O profissional de secretariado e o seu papel nas organizações como cogestor

Publicado em: 27/10/2012 |Comentário: 0 | Acessos: 572 |

O PROFISSIONAL DE SECRETARIADO E O SEU PAPEL NAS ORGANIZAÇÕES COMO COGESTOR

Christianne Valéria Haag Rojas[1]

Elisângela Schastai D'Assumpção[2]

RESUMO

O profissional de secretariado no decorrer dos tempos tem buscado alçar seu espaço de destaque nas organizações através do seu desenvolvimento profissional, porém sua capacidade e competência profissional ainda é pouco reconhecida por uma boa parte do mercado devido à falta de conhecimento sobre a evolução do papel destes profissionais e seu papel nas organizações.  Pode-se perceber que atualmente boa parte dos profissionais de secretariado trabalha ao lado do poder decisório das organizações, acompanhando as transformações por meio de uma em decorrência da sua visão generalista e sistêmica e o domínio de algumas técnicas tem ajudado a manter este profissional no mercado até os dias de hoje. Em consonância com esta afirmativa este artigo tem como objetivo o de destacar a importância do profissional como cogestor, levando o leitor a entender a dimensão do profissional e sua participação ativa nas organizações. O mesmo compõe-se de fundamentação teórica relacionado aos temas voltados ao Secretário, sendo o perfil do profissional, as novas competências exigidas pelo mercado atual e o seu papel como cogestor, dando o enfoque no seu papel nas organizações. Quanto à metodologia de pesquisa utilizada, trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório focado na pesquisa bibliográfica, e para a análise das informações utilizou-se da análise de conteúdo.

Palavras-chave: Secretário. Perfil. Competências. Cogestor.


INTRODUÇÃO

O profissional de secretariado vem evoluindo muito nos últimos tempos, porém esta evolução nem sempre tornasse clara aos olhos de grande camada da sociedade, e em partes na área empresarial.

Apesar das mudanças muitos ainda vêem as atividades secretariais como simples e que não necessitam de muito empenho e dedicação. Esta informação torna-se ainda mais enfática principalmente quando se fala em formação acadêmica e ou aprofundamento nos estudos sobre determinado assunto relativo à área, a fim de ter suporte e conhecimentos necessários para o desenvolvimento das atividades secretarias voltados à gestão, contribuindo para o crescimento organizacional e profissional.

Contudo com o crescimento de mercado e ampliação das barreiras comerciais, a ampliação das competências e mudanças de perfil secretarial foi  necessária para atender a demanda do mercado com vistas a fornecer mão de obra especializada para atender os gestores de maneira eficaz e até mesmo para a execução de atividades voltadas a gestão na prática.

Desta forma através deste artigo objetiva-se destacar a importância do profissional como cogestor, levando o leitor a entender a dimensão do profissional e sua participação ativa nas organizações.

Portanto a pesquisa tem como objetivo primeiramente de levantar informações a respeito da evolução profissional, em um segundo momento apontar as novas competências exigidas pelo mercado atual e por fim enfatizar a atuação do profissional como cogestor.

Esta pesquisa justifica-se em decorrência da necessidade de se apresentar de forma mais ampla as mudanças ocorridas e exigidas deste profissional pelo mercado atual e destacar sua atuação como cogestor nas organizações.

Para melhor entendimento este artigo encontra-se organizado da seguinte maneira: inicialmente apresenta-se o desenvolvimento do artigo composto de fundamentação teórica relacionado aos temas voltados ao Secretário, sendo o perfil do profissional, as novas competências exigidas pelo mercado atual e o seu papel como cogestor, dando o enfoque no seu papel nas organizações.

Na sequência apresenta-se a metodologia aplicada e a discussão sobre os resultados obtidos.

Por fim apresenta-se a conclusão desta pesquisa ressaltando o diferencial do profissional atual em sua função como cogestor.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Para a fundamentação deste artigo buscou-se levantar informações a respeito de temas inerentes ao perfil profissional que englobam o papel do secretario como cogestor, desta forma para a base deste estudo coube primeiramente entender a evolução do papel secretarial, os novos padrões de competência, a evolução do perfil operacional ao de cogestor abordando o assessoramento com base na sua aplicabilidade prática na gestão organizacional.

