Artigonal.com - Leia e Publique Artigos
Diretório de Artigos Gratuitos
07.10.2008 Login Cadastro Olá
E-mail:
Senha:
Salve meus dados neste computador 


DISTRITOS INDUSTRIAIS (OU CLUSTERS) COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO LOCAL PARA O BRASIL

Por: Hélio Barbosa Hissa Ranking do Autor Bronza Autor nos TOP 100 | Publicado em: 26-02-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 452 | Avaliação:  (229) Ranking do Artigo Azul (?)

O conceito de "Distrito Industrial" foi inicialmente descrito por MARSHALL (1890) no século XIX para caracterizar as "concentrações de pequenas e médias empresas localizadas ao redor das grandes indústrias", nos subúrbios das cidades inglesas. Dessa forma, pode-se afirmar que os "distritos industriais ingleses" eram constituídos por aglomerações de grandes, pequenas e médias empresas inter-relacionadas em microrregiões geográficas, produzindo bens em larga escala tanto para o mercado interno como para o mercado externo (principalmente).

Nesse tipo de sociedade, as pequenas e médias empresas (PMEs) eram fortemente "beneficiadas por fatores obtidos gratuitamente" na economia (infra-estrutura, mão-de-obra já treinada, existência de recursos naturais locais, informações sobre as novas técnicas de produção, etc). Além disso, as PMEs eram igualmente "beneficiadas pela proximidade geográfica entre as firmas" bem como pelo seu "elevado grau de inter-relacionamento", o que lhes asseguravam um clima propício à produção em larga escala, não só reduzindo custos de transporte e de outras transações, mas também proporcionando e agilizando a comunicação entre os produtores.

Todos esses benefícios adquiridos pelas PMEs, nos "distritos industriais ingleses", MARSHALL (1890) denominou-os de "economias externas", ou seja, "ganhos obtidos pelas PMEs no mercado independentemente de suas ações" (infra-estrutura, mão de obra treinada, recursos naturais, informações tecnológicas, proximidade geográfica entre as firmas, forte relacionamento interfirmas, etc.). As "economias externas", portanto, eram apontadas como as principais causas do extraordinário desenvolvimento sócio-econômico alcançado pela Inglaterra no século XIX.

Observe-se que esse tipo de desenvolvimento é mais conhecido na literatura não só econômica, mas também entre sociólogos, geógrafos, antropólogos, etc., como a "teoria do desenvolvimento local", isto é, um modelo de desenvolvimento que não se baseia simplesmente na mensuração de variáveis econômicas como taxa juros, salários, inflação, déficit público, câmbio, etc, mas sim, nas potencialidades de uma determinada região geográfica delimitada, levando-se em consideração, principalmente, os recursos naturais existentes, a vocação trabalhista e produtiva da comunidade e fatores sócio-culturais como: laços familiares, confiança entre os agentes produtores, grau de relacionamento entre as empresas, cooperação interfirmas, costumes, tradições, religião, etnia, laços culturais, etc.



Nessa perspectiva, o "desenvolvimento local" é conceituado como um processo de articulação , coordenação e inserção dos empreendimentos empresariais associativos e individuais, comunitários, urbanos e rurais, a uma nova dinâmica de integração sócio-econômica, de reconstrução do tecido social, de geração e renda." (JORDÁN; ZAPATA, 1998). Assim, a parceria ou o estabelecimento de alianças estratégicas entre empresas para formar redes em torno dos distritos industriais ou clusters permite às PMEs competirem com vantagens que antes só estavam ao alcance das grandes empresas.

Vê-se, portanto, que não só as “economias externas” são importantes para o desenvolvimento econômico local, mas também as “ações conjuntas” dos agentes sócio-econômicos (governo, empresários, entidades de classe, etc.). Na esteira desse raciocínio, SCHMITZ (1997) destacou a importância tanto das “economias externas” como da “ ação conjunta das empresas”, como forma de elucidar o êxito alcançado pelas PME’s pertencentes a um distrito industrial: “Tal ação pode ser de dois tipos: firmas individuais cooperando (por exemplo, compartilhando equipamentos ou desenvolvendo um novo produto), ou grupos de firmas reunindo forças em associações empresariais, consórcios de produtores e assemelhados”.

A conjugação desses dois fatores (economias externas e ação conjunta) levou SCHMITZ (1997) a acrescentar um novo e valioso conceito na moderna literatura dos clusters, isto é, o conceito de “Eficiência Coletiva” a qual é definida como “a vantagem competitiva derivada das economias externas locais e ação conjunta.” (SCHMITZ, 1997:172).

