A Influência Da Linguagem No Processo Decisório
1. Introdução
Se algo pode e deve ser dito em relação à eficácia das decisões administrativas, que envolvem definitivamente toda a gama de profissionais, é que o instrumento principal do indivíduo enquanto sujeito que pensa e decide, para comunicar-se é a palavra. As decisões dependem fundamentalmente da urgência e da importância que requerem.
Muitas decisões geram efeitos nas vidas das pessoas, através de procedimentos escritos ou não. O sujeito determinante desta relação, não apenas decide, mas delega competência no sentido de que suas ordens orientem toda a trajetória do processo. Quem decide divide a decisão com quem a segue. Decisões podem ser pensadas na forma de opções, de possíveis soluções de problema, pela comparação de prós e contras e de certa organização para implementá-las. Um problema grave no exercício de uma função de comando sem sombra de dúvidas, é a ineficiência da comunicação na resolução de conflitos que prejudicam o processo produtivo, muitas vezes pela falta de comunicação oral ou escrita, apresentando problemas na compreensão da mensagem. É necessário um discurso que antecipe a ação do sujeito e que seja ele compatível com as expectativas desejadas, fazendo a coisa certa, errada, ou deixando de fazê-la simplesmente.
Decorre então, que para antecipar o discurso que se pretende, busca-se nos planos estratégicos, não ignorando os diferentes níveis hierárquicos e as relações de subordinação, uma forma de superar expectativas, que pode ser oferecida pela avaliação de resultados. A superação de uma fase da atividade produtiva, seja ela intelectual ou não, pode ocorrer através do auto-conhecimento da necessidade de mudanças, convencimento e retomada de objetivos. Quando as mudanças são impostas, sem considerar aqueles a cujos efeitos a decisão afetará, ocorre resistência, oposição e acomodação. Daí se encontrar espaços para explorar os fatos que ocorrem durante estas formas de produção discursivas, apontando a necessidade de avaliar o processo decisório, especialmente primando pela economia de tempo. Este é um aspecto fundamental para as decisões que são urgentes, na perspectiva da relação causa-efeito. O plano estratégico se processa através do conhecimento e estabelecimento de diretrizes e políticas de um determinado momento histórico, formalizado através de uma mera convenção entre pessoas daquilo que se diz, ou por uma documentação que cristaliza as intenções dos envolvidos. Apurar responsabilidades daqueles que sugeriram ou apontaram decisões ineficazes com efeitos negativos para as organizações é conseqüência última do processo decisório. Ou ainda, colher os bons frutos de decisões bem tomadas cujos efeitos se revertem em benefícios no plano das organizações são algumas vezes considerados oriundos de atos heróicos, ousados e arriscados. A avaliação de vantagens e desvantagens faz parte de um prévio conhecimento dos pontos favoráveis e desfavoráveis de uma decisão. Neste ponto, a modernização tecnológica pode facilitar e filtrar as decisões no âmbito das organizações.
Ainda que nos grupos sociais, os meios de comunicação de massa tais como o rádio, a televisão, a Internet, telefones celulares, agilizem e facilitem a acessibilidade à informação, existe o fator interesse, ou seja, a quem a mensagem se dirige e em que linguagem.
Detecta-se uma relação entre linguagem e produtividade nas instituições sociais, fatores que influenciam na execução das tarefas, quer positivamente ou não, visto que desvios das decisões em função da má interpretação da linguagem empregada nos discursos, em razão da falta de clareza do emissor, são sempre uma possibilidade, de onde decorre a necessidade de estudos nos campos da ética e da linguagem usando como instrumento a análise do discurso. Igualmente os ruídos na comunicação podem impedir que o significado das mensagens sejam decodificadas efetivamente pelo receptor.
O fato é que algumas decisões se tornam desafios difíceis a serem transpostos, de onde se presume que o tomador de decisões deve reunir competências tais como conhecimento e experiência para dirimi-los. Do contrário, será fatalmente condenado a arcar com as conseqüências oriundas dos efeitos causados por elas. Decisões bem preparadas são mais facilmente implementadas e monitoradas, produzindo bons resultados.
2. METODOLOGIA
Procura-se evidenciar através de levantamento bibliográfico, as implicações da linguagem utilizada no processo decisório e discutir a sua relevância num contexto sócio-psico-lingüístico. Vale-se de estudo de caso bem como método explicativo e exploratório. Para Babbie (1999) há técnicas para se estudar o objeto da pesquisa, pela definição das unidades de análise . Neste caso, as empresas e os indivíduos são focos de análise. Escolheu-se um bairro de Curitiba, Cabral, e buscaram-se algumas empresas nele situadas, optando-se pela escolha arbitrária de profissionais ligados à administração e linhas de gerência, como sujeitos significativos. Aplicaram-se questionários com questões fechadas. Após decodificar os dados, interpretam-se qualitativamente os mesmos e apresentam-se resultados.
3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A linguagem humana possui ligações com o pensamento assim como expressão e comunicação. Historicamente, a raça humana desenvolveu o reconhecimento dos elementos que compõe sua existência dando nomes para tudo que o cercava, como por exemplo, plantas, animais, pessoas, objetos, fenômenos, lugares, movidos por estímulos externos e internos. Nos tempos modernos, os estudos sobre a linguagem começaram com a Frenologia , de Gall, que procurou uma localização cerebral para a Linguagem. A inteligência humana permite assimilar cheiros, sensações, emoções, que precisam aparecer, embora às vezes se reprimam, impactando sobre o outro, de onde surge o conceito de personalidade, ou seja, a projeção de qualidades refletidas na vida social e na realização individual. Os conceitos que temos sobre o que é bom e ruim, assimilados em nossa existência imprimem traços em nossa personalidade e que nos torna diferentes, quando a projetamos e aprendemos com o outro a reconhecer aquilo que somos ou não somos, visto que emitimos opiniões, julgamentos, dados pela transmissão e recepção de significados que partilhamos.
A censura social, seja ela legal ou moral, as repercussões no âmago da sociedade, a maneira como a mentalidade coletiva se processa, as proibições em si, configuram formas discursivas diversas. Lembre-se da experiência de Adão e Eva, na recusa da ordem divina, ao consumir a maçã, ao experimentarem o fruto proibido, movidos talvez pela curiosidade do que aconteceria a partir do ato desobediente (A noção de certo e errado caminha com a humanidade há muito tempo, servindo o discurso religioso como marca do discurso da proibição e de censura (MACHADO, 1962, p.13-14)).
A razão teria surgido da emoção e da ação através de denominações imitativas e descritivas. Estudiosos se inspiraram na compreensão dos gestos. Portanto, admite-se a linguagem dos gestos, das palavras e dos atos, de símbolos, na dinâmica do meio social. A atribuição de significados aos sons, impregnados de afetividade, dependentes do contexto, permitem o entendimento do comportamento a partir da consciência do que representam, quando alcançados pelos sentidos. Logo, uma vocação humana pelo uso da palavra (PENTEADO, 1993, p.31-58).
