Review: Brothers In Arms: Road To Hill 30
Introdução:
Mesmo com a saturação de jogos inspirados no batido tema da II Guerra Mundial, Brothers in Arms despertou a curiosidade de boa parte dos jogadores desde que foi anunciado há cerca de 1 ano, pois além de prometer inovações na jogabilidade, tinha o respaldo de duas empresas quem andam em alta: a desenvolvedora Gearbox e a publisher Ubisoft, que só tem apostando em títulos de qualidade. Ressaltando o espírito de irmandade entre os soldados que lutaram pelo lado do Eixo, o jogo é inspirado em uma história real que tem duração de oito dias pela Normandia com início no Dia D até a chegada em Hill 30.
Você assume o papel do sargento Matt Baker, que saiu da pacata cidade de St. Louis para servir como líder de um esquadrão de pára-quedistas do exército dos EUA, mas devido a um ataque certeiro no avião quando se aproximavam da Normandia é obrigado a partir para um "Plano B" por terra, tentando encontrar seus compatriotas, irmãos de armas, na tentativa de sair vivo de um verdadeiro inferno com condições muito adversas.
Jogabilidade:Podemos comparar Brothers in Arms: Road to Hill 30 como uma mistura de Medal of Honor com Freedom Fighters (ou então com o mais atual Star Wars: Republic Commando), pois o game traz fortes características de ação com tática em equipe, algo que ainda não se conhecia para um jogo baseado na II Guerra. E quem não souber trabalhar em equipe - dando as instruções corretas aos seus companheiros se posicionarem, atacarem ou permanecerem na defesa - certamente vai encontrar problemas com este jogo, já que não há espaço para Rambos da vida, que querem resolver tudo sozinho, saindo correndo no flanco para tentar matar todos os inimigos sem qualquer estratégia.
Os controles básicos do jogo são iguais a maioria dos games do gênero, possibilitando começar a jogar de imediato sem qualquer preocupação. Logo nas primeiras fases, porém, o game vai lhe dando algumas instruções (todas em inglês) a utilizar as inovações inseridas na jogabilidade. Uma alternativa para os que não tem conhecimento na língua inglesa é optar em ler o manual em português, que explica para que serve cada uma das teclas nas novas opções de controle.
São três as principais novidades da jogabilidade. A primeira delas é o "Indicador de Supressão do Inimigo"; um círculo vermelho que surge em cima de cada pelotão inimigo ao se aproximar deles, e que gradativamente ficando cinza a medida em que você e seus soldados fazem disparos em cima deles. A morte de um dos soldados inimigos também colabora para que o indicador fique totalmente cinza, mostrando que os inimigos ficarão por alguns momentos menos propícios a atacar, embora se os disparos forem cessados o índice volta a se encher de vermelho. A maior utilidade deste sistema de supressão é para saber a hora certa de avançar o seu pelotão para uma posição maior, correndo menos riscos de ser atingido. Em algumas fases, você estará comandando dois pelotões diferentes - sendo um formado por atiradores de base equipados com rifles semi-automáticos para ataques a longa distância, e o outro pelotão de assalto formado por soldados com submetralhadoras indicadas para ataques mais próximos -, e são os momentos em que o Indicador de Supressão se mostra mais útil, já que você pode intimidar os inimigos com os atiradores de base, e então mandar o pelotão de assalto avançar para liquidá-los. Caso o jogador prefira retirar esta ajuda do jogo, que acaba servindo para mostrar onde estão localizados os inimigos, é possível desabilitar o Indicador de Supressão nas configurações.
A segunda novidade é o controle dos seus soldados que é feito utilizando o botão esquerdo do mouse, indicando o local que você quer que eles se movam ou os inimigos que eles devem atacar. Mesmo que você não ordene um ataque, eles reagem quando são atacados ou quando avistam um pelotão inimigo próximo. A localização dos seus compatriotas é mostrada sempre no radar localizado no canto inferior esquerdo da tela, e no caso de haver dois pelotões ou tanques disponíveis, eles são mostrados com um símbolo diferente que os identifica. Por esta indicação no radar, também é possível saber como está o estado de vida de cada um, sendo na cor verde para o máximo, amarelo indicando que estão feridos, e vermelho alertando que estão prestes a morrer se forem novamente atingidos.