Feitos esses esclarecimento preliminares, cabe lembrar que na década de 70 do século XX, o fenômeno do "desenvolvimento local" focado em "distritos industriais" (Dis) voltou a se repetir na Europa, sobretudo na Itália. A região de Emilia Romagna (que inclui as cidades de Friuli-Veneza-Giulia, Vêneto, Trentino-Alto Adige e Toscana), ao Sul da Itália, tradicionalmente pobre, ficara conhecida internacionalmente devido ao extraordinário desenvolvimento atingido por seus distritos industriais, e também pela política pública regional inovadora em relação às pequenas e médias empresas. A alta taxa de exportação, os elevados salários, o pleno emprego e melhoria do nível de vida resultante de um sistema produtivo baseado em PME's, tem gerado numerosos estudos sobre o chamado "Modelo Emiliano".

Sem dúvida, esse modelo não se baseia apenas num sistema produtivo de pequenas e médias empresas, mas também numa singular combinação entre um governo progressista, integração social e de êxito empresarial. É a partir daí que surge o elemento inovador, enriquecedor do sucesso obtido pela região. Tanto isso é verdade que, ao verificar o rápido crescimento econômico obtido pela região de Emilia-Romagna, onde havia considerável concentração de pequenas empresas, BECATTINI (1992) logo retomou o conceito de "economias externas" marshallianas (dos distritos industriais ingleses, do século XIX) para adaptá-lo ao caso italiano (no século XX , anos 70), isto é: "O distrito industrial é uma entidade socioterritorial caracterizada pela presença ativa de uma comunidade de pessoas e de uma população de empresas num determinado espaço geográfico." (BECATTINI, 1992).

A partir de então, vários estudos se sucederam sobre esse tema, todos eles identificando mais e mais fatores para explicar o fenômeno ocorrido no sudeste italiano, que foi batizado, por BAGNASCO (1999), de "Terceira Itália", como forma de indicar o desdobramento do tradicional dualismo italiano entre o Norte desenvolvido (Primeira Itália) e o Sul atrasado (segunda Itália) .

O fenômeno do "desenvolvimento econômico local focado em distritos industriais" ocorrido na Itália despertou particular interesse dos observadores internacionais, e vários outros distritos foram identificados na Europa e em outros continentes, como por exemplo: Vale do Silício, na Califórnia; Vilarejos do Cholet, Vale do Rio Arve , Oyonnax e Thiersna, na França; Baden-Württemberg, na Alemanha, Vale dos Sinos, no Brasil (RS), etc.



Com efeito, o modelo dos distritos industriais tomaram vulto extraordinário pelos pesquisadores desenvolvimentistas, colocando em dúvida a eficácia dos antigos modelos macroeconômicos de desenvolvimento para as sociedades ocidentais, principalmente, para os países periféricos, muitos dos quais já começaram a mudar suas políticas públicas de desenvolvimento sócio-econômico, replicando o modelo dos distritos industriais italianos de acordo com as suas próprias particularidades.

Por último, resta saber "em que medida o modelo de desenvolvimento econômico local baseado em distritos industriais pode ser transplantado para a realidade brasileira". Eis uma questão sobre a qual não existe consenso entre os economistas de várias matizes ideológicas no Brasil.

Avalie este artigo: Current: 0 / 5 stars - 0 vote(s).

Fonte Artigos Gratuitos Online - Artigonal.com

Imprima este Artigo Imprimir artigo   Envie o Artigos a um amigo Enviar a um amigo   Publique este Artigo no seu site Publique este Artigo   Mande mensagem ao Autor Mensagem ao autor  
Hélio Barbosa HissaPerfil o autor:

Doutorando em Desenvolvimento Regional – UNISC /RS; Mestre em Economia UFC / CAEN; Especialista em Planejamento e Desenvolvimento Econômico – UFC / CAEN; Graduado em Economia – UNIFOR / CE.
E-mail: helio-hissa@hotmail.com

Submeter artigos se tornou um dos meios os mais populares de gerar links de qualidade e tráfego para o seu site. CADASTRE-SE JÁ, É DE GRAÇA!

Comentários

Comente este artigo Comente este artigo
Nome
E-mail:
Comentário
Digite o código de segurança: Captcha


Últimos Finanças artigos

A Invasão Chinesa
Por: Daniel Miranda Soares | 23/04/2008
O modelo econômico asiático em confronto com o modelo econômico dos países da América Latina

Evolução Capitalista No Tratamento Funerário Contemporâneo
Por: Adalberto Borges de Carvalho | 16/04/2008
O presente artigo tem por objetivo comentar as principais mudanças sócio-religiosas em relação à morte, a partir de um apanhado crítico econômico voltado as principais mudanças das sociedades humanas quando se deixaram envolver pela corrida do capitalismo e sua influência no tratamento dos mortos e na conduta religiosa tomada pela Igreja em relação a evolução cultural do culto funerário.

A Evolução Do Agronegócio Na Economia: O Caso Das Usinas De Açucar E Álcool
Por: Henrique Ronne Grodiski | 14/04/2008
Em pauta nas reuniões dos líderes mundiais o aquecimento global e busca por energias alternativas com o encarecimento do petróleo e seu esgotamento nos próximos anos o Brasil entra no cenário mundial como a grande potência energética através do desenvolvimento do etanol e biodiesel. Na busca de soluções que contribuam para a melhoria ambiental e redução do aquecimento global e devido às características geográficas do do País o setor sucroalcooeiro ganha Notoriedade na economia.

Na Gestão De Carteiras De Investimentos, O Gestor Não Faz Milagres!
Por: RODRIGO RORATTO | 26/03/2008
Ao empregar o capital próprio ou de terceiros em uma carteira de investimentos, o investidor deve estabelecer uma sintonia de informações com o gestor da referida carteira. E para isso, necessita saber qual é a sua expectativa real para cada tipo de investimento.

A Força Do Setor De Serviços No Brasil
Por: Paulo Pandjiarjian | 11/03/2008
A CEBRASSE – Central Brasileira do Setor de Serviços – organização na qual tive a satisfação de ter sido o primeiro Diretor Executivo – lançou, em dezembro de 2007, o Anuário Brasileiro do Setor de Serviços, o mais completo indicador econômico do Setor de Serviços, que congrega no país mais de 60 mil empresas e cerca de 70 atividades responsáveis pela geração de, aproximadamente, 8 milhões de empregos formais.

ECONOMIA LEGAL PARA AS EMPRESAS
Por: RODRIGO RORATTO | 01/03/2008
O PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO É UMA DAS ALTERNATIVAS MAIS EFICIENTES PARA UMA GERAÇÃO DE ECONOMIA NAS EMPRESAS E PARA IMPULSIONAR UMA VANTAGEM COMPETITIVA NO MERCADO. POR ISSO, O EMPRESÁRIO, O DIRETOR OU GERENTE DE QUALQUER NATUREZA E O ADMINISTRADOR DE EMPRESAS DEVEM UTILIZAR ESSA FERRAMENTA PARA QUE CONSIGAM REDUZIR OS CUSTOS DA EMPRESA SEM BURLAR A LEGISLAÇÃO BRASLEIRA.

NEOLIBERALISMO, GLOBALIZAÇÃO, PLANO REAL, DESEMPREGO E EXCLUSÃO SOCIAL
Por: Hélio Barbosa Hissa | 28/02/2008
O presente trabalho tem por objetivo primordial demonstrar que o desemprego brasileiro ocorrido a partir do primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso, e que se perpetua até hoje, deveu-se especialmente à política econômica neoliberal, instituída em 1989 no chamado Consenso de Washington, imposta aos países latino-americanos no sentido de sustar o processo inflacionário, mesmo que isso tivesse como conseqüência imediata o crescimento do desemprego.

ANÁLISE COMPARATIVA DE JOHN MAYNARD KEYNES E SEUS ANTECESSORES
Por: Ágatha Sthefanini Silva Ferreira | 26/02/2008
Na intenção de concatenar idéias a ponto de vislumbrar John Maynard keynes como divisor d’água para o desenvolvimento da economia mundial, essa resenha foi divida em parágrafos com as teses dos destacados pensadores antecessores de Keynes juntamente a antítese de keynes a cada uma delas.

Mais artigos de Hélio Barbosa Hissa

NEOLIBERALISMO, GLOBALIZAÇÃO, PLANO REAL, DESEMPREGO E EXCLUSÃO SOCIAL
Por: Hélio Barbosa Hissa | 28/02/2008 | Finanças
O presente trabalho tem por objetivo primordial demonstrar que o desemprego brasileiro ocorrido a partir do primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso, e que se perpetua até hoje, deveu-se especialmente à política econômica neoliberal, instituída em 1989 no chamado Consenso de Washington, imposta aos países latino-americanos no sentido de sustar o processo inflacionário, mesmo que isso tivesse como conseqüência imediata o crescimento do desemprego.

Categorias do Artigo






Webmasters

Leitor de RSS
RSS
Links

Business Info

Anunciar