Entre muitos dos quesitos que podem a primeira vista ser considerados a respeito do tema, tem-se que, romper o silêncio exige uma relação dialógica, ou seja, dizer para alguém ouvir. Este outro alguém quebra a unidade individualista e a transforma em relação interativa ou grupal. A palavra grupo, é algo semelhante ao que a lógica da linguagem chama de expressão ocasional – isto é, um lugar vazio que, segundo o contexto de cada ocasião, se enche de diferentes significados. O tema mereceu atenção no ponto de vista de teóricos, tais como o evolucionista Herbert Spencer, Gestalt, Vierkandt, entre outros.
A comunicação responde a funções objetivas, existindo na linguagem uma força que viabiliza o relacionamento entre pessoas e define a estabilidade do mesmo, através de gostos, tom de voz, simpatia, interesse sobre o assunto do qual se fala, do lugar onde o discurso é articulado, de onde surge a lição de Ansoff, de que este desempenho combinado é superior à soma das partes envolvidas no processo, fenômeno este conhecido como “sinergia”, o que faz melhorar as condições dos atos comunicativos, clarificando os canais, estabelecendo sistemas eficientes de coordenação, gerando respostas mais imediatas e reduzindo substancialmente os custos de determinado empreendimento. O grupo manifestará o entendimento dos processos fundamentais de comunicação-produção, disseminação, aquisição e processamento (consumo) – as estratégias e táticas, posicionando estes resultados de acordo com os planos intrapessoal, grupal ou coletivo. Um circuito sinérgico potencializa a eficácia da comunicação empresarial (TORQUATO, 1986, p. 44).
Decisões enquanto isoladas, podem não ter efeitos positivos ou efetivos, visto que não representam uma consciência coletiva. Cabe admitir que a cultura implica num assujeitamento ideológico daqueles a quem a linguagem se destina. A linguagem existe enquanto manifestação da cultura de um grupo através das Artes, da Música, Literatura, História, Filosofia, Biologia, Geografia, por exemplo, no auge das manifestações intelectuais que podem ser entendidas na diversidade de suas formas de expressão (LINTON 1976, p.61 a 77).
O estudo da função é principalmente importante na compreensão da cultura. O grupo foi originariamente estudado, no que diz respeito à função cultural, pela escola francesa em parte pelo uso de uma terminologia peculiar pelos funcionalistas. Possui postulados sobre a natureza da sociedade que não são completamente aceitos. Assim, discutem-se os vários aspectos, quanto ao “porque” das coisas.
Observe-se a forma como as conversações diárias são persuasivas e imprimem comportamento em toda a sociedade. Pelos hábitos de consumo, onde a estratégia reside no convencimento das pessoas para que consumam bens e/ou serviços tendo-se o telemarketing como exemplo.
A idéia de lucro é uma característica marcante para determinar o comportamento dos produtores tanto no sentido da produção como de consumo. Observa-se o desempenho estratégico das atividades de marketing, que determinam o sucesso ou o fracasso de determinada política de apresentação de produtos no mercado, a fim de que possa seduzir o consumidor e fazê-lo consumir. O marketing transformacional proporciona ao cliente a escolha dos produtos pela Internet, ou seja, uma verdadeira pesquisa de preços, antes de sair de casa, onde o consumidor efetivamente tem chances de estar escolhendo o produto que lhe agrada e pelo preço mais consistente. Porém, impossibilita a manipulação do produto no ato da compra. Desta forma, a logística possibilita a circulação dos bens e serviços em sociedade atenuando os problemas urbanos ou de acesso aos bens, além de propiciar a acumulação de estoques (DRUCKER, 1975, p. 523).
Há que se considerar, no entanto os perigos da receptação, qual seja, a compra de produtos furtados ou roubados, pelo computador. Outro fator a ser considerado é que a exclusão digital ocorre entre aqueles que não tem habilidades ou condições financeiras para utilizar os computadores, logo, são os consumidores que vão às ruas buscar o que precisam.
A função da organização, sociedade, empresa, ou entidade é tornar-se produtiva, a ponto de considerarmos úteis os resultados obtidos pelos seus esforços, para produzir o que atende as suas reais necessidades, ainda que sem o objetivo único de lucro. Nos EUA fala-se em scientific management, onde a substituição de elementos vitais para a produção do que se espera, pode ser obtida através de outros meios, que não os previamente selecionados. Alguns destes instrumentos são, o balanço patrimonial das empresas, os planos de negócio, os fluxos de caixa, os contratos administrativos, entre outros.
Também nossas atitudes, embora figurativas ou simbólicas, são suscetíveis de análise, e ponderadas de forma adequada ou não, assim como um traje, ou produto que componha nossa existência, nos personaliza, e nos dá sentido, através da composição de uma identidade que nos constitui como indivíduos de uma sociedade.
Pela vestimenta do indivíduo, também é possível inferir os materiais de sua confecção associados com o lugar onde se vive, assim como a propriedade dos mesmos para as estações do ano e até mesmo o status que o uso de certos materiais representam na confecção dos trajes, como a seda, a lã, as peles, as fibras sintéticas, penas, sementes, metais, pedras, por exemplo. Tem-se como definir a posição do indivíduo dentro da instituição, cujos objetivos organizacionais são expressos através de linguagem própria e que imprime nela igualmente, sua personalidade, e em cuja linguagem de seus dirigentes, pode-se definir a forma como a administração se processa (LINTON 1976, p 402 ss.).
Há que se pensar no efeito da linguagem nas atividades expressivas, da sua circulação em sociedade, expressando através do discurso a intercomunicabilidade das habilidades humanas e comportamento, bem como as ideologias.
A interferência nas decisões, em função da falta de domínio do idioma de referência, nas relações humanas, considerando padrões étnicos e diversidade cultural é outro fato social relevante. Uma nova linha de serviços se coloca no mercado, ou seja, aquela que facilita o acesso ao produto e minimiza os efeitos negativos da linguagem explicativa sobre o uso do mesmo, especialmente na linha de produtos importados, com manuais traduzidos em várias línguas ou ainda os modernos tradutores eletrônicos simultâneos. Esta é uma questão ainda polêmica em face aos deslizamentos de sentido decorrentes das traduções, algumas vezes impondo dificuldades à utilização dos produtos.
