música não era nada má. Ao contrário, era muito boa!", afinal de contas um elogio... Me levou para seu pequeno estúdio, que não ficava longe, para ouvir as fitas, e tivemos uma pequena sessão de audição musical comentada na qual verifiquei que toda a música realmente estava onde deveria estar. Depois, ele começou a me fazer perguntas inquisidoras e controladoras de como, onde e quando eu iria embora… Fui com ele de carona até a rodoviária. Usando minha experiência e tática de sobrevivência no exterior, eu havia mudado os planos, peguei um táxi e fui para o hotel. Ficaria em Varna e iria direto para Sofia de avião ou de ônibus, voltando então para Monte Blanco. Fiz tudo ao contrário do que havia dito, isso me convinha, pois a essa altura, tinha a impressão de que tudo o que fazia estava sendo observado e controlado. Eu estava agindo como se tivesse culpa de algum crime que não tinha cometido. Fui até um escritório de imigração e procurei informações sobre a Amnesty Internacional secção Varna e Sofia. Só por precaução, se acontecesse algo inesperado. Li alguns textos informativos que poderiam ser úteis em caso de emergência e que estavam disponíveis para o público. Mas, o que mais me impressionou, foi a frase lida em um panfleto dizendo que “em vários lugares do mundo e ao mesmo tempo, diversas pessoas são presas e privadas de seus direitos fundamentais sem nem mesmo saber o porquê.” A neurose entrou em alta. Acabei esquecendo todos os impressos em cima da mesa. De volta ao Hotel, a recepcionista do Hotel Titan ficava estressada e nervosa com minhas constantes solicitações. Comecei também a desconfiar dela. Estaria ela informando às pessoas da rádio, ao prof. Misho Hristov ou mesmo à polícia todos os meus passos? Estariam estes passos seguidos desde Burgas? Em relação à reserva do ônibus, a recepcionista do hotel fez a mesma cara indigesta de uma policial da imigração italiana, que uma vez tive a infelicidade de conhecer. Teriam todos eles preparado uma armadilha final? O ganancioso Leiv Yossifov teria chamado a polícia alegando que as fitas eram dele e que eu as tinha furtado? A recepcionista do hotel estaria fazendo o papel de policial e eles depois viriam para me pegar e levar para a polícia de imigração em Burgas? Teria que dar explicações antes e depois? Haveria um interrogatório formal? Outra vez um pedido inaudível de socorro. Dormi das 3:00h às 6:00h. Arrumei a minha bagagem. A recepcionista tinha deixado para mim um recado sobre a meteorologia: tempo chuvoso, tempestade, trovões e relâmpagos. Uma mensagem metafórica? Imaginei que poderia pegar um avião para Sofia, o que seria mais conveniente e assim burlaria qualquer tipo de perseguição - caso esta viesse a acontecer de fato -, pois havia informado ao hotel que iria de ônibus. Mas resolvi enfrentar os fantasmas de frente. De manhã, a primeira coisa que fiz foi ligar para a Bulgaria Airlines e reconfirmar meu vôo para Monte Blanco via Paris. Depois de alguns momentos, para meu alívio, a empresa confirmou o vôo. Se a passagem estava confirmada, isso queria dizer que o suposto plano de detenção não iria se concretizar. Coloquei a fita original na primeira mala e a cópia na segunda mala. Na saída do aeroporto, o controle de passaporte teria sido a última barreira para a liberdade física e psicológica. O policial parou, olhou, olhou de novo, consultou a lista três vezes e eu ainda lhe disse: -Only eleven days. Foi quando aquela espera, me deu outro frio na barriga: seria aquela a última forma de me reter na Bulgária, contatando a polícia de fronteira e avisando sobre um suposto furto de preciosas fitas de rolo de duas polegadas feito por um montenês. O policial me olhou de novo, checou o passaporte, escreveu algo e finalmente me liberou. Livre!… Dentro do avião, escuto a aeromoça dizendo: “Senhores passageiros, sua atenção por favor. Estamos aguardando por duas bagagens que ainda não foram embarcadas, agradecemos sua compreensão.” Aquela espera durou quase uma hora. Nesse momento me surgiu um último pensamento sobre tal questão: e se alguém, Leiv Yossifov, o gerente da orquestra Yuri Shostakovich, o violinista, o próprio prof. Misho Hristov ou um grupo de parte destas pessoas, ou ainda outras personagens que nem haviam ainda surgido, decidiram que eu não levaria aquelas fitas e entraram em contato diretamente com a polícia alegando que eu as tinha furtado e que estava saindo do país com elas? Seria fácil se alguém tivesse um amigo na polícia - e alguém sempre tem um... Seriam minhas (?) as malas que todos no avião esperavam. Chegando em Paris fui diretamente ao guichê da Monte Blanco Airlines checar se as minhas bagagens estavam no vôo certo, se ficaram em Sofia ou se foram parar em qualquer outro aeroporto do mundo. Talvez fosse extremo zêlo com meus pertences - que incluía um deslumbrante conjunto de taças de cristal da Boêmia folhado a ouro 24K comprado em Varna - mas mesmo assim, por força do hábito de montanês precavido e desconfiado, resolvi verificar. A resposta da companhia foi de que não havia necessidade de tal preocupação e que minha bagagem estava no avião. Chegando ao Aeroporto Internacional El Guarany, fui retirar as malas. Mas, outra vez, senti uma forte descarga de adrenalina percorrendo meu corpo, pois as malas não estavam no vôo e tinham-se perdido em algum dos aeroportos por onde havia passado. Inicia-se uma busca de todas as partes: da companhia aérea, da seguradora e minha. Meu telefone neste período estava sempre ocupado. Quinze dias depois haviam localizado as malas em Paris. Depois de mais de um mês, as malas foram entregues em minha residência. Estava finalmente com as fitas e fiz uma primeira audição completa: o resultado é magistral, cada nota em seu devido lugar, todas as músicas executadas com uma afinação e interpretação impecáveis. Modéstia à parte, uma realização notável. Realmente. Como um poderoso tranqüilizante, meu pânico deixou de existir. Aquele pesadelo vivo, tinha depois de trinta e seis dias b
(A carta terminava com um rabisco depois da última palavra, como se a mão tivesse escorregado sobre o papel involuntariamente.Pasmo com o que acabara de ler e sem saber direito o que fazer, o Encarregado deixa a carta cair ao chão.)
