Gestão Em Saúde

Publicado em: 06/02/2009 |Comentário: 5 | Acessos: 57,985 |

1.         O que é Gestão


Segundo o PMBOK[1] 2004, a gestão é a aplicação de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades a fim de atender aos seus requisitos de maneira eficiente e eficaz.



A função administrativa é algo amplo, que implica na utilização dos quesitos mencionados acima, desde o instante inicial de criação de uma atividade até a finalização da mesma e sua conseqüente avaliação. Neste sentido, o administrador deve estar sempre raciocinando, a partir de uma visão global, já que desempenha estas funções simultaneamente e deve harmonizar esforços em busca de um objetivo já preestabelecido.



1.1.     Modelo de Excelência em Gestão



Segundo a Fundação Nacional da Qualidade – FNQ, os Fundamentos da Excelência em Gestão expressam conceitos que se traduzem em práticas encontradas em organizações de elevado desempenho, são eles:



v    Visão sistêmica - Entendimento das relações de interdependência entre os diversos componentes de uma organização;



v    Proatividade - Capacidade da organização de se antecipar às mudanças;



v    Inovação - Implementação de novas idéias geradoras de um diferencial competitivo.



v    Liderança e constância de propósitos;



v    Valorização das pessoas;



v    Abordagem por processos: Compreensão e gerenciamento da organização.






2.         Gestão no SUS



No Sistema Único de Saúde – SUS, a atividade de gestão implica em coordenar, articular, negociar, planejar, acompanhar, controlar, avaliar e auditar o sistema de saúde em nível municipal, estadual e nacional.



Esta gestão é regulamentada pelas Normas Operacionais (NOB-SUS 91, 93 e 96; NOAS 01, reeditada em 2002) – que são instrumentos jurídico-institucionais – que foram formuladas com o intuito de implementar o SUS.



Contudo, antes de destacarmos as competências de cada gestor e seus instrumentos de gestão, abordaremos a NOB-SUS/96, ainda em vigor, para melhor compreendermos o sentido desta forma de organização.



2.1      Norma Operacional Básica – NOB-SUS 01/96



A partir da nova Constituição da República, várias iniciativas institucionais, legais e comunitárias foram criando as condições de viabilização plena do direito à saúde. Destacam-se, neste sentido, no âmbito jurídico institucional, as chamadas Leis Orgânicas da Saúde (Nº 8.080/90 e 8.142/90), o Decreto Nº 99.438/90 e as Normas Operacionais Básicas (NOB). Estas, por sua vez, voltam-se mais direta e imediatamente, para a definição de estratégias e movimentos táticos, que orientam a operacionalidade do SUS.



            Sua prioridade primordial é promover e consolidar o pleno exercício, por parte do poder público municipal e do Distrito Federal, da função de gestor da atenção a saúde dos seus munícipes (Artigo 30, incisos V e VII, e Artigo 32, Parágrafo 1º, da Constituição Federal), com a conseqüente redefinição das responsabilidades dos Estados, do Distrito Federal e da União, avançando na consolidação dos princípios do SUS.



            Busca-se, dessa forma, a plena responsabilidade do poder público Municipal, sendo que os poderes públicos, Estadual e Federal, são sempre co-responsáveis, na respectiva competência ou na ausência de função do município (inciso II do Artigo 23, da Constituição Federal). Essa responsabilidade, no entanto, não exclui o papel da família, da comunidade e dos próprios indivíduos, na promoção, proteção e recuperação da saúde.



            Além de aperfeiçoar a gestão do SUS, esta NOB aponta para uma reordenação do modelo de atenção à saúde, na medida em que redefine:



v    os papéis de cada esfera de governo;



v    os instrumentos gerenciais para que municípios assumam seus respectivos papéis de gestores do SUS;



v    os mecanismos e fluxos de financiamento, ampliando as transferências de caráter global, fundo a fundo, com base em programações ascendentes, pactuadas e integradas, em substituição a remuneração por produção de serviços;



v    a prática do acompanhamento, controle e avaliação no SUS, superando os mecanismos tradicionais, centrados no faturamento de serviços produzidos, e valorizando os resultados advindos de programações com critérios epidemiológicos e desempenho com qualidade;



v    os vínculos dos serviços com os seus usuários, privilegiando os núcleos familiares e comunitários, criando, assim, condições para uma efetiva participação e controle social.