A precisão da linguagem de comando, torna-se uma necessidade em face a uma transformação social guiada pela eficiência dos meios de produção, bem como o processamento das ações desencadeadoras de resultados em organizações especialmente pelo grau de complexidade das mesmas. As decisões devem ser tomadas independente de estarmos prontos ou não, o que sugere pressão social o que muitas vezes inibe a ação até que uma opção coerente tome lugar, o que requer ética, cidadania e coerência. Neste processo, tem-se o emissor (o que promove a comunicação); a mensagem (o que se pretende transmitir, considerando, o objeto, o foco, a abordagem, o objetivo, o conceito e o tema central); Quanto à forma observam-se modalidades de comunicação existentes que constituem um mix de instrumentos de comunicação disponíveis ao gestor em situações diversas, de massa (várias pessoas) ou segmentadas (algumas pessoas). Quanto aos meios, observam-se os vários mecanismos midiáticos e por fim, o receptor ou públicos-alvos (público interno (os membros da organização), público intermediário (todos os públicos envolvidos na distribuição do produto) e o consumidor (aquele a quem se pretende influenciar com o consumo do produto (OGDEN, 2007, p.14-16).
Outro aspecto importante no estudo da linguagem é a argumentação vista como obra resultante deste complexo movimento de composição discursiva expressa pela linguagem. Nesta composição, vemos que o indivíduo procura ajustar as inúmeras vozes que o compõem, procurando expor determinado fato, valendo-se da linguagem de seu domínio, para um público. Ou seja, pela argumentação. Pode ser entendida como organismo lógico, formado de várias proposições, das quais uma, (chamada de conseqüente ou conclusão) é inferida de outras (chamadas premissas ou antecedentes), de onde decorre o nosso interesse, ou seja, na relação de inferência, que possibilita o amadurecimento da decisão, como fruto de um processo silogístico, uma vez que consiste, essencialmente em inferir ou deduzir uma proposição de um antecedente, que faz ver (em um terceiro termo) a razão ou o meio pelo qual os dois termos dessa proposição devem ser unidos um ao outro. O silogismo constitui um forte traço na definição da linguagem quando no transcurso do processo decisório (GOLFREDO, 1967, p. 206 ss.).
Muitas vezes, induzem as pessoas a decisões totalmente equivocadas e difusas. A exemplo temos o trocadilho: “Deus ajuda quem cedo madruga”. Quem cedo madruga dorme em outro período. Quem dorme em outro período, dorme menos a noite. Quem não dorme a noite gosta de vida boêmia. Logo, Deus ajuda os boêmios.
Há que se ter em mente, que decidir não é meramente um exercício intelectual, segundo Peter Drucker, porque exige visão, muita energia, e recursos de organização para uma reação realmente efetiva e eficaz (DRUCKER, 1975, p.512).
Todo movimento corporal é resultado de certo número de reações musculares coordenadas e reciprocamente interdependentes, que podem ser estudadas individualmente. O grupo se comporta da mesma forma, pelo desencadeamento de reações, estimulado pelas necessidades. A função é uma qualidade dinâmica do complexo, juntamente com o uso, termos que tem sido empregados como sinônimos, diferenciado, porém na prática. Exemplo, instrumento e utensílio. Não foram poucos os que tentaram abstrair dos ensinamentos físicos, biológicos e químicos, explicações para os fatos sociais, como por exemplo, a escola fisiocrática de Quesnay, cuja análise se fundamenta no estudo do funcionamento das estruturas sociais, comparado à circulação do sangue. O que se observa aqui são abstrações com fonte semelhante. O conceito de função está intimamente relacionado com a idéia de grupo, porque os papeis são definidos na medida em que o mesmo se constitui.
Admite-se que há políticas – ação – procedimentos e métodos, tendo a linguagem como instrumento de execução dos mesmos. O planejamento aplica-se a todas estas esferas de poder, uma vez que as políticas servem para indicar a estratégia geral pela qual esses objetivos serão alcançados. Os procedimentos são os vários meios pelos quais os atos administrativos seguem seu caminho no transcurso das medidas necessárias ao exercício de determinada tarefa e o método, a descrição de como uma determinada fase do procedimento deve ser concluída. (KAZMIER, 1973, p.83).
A linguagem é também uma forma de articular o poder. Exercido pelo homem, pode ocorrer o abuso da ação decorrente entre comandantes e comandados, autoridades e submissos a elas. Trata-se do desrespeito ao limite do outro no processo comunicativo. O abuso da palavra refere-se aos momentos em que as pessoas que exercem as funções de comando, extrapolam os seus limites de atuação, causando situações de desconforto e humilhação para com seus subordinados ou sujeitos passivos nas relações sociais (KENNARD, 1993, p. 91 ss.).
A linguagem é elemento que define o comportamento humano, e que pressupõe uma variedade de conflitos inerentes à comunicação, especialmente no que diz respeito às diferenças étnicas, a ponto de se observarem implicações teleológicas na comunicação humana. Larry Selinker refere-se a estes fenômenos como distorções da linguagem, sejam eles individuais, ou coletivos e merecem consideração (ELLIS, 1973, p.31) .
Os problemas de comunicação são comuns nas relações humanas. A comunicação eficiente é importante para a execução de um programa planejado e igualmente necessário para a informação sobre o desempenho do subordinado para verificar se os objetivos planejados são alcançados. O processo da comunicação, bem descreve a trajetória da ordem, na formulação de seus postulados, quando de um lado posiciona o sujeito que a elabora e o que a recebe, daí a importância de estudos sobre semântica para compreender a lógica na linguagem (HENRY, 1971, p. 425 ss.).
Algumas vezes, a falta de comunicação impede um relacionamento saudável quando não há oportunidades para as partes envolvidas de resolverem conflitos inerentes a falta de compreensão das mensagens. O líder deve possuir esta capacidade de dirimir conflitos de linguagem, sob pena de colher resultados indesejados no seu processo de gestão de idéias, projetos, planos, programas e/ou políticas. A velocidade na emissão da mensagem pode prejudicar a sua clareza, ou levar as pessoas ao desinteresse (NIVEN, 2002, p.107).
