Vida, Morte E Transfiguração De Um Gato
Eram altas horas de uma gélida noite do mês de junho do ano de 1992. Um antigo relógio de parede, que não funcionava mais, marcava meia-noite e meia. Todos dormiam na casa. Tal qual num filme de horror "trash", estranhos sons, lentos, graves e tenebrosos começavam a serem ouvidos no ambiente...
Eu dormia em um dos quartos próximos à sala de visitas, quando inesperados rumores e fantasmagóricas sonoridades adentraram meu subconsciente misturando-se em minha mente e me conduzindo em um estado que fica entre o sono e a vigÃlia. Não sabia ao certo se estava acordado ou sonhando. Fui levado então, ao terceiro estado de consciência… Os sons alternadamente, tornavam-se rápidos, indo do registro agudo ao grave, causando fortes contrastes tÃmbrÃsticos e rÃtmicos. Esta ambiência sonora fazia-se cada vez mais clara e reconhecÃvel: era o som do piano da sala de visitas! Nesse estado diferente de consciência, um pouco assustado com aquela inusitada sinfonia noturna, levantei-me e fui até a sala ver o que ou quem estava compondo aquelas impressionantes seqüências aleatórias tão bem distribuÃdas espacialmente. Foi então que o vi: Rosinha.
Rosinha era um gato.
Macho.
Estava em cima do piano, entretido com as teclas e os sons produzidos por suas felpudas patas em uma performance inusitada e magnÃfica, na qual ele era o próprio instrumento dialogando consigo mesmo com as teclas brancas e pretas do teclado do piano, em perfeita sintonia sonora com aquele velho piano de armário. Em suas descobertas artÃsticas, aquele felino e por um breve momento quase humano, tocava o piano como se fosse um profissional executando Boulez ou Stockhausen. Sua mãe era uma gata de rua muito arisca, que não costumava parar muito em casa, se bem que a comida e água oferecidas lhe atraÃam sempre, e a partir disso, passava cada vez mais tempo nos fundos da casa. Um belo dia ela teve quatros gatinhos. Um morreu ao nascer. Ficaram Quincas, Tim Tim e... Rosinha. Todos disseram que não era possÃvel ficar com tantos gatos em casa. Insisti para que Rosinha ficasse na casa, enquanto Quincas e Tim-tim foram levados para o sÃtio. De sua cor originou-se seu nome. Tinha o pêlo de um rosa clarÃssimo incomun. Suas feições e coloração, junto à natureza brincalhona dos felinos recém nascidos, me cativou ao ponto de não querer mais me separar dele. Alguns anos se passaram. Rosinha cresceu e tornou-se forte, astuto e um experiente gato de cidade, capaz de escapar de todas as armadilhas existentes em uma grande metrópole. Um dia, um carro o atropelou. Encontramos Rosinha no meio fio da rua, ensangüentado e com as patas quebradas, em um estado lastimável. O levei para o veterinário que habilmente realizou uma complicada cirurgia inter-óssea, ligando os ossos das patas com fio de metal, costurando e amarrando tudo com uma tala. Ficou três meses deste jeito, até que finalmente, o veterinário retirou a tala, e, voilà ! Estava novo em folha outra vez! SabÃamos que Rosinha tinha sido o pai de inúmeros gatinhos no bairro, mas ninguém de casa nunca os tinha visto. A gata do vizinho costumava vir sempre encontrá-lo no muro de nossa casa. Mesmo se sua companheira felina não estivesse no cio, os dois estavam sempre a rolar em deliciosas brincadeiras e eram quase sempre inseparáveis. Uma tempestade sem aviso, um dia surgiu. Nuvens pesadas e o manto tenebroso da morte, impiedosamente se aproximaram de Rosinha. De suas pernas e orelhas, brotaram feridas que sangravam sem parar. Levado ao veterinário e feita a autópsia, havia sido diagnosticado câncer. E agora? O que farÃamos? PoderÃamos deixá-lo morrer em casa, prolongar sua vida naquelas horrÃveis condições e sermos impiedosos, ou escolherÃamos um pesaroso atalho para o seu (?) e para o nosso sofrimento. Não havia mesmo muito o que fazer. Uma injeção letal foi dada pelo veterinário. Parada respiratória seguida de parada cardÃaca e estava feito. Paguei os custos da clÃnica e em seguida coloquei Rosinha em uma sacola apropriada e levei-o para casa onde seria sepultado. Foi enterrado com todas as honras, ao pé da videira com direito a discurso de despedida e flores. Fechei por um momento meus olhos - por pura vergonha das lágrimas que brotavam de minhas pálpebras -, e imaginei ter visto Rosinha subir ao céu. Subindo aos ares, ele contemplava toda a cidade enquanto transfigurava-se em pássaro, gorjeando melodias que reverberavam pelo céu, até chegar bem lá no alto, acima das nuvens, onde milhares de animais lhe davam as boas-vindas, cantadas por um afinado coro polifônico de animais. O dia amanheceu. Levantei-me bastante tonto, como se tivesse dedicado uma noite ao deus Baco. Fui diretamente onde Rosinha havia sido enterrado. Ao pé da videira, um burraco havia sido aberto e não havia mais vestÃgios de Rosinha.