Já a terceira e última novidade de Brothers in Arms é a visão de reconhecimento da situação, uma ferramenta bem interessante que permite pausar o jogo a qualquer momento e examinar o campo de batalha daquela situação, em uma visão em terceira pessoa vista por cima, parecida com os jogos de RTS. Com este modo, é possível visualizar tanto o sargento Baker e seus pelotões, como os inimigos que estiverem em conflito naquele momento, analisando o posicionamento de cada um e a melhor estratégia a ser adotada.
A campanha single-player consegue segurar bem o clima até a última fase, embora seja um pouco curta demais. No nível normal é possível terminar com pouco menos de 10 horas de jogo, e no nível difícil com duas ou três horas adicionais, aumentando apenas a dificuldade em matar os inimigos e a maior facilidade em ser atingido pelo ataque adversário. Depois de se terminar o game uma vez, um nível de dificuldade chamado Authentic é liberado, com um nível extra de dificuldade. As fases trazem uma boa variedade de missões, e no geral são de tamanho pequeno para médio, aumentando o grau de complexidade conforme se vai avançando. Não há muitos caminhos a se escolher para vencer as fases, se mostrando uma jogabilidade bem linear neste sentido, com raras exceções em alguns trechos.
O que influência no fator replay do modo solo é um extenso material de extras que é liberado conforme se completa cada capítulo, que pode não ser tão interessante para alguns, mas para os curiosos e fanáticos por Segunda Guerra é um prato cheio, mostrando desde as imagens da visita da equipe da Gearbox aos locais históricos que marcaram a invasão do Dia D até as imagens da equipe técnica que trabalhou com a captura de movimentos para os personagens do jogo, ou ainda depoimentos de ex-combatentes falando sobre a II Grande Guerra.
Um dos fatores que mais decepciona no jogo é a IA (inteligência artificial), que em alguns momentos se mostra burra demais, fazendo com que os soldados inimigos não percebam a sua presença há poucos metros de distância enquanto atacam o outro pelotão, e que em outras se mostra com uma precisão fora do comum, acertando você com uma rajada de metralhadora mesmo se movimentando agachado atrás de um arbusto quando na verdade não haveria condição do soldado alemão ter a visão de onde você está.
O armamento que se encontra em BiA é totalmente condizente com os seus modelos reais da época, oferecendo oito tipos de armas para cada um dos dois exércitos, correspondentes entre si pela sua categoria, porém, cada qual com suas particularidades. É possível levar consigo no máximo dois tipos de armas, mas a vantagem é que se pode trocar de arma a qualquer momento com os inimigos (e até pelos soldados compatriotas) mortos no conflito. Só nos pareceu um pouco idiota o fato de não manter as mesmas armas ao se passar de uma fase para a outra, fazendo com que o seu personagem inexplicavelmente troque uma submetralhadora obtida com louvor após liquidar as tropas inimigas por uma pistolinha M1911 quando se avança pro capítulo seguinte. Outro fator bastante irreal é ter um de seus companheiros novamente vivo com o mesmo nome e características físicas quando se inicia uma fase, depois de vê-lo morrer no combate anterior. Ou às vezes até na mesma fase, pois se você falhar algumas vezes consecutivas em um mesmo trecho, o jogo lhe sugere a ajuda para reviver ou encher as energias da sua tropa, lembrando-lhe que a vida real é muito dura, mas em um jogo pode-se contar com algumas facilidades para vencer. Para compensar, você não encontrar em nenhuma fase qualquer medkit ou outras formas de encher a sua energia até chegar ao seu final, o que poderia levar o jogo muito mais para o lado da simulação e da tática de combate, se não existisse tantas ajudas que acabam dando na mesma.
Claramente devido a sua compatibilidade com os consoles Playstation 2 e Xbox, que foram lançadas simultaneamente com a versão para PC, a Gearbox optou por não permitir que se salve o jogo a qualquer momento, havendo somente os check-points no meio das fases, o que sempre desaponta os jogadores de computador que podem salvar a vontade sem se preocupar com o espaço em disco. Sentimos falta de poder salvar em um ou outro trecho mais chatinho do jogo, mas como as fases são curtas, no geral, não chega a ser algo tão desastroso.
Áudio:
Explosões, tiros e os gritos dos inimigos e compatriotas são os sons que dão a tônica na maior parte do jogo. Porém, as animações e cenas derradeiras são acompanhadas de uma trilha muito bem escolhida, passando a sensação da emoção ou do terror que é trazido pelas cenas de guerra. Os soldados americanos lhe ajudam em alguns momentos, mandando você agachar ou tomar cuidado quando está na linha de fogo dos inimigos, que por sua vez soltam gritos e xingamentos (pelo menos é o que parece ser) em alemão. As cut-scenes trazem momentos de reflexão do personagem principal Baker - hora satisfeito por vencer uma batalha, hora horrorizado com as barbáries da guerra e com a perda de amigos - e conversas que retratam todo o espírito de irmãos dos soldados americanos, com uma ótima atuação dos atores que emprestaram suas vozes aos personagens.
