Custos Logísticos

01/10/2009 • Por • 32,165 Acessos

 

CERIOLI, Diego

STREHER, Tatielle

 

1. CUSTOS DE ARMAZENAGEM E MOVIMENTAÇÃO

 

Devido à diversidade de produtos e a exigência por parte dos clientes de serem atendidos, de acordo com suas expectativas e necessidades, não há como manter uma regularidade entre a produção e a demanda. O processo de armazenagem proporciona manter um equilíbrio entre a produção e o cliente, visando atender as necessidades previstas e imprevistas. Para realizar esta atividade devem ser levadas em consideração questões relativas ao layout, envolvendo as embalagens e as estruturas para o acondicionamento dos estoques, bem como sua movimentação.

A armazenagem é a administração do espaço necessário para manter os estoques e envolve questões relativas à localização, dimensionamento da área, arranjo físico, equipamentos para movimentação e tipo e sistemas de armazenagem.

O manuseio tem como função estabelecer o fluxo de movimentação de materiais. As decisões operacionais de movimentação estão relacionadas a questões como área, arranjo físico, equipamentos utilizados, tipos de operações, rotas de movimentação e tempo. A movimentação de materiais só deve ocorrer quando necessária e, o layout deve proporcionar o melhor fluxo, a fim de evitar movimentos desnecessários.

O processo de armazenagem possui diversas atividades que geram custos para a empresa, como recebimento de materiais, acondicionamento, seleção de pedido ou embarque, etiquetagem, mão-de-obra, manutenção de equipamentos, limpeza e segurança. Esses custos podem ser considerados, dependendo da forma como os estoques estão sendo acondicionados, em fixos ou variáveis.

Os custos fixos ocorrem quando se tratar de armazenagem própria e, em espaço físico alugado, podendo ser reduzidos pela melhor utilização do layout, reduzindo movimentos desnecessários e aumentando a rotatividade, e reduzindo custos com mão-de-obra e níveis de estoque. Os custos variáveis ocorrem geralmente quando os serviços de armazenagem são terceirizados para operadores logísticos.

Uma estratégia logística que está sendo muito utilizada no momento, é a utilização de centros de distribuição, posicionando o estoque em vários pontos da cadeia de suprimentos. Esta decisão permite reduzir custos de manutenção de inventário e transportes, entre outros custos. Também deve ser considerada a estocagem em trânsito, que se relaciona ao tempo em que os materiais permanecem em um veículo.

O maior desafio é assegurar que as estratégias de armazenagem e redução de custos sejam compatíveis com as estratégias de níveis de serviços da empresa. Os principais custos relacionados à armazenagem e movimentação de materiais provém da estocagem e dos movimentos de transportes. Sendo assim, observa-se a importância de conhecer bem os custos de transporte, para equilibrar os custos logísticos e assim possibilitar o desenvolvimento de estratégias logísticas mais eficientes.

 

2. CUSTOS DE TRANSPORTE

 

Devido à era da competitividade que estamos presenciando, fica evidente a necessidade das empresas entregarem seus produtos ao cliente final em menor prazo possível. O transporte tem um papel fundamental para o desenvolvimento logístico.

Os custos de transporte são todas as despesas realizadas na movimentação de um determinado produto, desde a origem até seu destino final, sendo considerados uns dos maiores custos logísticos, tendo grande relevância no preço final do produto.

Os fatores que podem influenciar os custos de transporte podem ser classificados em dois grupos: fatores associados ao produto, por exemplo, a densidade do produto e a facilidade do seu manuseamento e fatores associados a determinadas características do mercado como, por exemplo, a localização do mercado de destino do produto.

Existem várias formas para reduzir os custos de transporte, como a utilização dos combustíveis renováveis, a reabilitação das vias rodoviárias, a boa localização dos aeroportos e o aumento na quantidade de produtos a ser transportados, mas a determinação do tipo de modal é um fator de grande relevãncia podendo assegurar para a empresa economias significativas.

O transporte nacional ou internacional pode ser feito pelos seguintes modais:

Rodoviário: é o tipo de modal mais utilizado no país, é recomendado para o transporte de mercadorias de alto valor agregado ou perecível e nos deslocamentos de curtas e médias distâncias, apresenta custos fixos baixos (rodovias estabelecidas e construídas com fundos públicos), porém seu custo variável (combustível, manutenção,etc.) é médio.

Ferroviário: Vem ganhando força e a principal vantagem é a possibilidade de se transportar grandes quantidades de volumes por longas distâncias. Apresenta altos custos fixos em equipamentos, terminais e vias férreas entre outros. Porém, seu custo variável é baixo.

Aeroviário: é utilizado para o transporte de mercadorias  pequenas e com alto valor agregado, seu tempo em trânsito é o menor de todos em relação aos outros modais, porém seu custo fixo é alto (aeronaves, manuseio e sistemas de carga), bem como seu custo variável, apresenta alto custo de combustível, mão-de-obra e  manutenção.

Dutoviário: Destina-se principalmente ao transporte de líquidos e gases em grandes volumes e materiais que podem ficar suspensos (petróleo bruto e derivados, minérios). Os direitos de acesso, construção, requisitos para controle das estações e capacidade de bombeamento fazem com que o transporte dutoviário apresente o custo fixo mais elevado. Em contrapartida, o seu custo variável é o mais baixo, nenhum custo com mão de obra de grande importância, isso faz com que seja o segundo modal com mais baixo custo, ficando atrás apenas do modo de transporte aquaviário.

