Fatores na Análise Estratégica do Ambiente Externo

17/09/2010 • Por • 1,205 Acessos

Todos sabemos que não se pode reduzir uma análise estratégica a considerações sobre o ambiente externo em que está inserido o seu empreendimento, mas seria muita inocência, para não dizer falta de profissionalismo, abstrair aspectos ambientais em uma análise deste tipo.

A intenção, numa análise estratégica do ambiente, é, antes de mais nada, descobrirmos como as variáveis ambientais podem mudar e, em seguida, quais as implicações destas mudanças em nossa empresa.

 

Mas, quais fatores ambientais?

As variáveis ambientais, conforme as encaremos, podem ser classificadas de diversas maneiras. Para efeitos de uma análise macro, podemos agrupá-las em 4 grandes grupos, segundo Grieve Smith (2005):

  • Econômicas;
  • Social e demográficas;
  • Políticas; e
  • Tecnológicas.

FATORES ECONÔMICOS

Nos ECONÔMICOS incluem-se aqueles que tratam das economias nacional e internacional, bem como os específicos para um determinado tipo de indústria. Contrações e expansões econômicas mundiais como a que ainda ocorre em função da crise de 2008, são exemplos típicos deste contexto. As empresas, neste sentido, foram atingidas não apenas pelo nível geral de demanda na economia, mas também em função de aspectos financeiros particulares como taxas de câmbio, taxas de juros (LIBOR, EURIBOR, etc.). Nessa dimensão, ainda, note-se que há dificuldade em se fazer projeções porque há aqui duas situações: a primeira diz respeito ao fato de que temos de presumir que as condições gerais serão do mesmo tipo e, a segunda, diz respeito ao que se convencionou chamar "descontinuidades", ou seja, mudanças de paradigma. A possibilidade de se efetuar vendas pela internet é  exemplo, bem como a inserção poderosa da China na OMC.

FATORES SOCIAL E DEMOGRÁFICO

Sob os aspectos SOCIAL e DEMOGRÁFICO, temos várias situações. Uma das mais notáveis (e louváveis) foi a entrada das mulheres no mercado de trabalho. Há pelo menos 40 anos as mulheres vêm se inserindo no universo de atividades remuneradas e esse processo é irreversível. Muito se tem debitado esta mudança em função do deslocamento da vida produtiva dos campos para as cidades, o que é fato, mas também podemos debitar essa evolução social na conta da ampliação da educação e dos meios de informação. Aliás, no que diz respeito a Educação, o fato de não haver mais reprovações nas séries primárias do ciclo de educação de nossas crianças ainda trará efeitos nefastos para o Brasil.

FATORES POLÍTICOS

Já no que tange ao grupo de aspectos POLÍTICOS, não raramente há mudanças que alteram totalmente as relações entre empresas, governos, cidadãos e instituições sociais basilares como Congresso, Cortes de Justiça e Agências Reguladoras, entre outras. Se tomarmos o próprio Brasil pré-Collor como exemplo, certamente iremos nos lembrar que havia grandes dificuldades alfandegárias e mesmo de relação cambial, as quais impediam, em termos práticos, a obtenção de bens de consumo estrangeiros. Pior ainda, tal fato emperrava sobremaneira a evolução da indústria nacional a qual, em não podendo acessar maquinários modernos a preços competitivos, perdia cada vez mais e mais espaço no mercado internacional de produtos de valor agregado. Não por acaso, ainda hoje nos valemos das assim chamadas commodities, que, via de regra, são de baixíssimo valor agregado. No entanto, após 1990, com a abertura de nosso mercado aos bens importados a partir de uma diretriz presidencial, especialmente no setor de automotivos, houve um aumento substancial da qualidade e competitividade de nossa indústria.

FATORES TECNOLÓGICOS

Os fatores tecnológicos afetam as empresas de duas grandes maneiras: a)dando a oportunidade de se produzir novos produtos ou formas de produção; ou b) alterndo o ambiente no qual a firma opera, levando a uma competição desenfreada para se produzir produtos equivalentes àqueles que lideram uma mudança. Neste aspecto, inclusive, há uma decisão estratégica importante, que diz respeito à inovação: trata-se de decidir se é o caso de se arcar com os custos de ser um líder inovador no mercado em que se atua. Obviamente, ao se  optar por ser um líder inovador, assume-se um risco maior, tanto no desenvolvimento, quanto na introdução do item no mercado. Por outro lado, em obtendo-se o sucesso, garante-se um monopólio virtual naquele produto. Em contrapartida, ser uma empresa que segue simplesmente a "onda" do mercado é uma opção mais segura, mas há o preço de se estar "sempre atrás", com margens de lucro e fatias de mercado menores.

 

CONCLUSÃO

Como se vê, ao se juntar os diversos fatores ambientais externos nos grupos supra mencionados, consegue-se vislumbrar melhor as variáveis que podem influenciar os movimentos estratégicos no contexto em que se insere a empresa analisada.

Além disso, ao se tomar desta forma os grupos de fatores e procedendo-se às análises pertinentes, pode-se tomar medidas corretivas de rumo, inclusive com realinhamentos estratégicos decorrentes.

Por fim, conforme se observa, não há que se temer os fatores ambientais, mas, sim, mapeá-los e acompanhá-los, estando sempre pronto para eventuais ajustes necessários.

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(Artigo também disponível em http://www.brasiladmin.com)

Bibliografia citada:

SMITH, John Grieve; "Business Strategy -  An Introduction", The Economist Publications, 1985.

Perfil do Autor

Diógenes Lima Neto

Diógenes Lima Neto é graduado em Administração Pública, com ênfase em Ciências da Logística, pela Academia da Força Aérea - AFA. Possui...