A comunicação humana sendo individual, é afetada pela personalidade que é fonte da mesma e a linguagem o instrumento. Os obstáculos na comunicação se dão por estes dois motivos, seja pela personalidade ou pela linguagem. A primeira hipótese refere-se aos preconceitos, educação, hereditariedade, meio, experiências individuais, estado fisiológico e emocional. A segunda refere-se aos obstáculos como confusões entre fatos e opiniões, inferências e observações, descuido com palavras abstratas, desencontros, indiscriminação, polarização, identidade baseada em palavras, polissemia e barreiras verbais. Analisando individualmente estas considerações, tem-se que um fato é ação ou coisa feita e opinião é modo de ver. Deve-se diferenciar inferência de observação. Inferir é deduzir pelo raciocínio. Uma inferência pode ser feita a qualquer momento, sem limites, e por qualquer pessoa. Já a observação, somente depois de observada, dentro de certos limites, feitas apenas pelo observador. São mais próximas da certeza do que as inferências das probabilidades. Quanto ao descuido com palavras abstratas, tem-se que cada uma pode endereçar a diferentes significados, como por exemplo, a palavra “paz”. Quanto aos desencontros, tem-se que nada chega ao intelecto sem passar primeiro pelos sentidos. Existe uma linguagem subjetiva (dos sentimentos e outra objetiva (da razão). Os desencontros se dão quando o significado das palavras não é compartilhado. Ou seja, palavras iguais significam coisas diferentes e palavras diferentes significam coisas iguais (Ex: posto (policial, de gasolina, função militar) e: erro falta, deslize). Indiscriminação relaciona-se aos clichês como retratos gravados em nossa mente na forma de evocações, ou seja, uma reação mental a cada momento. A polarização refere-se às opções que se apresentam no enunciado (Ex. Ou aceito ou recuso). A comunicação humana não procura harmonizar os extremos, mas sim que não negligencie os intermediários. A falsa identidade baseada em palavras, refere-se aos silogismos, e ao poder de conduzir o receptor a um entendimento que ameaça o verdadeiro significado das coisas, dos atos, das situações e das pessoas (Ex. como todos temos características comuns, pode-se atingir um público muito amplo, em que muitas pessoas se acharam inclusas na mesma mensagem). A polissemia refere-se às diversas significações que uma palavra pode assumir. A palavra é mensageiro da inteligência, mas pode enganar mesmo quando se esforça para expressar o pensamento. A palavra engana porque a linguagem é um método puramente humano de comunicação de idéias, emoções e desejos, por meio de um sistema de símbolos produzidos voluntariamente. Ou seja, engana porque não significa, apenas representa quando as pessoas usam da mesma. Quanto às barreiras verbais, deve-se evitar palavras que propiciam conflitos e lutas, antagonismos, incompatibilidades, como por exemplo “não”. Por fim, os vícios de linguagem admitem barbarismo ( Menu ao invés de Cardápio), solecismos ( Fazem muitos anos...), ambigüidade (Ele prendeu o ladrão na sua casa). Referem-se à perturbações da fala por motivos fisiológicos e/ou culturais. A correção da linguagem se dá pela clareza (qualidade do que se faz compreender) , concisão (eliminar o supérfluo) e precisão (eliminar os excessos).
Analisando especificamente os problemas de linguagem, a começar pela auto-suficiência, diz-se que não se pode saber tudo sobre alguma coisa, ou tudo quanto existe sobre o assunto. O congelamento das avaliações refere-se a questão de que duas pessoas não concebem a mesma idéia ainda que usem a mesma palavra. Também os aspectos objetivos e subjetivos do comportamento humano, ou seja, a maneira como sou visto pelos outros. O “geografite” fato em que o indivíduo se impressiona mais com os mapas (sentimentos, imaginações, palpites, hipóteses, pressentimentos, preconceitos e inferências), do que com os territórios (objetos, pessoas, coisas e acontecimentos). Outro aspecto é a tendência à complicação. É possível simplificar as coisas, achando respostas simples (PENTEADO, 1993, p.67-154).
Ainda com relação à subjetividade da linguagem, admite-se que há uma motivação para expressar nosso pensamento ou para entendê-lo, assim como a possibilidade de repetir o discurso assimilado considerando a ação que o coloca em movimento, e a possibilidade de repetição do mesmo entre um ou vários indivíduos dependendo da utilidade do mesmo. Este alinhamento de discursos pode contribuir para o desenvolvimento de competências ou habilidades, ou ainda influenciar o comportamento das pessoas de acordo com a interpretação que fazem sobre os enunciados que recebem.
Curiosamente, notifica-se que o cientista e matemático russo Markow procurou entender a seqüência de eventos e a análise de tendências de um evento seguido de outro, considerando que alguns eventos são conseqüência dos que surgem previamente mas outros não. Como por exemplo: Ontem choveu, portanto, hoje choverá. É possível, no entanto, analisar que ainda que chuvoso, o dia manteve-se com sol ou sem chuvas por determinado instante. Se estes momentos se prolongarem, significa que dias melhores poderão vir. Logo, as probabilidades podem ser admitidas a partir destas possibilidades. De modo mais simples, se vai chover, devo levar guarda-chuva. Se não levá-lo poderei ficar molhado. Este interesse demonstrado por Markow permite entender a busca humana pela lógica do raciocínio, dedutiva ou indutivamente, reforçado por recursos matemáticos por ele desenvolvidos. Uma fórmula pode resolver estas expectativas de maneira eficiente.
Outro aspecto a ser considerado é o tipo de linguagem usada pelo indivíduo no processo decisório, ou seja, oral ou escrita. Normalmente os discursos que orientam as decisões podem ser unilaterais, decididos pelos diretores, gerentes, chefes de seção, ou grupais. Neste último caso, pressupõem verbalização dos procedimentos para que processualmente a decisão seja tomada, pela discussão dos objetivos e metas traçados pelos membros de um grupo de pessoas. Logo, a oralidade é uma qualidade imprescindível. Mas, as decisões podem ser apenas comunicadas e não discutidas, tanto oriundas de indivíduos unilateralmente ou pelos grupos. E ainda, podem ser comunicadas por escrito ou oralmente. Em ambos os casos – escrita ou oral - a linguagem é tida como arte.
Especialmente a História nos possibilita a releitura dos fatos ocorridos, pelos relatos e documentos que foram produzidos ao longo dos tempos permitindo ao leitor inteirar-se do processo civilizatório em qualquer tempo. Como esclarece Penteado (1993), a linguagem escrita sucede à linguagem oral. Onde a escrita não comparece, há que se considerar a tradição dos discursos transmitidos por memória individual e social, isto porque na impossibilidade de aprender as línguas nas quais os textos foram trabalhados, admite-se uma civilização mítica, que se expressava através de desenhos, assim mesmo, excluindo muitos da interpretação de seu significado. Logo, assim como a palavra falada requer o pensamento e facilita a memória, a palavra escrita fixa e conserva a linguagem. Porém, há uma tendência à crítica dos meios de comunicação quanto à linguagem utilizada pelos veículos de comunicação de massa, como o rádio (oralidade), a televisão (oral e visual) os jornais revistas e livros (escrita e visual) e modernamente a Internet (visual, escrita e oral). São fontes discursivas impregnadas de sentidos dados pela linguagem, que requerem raciocínio lógico, analítico, descritivo, crítico, portanto de grande complexidade.