Os campos de atenção à saúde do SUS, compreendem:



v    assistência;



v    intervenções ambientais;



v    políticas externas.



Independentemente da gerência dos estabelecimentos prestadores de serviços ser estatal ou privada, a gestão de todo o sistema municipal é, necessariamente, da competência do poder público e exclusiva desta esfera de governo, respeitadas as atribuições do respectivo Conselho e de outras diferentes instâncias de poder. Assim, nesta NOB, gerência é conceituada como sendo a administração de uma unidade ou órgão de saúde (municipal, estadual ou nacional). São, portanto, gestores do SUS os Secretários Municipais e Estaduais de Saúde e o Ministro da Saúde, que representam, respectivamente, os governos Municipais, Estaduais e o Federal.



            Cada um destes gestores tem competências definidas nesta NOB, a saber:



Gestor Federal



v    Exercer a gestão do SUS, no âmbito nacional;



v    Promover as condições e incentivar o Gestor Estadual com vistas ao desenvolvimento dos sistemas municipais, de modo a conformar o SUS-Estadual;



v    Fomentar a harmonização, a integração e a modernização dos Sistemas Estaduais;



v    Exercer as funções de normalização e de coordenação no que se refere à Gestão Nacional do SUS. Da mesma forma que no âmbito Estadual, o exercício dos papéis do Gestor Federal requer a configuração de sistemas de apoio logístico e de atuação estratégica, que consolidam os sistemas estaduais como:



§  Informação informatizada;



§  Financiamento;



§  Programação, acompanhamento, controle e avaliação;



§  Apropriação de custos e avaliação econômica;



§  Desenvolvimento de recursos humanos;



§  Desenvolvimento de ciência e tecnologias.



 



Papel do Gestor Estadual



v     Exercer a gestão do SUS, no âmbito estadual;



v     Promover condições e incentivar o poder municipal para que assuma a gestão da atenção à saúde de seus munícipes, na perspectiva de atenção integral;



v     Assumir, em caráter de transição, a gestão da atenção à saúde das populações, cujo Município ainda não assumiu esta responsabilidade;



v     Promover harmonização, integração e modernização dos Sistemas Municipais, compondo o SUS – Estadual.



 



Papel do gestor municipal



v    Elaboração do plano municipal de saúde;



v    Operação dos sistemas de informação referentes à atenção básica;



v    Gestão da informação, garantindo a sua divulgação;



v    Monitoramento e fiscalização da aplicação dos recursos financeiros;



v    Monitoramento e avaliação das ações de vigilância em saúde, realizadas em seu território, por intermédio de indicadores de desempenho, envolvendo aspectos epidemiológicos;



v    Monitoramento,controle e avaliação de todos os serviços prestados;  



v    Adoção de vínculos de trabalho que garantam os direitos sociais e previdenciários dos trabalhadores de saúde na sua esfera de gestão e de serviços.



As instâncias básicas para a viabilização dos propósitos integradores e harmonizadores são os Fóruns de Negociação, integrados pelos gestores Municipal, Estadual e Federal – a Comissão Intergestores Tripartite (CIT) – e pelos gestores Estaduais e Municipais – a Comissão Intergestores Bipartite (CIB). Por meio dessas instâncias e dos Conselhos de Saúde, são viabilizados os princípios de unicidade e de equidade.



As tarefas de harmonização, de integração e de modernização dos sistemas municipais competem ao poder público estadual. Ao federal, incube promovê-las entre as Unidades da Federação.



