A deficiência do mercado de trabalho para um deficiente físico

10/12/2013 • Por • 37 Acessos

Os estudos históricos da sociedade revelam que, pessoas portadoras de deficiência sempre foram marginalizadas, vivendo num verdadeiro "apartheid" social.

Aqui no Brasil, a evolução da sociedade não foi suficiente para afastar a exclusão e as dificuldades experimentadas pelo deficiente físico, pois ele ainda é ignorado. Assim, faz-se necessário estabelecer leis que obriguem a igualdade entre as pessoas, sejam elas portadoras de deficiência ou não.

Só que estamos em pleno século XXI !! Já é hora de mudarmos a história.

Embora a sociedade tenha evoluído nos últimos anos em relação às necessidades especiais, ainda temos muito que melhorar. Hoje em dia vemos essas pessoas trabalhando em empresas, como supermercados, lanchonetes, restaurantes, farmácias, escolas, mas essa inclusão no mercado de trabalho só existe devido as recentes leis que protegem esse segmento social, a exemplo da Constituição de 1988, a Lei 7853/89, o Decreto 3298/99 e a Lei 8.213/91 (Lei de Cotas).

Nos estudos que tenho feito para a minha tese de Mestrado, observo que estas normas por si só não garantem a efetividade da igualdade. Vejo que os portadores de deficiência continuam marginalizados e excluídos do contexto social.

É preciso que as empresas façam valer os interesses dos portadores de deficiência, visando garantir a sua cidadania, sua inclusão social e sua dignidade.

As barreiras arquitetônicas, a falta de informação dos empresários e, acima de tudo o preconceito, ainda tem delegado para estas pessoas, cargos e funções muito abaixo de suas potencialidades. As pessoas com deficiência são muito mais independentes do que imaginamos, mais até do que muito "andante" que conhecemos. Logo, podemos apostar que eles "dão conta do recado" no trabalho.

O Estado e a sociedade precisam se conscientizar que a palavra deficiência não é negativa e sim, designa uma realidade atual. O importante é saber distinguir e ver o indivíduo na deficiência e não a pessoa como um deficiente.

O maior exemplo disso é ver a capacidade dos portadores de necessidades especiais nos jogos paraolímpicos, onde os mesmos atingem recordes e conquistam várias medalhas.

É bom lembrar que os deficientes físicos são iguais a nós em tudo, a única diferença é a mobilidade. A inteligência, a vontade de trabalhar, os sonhos… tudo é igual! Eles são seres humanos e merecem respeito.

Muitos portadores de deficiência são aposentados e recebem um beneficio em dinheiro, mas o valor geralmente não é suficiente para que os mesmos vivam dignamente. Outros trabalham para ter um salário melhor, e ao mesmo tempo em que se ocupam, se sentem mais "úteis".

Algumas empresas alegam que encontram dificuldade em localizar profissionais especializados com deficiência ou até mesmo com o mínimo de preparação paras as vagas disponíveis. Mas é claro!

Os deficientes enfrentam inúmeros obstáculos diariamente, como o preconceito, a dificuldade do acesso pelo transporte público ou pelas vias públicas (falta de rampas, corredores estreitos, entre outros), impedindo que se especializem e se preparem para o mercado de trabalho. Na minha cidade, por exemplo, não existem em bairros populares cursos, escolas ou faculdades adaptadas. As opções para quem quer estudar e se especializar estão longe. Só nos "bairros ricos", que ficam distantes, é onde  esses serviços podem ser encontrados. Mas isso é tema para outro artigo.

Outras empresas, que chamo de desonestas, se aproveitam dessas dificuldades para afirmar veementemente, que não existem pessoas qualificadas. Acessando alguns blogs de pessoas com deficiência, me deparei com anúncios de deficientes que possuem uma ou duas graduações e pós-graduados, oferecendo seus serviços. Isso quer dizer que existem sim, pessoas que estão em processo de qualificação e já são superqualificados prontos para serem grandes líderes e profissionais de sucesso.

Já existem empresas que contratam estes profissionais apenas para que constem num documento, com o objetivo de não ter problemas com a fiscalização trabalhista. Ou escolhem portadores de deficiência leves como surdez ou visão parcial, apenas para evitar a necessidade de reformulações arquitetônicas, fazendo com o que deficiente físico continue a ser um "pseudo inserido" no mundo do trabalho.   E querem chamar isso de inclusão?

É interessante observar a postura, quanto à inclusão de deficientes em países europeus. Na Alemanha e na França existem incentivos especiais para a contratação, contribuição para um fundo destinado à habilitação e reabilitação, assim como incentivos fiscais para as empresas que cumpram cotas. Tudo isso fruto de uma sensibilização e mobilização da sociedade para atender aos direitos dos deficientes. A Espanha se destaca pela existência de agências oficiais de empregos para este seguimento social. Por que isso não pode ser uma realidade brasileira?

Passou da hora de "arregaçarmos as mangas" e tratar os deficientes como pessoas normais, porque eles são normais. Todas as pessoas são diferentes, assim como a cor dos olhos, dos cabelos, a raça, mas são pessoas.

Se você é deficiente, aprenda a contornar os obstáculos que podem surgir na conquista de um emprego. Mantenha-se sempre atualizado, participando de cursos e palestras, além de desenvolver um bom trabalho onde passa.

Se você é empregador, não olhe para uma pessoa com incapacidade física como alguém que dificilmente pode ter um bom desempenho profissional. Não se deixe enganar e acredite que o incentivo que você pode dar a essa pessoa se traduz em produtividade e motivação.

Viver em sociedade não e só pertencer a ela. É promover e oferecer mudanças para fazer um mundo melhor.

Atitude é tudo!

Perfil do Autor

Alessandra Dultra

Alessandra Dultra – Secretária Executiva, pós-graduada em PsicologiaOrganizacional, mestranda em Administração, professora, palestrante...