Na lógica das relações humanas, encontra-se a liderança e o pressuposto da construção da autoridade e alteridade e nas relações em grupo. Lembrem-se as palavras bíblicas: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13) . Quem fortalece a quem e por que razão? O indivíduo se sente fortalecido em suas convicções porque alguém superior a ele orienta suas ações. Observe-se que o líder possui a habilidade de persuadir através das palavras falada, o que vem a ser chamado de domínio da retórica. Esta habilidade desenha e constrói a sua reputação. As posições de liderança requerem posturas próprias. O dirigente precisa tornar-se um planejador, um pensador, cuja mente está trabalhando com a devida antecedência, e ainda assim precisa certificar-se de que as operações atuais estão se realizando a contento. Esta habilidade de manipular informações em períodos diferentes, chama-se administração bifocal sendo de difícil aquisição. Quando não consegue agir desta forma, entra em crise, por falta de modernização dos métodos de controle da realidade a exemplo nas relações empresariais que administra (ROSSETI, 1975, p.57 ss.).
No processo de análise da elaboração da decisão há que se considerar, a avaliação dos elementos básicos do processo, a exploração das vantagens e desvantagens das decisões em grupo, desenvolvimento das estratégias para melhoria daquelas que são tomadas definindo estilos básicos de decisão e avaliação de resultados práticos. Logo, a linguagem, tanto numérica como verbal, constitui-se por si só, a matéria prima de tudo o que pode decorrer deste trabalho (JOHNSON, 1978, p.44).
Países como os Estados Unidos e o Japão são considerados modelos no estabelecimento dos planos estratégicos. A exemplo, temos personagens como Taylor, na divisão do trabalho e Max Weber, na questão burocrática sendo teóricos preferidos nos estudos da Harvard, apontados por Elton Mayo e Chester Barnard, cuja conclusão se resume na valorização do ser humano nos seus limites, suas forças e possibilidades (PETERS, 1982, p. 03 ss.).
Considerando os modelos de Administração, a característica mais evidente da administração japonesa é a decisão pelo consenso e sua horizontalidade. É de costume que os administradores japoneses discutam uma decisão proposta em toda organização até que se chegue a um consenso ou acordo sobre ela, no entanto fechando-se para todo tipo de influência, inclusive a doutrina social cristã, acabando com todo e qualquer contato com o mundo exterior, o que lhe imprimiu uma personalidade própria durante 250 anos, se abrindo posteriormente para o ocidente através da restauração Meiji de 1867. Destaca-se no âmbito empresarial, pois que imprimiu e desenvolveu um enfoque sistemático e padronizado para tornar decisões e por isso tendem a ser eficazes. A decisão japonesa fundamenta-se através de consenso de opiniões, fruto da discussão conjunta. Uma decisão é um julgamento. É uma escolha do que é considerado certo ou errado. A discordância é parte integrante deste processo. Não há uma forma única de decidir corretamente. O responsável pela tomada de decisão, a toma ou não, uma vez que não existem meias medidas, quando muito o repensar das mesmas.
A temática da liderança é relevante para o estudo da linguagem, especialmente o comportamento dos executivos durante o processo decisório. Esta análise envolve tempo. Existe uma necessidade emergente de ajuste às realidades, especialmente no que diz respeito ao processo decisório, e o movimento dos executivos em direção à organização. Fatos negativos e positivos desta experiência presumem diferentes formas de introduzir racionalidade ou limpeza na tomada de decisões, logo, consideram-se os efeitos da linguagem na argumentação, admitindo que o executivo possa “dar cotoveladas” na direção desejada, e até certo ponto controlar o seu curso (PETERS, 1979).
Uma das considerações freudianas refere-se aos atos falhos. Ou seja, a produção da linguagem indesejada, geradora de conflitos, que surgem com freqüência, e seu público não ousa opor grande resistência em admiti-los. Freud, em seus primeiros escritos, coloca o fato de que há uma perturbação de uma intenção consciente, por uma representação antagônica do que se lhe infere. Logo, a decisão no seu caráter interpessoal, não é expressão daquilo que quem a informa pensa, mas daquilo que se torna necessário expressar em determinado momento histórico. Assim, há uma ilusão da objetividade, pois que o indivíduo muitas vezes pensa ser dono de si e de sua verdade, quando na verdade orienta-se por decisões coletivas, que muitas vezes não representam o que seus sentimentos refletem. Logo, é influenciável pela linguagem que o cerca, quer por fatores sociais, psicológicos, jurídicos, e/ ou econômicos.
Nota-se a necessidade da racionalidade quando o administrador coloca-se diante de uma situação que requer medidas novas, através de decisões rápidas e eficientes. Neste item o papel dos que exercem liderança pode ser discutido, na tentativa de dirimir os conflitos de interesses decorrentes de decisões tomadas unilateralmente às vezes, ou outros problemas típicos das linhas de comando, tais como hierarquia, procedimentos de rotina, e avaliação.
Uma forma dos conflitos de interesse surgirem é pelo boato. O executivo deve modificar as conseqüências que podem advir na organização a fim de que os mesmos não se constituam em discursos falsos comprometendo os objetivos da empresa ou entidade, visto que é uma das formas de corromper os sistemas, porque imprime comportamento, de onde decorre a necessidade de esclarecimentos (WHITAKER, 1973, p. 39).
A decisão no âmago das organizações segundo a teoria estática da empresa, é essencialmente matemática. Assim, a maioria dos problemas empresariais estariam sendo resolvidos de acordo com as confrontações de dados estatísticos de onde decorreriam todas as decisões. A importância da comunicação na tomada de decisões deve ser salientada, porque compreende que é uma atividade de cooperação exercida pelos executivos que ocupam cargos numa estrutura organizacional, que pode ser entendida pela transferência de informações de uma para outra pessoa, por meio de signos, sinais, ou símbolos pertencentes a um sistema de linguagem de compreensão mútua, devendo, pois se dar importância à elucidação de fatos que envolvem as rotinas administrativas das instituições de um modo geral (ALBERS, 1971, P.83).
Em se tratando de linguagem jurídica é observável o processo decisório, especialmente no Direito Penal. No Brasil, comparece o princípio do contraditório em que todas as provas devem ser esclarecidas para provar a culpa de um suposto criminoso ou criminosa, assim como o princípio da ampla defesa, garantindo a todos os cidadãos a devida representação por um advogado quando acusados por um crime. Ao analisar a conduta punível, tem-se que um dos temas que mais chamam a atenção é o do resultado. Daí decorre a teoria da equivalência, defendida por Von Buri, e como precursores Berner, Haelschner e Koestlin. A teoria surgiu apenas com Glaser. É também chamada de conditio sine qua non. Fala-se na linguagem jurídica em evento, como acontecimento. A decisão decorre de uma necessidade que constitui a realidade a ser modificada, condição primordial para que seja levada a cabo. Suas repercussões na órbita jurídica, são extensivas ao social na medida em que a análise da relação causa e efeito, pode representar o que acontece no universo das decisões, avaliando os indivíduos em sua liberdade de agir, buscando a ponderação da linguagem utilizada, verificando a velocidade com a qual as informações se processam e as conseqüências destas manifestações discursivas, analisando a conformidade das mesmas com a lei e demais fontes imediatas do direito, reguladoras de direitos e deveres entre cidadãos, bem como as referidas leis que protegem a inviolabilidade e a integridade física e social do ser humano (FRAGOSO, 1961, p. 92).