Para melhor entendimento este capítulo subdivide-se em três etapas, a saber, sendo primeiramente apresentada a evolução do secretariado, num segundo momento discorre-se sobre o perfil secretarial e novos padrões de competência e numa terceira etapa discorre-se sobre a assessoria executiva e o secretário como cogestor

A EVOLUÇÃO DO SECRETARIADO

De acordo com Sabino e Rocha (2004, p. 3-10) a história do secretariado remonta os tempos antigos. No passado já se apontava a participação destes profissionais junto aos grandes líderes considerando-se principalmente o perfil relacionado ao assessoramento. Este fato se dava pela grande gama de conhecimentos que o profissional obtinha em virtude da escrita e do acesso a leitura de obras cerceadas a população.

Ainda nestes tempos já eram cobradas habilidades como o domínio de idiomas, e em algumas instâncias, conhecimentos voltados a matemática, contabilidade, processos administrativos e algumas atividades mais específicas como agrimensura dentre outros.

Estes estudos consequentemente propiciavam a inserção destes profissionais em cargos de confiança devido à confiabilidade e ao acesso direto aos seus líderes.

De acordo com Bond e Oliveira (2009, p. 17-18) o profissional de secretariado conquistou grande espaço no mercado com a Revolução comercial que envolveu o período entre 1400 e 1700, sendo esta atividade exercida exclusivamente pelos homens.

Por volta de 1760 em decorrência da Revolução industrial as mulheres começam a ser inseridas apenas para a realização de trabalhos operacionais, ainda sem poder decisório.

As autoras supracitadas relatam que, quando da ocorrência da primeira e segunda Guerra Mundial as mulheres ganharam o mercado devido à escassez da mão de obra masculina e impulsionada pela grande demanda do mercado empresarial.

Lamentavelmente a profissão ainda sofre com o preconceito e o desconhecimento de muitos empresários que ignoram a habilidade deste profissional, delegando atividades simplórias a seus secretários; por não confiar no potencial dos mesmos, preferindo concentrar neles a decisão e a administração das práticas que poderiam ser geridas pelas secretárias. Essa atitude causa a sobrecarga de obrigações e decisões aos executivos [...] (SABINO e ROCHA, 2004, p.12-13).

De acordo com as referidas autoras é dever do secretário conscientizar seu superior a respeito do seu potencial, visto que a atuação em parceria é que promoverá o trabalho em equipe.

Com o passar dos tempos o perfil do secretário sofreu alterações visíveis os quais cabe destacar conforme apresentar-se-á na sequência.

PERFIL SECRETARIAL E NOVOS PADRÕES DE COMPETÊNCIA

O perfil secretarial tem evoluído muito nos últimos anos, e este fato se dá em função das mudanças tecnológicas, industriais e empresariais ocorridas neste período.

Garcia e D'Elia (2005, p. 25-26) pontuam que o perfil profissional mudou com o passar dos tempos e relatam em sua obra o perfil de ontem, hoje e no futuro, conforme se observa na figura 1.

Figura 1: Perfil do profissional de ontem, hoje e do futuro

Ontem

Hoje

Futuro

Formação dispersiva, autodidatismo.

Existência de cursos específicos para formação.

Amadurecimento profissional, código de ética.

Falta de qualquer requisito para o aprimoramento.

Cursos de reciclagem e de conhecimentos peculiares.

Constante aprimoramento e desenvolvimento contínuo.

Ausência de política para recrutamento e seleção.

Exigência de qualificação e definição de atribuições e plano de carreira.

Visão holística e trabalho em equipe, consciência profissional

Organizações burocráticas com tarefas isoladas.

Organizações participativas, tarefas definidas, trabalho com qualidade, criatividade e participação.

Organizações empreendedoras, trabalho em equipe, visão global, metodologia flexível, divisão de responsabilidade..

Tarefas traçadas pela chefia.

Tarefas definidas pelo novo estilo gerencial

Tarefas globais com autonomia para execução

Secretária como função

Secretária como profissão

Secretária com reconhecimento profissional e comprometida com resultados.

Objetivo de trabalho determinado pelo poder da chefia.

Objetivo de trabalho definido pela necessidade do mercado.

Objetivo do trabalho definido pela equipe empreendedora.

Falta de recursos.

Domínio em informática e outros conhecimentos.

Necessidade constante de aprimoramento e de novos conhecimentos e de visão do negócio.

Chefia.

Executivo.

Parceria.

Fonte: Garcia e D'Elia (2005, p. 25 e 26)

Conforme se podem observar estas mudanças do perfil foram influenciadas pelas mudanças decorrentes da evolução tecnológica, do conhecimento, a evolução do mercado de trabalho. O profissional não ficou estagnado.