Os efeitos de áudio, como os tiros e explosões, também foram bem reproduzidos, dando mais ênfase ao realismo, cada qual com suas particularidades. O único defeito, porém, é que faltou dar um aspecto de profundidade para alguns sons, já que uma metralhadora a 100 metros de distância é ouvida com a mesma intensidade do que se estivéssemos ao seu lado, por exemplo.
Multiplayer:
O multiplayer de BiA tentou fugir dos modos batidos como Deathmatch e Capture de Flag, mas acabou ficando um pouco simples demais com apenas um modo de jogo que é o por objetivos. Tudo bem que ele é realmente diferente, porém, na prática não se mostrou tão atraente. Estão disponíveis 10 mapas, a maioria inspirados em alguns trechos das fases single-player, em que se pode jogar com no máximo 4 jogadores, em que você controla sempre uma tropa quando se joga com outro player real no time, ou duas tropas se você estiver jogando sozinho no time em determinados mapas.
A dinâmica dos mapas não muda muito, tendo as tropas aliadas que cumprir certas missões, como levar um documento até um determinado local ou plantar uma bomba em um carro inimigo, ficando às tropas do eixo apenas a função de frustrar o objetivo dos aliados no tempo máximo estimado. É possível disputar tanto em rede como pela Internet pelo serviço da Ubi.com, mas não encontramos muitas quantidades de salas disponíveis, e muito menos jogadores brasileiros, o que acaba desanimando, embora nas salas que conseguimos jogar foi bastante fácil estabelecer a conexão com sucesso.
Gráficos:
Contando com a tecnologia da engine Unreal, os cenários foram criados na sua totalidade em grandes ambientes a céu aberto, sendo na maioria florestas e ambientes campestres, e outros cenários com algumas construções e pequenos vilarejos. O interessante são alguns detalhes, como aviões passando pelo céu em vários momentos, tiros de canhões anti-aéreos e explosões próximos a sua volta. O ponto negativo, porém, é que a versão para PC foi prejudicada novamente devido à compatibilidade com os consoles, mostrando algumas limitações gráficas e texturas em resolução mediana, que poderiam ser melhoradas se fosse aprimorado para a versão de computador. As barreiras criadas por paredes invisíveis nas limitações dos cenários e até em algumas construções também desanimam para quem esperava um game de ponta, ainda mais exigindo uma configuração mínima nada modesta.
Alguns bugs também se mostraram presentes, como paredes que ficam invisíveis aos se encostar a elas e corpos de soldados mortos que atravessam alguns objetos sólidos. Ainda assim, o visual consegue agradar no geral, visto que os problemas não chegam a ser um grande empecilho, mas sim alguns detalhes que dariam ao jogo um toque adicional.
Conclusão:
A promessa de fazer um novo shooter inspirado na II Guerra Mundial que não ficasse no "mais do mesmo" foi cumprida. Brothers in Arms: Road to Hill 30 mostrou que é possível fazer um jogo interessante e atrativo, mesmo usando um tema tão original. Os destaques ficam para a junção das três principais novidades da jogabilidade e para o áudio muito bem reproduzido, somados a uma história real bem contada. Claro que poderia ter um modo solo um pouco maior e um multiplayer mais chamativo, mas é notável o clima de guerra muito bem reproduzido pela Gearbox Software, que não poupou em mostrar os efeitos de sangue e corpos trucidados de maneira até certo ponto realista com o horror vivido pelos dois lados durante a gloriosa invasão do Dia D (embora o game só retrate o lado dos Aliados, como qualquer produção comercial americana).
Aos jogadores de PC, só fica o lamento pela produção ter que ser feita em compatibilidade para os consoles, pois certamente causou limitações impostas na parte gráfica. Podemos até afirmar que para os jogadores de consoles o Brothers in Arms deve ter um efeito ainda mais animador, mesmo considerando um bom jogo para computador. Contudo, é um jogo imperdível seja você um fã do estilo shooter em primeira pessoa ou um entusiasta sobre o tema da II Guerra.
(Artigonal SC #1401564)
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