Pode haver como harmonizar um conflito de interesses pelo diálogo. A conciliação decorre de aspirações sociais oriundas de mudanças decorrentes dos vários sujeitos no processo decisório, como forma de ponderar os interesses das partes envolvidas, de onde decorre a necessidade de se saber negociar, atentando principalmente para o aspecto de urgência na resolução dos conflitos de interesse. Para tanto é preciso saber quantificá-los e qualificá-los sem incorrer em conclusões consubstanciadas em projeções ultrapassadas a respeito de um fato, e acima de tudo, ampliando e consumindo o tempo e aumentando o esforço para alcançar determinado objetivo, de onde se tem como necessário, a precisão da linguagem pelo uso dos termos que vão consubstanciar a argumentação e subsequente decisão em torno de dada questão, caracterizando o emprego de linguagem clara e precisa adequada preferencialmente aos fins propostos.
É comum, hoje termos instruções muito claras e pessoal altamente capacitado para prestar informações via telefone, proporcionando um atendimento especializado e estudo de caso, no menor tempo possível. Nas mesmas relações, Internet e telefone principalmente, várias formas de conciliação são colocadas, na tentativa de dirimir conflitos de interesses, cujas decisões são estrategicamente delineadas através de inúmeros programas que prevêem o comportamento do consumidor e o atendimento de suas necessidades e expectativas em torno de determinado bem ou serviço, a exemplo dos canais 0800, ou na Internet o famoso link “fale conosco”.Atitudes responsivas dependem da eficiência dos meios de comunicação para tanto, no sentido de que a relação estímulo-resposta se processe, respeitando os prazos inerentes às partes, o que nem sempre acontece. Assim o silêncio de uma das partes pode representar uma aceitação passiva da outra, e esta relação de ir e vir nas decisões, deve se processar num clima de confiabilidade. Não são poucos os golpes dados na Internet pela manipulação de linguagem e decisões muitas vezes ousadas, que levam as pessoas a agir, impulsionadas pela idéia de consumo. Verdadeiros especialistas de fraude de sistemas, se estabelecem, manipulam contas bancárias, ou ainda por telefone, inúmeros crimes são planejados, constituindo o que chamamos de o lado negro “da comunicação”. São às vezes prepotentes, autoritários, porém muitas vezes necessários os discursos que se fazem nos contratos de prestação de serviços entre várias empresas[ de comunicação, e muitas vezes, ainda com lacunas, em face a constante modificação dos costumes em sociedade, o que causa surpresa ao consumidor ao constatar que muitas pessoas planejam o mal de outras, enquanto se crê no discurso de que muita gente pode ter sua vida facilitada e até mesmo salva pelo uso dos diversos meios de comunicação existentes em sociedade, cuja linguagem requer aprendizado, e a firme convicção acerca das decisões que a implementação dos mesmos em nossas vidas requer (ROSSETI, 1975, p.247).
Um outro aspecto interessante da influência da linguagem no processo decisório é a anamnese, ou seja o uso da linguagem na análise de pacientes na área de saúde, como por exemplo serviços médicos, farmacêuticos, odontológicos, em que o paciente responde a algumas questões preliminares que possibilitam ao profissional encontrar os sintomas e diagnosticar o cliente eficientemente, associando tratamentos e medicações aos casos analisados.
A indagação final diante do exposto seria se vivemos uma crise nas comunicações. A característica mais evidente da crise é a impossibilidade de negociar interesses, de onde decorre uma habilidade mais acentuada do gênero de pessoal, em termos de compreender as necessidades emergentes no âmago das classes trabalhadoras, de forma a ter conhecimento daquilo que é possível ou desejável e representar estes mesmos interesses coletivistas em reuniões executivas, a fim de não admitir que os interesses individuais se sobreponham aos coletivos, e ou a falta de ética nas relações humanas, através do uso de linguagens tendenciosas e de cunho meramente político – enquanto promessa -, e que muitas das vezes levam a mais conflitos do que os preexistentes. Este é realmente um papel importante e de muita responsabilidade requerendo autonomia para decidir aquilo que melhor represente os interesses das partes envolvidas (CELINSKI, 1982, p.43).
Outro aspecto é a religião, que pelo seu papel conciliador, faz com que as relações humanas especialmente as de trabalho sigam seu ritmo, - pois que obedecer já não é mais verbo que se conjugue nos dias de hoje, porque a religião é muito mais um direito do que um dever, mas “subordinar-se a um dado sistema”, talvez, seja um termo mais adequado. Assim sendo, seu discurso fundamentalista, move milhões de pessoas pelo uso de linguagem bastante característica, e de grande auxílio, quando na presença de conflitos interpessoais nas relações humanas, resolvendo-os ou minimizando-os, nos limites de suas reais intenções. A igreja católica, dominante no mundo inteiro, tem destacado a importância de estabelecermos parâmetros éticos e morais nas relações sociais – mas como argumento personalista, que atribui ao homem à capacidade de realizar seu trabalho de maneira autônoma e independente, responsabilizando-se pelas suas ações e facilitando o entendimento em relação à subordinação às ordens dadas, bem como o cumprimento das mesmas, ao que para tanto recebe remuneração, enquanto cumpre sua função regularmente. O papel da igreja é preponderante, quando se observa que esta relação empregado-empregador se processa de forma desrespeitosa com relação ao exercício pleno dos direitos humanos, onde a linguagem das relações de emprego, num plano utópico, deveriam ser processadas, de acordo com os limites éticos que regulam o exercício pleno das nossas aptidões.
Interessante notar, que profissionais como administradores e advogados, políticos, líderes religiosos entre outros, podem ter a linguagem potencializada pelo uso de treinamento específico para tanto, como as modernas técnicas de “coaching”. Um coach oferece seus préstimos profissionais cuja remuneração varia entre 2.500 a 10 mil dólares por programa, disciplinando o comportamento discursivo de atores sociais, fornecendo informações privilegiadas para que usem como ferramentas no traçado de estratégias para enfrentarem a concorrência (BENTON, 1999, p.1-3).
As indústrias tem desenvolvido técnicas para solucionar problemas, pelo aperfeiçoamento dos métodos de trabalho, baseados em pesquisa e desenvolvimento, para solucionar problemas por meio de experiência e intuição tendo a reunião como veículo. Para conduzi-la, coloca-se um perito que fixa a direção e limita a abordagem do tema em questão controlando e moldando a decisão. Também a Pesquisa Operacional é utilizada a partir de modelos físicos, abstratos (verbais), simbólicos e matemáticos, admitindo a hipótese de serem usados criativamente (CROSBY, 1972, p.33-53).