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Personagens
O Dono
O Gato Rosinha
A Gata do Vizinho
Veterinário
Coro Polifônico Celestial de Animais
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Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas, instituições ou fatos da vida real, é mera coincidência.
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Outros links do mesmo autor: www.andersen.mus.br
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(Artigonal SC #1473493)
Depois da última grande guerra, do fim dos governos, da velha ordem mundial e da epidemia bacteriológica que se alastrou pelo planeta, três grupos politicamente opostos se formaram. Dentre estes, apenas dois seriam capazes de sobreviver. Guerras entre os novos burgos chamados "Villes", os "Núcleos" e os "Nômades", aconteciam por todo o planeta, não mais por petróleo, poder ou dinheiro, mas sim por comida e informação.
A vida tal qual existe no planeta Vênus ainda não havia sido detectada, até que dois seres deste planeta chegassem à terra e se apropriassem dos corpos de duas jovens. Mas, o que deveria ser uma missão cientÃfica extraterrestre sobre a sexualidade humana, transforma-se em algo surpreendente para os envolvidos.
Criança vê assassinato dos pais e se esconde dos malfeitores correndo através do leito de um riacho raso e pedregoso. Sobrevivente, ela cresce e desenvolve raras habilidades com pequenas pedras, onde a posterior fuga de lugares e pessoas é o elemento que conduz à novas e inesperadas situações.
Habitantes do distante planeta Anrek são atacados por uma mortal arma biológica. Para descobrir a cura contra o poderoso vÃrus, Anrekianos chegam à Terra para recolher substâncias encontradas apenas nos corpos humanos. Mas, extraÃdas em grande quantidade…
Que diz dentre outras, sobre situações vividas e imaginadas por um maestro-compositor da República de Monte Blanco entregue à própria sorte no leste europeu durante o verão de 1969.
Conjunturas impostas por polÃticas econômicas e sociais excludentes, permeiam a vida de uma criança que sobrevive só em uma favela. Autodidata, estuda em livros, revistas e jornais encontrados no lixo. Seu envolvimento em futuras e violentas situações, desencadeará uma série de acontecimentos dramáticos.
Médico faz pacto com demônio para tirar a esposa de coma profundo. Uma maldição atingia a todos que estivessem por perto, até que um paciente consegue solucionar uma trama diabólica que persistia por mais de vinte anos.
Em que relevo poderemos colocar, nas linhas que se seguem, a Poesia Épica – em especial Homero e sua Odisséia? Que valores nos são legados pelo legendário poeta e por que ainda se nos mostram tão fecundas suas fantásticas narrações? É possÃvel, por assim dizer, em nossa modernidade, um diálogo com este poema – já que dele nos dista esta barreira indelével de mais de duas dezenas de séculos? É o que tentamos examinar neste artigo.
Se o mestre é, por excelência, o elemento chave da formação, como este se forma? Tal questão é tratada, sob a aguda crÃtica de Nietzsche à metafÃsica tradicional, por um viés singular, na obra "Assim Falava Zaratustra".
