Review: Command & Conquer: Red Alert 3

Publicado em: 16/11/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 103

Uma história alternativa com idas e vindas no tempo

A série Red Alert pertence à consagrada franquia Command & Conquer que, desde 1995, faz sucesso entre incontáveis fãs de estratégia em tempo real. Como tudo que é bom e lucrativo não pode cair no ostracismo, antes tarde do que nunca, chega ao mercado um novo exemplar da franquia, Red Alert 3.

Se você é não teve contato com os jogos anteriores, vale saber que a história da série é baseada numa versão alternativa dos eventos mundiais. O famoso cientista Albert Einstein viajou no tempo e tirou de cena Adolf Hitler, pensando que assim se estabeleceria a paz internacional. Todavia ele não contava que eliminando a liderança militar da Alemanha, fez surgir outra potência, a União Soviética, que executou uma ação ofensiva contra a Europa.

Chegamos então aos eventos de Red Alert 3, onde nos deparamos com uma União Soviética desesperada e acuada pelo exército dos Aliados, apelando para um experimento nunca testado, a sua própria versão máquina do tempo. Visando enfraquecer os Aliados, líderes do exército e um cientista vão ao passado, precisamente em 1927, em uma conferência científica, para eliminar Albert Eistein de uma maneira um tanto quanto inusitada. O ato é suficientemente grave para novamente mudar todo o rumo da história, criando um vácuo de superpotências fazendo com que o Japão (o Império do Sol Nascente) se tornasse uma potência militar aterrorizante e muito interessada em usar seus “brinquedos” tecnológicos a fim de dominar o mundo.

Atrizes e atores canastrões, com muito bom humor

O jogo, como já de praxe na série, faz uso freqüente de vídeos com atores de carne e osso. A princípio, e principalmente para os iniciantes na franquia, esse recurso parece ser de gosto duvidoso, como aqueles filmes de baixo orçamento recheados de péssimos atores. Alguns deles são bem conhecidos e outros nem tanto, e há algumas moças com pouco talento, mas muita beleza, usando decotes ousados e olhares sensuais, apelando assim, para os marmanjos de plantão. Entre os atores mais conhecidos estão Jonathan Pryce, J.K. Simons, Tim Curry, Andrew Divoff e Peter Stormare. As interpretações beiram a caricatura, com vários exageros, sendo que a mais constrangedora é a de Peter Stormare interpretando um cientista soviético. Ainda assim, muitos outros atores durante o jogo quase tiram o “troféu” de Stormare.

Apesar desta ressalva, o tom adotado nos vídeos e até mesmo a interpretação capenga de alguns atores se encaixam perfeitamente no universo do jogo e por incrível que pareça tornam até mesmo a campanha solo mais interessante e envolvente, pois tudo é muito bem mesclado. O uso do humor é praticamente constante, tanto nos sutis detalhes dos vídeos, nos diálogos e durante a campanha, como por exemplo, a reação dos inimigos.

Estiloso, leve e colorido

Red Alert 3 é um jogo feito com estilo, a começar da caixa, especialmente na Edição Premiere, imperdível para os colecionadores. Traz, além do jogo, um DVD com making-of e diversos outros vídeos interessantes, um CD com a trilha sonora, códigos para baixar mapas bônus e para participar do beta de um futuro game e por fim um pôster com as beldades do game.

Estiloso também é o jogo em si, não apenas no menu como nos gráficos. Sob o comando de uma engine bem otimizada, os mesmos estão leves e permitem altas taxas de frame rate, mesmo com a qualidade total (claro que isto também depende das configurações de cada computador), o que é uma grande virtude hoje em dia. O design foi concebido com ênfase no estilo cartoon, como num desenho animado, com cores intensas, vivas e animações fluídas. Os efeitos especiais como as explosões são ótimos e o cenário é bastante interativo diante da destruição que as unidades promovem. Tudo foi feito com muita atenção aos detalhes, com uma diversidade de mapas e diferentes climas. Mas, como nada é perfeito, a câmera do jogo possui pouquíssima flexibilidade para o zoom, não permitindo ampliar ou afastar demais. Diante de outros games do gênero que permitem tal liberdade, RA3 deixa muito a desejar.

O áudio traz o mesmo esquema dos jogos RTS, quando se clica numa unidade ela responde com uma frase, acontecendo o mesmo quando criamos ou damos um comando específico, o que pode se tornar um pouco repetitivo. Ademais, os sons são bem variados e detalhados, cumprindo bem o seu papel. A trilha sonora de RA3 também está de altíssimo nível, somando 114 minutos com algumas músicas novas e outras remixadas por um trio de compositores, sendo que um deles é o famoso Frank Klepacki. Entre a trilha sonora se destacam as músicas compostas para a facção do Império do Sol Nascente, sem dúvida as mais inspiradas.

