Comunicação Empresarial: Coloque a "boca no mundo"

24/04/2012 • Por • 321 Acessos

Artigo: Comunicação Empresarial: Coloque a "boca no mundo"

Por Alessandra Dultra – Abril/2012

 

Como dizia o nosso saudoso Chacrinha: "Quem não se comunica, se trumbica".

Hoje, percebo que temos muitas formas de obter informações e conhecimentos, mas não estamos nos comunicando. Afinal, existe uma grande diferença entre comunicação e informação. Numa empresa não é diferente. Muitas informações são produzidas e causam impacto na vida dos funcionários, mas nem sempre geram mudanças de atitudes e às vezes geram confusão porque não foram divulgadas da forma adequada. Daí o valor da Comunicação Interna numa organização.

E a realidade das empresas brasileiras indica que comunicar é uma tarefa árdua. Em muitos casos, as organizações não se comunicam de forma clara e objetiva.  Mesmo abrindo espaço para que as informações circulem pelo interior da empresa, é preciso assegurar que elas sejam recebidas e compreendidas pelas pessoas de maneira correta.

Então, a cultura organizacional deve ser construída e reforçada a partir de uma comunicação interna eficaz, com metas e objetivos comuns que motivem os colaboradores e, desta forma, influenciem na produtividade da empresa. É preciso que os meios de comunicação corporativa se profissionalizem e que deva existir uma preocupação em informar de maneira inovadora e criativa, atuando como fator estratégico nas organizações.

Ela pode ser considerada uma grande aliada na consolidação da imagem corporativa quando trabalha profissionalmente valores como missão, visão, identidade, parceria, cooperação e cidadania empresarial. As empresas visionárias tratam a comunicação empresarial como uma ferramenta estratégica, onde sua gestão pode transformar-se em vantagem competitiva.

Por outro lado, os problemas de comunicação podem produzir uma modificação negativa na atitude dos funcionários, tanto em relação ao seu próprio trabalho como em relação à empresa. Quando não existe uma comunicação clara, a tendência é que os funcionários desenvolvam uma sensação de abandono, o que os desmotiva profundamente.

Pesquisas recentes mostram que os executivos das maiores empresas americanas já investem 80% de seu tempo em comunicação. Vê-se que a comunicação é entendida, cada vez mais, por diretores e presidentes de organizações, não só como instrumento de preservação e realce da imagem da empresa, mas, sobretudo, como elemento indispensável e capaz de agregar valor à conquista da competitividade.

Saber selecionar as idéias, esquematizar e planejar o que se deseja transmitir é uma qualidade essencial para qualquer profissional. Alguns especialistas afirmam que há cinco Cs para uma comunicação interna eficaz: clara; consistente; contínua e freqüente; curta e rápida; e completa.

Conclui-se, então, que a comunicação empresarial não pode mais ser encarada pelos gestores apenas como uma ferramenta técnica, meramente tática, mas sim como uma ferramenta estratégica, permanente.

Dia desses, relendo um artigo do Max Ginherer, lembrei de um termo que costumo usar nos treinamentos sobre comunicação: tergiversar. Tergiversar pode ser traduzido rapidamente por: "fugir do assunto". O autor nos mostra como uma empresa empregou a mensagem "devido aos excessos, o uso do correio eletrônico para a transmissão de mensagens pessoais não será permitido"com tanto tergivesar, que o resultado foi um fracasso.

A área de Marketing lançou o seguinte aviso: "a estrapolação dos dados de recentes pesquisas internas aponta uma tendência exagerada e não prevista na transmissão de spams. Após um brainstorming com toda a equipe, ficou evidente a necessidade de cortes substanciais no uso da mídia interna, sem prejuízo a nossa endocomunicação".

Já o setor de engenharia expôs o seguinte: " Fatores inerciais, de natureza não técnica, e inadequadamente detectados em sua origem, vêm ocasionando desvios na produtividade sistêmica. Decidiu-se que uma melhor parametrização na utilização de nossos meios eletrônicos de comunicação interna pode ser obtida através de um projeto de colaboração coletivo de rightsizing".