O mesmo adaptou-se e aprimorou se conhecimento mantendo-se a frente, o que leva a entender a fase futura na qual o seu papel é mais maduro, com um reconhecimento em partes estabelecido e em constante aprimoramento a fim de promover a gestão participativa junto aos seus líderes.

Corroborando com a idéia das autoras supracitadas Lima (2007) apud Bond e Oliveira (2009, p.19) descreve que o secretariado por si só possui um a função multidisciplinar que envolve uma variedade de conhecimentos, desde as técnicas administrativas de gestão, das técnicas secretariais, bem como o marketing, áreas financeiras como a contabilidade e a economia, a psicologia, línguas, gestão de informação dentre outras, ou seja, ele deve ter uma visão ampla da empresa como um todo.

ASSESSORIA EXECUTIVA E O SECRETÁRIO COMO COGESTOR

Segundo Oliveira (2009, p. 149) o assessor é uma extensão do executivo em termos de tempo e de aspectos técnicos.

O tempo refere-se à falta de disponibilidade do executivo para executar todas as suas tarefas. Os aspectos técnicos por sua vez referem-se à falta de conhecimento do executivo sobre todos os assuntos que tramitam sob sua área de ação.

Mazulo e Liendo (2010, p. 25) afirmam que a atividade de assessoramento está diretamente ligada ao perfil secretarial, os mesmos descrevem que:

A secretária é uma assessora, ou seja, uma profissional de quem se esperam resultados, os quais serão obtidos por meio de seu sólido conhecimento técnico, pelo domínio operacional de equipamentos, por sua habilidade pessoal e também pela coordenação de alguns serviços e pessoas.

Conforme as autoras supracitadas os conhecimentos, habilidades, o domínio operacional promovem e despertam no gestor a confiança em relação a este profissional, pois este acredita que os conhecimentos técnicos/operacionais aliados ao conhecimento organizacional do secretário o auxiliará no desenvolver suas atividades com maior tranquilidade, delegando quando necessário responsabilidades de coordenação e exigindo deste os resultados com base na confiança sobre os serviços prestados.

Para Oliveira (2009, p. 151) a unidade de assessoria pode executar diferentes tipos de funções, de acordo com o nível hierárquico a que está ligada.

Essa situação pode ser observada na figura a seguir.

Figura 2: Funções de assessoria

         Fonte: Oliveira (2009, p. 151)

Observa-se que o profissional passa a assessorar todas as atividades a partir do momento que se torna uma pessoa proativa, onde a iniciativa e a responsabilidade andam juntas para que as coisas realmente aconteçam e o comportamento passa a ser o resultado de uma escolha pessoal fundamentada em valores próprios.

Identifica-se, portanto que os executivos encarregados pelas funções básicas da empresa têm responsabilidades e autoridades globais no que se refere às atividades, direta ou indiretamente, correlacionadas com as funções principais da empresa.

De acordo com Nonato Júnior (2009, p. 144) em sua pesquisa sobre a epistemologia do conhecimento em secretariado executivo, a assessoria secretarial enquanto objeto de estudo apresenta alguns dados condizentes com as atividades de gestão sendo que o mesmo aponta ainda que a assessoria,

[...] não requer nenhum gênero prévio (masculino ou feminino) para ser realizada com eficácia, mas sim de profissionais cujo perfil de competências e habilidades esteja em consonância com as demandas da complexidade da profissão de Secretariado Executivo.

Nonato Junior (2009, p. 157- 165) aponta ainda que a assessoria enquanto ciência se distribui em quatro eixos base sendo primeiramente o assessoramento, com foco na assessoria operacional que trata do conhecimento voltado a tecnologias secretariais e ferramentas das rotinas de escritório.

O segundo eixo nominado de "assessorexe", com foco na assessoria executiva, ligado a questões de trabalho de assessoria empresarial com atividades de cunho gerencial, aliados aos conhecimentos práticos secretariais.

O terceiro eixo é definido como "assessorística" ou assessoria intelectual, de acordo com Nonato,

Esta modalidade dos estudos acadêmicos secretariaisaborda o papel das assessorias na elaboração, estratégia e execução de atividades intelectuais. O foco da assessorística é a produção de conhecimento em atividades secretariais que se dedicam ao fortalecimento intelectual e conceitual das Ciências da Assessoria, tais como: Educação, Teoria Cientifica e assessoria prestada a trabalhos intelectuais diversos (NONATO JÚNIOR, 2009, p. 160).