Reciclagens e novidades

RA3 segue a norma já conhecida de qualquer RTS e também basicamente a mesma jogabilidade dos anteriores, com reciclagem de conceitos antigos e algumas interessantes novidades. O jogador precisará criar estruturas para coletar recursos, fabricar veículos e treinar unidades para defender e atacar. É um jogo de estratégia sólido, bem produzido e balanceado, feito por gente que gosta do que está fazendo para gente que gosta de jogar.

Sobre balanceamento, é importante destacar que cada unidade tem seu ponto forte e fraco contra determinados inimigos, seguindo a lógica da antiga brincadeira “Pedra, Tesoura e Papel”. Cada unidade possui capacidades especiais que podem ser acessadas rapidamente com tecla de atalho específica, sendo o único problema identificado a dificuldade de algumas delas se acharem no mapa (o que mostra uma falha no chamado “pathfind”). O jogador, conforme avança, tem direito a usar certos Protocolos Secretos, que nada mais são do que super armas especiais de efeito devastador para eliminar um ou vários inimigos.

Uma importante novidade no jogo é a presença de forças navais, que resultam em mais ação e flexibilidade estratégica. Uma vez que a água não é uma barreira (como em outros jogos), mas um meio de transporte rápido e que leva direto ao inimigo, é necessário prestar atenção dobrada durante as missões, pois atacar e defender ao mesmo tempo serão uma constante. De fato, boa parte das unidades do game são anfíbias (suportam terra e água) e até mesmo as estruturas, com exceção de algumas, podem ser construídas sobre a água.

Outra adição bem-vinda é a presença da nova facção Império do Sol Nascente, somando assim, com os Aliados e Soviéticos um total de três facções jogáveis. Já de início, o jogador pode escolher com qual facção começar, embora o jogo recomende acertadamente a ordem: Soviéticos, Aliados e Império - mas a decisão final fica por conta do jogador. Cada uma delas oferece muita variedade e perspectiva diferente da história, possuindo pontos fortes e fracos. Os Aliados, por exemplo, são ótimos no poder aéreo. Já os Soviéticos possuem excelentes tanques e o Império está mais para o equilíbrio entre forças militares de terra, mar e ar.

Os Aliados e Soviéticos receberam uma boa reciclagem em suas unidades, e possuem até cachorros e ursos respectivamente. Já o Império do Sol Nascente possui a mais avançada tecnologia, com robôs que lembram os Transformers. O sistema de construção de estruturas dos Aliados e Soviéticos é, consideradas algumas exceções, amparado sobre basicamente os mesmos conceitos. O Império possui mais mobilidade, ao construir estruturas a partir de veículos que podem se transformar em uma estrutura ou voltar à forma original para buscar outra localização. É também a facção que possui mais micro-gerenciamento, por isso recomendada para que seja a última a ser jogada.
A Inteligência Artificial é ótima e desafiadora, sendo capaz de usar diferentes estratégias para surpreender o jogador.

Jogo cooperativo online

A mais marcante novidade é a possibilidade de jogar a campanha toda em modo cooperativo online. Para isso, é necessário criar uma conta e logar, convidando outro jogador para a missão a ser iniciada. Apesar do sistema de convites antes de iniciar a partida deixar a desejar na sua funcionalidade, jogar cooperativamente é muito mais interessante do que sozinho, trazendo diversão e revitalizando a campanha solo. Os jogadores precisam jogar unindo suas forças e estratégias.

Se jogarmos offline, desfrutamos também de jogo cooperativo comandado pela própria IA, que usa os vários heróis disponíveis para ajudar, e o melhor, nunca necessitando que o jogador seja uma babá, pois é competente no controle do personagem. Mas não há tanta diversão como online.
Uma limitação compreensível (para barrar a pirataria), mas burocrática, é o fato do modo cooperativo na campanha não funcionar em LAN. Se por exemplo, dois jogadores de uma mesma casa quiserem participar de uma mesma missão, é necessário logar nos servidores da EA pela Internet para jogar. Sem dúvida, uma situação estranha para dois computadores com alguns metros de distância, apenas para poderem jogar cooperativamente.

Já o multiplayer online traz uma boa variedade de mapas em seu modo Skirmish, com suporte a vários jogadores e a possibilidade de formação de equipes. Sentimos falta de mais opções para alterar as regras dos jogos, mas mesmo com tal restrição o multiplayer garante muita diversão e preenchimento do tempo vago do jogador.

Conclusão

Com qualidade de produção e estilo, Command & Conquer: Red Alert 3 chega ao mercado como um jogo bastante variado, dinâmico, com grande valor de replay, com boas novidades e também várias reciclagens. Cumpre bem o seu papel pela sua solidez e equilíbrio colocando-se ao lado de outros ótimos jogos de gênero.

É verdade que não vai muito longe daquilo que já foi feito na série, ficando dentro daquela máxima que diz: “em time que se está ganhando não se mexe”. Isso por um lado é bom, mas por outro, pode desagradar quem esperava inovações revolucionárias e profundamente marcantes.
Recomendamos sem contra-indicações para os fãs da série. E também aos novatos, Red Alert 3 se mostra um ótimo início para ingressar no universo da franquia.

(Artigonal SC #1466289)

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