O processo de articulação entre os gestores, nos diferentes níveis do Sistema, ocorre, preferencialmente, em dois colegiados de negociação: a CIT e a CIB. As conclusões das negociações pactuadas por estas, são formalizadas em ato próprio do gestor respectivo. Aqueles referentes às matérias de competência dos Conselhos de Saúde, definidas por força da Lei Orgânica, desta NOB ou de resolução específica dos respectivos Conselhos são submetidas previamente a estes para aprovação. As demais resoluções devem ser encaminhadas, no prazo máximo de 15 dias decorridos de sua publicação, para conhecimento, avaliação e eventual recurso da parte que se julgar prejudicada, inclusive no que se refere à habilitação dos estados e municípios às condições de gestão desta Norma.



            O SUS tem como ideais a consolidação de vínculos com e entre diferentes segmentos sociais e atendimento com eficácia e eficiência. Um dos meios para isto é a criação do cartão SUS, com numeração nacional, assegurando o atendimento de urgência por qualquer serviço de saúde e o balizamento de recursos, mediados, por um lado, pela universalização e integralidade e, por outro, pela limitação de recursos (racionalização). Portanto, esta NOB disciplina o processo de organização da gestão, com ênfase na consolidação da direção em cada esfera de governo e na construção da rede regionalizada e hierarquizada de serviços.



            A proposta deste novo modelo de gestão é centrá-lo na qualidade de vida das pessoas e do seu meio ambiente e melhorar e relação da equipe de saúde com a comunidade, especialmente, com os seus núcleos sociais primários – as famílias.



            As condições de gestão estabelecidas nesta NOB, explicitam as responsabilidades do gestor municipal, os requisitos relativos às modalidades de gestão e as prerrogativas que favorecem o seu desempenho.



            A habilitação dos municípios às diferentes condições de gestão significa a declaração dos compromissos assumidos por parte do gestor perante os outros gestores e perante a população sob sua responsabilidade.



            A partir desta NOB, os municípios podem habilitar-se em duas condições:



v    Gestão Plena de Atenção Básica; e



v    Gestão Plena do Sistema Municipal



Os Municípios que não aderirem ao processo de habilitação permanecem, para efeito desta Norma Operacional, na condição de prestadores de serviços ao Sistema, cabendo ao Estado a gestão do SUS naquele território municipal, enquanto for mantida a situação de não habilitado.



Os Estados, por sua vez, poderão habilitar-se em duas condições de gestão:



v    Gestão Avançada do Sistema Estadual; e



v    Gestão Plena do Sistema Estadual



Os Estados que não aderiram ao processo de habilitação permanecem na condição de gestão convencional, desempenhando as funções anteriormente assumidas ao longo do processo de implantação do SUS, não fazendo jus às novas prerrogativas introduzidas por esta NOB, exceto ao PDAVS (Programa Desconcentrado de Ações de Vigilância Sanitária) nos termos definidos pela SVS/MS. Essa condição corresponde ao exercício de funções mínimas de gestão do Sistema, que foram progressivamente incorporadas pelas SES (Secretaria Estadual de Saúde), não estando sujeita a procedimento específico de habilitação nesta NOB.



A partir da Habilitação dos Municípios e Estados em uma das condições previstas nesta NOB, os gestores têm à sua disposição os instrumentos de gestão que, apesar de requisitos obrigatórios, são necessários para o funcionamento do SUS, são eles:



            AGENDA DE SAÚDE: Instrumento de gestão que estabelece um compromisso formal das prioridades de governo na área de saúde para o período de um ano.



PLANO DE SAÚDE :Produto resultante do processo de planejamento em saúde para um período de gestão.Explicita as prioridades, objetivos, metas e estratégias estabelecidas com base na análise da situação e tendências.



QUADRO DE METAS: Parte integrante do Plano de Saúde e tem como objetivo estabelecer metas prioritárias nas três esferas de governo. O quadro de metas é elaborado para um período de um ano.



PLANO DIRETOR DE REGIONALIZAÇÃO (PDR): Tem por objetivo organizar a assistência à saúde do Estado de forma regionalizada e hierarquizada, a partir de níveis de complexidade.



PROGRAMAÇÃO PACTUADA INTEGRADA (PPI): A partir do princípio de regionalização, organiza o modelo de atenção e gestão do SUS, definindo as competências das três esferas de governo.