O processo decisório pode ser monitorado pelo gerenciamento do mesmo, pelo estabelecimento de metas, planos de ação, manipulando informações confiáveis. Os resultados podem ser melhorados a partir do conhecimento das características impeditivas de sucesso, recorrendo-se ao método de controle de processos, no sentido de manter os procedimentos que possibilitam o resultado almejado ou melhorá-los (CAMPOS, 1994, p.61).
A estratégia como arte de planejar, tem no planejamento, a antecipação da decisão. O processo estratégico contempla a organização até a tomada de decisões estratégicas no dia-a-dia das pessoas e organizações, podendo ser melhorado pelo uso de tecnologia de informação em nível de sistemas de informações que dão suporte à gestão, analisando possibilidades, cenários, conjunturas, e a evolução do mesmo pelo uso de indicadores, análise de concorrência, projetos, previsibilidade de eventos, para promover a transformação das organizações, simplificando e viabilizando a acessibilidade das informações relevantes na tomada de decisões (TORRES, 1995, p. 210-216).
Embora as tecnologias de informação e comunicação tenham dinamizado as relações cognitivas atinentes ao uso da linguagem e a comunicação, temos entraves que referem-se à imprecisão das máquinas para resolver demandas onde as relações homem-máquina se observam, em substituição às relações homem-homem, na perspectiva do processo decisório como resposta às estimulações oriundas da comunicação humana.
4. RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO
Foram entrevistados profissionais de linha de frente e comandados de dez organizações localizadas no Bairro do Cabral em Curitiba, entre elas, uma farmácia, supermercado, videolocadora, restaurante, loja de presentes, lavanderia, hospital, órgão público, banco e uma loja de armarinhos. Pessoas relacionadas com a Administração em posições de comando foram selecionadas arbitrariamente e submetidas a um questionário com questões abertas e semi-abertas. A primeira questão refere-se à elaboração da linguagem de uso no trabalho na tomada de decisões e o grau de dependência existente entre a linguagem e a decisão. 80% disseram que a linguagem depende do entrevistado para a decisão, 10% disseram que não e 10% não responderam. Os entrevistados foram interrogados se obedecem a decisões já elaboradas ou tomam decisões. 30% disseram que obedecem a decisões tomadas e 90% disseram que tomam decisões. No terceiro questionamento perguntou-se qual a forma discursiva mais usada no trabalho. 40% disseram que os procedimentos são escritos em documentos, 100% procedimentos orais comunicando decisões às pessoas, 60% pelo telefone, 40% Telefax, 30% por e-mail. Na quarta questão perguntou-se quem é o responsável pela solução de problemas administrativos que advém de conflitos de interesses e as respostas foram: 20% pelo chefe de departamento, 20% o chefe de pessoal, 50% a direção, 10% não se discutem problemas administrativos e 10% outros meios. No quinto questionamento perguntou-se sobre o uso de um a língua estrangeira nas relações de trabalho. 20% respondeu que falam outra língua, 20% disseram que pedem ajuda de alguém que saiba, 10% considera seus limites tentando entender o que se passa, 60% disse ser raro acontecer isso no exercício da função. Ao serem indagados sobre a percepção de um problema de comunicação no exercício profissional e o comportamento diante deste fato, 30% disseram que comunicam aos superiores imediatamente, 80% esperam uma oportunidade para comunicar à direção. No sétimo questionamento, perguntou-se quanto aos tipos de problemas de comunicação que são mais freqüentes na organização e as respostas foram: 20% verbais, considerando a execução de ordens de pessoas que muitas vezes não estão autorizadas a transmiti-las, 30% escritas porque são mal formuladas, 40% verbais porque as pessoas falam muito sobre coisas que não deveriam, 40% má comunicação entre as pessoas e 10% más relações entre empregados e empregadores. Ao serem indagados sobre sugestões para resolver os problemas de comunicação, 10% disse que podem ser resolvidos pela avaliação das condições de trabalho, 20% realização de avaliações periódicas especialmente sobre o uso do discurso, 30% por delegação de responsabilidade pelo discurso, 10% respeito entre as mínimas e máximas de cada pessoa e 50% discussões periódicas sobre o uso da linguagem. Ao serem indagados sobre a propriedade da linguagem que utilizam com empregados, 30% disseram ser respeitosa e com reservas, 10% extremamente profissional, 10% sentimental, 20% democrática e 80% explicativa. No décimo e último questionamento perguntou-se qual a importância da investigação social da linguagem por um agente que toma decisões e as respostas foram: 60% como sendo uma função necessária; 20% esta função já está no sistema pela formação de comitês de decisões e reuniões diárias, 10% disseram não haver importância e 10% não responderam. Ao serem perguntados sobre a importância do instrumento investigativo – questionário – para a empresa, 60% afirmaram ser positivo e 40% não responderam. Das respostas positivas os respondentes disseram que existem muitas formas de comunicação pelo uso da linguagem que deixamos passar em branco no dia a dia. A pesquisa permitiu a reflexão de que a linguagem pode ser utilizada de várias maneiras para atingir melhores resultados. Alguns responderam que o problema não está na linguagem, outros disseram que pouca importância é dada a este assunto. Os respondentes afirmam que é importante comunicar bem para que a comunicação se faça de forma precisa e oportuna.
Um segundo questionário aplicado para funcionários em linha de subordinação foi aplicado obtendo as seguintes respostas. Perguntou-se se o uso de uma língua estrangeira é necessário nas relações de trabalho, sendo que 60% disseram que não e 40% disseram que sim, mas parcialmente. Perguntou-se na segunda questão, como as relações em seu cargo ou função poderiam ser classificadas. 60% disseram que são boas, 30% disseram ser excelente, 10% regulares. No terceiro questionamento perguntou-se como os problemas de comunicação poderiam ser resolvidos na empresa, e 60% disseram que através de reuniões, 10% por discussão com o superior, 20% em cursos especiais e 30% comunicados à direção.
