A pessoa certa, no lugar certo. Inclusive o dono!

12/08/2010 • Por • 261 Acessos

Acho interessante que vez por outra, sem que eu espere, algum acontecimento faz com que me venha à mente frases ou fatos da minha infância. Funciona como um gatilho. Claro que isto não é um privilégio meu: músicas e cheiros, além de lugares e pessoas parecidos são capazes de despertar, em qualquer um de nós, lembranças esquecidas há tempos. Não tem nada de errado com isto, a não ser, talvez, a constatação de que estamos tendo memórias cada vez mais antigas.

Aconteceu de novo estes dias, num dos estabelecimentos comerciais da nossa cidade. Logo na entrada observei um dos gestores da empresa realizando uma atividade, que não vamos classificar de pequena, mas que poderia, sem dúvida, ser realizada por uma pessoa menos qualificada.

Foi neste momento que me recordei de ter ouvido alguém dizer, (não me recordo onde ou quem): "Não se deve usar um canhão para matar uma mosca". Comecei então a divagar sobre o que havia entendido, na época, da expressão: na verdade não tive dificuldade em compreender a frase. Apesar de criança, percebi, perfeitamente, que seria um grande um exagero a utilização de uma arma tão poderosa, para eliminar um inseto tão pequeno. Poderíamos, entretanto, afirmar que muitos e, talvez eu e você estejamos incluídos, nos que usariam esta arma para matar uma mosca, dependendo, principalmente, do lugar onde ela estivesse repousando. Perdoem-me, mas, não resisti à brincadeira.

Analisando esta expressão, no contexto atual, chego à conclusão que em alguns momentos podem até ser necessário que um gestor de empresa pegue no cabo de uma vassoura para varrer um chão de loja, ou de fábrica, por exemplo. Mas, seria um caso extremo. Uma necessidade, jamais uma rotina. A menos que ele seja um líder demagogo, mas, não vamos discutir este assunto hoje, vamos focar no que se espera de um gestor. Teoricamente, que ele se atenha a atividades ditas mais complexas, tais como, acompanhar a evolução da estratégia adotada pela empresa. Se alguma coisa precisa ser mudada. E, acredite, sempre precisa. Como me dizia um professor: "Planejamento tem de ser feito a lápis, jamais a caneta."

A metáfora, didaticamente, adotada servia para deixar bem claro que, o que é planejado, muitas vezes, não acontece como se espera. Vou citar Lúcio Costa, o urbanista que contribuiu na construção de Brasília, que disse: "A única coisa do planejamento é que as coisas nunca ocorrem como foram planejadas." Logo, um gestor precisa estar atento para identificar as necessidades de mudanças, de adequações que o planejamento necessite. Seria difícil para o gestor fazer isto do chão de loja, ou de fábrica.

Bem verdade que existem pessoas, e, muitos gestores e empresários estão incluídos, que não gostam de mudanças. Imagine então mudar um planejamento em plena execução. Contudo, para corroborar comigo cito Pubilius Syrus, um estrangeiro que de escravo, se tornou mestre no Império Romano: "O plano que não pode ser mudado não presta."

Um gestor atualizado e consciente deve manter uma harmonia entre as atividades desenvolvidas no escritório e no chão de loja, ou fábrica. Contudo, jamais deve esquecer o que as pessoas esperam dele. E neste universo de expectativa não se inclui varrer o chão.

Na verdade esta atitude observada no gestor evidencia um dos grandes desafios das organizações: colocar a pessoa certa, no lugar certo. Ocorre que para uma organização obter sucesso não é suficiente apenas que possua em seus quadros os melhores profissionais, mas, que consiga colocar os melhores profissionais, nos lugares que eles venham desenvolver todo o seu potencial. Incluem-se, principalmente, os gestores e os proprietários da organização.

Agora vamos mexer num verdadeiro vespeiro: nem sempre um bom gestor, com o passar dos anos, continua sendo um bom gestor. Nem todo proprietário de empresa é um bom gestor. E, o que mais preocupa as empresas de gestão familiar, a sucessão: nem sempre o filho de gestor competente, será um gestor competente. O problema é identificar isto e ter coragem para tomar uma atitude. Porque, muitos empresários entendem que a sua empresa é como um reinado, precisa ter como gestor o seu filho. Nem sempre esta atitude é a melhor. Pelo menos, não para a organização.

Pior que insistir com um gestor incompetente pelo fato de ser ele o herdeiro da organização é só mesmo não se preocupar com o próprio processo de sucessão. Infelizmente o homem tem uma existência curta e quando ela é diminuída por uma fatalidade, não é raro empresas desapareçam do mercado, justamente porque não havia uma preocupação do gestor com a sua sucessão. O contrário também acontece, conheço empresas que após uma sucessão realizada, sem o menor planejamento, deslanchou no mercado conseguindo crescer consideravelmente. Mas, infelizmente, esta opção é a exceção e não a regra.

O mais prudente para uma empresa, independente do seu porte ou seguimento é que consiga ter os melhores profissionais, nos lugares certos e se o dono não for um bom gestor, contrate um. Não tem problema nenhum nisto. Afinal, ser rei de um reino falido, não deve ter a menor graça.

Perfil do Autor

Cícero Gomes

Nascido em uma família de comerciantes, Cícero Gomes Ribeiro sempre conviveu com o ambiente do varejo típicos do interior mineiro. Trabalhou como vendedor em diversas empresas com os mais variados tipos de produtos: assinatura de jornais e revistas, livros, papelaria, medicamentos, perfumaria, bicicletas, peças e acessórios, anúncios em jornais, revistas e rádio, máquinas, tratores e implementos agrícolas.