A Importância da Responsabilidade Socioambiental nas Empresas

19/12/2010 • Por • 1,433 Acessos

Estamos presenciando uma crise no modelo atual de crescimento econômico, ditado pela degradação ambiental e a enorme concentração de renda. Face esse cenário e da pressão exercida pelos governos e ONGs do mundo inteiro, muitas iniciativas empresariais estão buscando equacionar o crescimento econômico com igualdade social e respeito aos ecossistemas. Assim, a introdução de práticas sustentáveis e de responsabilidade corporativa tem sido um diferencial competitivo, como visto nos exemplos a seguir. 

A Samarco Mineração impediu o embarque de 11 mil toneladas de bentonita, uma matéria-prima usada no processo de fabricação do aço, oriundas da Índia. Motivo: mineiros manuseavam ácidos perigosos sem nenhuma proteção. A pele de seus antebraços estava despigmentada. Desde então, a companhia nunca mais negociou com a empresa indiana. Essa decisão teve um efeito positivo: recentemente, a Mitsubishi, controladora da empresa indiana, procurou a Samarco para mostrar que normas de segurança haviam sido tomadas. 

Para uma empresa negociar as suas ações em Bolsa de Valores necessita divulgar seu Balanço Social. Caso a empresa de capital aberto deixe de apresentá-lo, não poderá negociar ações na Bolsa de Valores e, consequentemente, não captará recursos financeiros no mercado através de movimentação em Bolsa, o que impacta negativamente no negócio, na rentabilidade, flexibilidade, capacidade de investimento e confiança do investidor na empresa. 

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e o maior exportador. Parte significativa desta produção está localizada em áreas de floresta, ou em fazendas onde a exploração da mão de obra é feita sem respeitar a legislação trabalhista. Mas já existem iniciativas para rastrear a origem da carne com a garantia de que a produção não provoca desmatamentos nem utiliza mão-de-obra escrava ou infantil, como o Carne Legal, do Ministério Público Federal, que tem o objetivo de conscientizar os consumidores e estimulá-los a buscar informações sobre a origem da carne. Assim, os frigoríficos que não respeitam o meio ambiente e as leis trabalhistas estão perdendo mercado. 

O marketing ambiental visa projetar uma imagem de alta qualidade, incluindo sensibilidade ambiental relacionada tanto aos atributos do produto quanto a sua trajetória produtiva. Um exemplo bem ilustrativo é o da Braskem, que está produzindo polietileno a partir do etanol da cana de açúcar, o que diminui a dependência do eteno (derivado do petróleo) e, principalmente, retira da atmosfera uma quantidade significativa de CO2, visto que a cana realiza fotossíntese. Além disso, a empresa obriga que seus fornecedores apliquem as mais exigentes normas trabalhistas do mundo. Esse novo produto tem atraído muitas encomendas do Japão e Europa, onde a responsabilidade socioambiental é amplamente difundida. 

A exportação oferece às empresas brasileiras muitas oportunidades de ampliar seus mercados. No entanto, as mesmas precisam estruturar sistemas de gestão da qualidade e de meio ambiente que garantam que seus produtos, processos e serviços estejam adequados às exigências dos requisitos das normas ISO-9001 e ou ISO-14001, pois as barreiras impostas nas relações do comércio exterior são cada vez maiores, obrigando-as a obterem a certificação de seus sistemas de gestão da qualidade e meio ambiente de acordo com as normas ISO. 

A conscientização de que nosso planeta possui limites de absorção de resíduos e fornecimento de recursos e que os trabalhadores são na verdade colaboradores, induziram modificações na postura empresarial. No entanto, essas mudanças foram benéficas, a partir da redução dos custos de produção, diminuição dos processos trabalhistas, fortalecimento da imagem junto aos clientes, conquista de mercados internacionais e capitalização por meio da negociação de ações.

Perfil do Autor

Max Leonardo

Engenheiro Químico