O terceiro eixo denominado "assessorab" que envolve a assessoria aberta que explora o ambiente das organizações e que busca estabelecer relação entre a assessoria e áreas conhecimento. Esta envolve a assessoria interdisciplinar, multi e pluridisciplinar, transdisciplinar; em áreas pioneiras e co-evolutivas dentre outras.

A assessoria nesta esfera acaba por englobar várias áreas de conhecimento, as quais se encontram diretamente ligadas à função secretarial.

O autor supracitado considera que nas últimas décadas, algumas pesquisas de cunho acadêmico apresentados por docentes e discentes de secretariado têm refletido sobre as práticas secretarias destacando os saberes voltados a assessoria gerencial, a importância da comunicação empresarial, conhecimentos relativos a documentação tanto empresarial quanto oficial.

Além das atividades citadas anteriomente o autor supracitado complementa considerando a gestão de informações secretariais e arquivísticas, a gestão de eventos, assessoramento administrativo ao terceiro setor, assessoria em áreas correlatas dentre outras atividades as quais o profissional acaba se encaixando e aprimorando seus conhecimentos, bem como auxiliando os seus gestores no alcance dos resultados almejados pelas organizações.

METODOLOGIA

Para a realização deste artigo utilizou-se como metodologia a pesquisa qualitativa. A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares, a se ocupa nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes (DESLANDES; NETO e GOMES, 2008, p. 21).

A pesquisa qualitativa possui característica exploratória, desta forma através dela obtêm-se dados descritivos da situação de estudo, ela estimula as pessoas a pensarem sobre um tema que pode ser escolhido livremente.

Quanto aos objetivos da pesquisa utilizou-se da pesquisa exploratória, que segundo Andrade (2003, p.124) é considerado o primeiro passo de todo trabalho de cunho científico, o mesmo afirma que a pesquisa exploratória tem como finalidades: [...], sobretudo quanto a bibliográfica, de proporcionar maiores informações sobre determinado assunto, bem como de facilitar a delimitação de um tema de trabalho, de acordo com o autor tem ainda como finalidade a de definir os objetivos ou formular as hipóteses de uma pesquisa ou descobrir novo tipo de enfoque para o trabalho que se tem em mente.

Em suma, a pesquisa exploratória constitui-se de um trabalho preparatório para outros tipos de pesquisa.

Quanto aos procedimentos técnicos utilizou-se da pesquisa bibliográfica, que conforme as autoras Marconi e Lakatos (2002, p. 25)  a mesma pode ser considerada como, um apanhado geral sobre os principais trabalhos realizados anteriormente e capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionados com o tema. Ainda conforme as autoras, o estudo da literatura pertinente pode ajudar a planificação do trabalho, evitar duplicações e certos erros, e representa uma fonte indispensável de informações podendo até orientar as indagações.

Quanto à análise aplicou-se a análise de conteúdo que de acordo com Bardim apud Richardson (1999, p. 223):

É um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, através de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (qualitativos ou não) que permitam inferir conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens.

            Portanto a análise de conteúdo utiliza-se para estudar materiais de cunho qualitativo devendo-se fazer uma primeira leitura com vistas a organizar as idéias para, posteriormente, analisar os elementos e as regras que as envolvem.

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Com base na fundamentação teórica pode-se observar que a profissão com o passar dos tempos apresentou mudanças substanciais no que tange a própria evolução das necessidades do mercado.

            Tendo em vista os materiais levantados pode-se identificar várias fases percorridas pelos profissionais da área secretarial, desde o início de suas atividades houveram cobranças por parte de seus superiores referentes aos conhecimentos a fim de promover uma boa qualidade nos serviços prestados.

            Conhecimentos estes que sempre estiveram de encontro com as atividades de gestão. Verificamos que nos primórdios da sua inserção os conhecimentos acerca das ciências exatas e sociais, as novas tecnologias entre outros.

            Conforme observado no capítulo que aborda a evolução do secretariado os autores apontam que o desempenho na atividade de assessoria era fator chave e presente no cotidiano dos seus líderes, sendo sua influência de grande importância e valia, visto que os seus conhecimentos traziam a tona o grande valor intelectual junto ao superior.

            Na busca e no acompanhamento das atividades ligadas diretamente ao administrativo no que tangiam as finanças, a administração, os conhecimentos sobre assuntos relativos aos povos nos quais encontrava-se inserido o secretario acabava proporcionado aos seus superiores diretos a confiança acerca das tomadas de decisão.

