Plano De Desenvolvimento Individual, Você Já Fez O Seu?

01/01/2010 • Por • 4,603 Acessos

Todo início de ano é a mesma coisa: vou parar de beber, vou parar de fumar, vou perder peso e mais um monte de promessas que na grande maioria das vezes são esquecidas no dia seguinte.

Mas e como ficam as metas e os objetivos pessoais e profissionais para o novo ano que se inicia como elas são tratadas por você?

Falar de planos a curto prazo é um pouco mais fácil, por exemplo, se te perguntarem o que você vai fazer hoje talvez a resposta seja dada de bate pronto: vou ficar em casa vendo TV, vou estudar para o vestibular, vou visitar alguns parentes ou até mesmo não tenho planos para hoje.  Mas e se te perguntarem quais são seus planos para o ano que se inicia? Onde você se vê daqui cinco anos? Ou ainda, onde você se vê daqui dez anos?

Algumas organizações utilizam uma ferramenta chamada “Plano de Desenvolvimento Individual”, ou simplesmente PDI para auxiliar seus empregados nessa difícil tarefa de planejar sua carreira, mas que também pode ser utilizada na vida pessoal.

O PDI é um processo individual, feito pelo empregado, com suporte direto e orientação da supervisão direta, além de ser um processo voluntário. O PDI não é uma avaliação de desempenho ou um plano de carreira, e também não é uma garantia de promoção. Cada um é responsável por seu próprio desenvolvimento pessoal e profissional, e o papel do gestor é dar o suporte necessário para que seus objetivos de desenvolvimento profissionais atuais e futuros sejam alcançados.

Vamos fazer um exercício rápido:

O que é mais importante nos dias de hoje, um curso de graduação ou aprender um segundo idioma?

As duas coisas são importantes, mas como conciliá-las? Talvez elaborando um PDI a resposta para essa pergunta torne-se mais fácil.

Algumas pessoas não entenderam ainda que a decisão de ir para a faculdade deve ser encarada como algo importante para você e não para a organização que você trabalha, logo deve ser escolhida com muito cuidado, por exemplo, se você não gosta de cálculos ou não se dá bem com números, com certeza a faculdade de ciências contábeis não será a melhor opção, mas não é só isso que você deve considerar na hora de elaborar o seu PDI.

Vamos voltar a uma das perguntas que eu fiz no começo deste artigo: “Onde você se vê daqui cinco anos?”

Se a pergunta for feita a um analista de marketing, talvez a resposta seja “me vejo daqui a cinco anos como gerente de marketing”, mas para que isso aconteça ele precisará ter alguns requisitos, qualificações que deverão começar a ser pensadas agora.

Em primeiro lugar ele deverá ter uma qualificação mínima compatível, e entendam como qualificação mínima compatível um curso de graduação na área. Espera-se ainda que ao assumir a posição de gerente ele tenha um nível  suficiente para conversação e entendimento em um segundo idioma, Inglês ou Espanhol ou em alguns casos os dois.

Nessa situação, essa pessoa já tem duas coisas para pensar a médio prazo e colocar em seu PDI antes de atingir o objetivo de se tornar Gerente e Marketing:

1º - Formação mínima na área;

2º - Desenvolver um segundo idioma.

Talvez o próprio mercado de trabalho, ou o dia a dia dentro da organização imponha outras competências que devam ser adquiridas ou desenvolvidas durante o decorrer do processo, uma Pós Graduação na área, por exemplo, não deve ser descartada.

De certa forma o PDI traça os passos a seguir em busca do objetivo definido, que nesse caso é se tornar Gerente de Marketing.

É claro que não podemos esquecer que alguns fatores para se atingir o objetivo não dependem só de nós. Se sua empresa não tem um plano de carreira que facilite a execução de seu PDI, as chances de você conseguir êxito diminuem.

Se sua organização não muda, e elas dificilmente mudam, mude você, afinal de contas para quem você estuda e se desenvolve mesmo?

Como sugestão aproveite mais um ano que se inicia e tente fazer um PDI com coisas a serem realizadas até o final de 2010, mas é importante ter em mente aonde se quer chegar quando você definir suas metas.

Isso me remete ao clássico de Walt Disney “Alice no país das maravilhas”, brilhantemente lembrado por Carlos Alberto Júlio em seu livro “A arte da estratégia” (2005), quando a protagonista na tentativa de escapar dos domínios da Duquesa pergunta ao Gato de Cheshire:

ALICE: O senhor poderia me dizer, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?

De cima de uma árvore, com aquele sorriso enorme, de orelha a orelha ele responde:

GATO: Isso depende muito de onde você quer chegar.

ALICE: Para onde não importa muito.

GATO: Então não importa o caminho que você escolher.

Alice ainda faz outro comentário que pode nos ajudar no entendimento do que estou tentando dizer:

ALICE: Contanto que dê em algum lugar, me parece bom.

GATO: Você pode ter certeza que chegará a algum lugar se caminhar bastante. 

Portanto, o desfecho dependerá das decisões que você tomar agora, trace alguns objetivos para 2010, acompanhe-os, se necessário mude alguma coisa e daqui doze meses convido você a ver o que efetivamente aconteceu, mas não abandone os planos a médio e longo prazo, qualquer dia você poderá ter que responder a outra pergunta que fiz no início do artigo:

“Onde você se vê daqui dez anos?”

Boa sorte e um excelente ano para você.

Perfil do Autor

Paulo Eduardo Ribeiro

Mestre em Psicologia da Saúde, Pós Graduado em Gestão de RH e Psicologia Organizacional e Bacharel em Administração de Empresas. Professor...