Viúva do maestro Gaspar - E então? Encontrou algo? (Um pouco sem jeito, recolhendo e recolocando a carta dentro da pasta e devolvendo-a.)
Encarregado Ministerial - Sim, mas acho que não é o caso de publicar. É melhor a senhora guardar isto.
Viúva do maestro Gaspar - Eu queimo tudo meu filho. Queimo todos os papéis da casa.
(Me despedi daquela velha senhora com muita tristeza, saindo com uma sensação de profunda perda de um bem cultural coletivo imaterial de rara magnitude. Retornei ao escritório do Ministério pela "Calle de Los Ojos Negros" pensando e tentando visualizar as situações, cenas e fatos ocorridos com o maestro Gaspar em seu relatório secreto. O importante foi que o prof. Misho Hristov, à milhares e milhares de quilômetros de distância, não deixara de fazer justiça ao reconhecer a qualidade da obra do maestro Gaspa: Inegável! )
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Personagens
Encarregado ministerial
Viúva do maestro Gaspar
Larry Mac Dowell
Moça da fila
Pai de Vassil Grechaninov
Yuri Shostakovich
Ms. Youliana Todorova
Violinista Petrov Boukoff
Recepcionista Leiv Yossifov
Flautista Georgi Koutev
Diretor de gravação Prof. Misho Hristov
Funcionária da embaixada de Monte Blanco
Casal de ladrões
Porteiro da rádio estatal
Dra. Valia Rangelova - editora da rádio
Senhor de meia idade - funcionário da rádio
Recepcionista do hotel titan
Policial de controle de passaporte
Aeromoça
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Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas, instituições ou fatos da vida real, é mera coincidência.
Outros links do mesmo autor: www.andersen.mus.br
www.youtube.com/user/TheAmadeusProd
http://acigarraeaorquestra.blogspot.com
(Artigonal SC #1473481)
Depois da última grande guerra, do fim dos governos, da velha ordem mundial e da epidemia bacteriológica que se alastrou pelo planeta, três grupos politicamente opostos se formaram. Dentre estes, apenas dois seriam capazes de sobreviver. Guerras entre os novos burgos chamados "Villes", os "Núcleos" e os "Nômades", aconteciam por todo o planeta, não mais por petróleo, poder ou dinheiro, mas sim por comida e informação.
A vida tal qual existe no planeta Vênus ainda não havia sido detectada, até que dois seres deste planeta chegassem à terra e se apropriassem dos corpos de duas jovens. Mas, o que deveria ser uma missão científica extraterrestre sobre a sexualidade humana, transforma-se em algo surpreendente para os envolvidos.
Criança vê assassinato dos pais e se esconde dos malfeitores correndo através do leito de um riacho raso e pedregoso. Sobrevivente, ela cresce e desenvolve raras habilidades com pequenas pedras, onde a posterior fuga de lugares e pessoas é o elemento que conduz à novas e inesperadas situações.
Habitantes do distante planeta Anrek são atacados por uma mortal arma biológica. Para descobrir a cura contra o poderoso vírus, Anrekianos chegam à Terra para recolher substâncias encontradas apenas nos corpos humanos. Mas, extraídas em grande quantidade…
Fatos verídicos e raros ocorridos na vida de um gato de estimação que tinha dons extraordinários para a música. São relatados pelo dono: sua origem, nascimento, morte e uma possível assunção e transfiguração em pássaro à caminho de um hipotético paraíso onde teria sido recebido por um coro celestial de animais.
Conjunturas impostas por políticas econômicas e sociais excludentes, permeiam a vida de uma criança que sobrevive só em uma favela. Autodidata, estuda em livros, revistas e jornais encontrados no lixo. Seu envolvimento em futuras e violentas situações, desencadeará uma série de acontecimentos dramáticos.