RELATÓRIO DE GESTÃO: Ferramenta de avaliação do cumprimento das metas estabelecidas na Agenda Municipal de Saúde e da aplicação de recursos: programação e execução.



Os instrumentos de Gestão Municipal dividem-se em quatro tipos principais:



1-           Planejamento



a.           Planejamento público



b.           Proibições e restrições



2-           Taxação



a.           Diversos impostos e taxas sobre propriedades



b.           Taxas de serviços



c.           Taxas de desenvolvimento



3-           Suporte Financeiro e tributário



a.           Imposto predial



b.           Imposto de renda sobre lucro imobiliário



c.           Taxas sobre projetos locais



d.           Construção de melhorias



4-           Instrumentos Administrativos



a.           Desapropriação



b.           Transferência do direito de construir.



2.2.     Pacto pela Saúde



Em 2006, representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde –CONASS, Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde – CONASEMS e o Ministro da Saúde assinam o PACTO PELA SAÚDE - Consolidação do SUS, no qual estão detalhadas as Diretrizes Operacionais para os Pactos em Defesa do SUS, pela Vida e de GESTÂO .



            O Pacto pela Saúde é resultado de um esforço das três esferas de governo no sentido de responder aos temas cruciais debatidos na 12ª Conferência Nacional de Saúde no que se refere à gestão do SUS.



As iniciativas de descentralização já demonstravam sinais de esgotamento, exigindo uma maior “... capacidade de respostas concretas às necessidades de saúde da população brasileira, e tornar a saúde uma política de Estado mais do que uma política de governo.” (Nota Técnica CONASS, 2006) Assim, o Pacto “...tem como finalidade a qualificação da gestão pública do SUS, buscando maior efetividade, eficiência e qualidade de suas respostas.” (Idem, grifos nossos)



O Pacto de Gestão estabelece as responsabilidades claras de cada Ente Federado de forma a diminuir as competências concorrentes e a tornar mais claro quem deve fazer o quê, contribuindo assim, para o fortalecimento da gestão compartilhada e solidária do SUS.



            Esse Pacto parte de uma constatação indiscutível: o Brasil é um país continental e com muitas diferenças e iniqüidades regionais. Mais do que definir diretrizes nacionais, é preciso avançar na regionalização e descentralização do SUS, a partir de uma unidade de princípios e uma diversidade operativa que respeite as singularidades regionais.



O Pacto radicaliza a descentralização de atribuições do Ministério da Saúde para os Estados e, destes, para os Municípios, promovendo um choque de descentralização, acompanhado da desburocratização dos processos normativos. Reforça a territorialização da saúde como base para a organização dos sistemas, estruturando as regiões sanitárias e instituindo colegiados de gestão regional.



Reitera a importância da participação e do controle social com o compromisso de apoio a sua qualificação.



Explicita as diretrizes para o financiamento público tripartite: busca critérios de alocação eqüitativa dos recursos; reforça os mecanismos de transferência fundo a fundo entre gestores; integra em grandes blocos o financiamento federal e estabelece relações contratuais entre os entes federativos.



 



2.2.1. Prioridades



      Definir de forma inequívoca a responsabilidade sanitária de cada instância gestora do SUS : Federal, Estadual e Municipal;



Estabelecer as Diretrizes para a gestão do SUS, com ênfase na:



I-             Descentralização;



II-           Regionalização;



III-          Financiamento;



IV-         Programação Pactuada e Integrada;



V-          Regulação;



VI-         Participação e Controle Social;



VII-        Planejamento;



VIII-      Gestão do Trabalho e



IX-         Educação na Saúde.



2.2.2. Diretrizes



I- DESCENTRALIZAÇÃO:



Constituir a qualificação da descentralização com fortalecimento das CIB’s.