O pessoal do TI avisou que"A subotimização da rede se deve ao multiendereçamento de mensagens através do sofware de ccmail. A situação tanto poderia ser equacionada (a) com reformatação do conteúdo pelos próprios usuários, ou (b) com a instalação de um novo sistema de 1 Tera. A empresa decidiu-se pela alternativa (a)".

O RH sugeriu: "Enquanto seres funcionais estamos sujeitos a vivenciar parâmetros holísticos. Apesar de a abertura comunicacional ter permitido certo nível de desafio aos paradigmas, tal alavancagem foi inibida pela não implementação de uma política de Instant Feedback, ora substituída em caráter emergencial por medidas restritivas de curto prazo".

E para a galera dos Serviços Gerais, o aviso dizia: "De hoje em diante, quem for apanhado brincando com o correio eletrônico receberá uma advertência. Em caso de reincidência, será demitido".

Adivinhe em qual setor que a ordem foi eficaz ?

Para que haja eficiência na comunicação interna, é de fundamental importância conhecer em profundidade o público interno da empresa. É necessário um contato pessoal em que se estabeleça uma relação de confiança, que possa transmitir as suas expectativas, ansiedades e interesses entre a organização e o seu público interno. É importante que o emissor tenha acesso aos conhecimentos do receptor sobre o assunto a ser abordado. O seu nível de linguagem e o seu grau de interesse são itens relevantes para que ocorra a sintonia entre eles.

Nas palestras sobre a importância da comunicação, cito duas passagens de um livro onde o autor diz: 1. "a família foi ao aeroporto recepcionar o soldado que, ao final da guerra voltou incólume (são e salvo). A sua filha o encheu de ósculos (beijo). 2 ... O pai estava muito orgulhoso do filho e chegou a comentar que nos almoços de família, o filho era muito loquaz (falador)" e 3 ..."Capturem esse cleptomaníaco infante! (pega o ladrão!)". Será que é essa leitura causa curiosidade ou parece que estamos lendo em outra língua ?

Depois de muito tentar compreender, chego à conclusão que estudando a comunicação interna nas Organizações observo o quanto este processo é complexo e como se faz necessário o seu conhecimento para que seja possível evitar insatisfações e descontentamento no ambiente de trabalho. A utilização dos diversos canais da comunicação pode tornar este processo mais eficiente e superar barreiras, permitindo a intervenção dos funcionários na apresentação de sugestões para a melhoria da comunicação na empresa.

Considerando que, independentemente do nível hierárquico ocupado na organização, todos os funcionários, são comunicadores e, interagindo dentro do processo, mesmo através da comunicação informal, facilita a integração e a participação de todos os envolvidos na empresa.

Assim encarada, a Comunicação Interna torna-se sem dúvida, um instrumento estratégico para benefícios na empresa e, conseqüentemente, o sucesso da organização. Porém, comunicar-se bem  não é apenas desenvolver  a capacidade de comunicação, é necessário também aprender a ouvir, devendo ser encarada como responsabilidade de todos, em todos os níveis hierárquicos.

Na semana passada li um artigo onde o jornalista dizia que o pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube. Se fizermos uma comparação com as empresas entendemos que a comunicação interna é, hoje, tão fundamental que deveria envolver diretamente o presidente da empresa.

A conclusão é que a Comunicação Interna na organização deve ser priorizada, os tabus devem ser derrubados, velhos paradigmas devem ser desprezados para a construção de um novo modelo de comunicação e todos os funcionários devem participar.

Por isso, o processo de comunicação interna precisa ser valorizado e os canais que ele dispõe (jornais, boletins, intranet, murais, etc), disponibilizados de forma eficaz e atrativa para que realmente cumpram sua missão de integrar todo o quadro funcional de uma organização. Comunicar é mais que informar; é atrair, é envolver. E neste processo, todos os empregados possuem seu valor e atuam de forma a tornar uma organização bem informada ou não.

Perfil do Autor

Alessandra Dultra

Alessandra Dultra, Secretária Executiva com especialização em Gestão de Pessoas. Mestranda em Antropologia Social, consultora e palestrante.