Médico faz pacto com demônio para tirar a esposa de coma profundo. Uma maldição atingia a todos que estivessem por perto, até que um paciente consegue solucionar uma trama diabólica que persistia por mais de vinte anos.
Em que relevo poderemos colocar, nas linhas que se seguem, a Poesia Épica – em especial Homero e sua Odisséia? Que valores nos são legados pelo legendário poeta e por que ainda se nos mostram tão fecundas suas fantásticas narrações? É possível, por assim dizer, em nossa modernidade, um diálogo com este poema – já que dele nos dista esta barreira indelével de mais de duas dezenas de séculos? É o que tentamos examinar neste artigo.
Se o mestre é, por excelência, o elemento chave da formação, como este se forma? Tal questão é tratada, sob a aguda crítica de Nietzsche à metafísica tradicional, por um viés singular, na obra "Assim Falava Zaratustra".
Costuma-se, de maneira um tanto reducionista, classificar esta obra como uma determinada leitura ou projeção do Brasil, que traduziria os debates de uma época em representação da perspectiva cultural e sociológica de nosso país . Tentaremos, não uma refutação, porém uma perspectiva bastante diversa desta última, enveredando por um outro viés cuja leitura acreditamos o romance poder suscitar. Abordaremos a trajetória de Policarpo Quaresma, em suas três Partes, como "atos de uma tragédia".
Este artigo trata do romance "Frankenstein" de Mary Shelley segundo a questão ontológica e os problemas decorrentes. Fazendo um percurso na tradição filosófica, são delineadas questões intrigantes suscitadas pela obra, que se mostra única em seu tempo.
quatro crianças perdidas numa floresta mal assombrada
O lobisomem está na moda;não só ele,seus arqui-inimigos,os vampiros,também. Desde Plínio,o Antigo,Heródoto,Plauto,Varrão,Santo Agostinho,Ovídio e outros menos votados que já se falava em lobisomem. Remonta às lupercais,festas realizadas em Roma,no mês de fevereiro,oriundas da Grécia,em que se celebravam os Lupercii Julii,tendo Marco Antonio como Sumo –Sacerdote. Ele mesmo, o de Cleópatra. Leia mais...
2012 O FIM DE UM COMEÇO ASSUSTADOR. Por: Germano Gonçalves. © Há quando criança ouvia falar dos anos dois mil, coisas estranhar aconteceria; os automóveis voariam, as pessoas usariam controles para acionar a televisão, ouvir músicas, os carros se locomoveriam sozinhas naves espaciais como transporte, chips colocado em pessoas, e que o mundo acabaria assustador não! E eu vivia na minha periferia, com meus carrinhos de rolimã, brinquedos de madeiras feitos pelo meu pai brincavam na rua e em terren
Preso pela trajetória literária de Melville, o texto narra a vida de Moby e seus enfrentamentos frente a um mundo que o persegue e o reduz.
Fatos verídicos e raros ocorridos na vida de um gato de estimação que tinha dons extraordinários para a música. São relatados pelo dono: sua origem, nascimento, morte e uma possível assunção e transfiguração em pássaro à caminho de um hipotético paraíso onde teria sido recebido por um coro celestial de animais.
Que diz dentre outras, sobre situações vividas e imaginadas por um maestro-compositor da República de Monte Blanco entregue à própria sorte no leste europeu durante o verão de 1969.
Habitantes do distante planeta Anrek são atacados por uma mortal arma biológica. Para descobrir a cura contra o poderoso vírus, Anrekianos chegam à Terra para recolher substâncias encontradas apenas nos corpos humanos. Mas, extraídas em grande quantidade…
Criança vê assassinato dos pais e se esconde dos malfeitores correndo através do leito de um riacho raso e pedregoso. Sobrevivente, ela cresce e desenvolve raras habilidades com pequenas pedras, onde a posterior fuga de lugares e pessoas é o elemento que conduz à novas e inesperadas situações.
A vida tal qual existe no planeta Vênus ainda não havia sido detectada, até que dois seres deste planeta chegassem à terra e se apropriassem dos corpos de duas jovens. Mas, o que deveria ser uma missão científica extraterrestre sobre a sexualidade humana, transforma-se em algo surpreendente para os envolvidos.
Depois da última grande guerra, do fim dos governos, da velha ordem mundial e da epidemia bacteriológica que se alastrou pelo planeta, três grupos politicamente opostos se formaram. Dentre estes, apenas dois seriam capazes de sobreviver. Guerras entre os novos burgos chamados "Villes", os "Núcleos" e os "Nômades", aconteciam por todo o planeta, não mais por petróleo, poder ou dinheiro, mas sim por comida e informação.
Médico faz pacto com demônio para tirar a esposa de coma profundo. Uma maldição atingia a todos que estivessem por perto, até que um paciente consegue solucionar uma trama diabólica que persistia por mais de vinte anos.
Conjunturas impostas por políticas econômicas e sociais excludentes, permeiam a vida de uma criança que sobrevive só em uma favela. Autodidata, estuda em livros, revistas e jornais encontrados no lixo. Seu envolvimento em futuras e violentas situações, desencadeará uma série de acontecimentos dramáticos.