II - REGIONALIZAÇÃO



v    Desenho das regiões a partir de identidades loco-regionais;



v    Criação de espaço de gestão regional responsável pelo planejamento, regulação, programação e linhas de investimento;



v    Garantir acesso, resolutividade e qualidade às ações e serviços de saúde cuja complexidade e contingente populacional transcendam a escala local/municipal;



v    Organização das redes de ações e serviços a partir das necessidades;



v    Garantir o direito à saúde, reduzir desigualdades sociais e territoriais e promover eqüidade, ampliando a visão nacional dos problemas, associada à capacidade de diagnóstico e decisão loco-regional que possibilite os meios adequados para a redução das desigualdades no acesso às ações e serviços de saúde existentes no país;



v    Garantir a integralidade na atenção à saúde, ampliando o conceito de cuidado à saúde no processo de reordenamento das ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação com garantia de acesso a todos os níveis de complexidade do sistema;



v    Potencializar o processo de descentralização, fortalecendo Estados e Municípios para exercerem papel de gestores e para que as demandas dos diferentes interesses loco-regionais possam ser organizadas e expressadas na região;



v    Racionalizar os gastos e otimizar os recursos, possibilitando ganho em escala nas ações e serviços de saúde de abrangência regional.



Os principais instrumentos de planejamento da Regionalização são o Plano Diretor Regionalização – PDR, o Plano Diretor de Investimento – PDI e a Programação Pactuada e Integrada de Atenção em Saúde – PPI.



Cada CIB deve estabelecer qual o desenho mais apropriado para garantir o acesso com qualidade ás ações e serviços de saúde, portanto, a definição do conjunto de ações e serviços a serem desempenhadas em cada região deverá estar de acordo com as necessidades de saúde e da capacidade de oferta da região



III- FINANCIAMENTO



            O Pacto de Gestão estabeleceu a nova forma de transferência de recursos, saindo de mais de 131 formas de financiamento para 5 Blocos, sendo eles:



1-           Atenção Básica, composto por :



v    Piso de Atenção Básica Fixo – PAB Fixo



v    Piso de Atenção Básica Variável – PAB Variável



2-           Atenção de Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar, composto por:



v    Limite Financeiro da Média e Alta complexidade Ambulatorial e Hospitalar – MAC



v    Fundo de Ações estratégicas e compensação – FAEC



3-           Vigilância em Saúde, composto por:



v    Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde



v    Vigilância Sanitária



4-           Assistência Farmacêutica, composto por :



v    Básico de Assistência Farmacêutica



v    Estratégico da Assistência Farmacêutica



v    Medicamentos de Dispensação Excepcional



5-           Gestão do SUS, composto por:



v    Qualificação da Gestão do SUS



v    Implantação de Ações e serviços de Saúde



Com a nova modalidade de transferência de recursos, os gestores de saúde passarão a ter maior autonomia na aplicação de recursos, a partir do plano de saúde estabelecido e aprovado pelo conselho municipal ou estadual



IV- PROGRAMAÇÃO PACTUADA E INTEGRADA (PPI)



Organiza o modelo de atenção e gestão do SUS, aloca recursos entre municípios, explicita a distribuição de competência das 3 esferas e orienta a organização do sistema de saúde e das redes de referencia das microrregiões. Além disso, descreve as responsabilidades de cada gestor do sistema, programa as ações que serão realizadas com o objetivo de garantir o acesso da população aos serviços de saúde (levando em conta o princípio da Regionalização).



V – REGULAÇÃO



v    Atenção à Saúdetem por objeto a produção de todas as ações diretas e finais de atenção à saúde, dirigida aos prestadores de serviços de saúde, públicos e privados



v    Assistencialconjunto de relações saberes, tecnologias e ações que intermediam a demanda dos usuários por serviços de saúde e acesso a estes.



O Pacto de Gestão define que a regulação dos prestadores de serviços deve ser preferencialmente do município, conforme o desenho de rede de assistência pactuado na CIB e observar o contido no termo de gestão do pacto.



VI – PARTICIPAÇÃO E CONTROLE SOCIAL



É um princípio doutrinário e está assegurado na Constituição e nas Leis Orgânicas da Saúde - 8080/90 e 8142/90.