Aquaviário: é utilizado para o transporte de granéis líquidos, produtos químicos, areia, carvão, cereais e bens de alto valor (operadores internacionais) em contêineres. Seu custo fixo médio (navios e equipamentos) e custo variável baixo (capacidade para transportar grande quantidade de tonelagem). É o modal que apresenta o mais baixo custo

A multimodalidade pode ser definida como a integração entre modais, com o uso de vários equipamentos, como contêineres. Já a intermodalidade caracteriza-se pela integração da cadeia de transporte, com o uso de um mesmo contêiner, um único prestador de serviço e documento único.

A integração entre modais pode ocorrer entre vários modais: aéreo-rodoviário, ferroviário-rodoviário, aquário-ferroviário, aquário-rodoviário ou ainda mais de dois modais. A utilização de mais de um modal agrega vantagens a cada modal, caracterizados pelo nível de serviço e custo. Combinados, permitem uma entrega porta a porta a um menor custo e um tempo relativamente baixo, buscando equilíbrio entre preço e serviço.

 

3. CUSTOS DE EMBALAGENS

 

As embalagens se tornaram itens fundamentais na vida das pessoas e principalmente nas atividades das empresas, possuem como principais objetivos facilitar o manuseio e a movimentação, a armazenagem, garantir a utilização adequada, proteger o produto, entre outros. Elas estão presentes em todos os produtos, com formas e funções variadas, sempre acompanhando a evolução das novas tecnologias e novos insumos, que as tornam cada vez mais eficientes.

São de fundamental importância, pois possuem relação com todas as áreas da empresa, sendo essencial para atingir os objetivos, sejam eles comerciais e logísticos, disponibilizando os produtos no tempo certo, nas condições adequadas e ao menor custo.

As embalagens possuem um impacto significativo sobre o custo e a produtividade dentro dos sistemas logísticos. Seus custos mais evidentes se encontram na execução de operações automatizadas ou manuais de embalagem e na necessidade subsequente de descartar a própria embalagem. A embalagem pode ser visualizada tanto dentro do sistema logístico total e seu papel nos mercados industrial e de consumo; as três principais funções da embalagem (utilidade e eficiência de manuseio, proteção contra avarias e comunicação); e materiais de embalagem tradicionais, tecnologias emergentes e implicações ambientais. O custo da embalagem afeta todas as atividades de logística desde o controle de estoque até a forma como são transportadas para que cheguem ao seu destino final que seria o consumidor final.

Os três tipos principais de embalagens são:

Invólucros diversificados: Caixas de madeira ou papelão, sacas, tambores, etc

Pallets: São estrados de madeira, plásticos ou metal.

Contêineres: Caixas grandes fechadas, normalmente de aço ou alumínio, utilizadas na importação e exportação de produtos.

 

4. CUSTOS DE MANUTENÇÃO DE INVENTÁRIO

 

Os estoques são ativos tangíveis que a empresa produz ou adquire com a finalidade de comercializar ou utilizar em suas próprias operações. O nível de inventário a ser mantido depende de fatores como nível de serviço prestado e política adotada pela empresa. Os estoques podem estar mantidos na empresa, em trânsito, ou sob propriedade da empresa mas de posse de terceiros.

O valor dos estoques é formado principalmente por custos variáveis como valor das mercadorias, frete sobre compras e seguro, porém, no processo também ocorrem custos fixos, que são incorporados aos produtos através do método do custeio por absorção. Estes custos são responsáveis por grande parte do custo logístico. O custo de manutenção de estoque inclui o custo de oportunidade, custos de serviços de inventário, custo de espaço de armazenagem, e custos de risco de estoque.

1.      Custo de oportunidade dos estoques: é representado pelo retorno financeiro que a empresa obteria utilizando este capital em outros investimentos. Atualmente, as empresas, com o intuito de reduzir seus custos de oportunidade, estão reduzindo continuamente seus níveis de estoque e, focando cada vez mais no gerenciamento do controle do capital de giro.

2.      Custos de serviços de inventário: envolve os custos com impostos e seguros. O seguro é dado sobre o valor dos estoques, em função do risco a que o produto está exposto.

3.      Custos de espaço para armazenagem: é relacionado ao custo que a empresa tem com o espaço de armazenagem, sendo representado por custos variáveis, que variam de acordo com o nível de estoque.

4.      Custos de riscos de estoques: dependem do tipo de produto estocado, podendo sofrer perdas, avarias, deterioração ou obsolescência nas atividades de transporte e armazenagem. São considerados como perdas efetivas e, irrecuperáveis para a empresa.

5.      Custo total de manutenção de inventário: é dado pela soma de todos os custos relacionados à manutenção do estoque, tais como: custo de oportunidade, custos de serviços de inventário, custos de espaço para armazenagem e custos de riscos de estoques. Também devem ser considerados outros custos inerentes ao inventário como transporte e armazenagem.

Perfil do Autor

Diego Cerioli

Diego Cerioli 19 anos Cursando 2º ano de Bacharel em Administração pela UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus de Francisco Beltrão.