            Em algumas situações os secretários acabavam por assumir cargos de confiança na gestão de algumas atividades importantes de cunho gerencial, o que os levou a manterem a busca constante por conhecimento.

            Com a Revolução industrial e a inserção da mulher no mercado, alguns padrões de atividades e conhecimentos mínimos para o desempenho profissional nas mais diversas áreas tomou um novo patamar e com a atividade secretarial não foi diferente.

Houve, portanto a necessidade de buscar dentro das possibilidades apresentadas e das novas tecnologias colocadas no mercado a de que este profissional aperfeiçoa-se e o melhor, se antecipa as mudanças de seu tempo, ou seja, o perfil secretarial mudou, surgem novos padrões de competência.

Com base na pesquisa bibliográfica, pode-se perceber três etapas muito significativas relativas ao perfil, conforme relato de Garcia e D'Elia (xxxxx) pode-se perceber que anteriormente existia o secretariado como função, não apresentavam-se possibilidades de aperfeiçoamento, existia uma chefia e não uma participação ativa por parte dos líderes, as atividades secretariais eram de cunho operacional e de execução de atividades rotineiras básicas, sem muita interferência direta no dia a dia das empresas.

Em um segundo plano, surge o profissional nos dias de hoje, que aponta a evolução educacional com a existência de novos cursos e específicos para a formação profissional, bem como os cursos de reciclagem. Com isto ampliam-se as exigências quanto a qualificação e implantação de planos de carreira, tornado as organizações mais participativas.

            As novas tarefas secretariais são definidas pela necessidade do mercado, desta forma o profissional adapta-se a estas e amplia sua gama de atividades de acordo com as necessidades empresariais, aliada as novas tecnologias e atendendo sempre as normativas e exigências dos seus chefes imediatos neste caso reconhecidos como executivos.        

            Em outro patamar e na visão futura da profissão secretarial os autores estudados apontam que este profissional se tornará mais amadurecido profissionalmente, o aprimoramento quanto ao seu desenvolvimento contínuo dar-se-á em decorrência de sua visão holística e do seu trabalho em equipe.

            O trabalho em equipe, as divisões de atividades e de responsabilidades também são nominadas, porém podem se destacar alguns pontos tais como o reconhecimento profissional em decorrência do seu comprometimento com os resultados empresariais, ou seja, o secretário passa a ser um parceiro executivo e com responsabilidades maiores.

            Após analisada a evolução e o perfil profissional percebeu-se que a profissão secretarial alçou um patamar de reconhecimento devido ao próprio empenho no desenvolvimento de suas atividades e do cotidiano das empresas.

            Ele passa a ser um executor e neste âmbito chegamos as atividades de assessoria executiva na qual passa-se a atuar como Cogestor.

            Os autores levantados tais como Mazulo e Liendo (2010) foram categóricos em considerar que o assessoramento está diretamente ligado a atividades secretarial devido ao fato de que os mesmos são profissionais que promovem e dos quais esperam-se resultados efetivos quando a eles solicitados e que estes resultados se devem ao conhecimento técnico, operacional , bem como habilidades para a coordenação de pessoal e de serviços voltados a gestão, tanto de atividades simplesmente operacionais quanto de execução e acompanhamento, características do processo de assessoramento.

Outro relato levantado quanto a participação do profissional no assessoramento conforme apontado por Oliveira (2009), o mesmo considerou em sua análise que a assessoria pode ser executada em diferentes funções.

Desta forma o secretário de forma geral devido a sua compreensão dos sistemas hierárquicos da administração e de sua visão empresarial pode estar diretamente inserido nesta situação decisória.

Neste ensejo e considerando o papel dos secretários na atualidade Nonato Junior (2009) que considera em suas pesquisa epistemológicas relacionadas ao papel secretarial suscitando a assessoria como uma ciência não pode-se deixar de considerar os eixos identificados por ele quanto a atividade, sendo o Assessoramento , também entendida como Assessoria Operacional, a "Assessorexe" ou Assessoria Executiva, a  "Assessorística" ou Assessoria Intelectual e a "Assessorab" ou Assessoria Aberta.

Tais apontamentos servem de base para confirmar que a gama de conhecimentos adquiridos e ampliados no decorrer de suas atividades laborais tem levando o meio empresarial a entender um pouco mais o papel secretarial e levantar alguns pontos de atividade em que o mesmo aplica seus conhecimentos.

Podemos citar, portanto que sua atuação envolve funções de organização, consultoria, assessoramento, aconselhamento, recomendação e orientação, sendo estas atividades desenvolvidas de maneira comum no seu dia a dia.