AÇÔES:



v    Apoiar Conselhos, Conferências de Saúde e os Movimentos Sociais que atuam no campo da saúde;



v    Apoiar o processo de formação dos Conselheiros; os processos de Educação Popular em Saúde; a implantação e implementação de ouvidorias nos Estados e Municípios; o processo de Mobilização Social e Institucional em Defesa do SUS e na discussão do Pacto;



v    Estimular a participação e avaliação dos cidadãos nos serviços de saúde.



VII– PLANEJAMENTO



Este sistema buscará, de forma tripartite, a pactuação de bases funcionais do monitoramento e avaliação do SUS, bem como promoverá a participação social e a integração intra e intersetorial, considerando os determinantes e condicionantes da saúde.



VIII – GESTÃO DO TRABALHO



É composta pela estruturação, capacitação de Recursos Humanos para a  Gestão do Trabalho e o Sistema Gerencial de Informações.



Tem como diretrizes a Política de RH como eixo para o SUS; valorização do trabalho e trabalhadores de saúde; Tratamento de Conflitos e a Humanização das Relações de Trabalho.



XI – EDUCAÇÃO NA SAÚDE



Tem como diretriz avançar na implementação da Política Nacional de Educação Permanente (PNEP), considerando-a como parte essencial de uma política e estratégia para a formação e desenvolvimento de trabalhadores do SUS; discutindo-a e avaliando-a de forma a providenciar ajustes sempre que necessários.



3.         Considerações finais



            Conforme podemos observar ao longo do texto, a efetivação do SUS depara-se com diversos desafios que, ao longo dos seus quase 20 anos de existência, ainda precisam ser superados.



            Por um lado, a gestão pactuada entre as três esferas de governo, com direção única, ainda precisa amadurecer ao ponto de não se configurar em “uma tradução pragmática das regras legislativas” (Carvalho e Cunha).  Há que se considerar, ainda, “a ação política de sujeitos individuais e coletivos que disputam a orientação do sistema de saúde”. (Idem)



            Por outro, a revisão do conceito de Saúde ou modelos de atenção é fundamental. Sabemos que a co-existência de Modelos Assistenciais distintos também se constitui um desafio de superação, já que o SUS trouxe nova concepção de saúde e atenção, na perspectiva de prevenção, proteção e recuperação da saúde. Contudo, quem opera este Sistema? O aparato legal é importantíssimo para uma mudança de paradigma, porém, é só o primeiro passo para uma transformação mais profunda.



            Neste sentido, ao considerarmos a importância da gestão para a efetivação do SUS, temos que considerar, também, o modo como os trabalhadores se relacionam com o seu principal “objeto” de trabalho: a vida e o sofrimento de indivíduos (ou uma coletividade). Ainda, os trabalhadores tendem ao enfoque na especialização, cujo olhar volta-se para a doença e não para o indivíduo (e sua rede de relações), dificultando o foco na saúde.



            Diante deste quadro, fica o desafio de experimentar novas formas de gerir as instituições de saúde (Ibidem), onde haja compromisso das equipes com a “produção de saúde”, com uma cultura organizacional mais pública e solidária. Para tanto, é imprescindível o enfoque interdisciplinar, com participação na gestão.



            Para Campos (2000), a qualificação e humanização na gestão dependem de um equilíbrio nas relações de poder, assim propõe um “Colegiado Gestor”, formado pelo gestor, coordenações das equipes de referência e apoiadores, onde o usuário é o centro da atenção e há cooperação entre a equipe técnica para a atenção integral a este usuário.



4.         Referências Bibliográficas



           



BRASIL. Norma Operacional Básica do SUS – NOB-SUS 01/96. In Diário Oficial da União. Brasília. Novembro de 1996.



________. Pacto pela Saúde. Brasília. 2006.



________. Relatório Final da 12ª Conferência Nacional de Saúde. Brasília: Editora MS. 2004.



CARVALHO, S. R., CUNHA, G.T. a GESTÃO DA Atenção na Saúde: Elementos para se pensar a mudança da organização na Saúde. In CAMPOS, G. W. S., Tratado de Saúde Coletiva. Local: Editora, Ano.



MAGALHÃES JgR, H. M. Modelos de Gestão.  Mimeo. Belo Horizonte. SD



NOTA TÉCNICA. Para entender o Pacto pela Saúde 2006. Brasília. CONASS. Junho de 2006.