Costuma-se, de maneira um tanto reducionista, classificar esta obra como uma determinada leitura ou projeção do Brasil, que traduziria os debates de uma época em representação da perspectiva cultural e sociológica de nosso paÃs . Tentaremos, não uma refutação, porém uma perspectiva bastante diversa desta última, enveredando por um outro viés cuja leitura acreditamos o romance poder suscitar. Abordaremos a trajetória de Policarpo Quaresma, em suas três Partes, como "atos de uma tragédia".
Este artigo trata do romance "Frankenstein" de Mary Shelley segundo a questão ontológica e os problemas decorrentes. Fazendo um percurso na tradição filosófica, são delineadas questões intrigantes suscitadas pela obra, que se mostra única em seu tempo.
quatro crianças perdidas numa floresta mal assombrada
O lobisomem está na moda;não só ele,seus arqui-inimigos,os vampiros,também. Desde PlÃnio,o Antigo,Heródoto,Plauto,Varrão,Santo Agostinho,OvÃdio e outros menos votados que já se falava em lobisomem. Remonta à s lupercais,festas realizadas em Roma,no mês de fevereiro,oriundas da Grécia,em que se celebravam os Lupercii Julii,tendo Marco Antonio como Sumo –Sacerdote. Ele mesmo, o de Cleópatra. Leia mais...
2012 O FIM DE UM COMEÇO ASSUSTADOR. Por: Germano Gonçalves. © Há quando criança ouvia falar dos anos dois mil, coisas estranhar aconteceria; os automóveis voariam, as pessoas usariam controles para acionar a televisão, ouvir músicas, os carros se locomoveriam sozinhas naves espaciais como transporte, chips colocado em pessoas, e que o mundo acabaria assustador não! E eu vivia na minha periferia, com meus carrinhos de rolimã, brinquedos de madeiras feitos pelo meu pai brincavam na rua e em terren
Preso pela trajetória literária de Melville, o texto narra a vida de Moby e seus enfrentamentos frente a um mundo que o persegue e o reduz.
Fatos verÃdicos e raros ocorridos na vida de um gato de estimação que tinha dons extraordinários para a música. São relatados pelo dono: sua origem, nascimento, morte e uma possÃvel assunção e transfiguração em pássaro à caminho de um hipotético paraÃso onde teria sido recebido por um coro celestial de animais.
Que diz dentre outras, sobre situações vividas e imaginadas por um maestro-compositor da República de Monte Blanco entregue à própria sorte no leste europeu durante o verão de 1969.
Habitantes do distante planeta Anrek são atacados por uma mortal arma biológica. Para descobrir a cura contra o poderoso vÃrus, Anrekianos chegam à Terra para recolher substâncias encontradas apenas nos corpos humanos. Mas, extraÃdas em grande quantidade…
Criança vê assassinato dos pais e se esconde dos malfeitores correndo através do leito de um riacho raso e pedregoso. Sobrevivente, ela cresce e desenvolve raras habilidades com pequenas pedras, onde a posterior fuga de lugares e pessoas é o elemento que conduz à novas e inesperadas situações.
A vida tal qual existe no planeta Vênus ainda não havia sido detectada, até que dois seres deste planeta chegassem à terra e se apropriassem dos corpos de duas jovens. Mas, o que deveria ser uma missão cientÃfica extraterrestre sobre a sexualidade humana, transforma-se em algo surpreendente para os envolvidos.
Depois da última grande guerra, do fim dos governos, da velha ordem mundial e da epidemia bacteriológica que se alastrou pelo planeta, três grupos politicamente opostos se formaram. Dentre estes, apenas dois seriam capazes de sobreviver. Guerras entre os novos burgos chamados "Villes", os "Núcleos" e os "Nômades", aconteciam por todo o planeta, não mais por petróleo, poder ou dinheiro, mas sim por comida e informação.
Médico faz pacto com demônio para tirar a esposa de coma profundo. Uma maldição atingia a todos que estivessem por perto, até que um paciente consegue solucionar uma trama diabólica que persistia por mais de vinte anos.
Conjunturas impostas por polÃticas econômicas e sociais excludentes, permeiam a vida de uma criança que sobrevive só em uma favela. Autodidata, estuda em livros, revistas e jornais encontrados no lixo. Seu envolvimento em futuras e violentas situações, desencadeará uma série de acontecimentos dramáticos.