No quarto questionamento, perguntou-se se o empregado pensou em abandonar seu trabalho, porque não pode comunicar-se devida e oportunamente no exercício de suas atividades. 20% disseram que já ocorreram problemas de comunicação, mas que continuam na empresa e 80% disseram que não. A quinta questão questiona se as decisões são tomadas e comunicadas ou apenas discutidas. 40% responderam que são comunicadas, 50% discutidas e seguidas e 30% avaliadas pela Administração. No sexto questionamento, perguntou-se qual a linguagem mais usada na organização e 80% disseram que é verbal 30% escrita, 20% de forma criativa. No sétimo questionamento, indagou-se se o respondente sua consideração pela a linguagem utilizada nas relações de trabalho sendo que 50% disseram ser própria e 60% que precisa melhorar. A oitava pergunta direcionou-se se o respondente já mudou de emprego porque a linguagem utilizada na organização não correspondia às expectativas. 10% disseram que sim, pela má qualidade da linguagem entre os membros e 90% que não. No nono questionamento, perguntou-se se a linguagem utilizada pelos empregados é própria para a função ou que as funções são atribuídas politicamente. 50% disseram ser própria para a função e 50% disseram que própria e política. A décima questão foi aberta deixando livre a expressão do respondente sobre linguagem e decisão, sendo que 60% a responderam e 40% não. Dentre estas respostas, alguns respondentes disseram que a criatividade é importante na tomada de decisões, que as decisões devem ser melhoradas e discutidas antes de tomadas, especialmente quando se quer imprimir mudanças e efetuar melhorias. Que o grupo deve ser informado de acordo com decisões tomadas em relação aos objetivos. Que é importante ter liberdade para manifestar opiniões e transmitir idéias positivas para as pessoas, especialmente proporcionando bem estar aos clientes, para que sintam que são bem vindos à organização.
5. CONCLUSÃO
Livre arbítrio, níveis de consciência, senso crítico, educação, maturidade, são pontos de extrema importância na análise da linguagem quando esta gera decisões. A criatividade humana se materializa por processos cognitivos que permitem adequar função e uso aos utensílios utilizados pelo homem como extensão de si mesmo. Isto é possível pela descoberta da limitação de suas próprias condições físicas e psíquicas e a extensão de suas competências. Por exemplo, as ferramentas utilizadas pelo homem primitivo como a pedra. A revolução se deu pelo preço, a exemplo do martelo, modernamente utilizado. Logo, a descoberta de que a utilidade de um bem ou serviço pode ser vendida. A diversidade das ferramentas é também ponto de análise nesta revolução dos usos e costumes humanos, ou seja, como cada objeto resolve problemas novos com maior ou menor facilidade.
Parece haver uma consciência coletiva sobre o que parece justo ou injusto na vida em sociedade, assim como nas relações decorrentes da intensidade de movimento das sucessivas gerações contra o abuso discursivo, pelo aspecto moral e legal, assim como suas contrariedades especialmente pela propaganda, sejam por questões de política, ideologia ou religião. Há também a consciência do silêncio coletivo diante das injustiças ou catártico diante das fatalidades. Estamos mais expostos à informação como em nenhuma outra época já estivemos. É certo que as patologias humanas aumentaram em função da exposição absurda a que estamos sujeitos, pela invasão dos meios de comunicação em nossas vidas. Que espécie de distúrbios estaríamos enfrentando em razão desta quase imposição absoluta de nos valermos dos mesmos em nossas relações? Controlamos e somos controlados naquilo que produzimos e quando o controle exercido sobre nós, não corresponde às expectativas, nos tornamos incompreendidos, vamos em busca do outro, e o outro nem sempre está lá com a resposta que precisamos, com a solução para aquilo que nos impede de sermos felizes em nossas ações. Além disso, ouvimos e vemos coisas que não queremos muitas vezes, o que implica em nos tornarmos mais críticos em nossas relações. A tecnologia trouxe uma revolução no bem estar social da humanidade.
Em muitas circunstâncias históricas vimos fracassar a capacidade dos homens em alcançar o entendimento pelo uso da linguagem, sendo muitas vezes desencadeadora de erros. A importância da diplomacia na resolução de conflitos de interesses tem sido de vital importância devido às tensões decorrentes das relações humanas e das nações.
O ponto principal da discussão articulada pelo autor, reside em apontar que a linguagem pode favorecer decisões apropriadas às circunstâncias vividas ou simbolizar o absoluto fracasso da mesma em face à análise dos fatos. Ela é também de exclusão ou inclusão dependendo dos efeitos que proporciona nos indivíduos e a forma como reagem a estas manifestações discursivas. Funciona como instrumento de racionalização e de síntese do conhecimento humano, e escalona a razoabilidade do comportamento humano nas circunstâncias em que os fatos são vividos e compartilhados, imprimindo traços de condutas desejadas ou indesejadas, pelos filtros que nossos sentidos podem fazer da própria informação. A falta da mesma, ao contrário, retrata os extremos, no sentido de que na ausência da mesma, o silêncio pode quando muito consumar ações humanas, cuja tolerância social reprove os resultados produzidos. Há muitos conflitos que vivenciamos individualmente, que não conseguimos resolver sem a presença do outro, e muitas vezes não encontramos no outro a identidade necessária para compartilhá-lo. É preciso flexibilizar nossas posturas diante das diferenças, para que possamos ao menos conviver com a intolerância, exercitando nossa paciência.
Compreender o outro é um favor que se faz a si próprio, porque consolidamos nossas convicções e resolvemos melhor os nossos próprios posicionamentos viabilizando atitudes mais coerentes diante da complexidade da natureza humana, sem sermos cúmplices ou prisioneiros de nós mesmos. Quando perdemos a capacidade de nos comunicar por algum motivo, o sentimento da importância da comunicação em nossas vidas se torna ainda maior. Somente a expressão nos permite direcionar nossos sentidos para aquilo que nos provoca algum efeito, dependendo da sensibilidade inerente a cada ser vivo.
- A linguagem enquanto fruto dos sentidos, entre erros e acertos, viabiliza e influencia o direcionamento da conduta humana diante das dificuldades, permitindo superação dos conflitos dentro e fora de nós mesmos, possibilitando atitudes e mudanças num plano ideal de sustentabilidade e responsabilidade social nas relações de cidadania. Toda vez que a carência de linguagem é observada, apresentam-se os conflitos de interesse e a necessidade de intervenções para controlar as causas e conseqüências advindas do colapso das relações humanas, inesperadas muitas vezes, razão pela qual, há que se primar pela programação das decisões e desenvolver habilidades visionárias para o enfrentamento das adversidades impostas na dinâmica dos acontecimentos vividos dentro e fora de nossas relações.
Por fim, vale ressaltar que o conhecimento humano depende desta sistematização que a linguagem oferece, de maneira a tornar compreensível os vários fenômenos, fatos, realidades, interfaces, que a espécie consegue realizar pelos sentidos que possui. Mas não só, é capaz de perceber, como também transmitir este conhecimento de geração para geração, de maneira a por em prática aquilo que assimilou ao longo do processo civilizatório a que se submeteu, ao que chamamos de cultura e educação. O que se percebe contudo, é que não somos capazes de dar resposta aos muitos problemas que nos cercam de maneira absoluta, mas que a decisão é impreterível, ainda que não responda efetivamente aos resultados esperados. Logo, o acesso à informação, o bom emprego da linguagem, consolida decisões mais precisas, auxiliando na qualidade de vida e no exercício da cidadania.
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(Artigonal SC #1115309)
Palavras-chave do artigo:
linguagem. processo decisório. discurso. cultura. sociedade.
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