PUPO, T. R. G. B. Apostila da Disciplina de Políticas de Saúde. Formulação de Políticas de Saúde. São Paulo. Faculdade de Saúde Pública. 2008.



VASCONCELOS, C. M., PASCHE, D.F. O Sistema Único de Saúde. In CAMPOS, G. W. S., Tratado de Saúde Coletiva. Local: Editora, Ano.



[1] Project Management Body of Knowledge. É um guia de gestão de projetos do Project management Institute .
 


Avaliar artigo
4
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 7 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/gestao-artigos/gestao-em-saude-759846.html

    Palavras-chave do artigo:

    modelo de excelencia em gestao

    ,

    gestao em saude

    ,

    regulacao

    Comentar sobre o artigo

    silvio broxado

    O servidor público carrega o estigma de ser considerado profissional desengajado, arredio às mudanças e sem comprometimento, apesar de estarmos vivenciando um período o paradigmático quanto aos conceitos do desempenho humano na nova gestão pública. Essa avaliação no comportamento e no desempenho de servidores geram uma série de descren-ças com relação a qualidade do serviço público ao cidadão.No contexto, muitas questões vêem a tona, principalmente sobre o modelo ideal de gestão por mérito.

    Por: silvio broxadol Negócios> Administraçãol 22/03/2011 lAcessos: 1,626
    Laine Reis Araújo

    Vivenciamos momentos de grandes transformações no cenário mundial. Cenário de transformações políticas, econômicas e sociais acontecimentos que diz respeito às diversas áreas do governo e também ao conjunto da sociedade brasileira. As Procuradorias Gerais Estaduais atuam buscando a defesa do interesse público impõe a verificação da eficiência do serviço ou a utilidade do ato administrativo, ainda que legítimo, exigindo a sua modificação ou supressão, em virtude de ser ineficiente inútil.

    Por: Laine Reis Araújol Direito> Doutrinal 17/07/2013 lAcessos: 51
    Elizeu Vieira Moreira

    Reflete sobre a trajetória da qualidade como parâmetro do processo de produção capitalista até sua transformação em Qualidade Total e sua ressignificação como simulacro e instrumento de controle nas políticas educacionais e das relações pedagógicas.

    Por: Elizeu Vieira Moreiral Educação> Ciêncial 29/06/2011 lAcessos: 682

    : Artigo de Revisão Bibliográfica sobre Liderança em Enfermagem e seus aspectos emocionais, tão procurados pelas grandes Organizações Hospitalares. Relata a importância do líder em sua equipe, quais as atitudes a serem tomadas, características importantes para que possa exercer seu papel no contexto hospitalar e no gerenciamento de seus colaboradores. Tem como objetivo elucidar e até mesmo nortear aos “novos enfermeiros” qual o perfil adequado a seguir, quais atitudes são pertinentes, quais são aquelas que não devem ser adotadas e também proporcionar aos que já são Líderes de vivência profissional alguns momentos de reciclagem.

    Por: HENRIETTE LEAL BASTOSl Negóciosl 03/12/2009 lAcessos: 7,693 lComentário: 1
    Jenner R Camillo

    Ter uma boa equipe é essencial para o sucesso de qualquer empresa. Essa regra é ainda mais importante numa startup, quando o seu projeto ainda está na fase inicial e você tem poucos recursos financeiros à disposição. Cada contratação precisa ser estratégica e deve contribuir para os objetivos da sua organização. E é por isso que separamos, aqui, algumas dicas que podem ajudá-lo muito na hora da seleção dos profissionais que irão trabalhar com você. Confira!

    Por: Jenner R Camillol Negócios> Gestãol 17/11/2014

    O lençol de borracha está muito presente na indústria por meio de diferentes segmentos. Entre as principais vantagens deste material está o fato de que ele pode ser desenvolvido em diferentes tipos e sua capacidade de manter sua composição química e mecânica mesmo após situações de compressão e calor altíssimos.