CONCLUSÃO

Com base na bibliografia utilizada pode-se perceber que, a partir do crescimento das organizações, do surgimento de novas tecnologias, da globalização da informação, este profissional passou a ver estas mudanças como possibilidades de crescimento profissional.

Tais mudanças apenas fortaleceram e destacaram a necessidade de adaptação ao mercado, fazendo com que o profissional buscasse estar sempre na busca das informações e buscando alternativas para que estes conhecimentos fossem aplicados na realidade das empresas.

A ampliação destes conhecimentos levou este profissional a manter-se sempre a frente do seu tempo buscando estar sempre atualizado e antecipando-se as mudanças e servindo de pilar para promover o melhor desempenho dentro e fora das organizações atuais.

Estes profissionais deixaram de ser apenas operacionalizadores e tornaram-se parceiras nos processos decisórios. Os termos planejamento, organização, execução, direcionamento e controle têm sido cada vez mais abrangentes, tornando o secretário um membro cada vez mais ativo na rotina das empresas.

O conhecimento aprofundado nas necessidades das organizações tem feito com que o profissional gerencie com maior eficiência a sua rotina, em algumas situações possui poder de decisão destacando sua postura de facilitador e que na sua busca da perfeição percebe-se que a gestão da qualidade faz parte de seu dia a dia.

Desta forma pode-se considerar que o profissional de secretariado no desenvolvimento de sua atividade de assessoramento tornou-se cogestor, ou seja, um profissional do qual se espera resultados, resultados estes obtidos através de um sólido conhecimento de seus saberes operacionais, sua habilidade no trato pessoal e no direcionamento e coordenação de pessoas e atividades fins, sendo, os conhecimentos operacionais considerados as técnicas de trabalho voltadas as rotinas diárias de escritório, dentre outras funções que envolvam o uso efetivo da comunicação.

            Por fim pode-se concluir que as funções secretariais seguem um processo de transformação constante, em consonância com o perfil empresarial e exigindo com isto uma nova postura profissional e por esta razão, os profissionais secretariais pode atualmente atuar em vários ramos de atividade através do assessoramento a empresas de grande e médio porte, bem como desempenhar suas atividades de cogestor, assumindo com isto o patamar de reconhecimento profissional amparado pelos conhecimentos adquiridos no decorrer de sua história.


REFERÊNCIAS

ANDRADE, Maria Margarida.Introdução à metodologia do trabalho científico:elaboração de trabalhos na graduação. 6º ed. São Paulo: Atlas, 2003.

BOND, Maria Thereza; OLIVEIRA, Marlene de. Manual do profissional de secretariado, V.1: conhecendo a profissão. Curitiba: IBPEX, 2009.

_____. Manual do profissional de secretariado, V.3: secretario como cogestor. Curitiba: IBPEX, 2009.

DESLANDES, Suely Ferreira; NETO, Otávio Cruz; GOMES, Romeu. Pesquisa Social: Teoria, método e criatividade. 27 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008.

GARCIA, Edméa; D'ELIA, Maria Elizabete Silva. Secretária Executiva. Coleção cursos IOB. São Paulo, IOB, 2005.

MARCONI, Maria de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análises e interpretação de dados. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2002.

MAZULO, Roseli; LIENDO, Sandra. Secretaria: rotina gerencial, habilidades comportamentais e plano de carreira. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2010.

NONATO JUNIOR, Raimundo. Epistemologia e teoria do conhecimento em Secretariado Executivo: A fundação das ciências da assessoria. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2009.

OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Sistemas, Organização e Métodos: Uma abordagem gerencial. 18 ed. São Paulo: Atlas, 2009.

RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa Social: Métodos e técnicas. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1999.

SABINO, Rosimeri Ferraz; ROCHA, Fabio Gomes. Secretariado: do escriba ao webriter. Rio de Janeiro: Brasport, 2004.

[1] A autora é Bacharel em Secretariado Executivo Trilíngue (Uniamérica- PR), Especialização em MBA Gestão de Recursos Humanos (FATEC Internacional) e cursando especialização em Secretariado Executivo (FATEC Internacional).

[2] A orientadora é Bacharel em Secretariado Executivo Bilíngue (PUCPR), Especialista em Logística Empresarial e Processo Pedagógico no Ensino Superior (PUCPR) e Gestão de Finanças e Controladoria (IBPEX) e professora orientadora de TCC do Grupo Uninter.

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