    Por: Thiago Fonsecal Negócios> Gestãol 17/11/2014

    O estudo faz-se por entender o tema principal abordado, a Gestão Financeira, que tem como objetivo mostrar o quanto é importante um gestor qualificado numa instituição,fornecendo teorias inovadoras, análises mais profundas, trazendo a melhor administração possível para a empresa, com o objetivo alcançar metas e, consequentemente crescimento a empresa.

    Por: Brena Santos de Souzal Negócios> Gestãol 14/11/2014 lAcessos: 13
    Jenner R Camillo

    Apesar de ser um sistema subjetivo, há elementos que devem ser considerados na hora de se precificar uma empresa. Veremos nesse artigo alguns destes fatores determinantes.

    Por: Jenner R Camillol Negócios> Gestãol 14/11/2014
    Paul Friedericks

    Trabalhar a emoção. Uma excelente ferramenta na hora da venda. Mais do que qualquer outro argumento, a emoção exerce uma fortíssima influência na decisão final de uma compra.

    Por: Paul Friedericksl Negócios> Gestãol 11/11/2014

    Todo empreendedor sabe que um dia, inevitavelmente, irá precisar contar com um departamento para Pesquisa e Desenvolvimento. As ideias de novos produtos que são criadas nessa área são as responsáveis por manter uma companhia competitiva contra concorrentes cada vez mais fortes.

    Por: Thiago Castriottol Negócios> Gestãol 11/11/2014

    Saiba o que é preciso ter em mente na hora de elaborar o seu plano de negócios.

    Por: HomeCredil Negócios> Gestãol 10/11/2014

    Muitas vezes, uma empresa e seus concorrentes têm produtos muito parecidos. As diferenças estão em uma ou duas diferenças técnicas, mas que não fazem tanta variação no resultado final. Para quem encara uma situação como a descrita acima, algumas medidas podem ajudar a impulsionar o produto e superar os rivais:

    Por: Thiago Castriottol Negócios> Gestãol 10/11/2014

    O atual ambiente de negócios é caracterizado pelos mercados abertos em que a competição se torna cada vez mais acirrada, quando novas técnicas e paradigmas são rapidamente disseminados e as empresas precisam promover mudanças rápidas e eficazes para sobreviverem.

    Por: Henrique Assumpção Montanhal Negócios> Gestãol 10/08/2010 lAcessos: 284

    A busca pela qualidade vem sendo cada vez mais discutida e compartilhada entre os profissionais, sobre tudo os que atuam na esfera gerencial, uma vez que os usuários tornaram-se mais conscientes de seus direitos, requerendo assim um maior comprometimento dessas instituições.

    Por: Henrique Assumpção Montanhal Negóciosl 10/08/2010 lAcessos: 304

    Texto aborda uma visão prática sobre a Epidemiologia aplicada aos serviços de saúde pública e gestão SUS.

    Por: Henrique Assumpção Montanhal Saúde e Bem Estar> Medicinal 10/08/2010 lAcessos: 1,484

    A incorporação de tecnologias e a produção de diretrizes clínicas para o SUS, comparativo com Europa e EUA.

    Por: Henrique Assumpção Montanhal Tecnologia> Tecnologiasl 10/08/2010 lAcessos: 1,064

    Foi realizada pesquisa em um Hospital Universitário, a fins de verificar as condições psicologias do corpo de Enfermagem, no que diz respeito ao prazer ou falta de, no ambiente de trabalho.

    Por: Henrique Assumpção Montanhal Saúde e Bem Estar> Medicinal 10/08/2010 lAcessos: 321

    Comments on this article

    0
    rosangela 04/10/2011
    muito esclarecedor.
    4
    cristina 28/05/2010
    bem esclarecedor o artigo; posicionou-me melhor frente ao assunto
    2
    fátima 27/05/2010
    achei este artigo muito interessante,gostaria de receber este artigo por email e as novas publicações.
    0
    Dinalva 26/03/2010
    gostei muito das dicas me ajudaram nas dúvidas......obrigada
    0
    eliza 24/11/2009
    achei muito enteressante esse documento d vcs esclareu minha dividas
    obrigado
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast