A gratuidade da justiça no processo do trabalho

Publicado em: 07/03/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 2,147 |

Frequentemente tenho me deparado com decisões dos juízes do trabalho, que em nada se coadunam com a finalidade apregoada pelo importante Princípio da Celeridade Processual.

Tratarei neste artigo, de forma objetiva, da problemática enfrentada pelos causídicos,  em especial  àqueles que militam na Justiça do Trabalho, quando o assunto se refere à concessão da gratuidade de justiça  àqueles que buscam obter do Poder Judiciário a satisfação de seus direitos em face de seu empregador, ou, no mais das vezes, de seu ex-empregador.

Há juízes que isentam o reclamante do pagamento das custas processuais, bastando para tanto a  juntada de Declaração de Pobreza  na qual o obreiro declara não dispor de recursos para suportar as custas do processo sem o comprometimento do sustento própria e de sua família. Outros magistrados, entretanto, chegam ao extremo de  indeferir o  benefício caso em  tal declaração não conste a expressão  "sob as penas da lei", hipótese em que o reclamante, caso interponha Recurso Ordinário, se por um lado obtenha a reforma da decisão, por outro, terá movimentado a máquina do Poder Judiciário como resultado do excesso de legalismo e afastamento da realidade e dos propósitos estampados no bojo dos Princípios da Economia e Celeridade processuais.

Nesse diapasão, convido o leitor a refletir sobre os seguintes dispositivos, tanto da Carta Magna como da legislação infraconstitucional:

Artigo 5º, incisos  XXXIV, "a"  e  LXXIV   ,  da Constituição Federal, respectivamente:

"XXXIV -  são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:

a)      O direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;"  (G.n).

"LXXIV – o  Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;" (G.n).

Artigo 790, § 3º, da CLT:

"É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita..........ou declararem, sob as penas da lei, que não estão em condições de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família."

Artigo 4º da Lei 1060/50:

"A parte gozará dos benefícios da assistência judiciária, mediante simples afirmação, na própria petição inicial, de que não está em condições de pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo próprio ou de sua família."

 

Artigo 14 da Lei 5584/74:

"Na Justiça do Trabalho, a assistência judiciária a que se refere a  Lei nº 1.060 , de 5 de fevereiro de 1950, será prestada pelo Sindicato da categoria profissional a que pertencer o trabalhador."

Da análise dos dispositivos aqui transcritos resta cristalino que:

1.   A assistência judiciária gratuita (Lei 1060/50) não pode ser confundida com os benefícios da justiça gratuita (artigo 790, §3º ,CLT), eis que, claro está que para esta última bastará a juntada de declaração de insuficiência econômica;

2.   Em favor do obreiro milita a presunção iuris tantum a respeito de seu estado de pobreza;

3.   O artigo 790, CLT, não contempla exigência de que o reclamante esteja assistido por Sindicato;

4.   O reclamante que estiver assistido por advogado estará recebendo assistência judiciária, restando improcedente eventual pedido, o que não significa que o obreiro não deva ser beneficiário da justiça gratuita, o que, frise-se, são institutos diferentes, conforme já destacado;

5.   Para a concessão da gratuidade de justiça basta a juntada da  "Declaração de Pobreza" na qual o reclamante declara, sob as penas da lei, que não está em condições de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família.

O presente artigo foi escrito de forma sintética, sem  a pretensão  de esgotar o assunto, mas apenas com o intuito de convidar os ilustres leitores à reflexão sobre tema aparentemente simples, mas capaz de produzir celeumas  com conseqüentes acréscimos de custos (não apenas financeiros) para os litigantes e para o Poder Judiciário.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/legislacao-artigos/a-gratuidade-da-justica-no-processo-do-trabalho-4362991.html

    Palavras-chave do artigo:

    justica do trabalho gratuidade de justica reclamante

    Comentar sobre o artigo

    O presente estudo trata da análise da responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais em ações que tramitam na Justiça do Trabalho quando o trabalhador for sucumbente, mas beneficiário da Justiça Gratuita.

    Por: Leandra Berttel Direito> Legislaçãol 26/09/2012 lAcessos: 132
    AGATHA STHEFANINI

    A maioria da doutrina esclarece que na suspensão a empresa não deve pagar salários, há necessidade do pagamento que se encontra afastado. Na interrupção, há necessidade do pagamento dos salários no afastamento do trabalhador e, também a contagem do tempo de serviço.

    Por: AGATHA STHEFANINIl Direitol 02/03/2011 lAcessos: 2,356

    O interesse por este tema surgiu coma promulgação da ECnº45, de 8 de dezembro de 2004, que ampliou a competência da justiça do trabalho especialmente no que tange o julgamento de todas as causas envolvendo o trabalhador,quer seja ele empregado ou autônomo, assim atraindo a competência para o julgamento de todas as ações envolvendo relação de trabalho, estando inserido neste contexto o representante comercial que tem a sua vida regulamentada pelas leis 4.886/65 e 8.420/92.

    Por: Danila Salgadol Direito> Doutrinal 20/06/2012 lAcessos: 270
    Dra. Michely J. Barros

    Trata-se de Reclamação Trabalhista proposta pelo rito sumaríssimo, onde deve-se estar atento para o fato de que neste rito todos os pedidos deverão ser liquidados sob pena de extinção da demanda.

    Por: Dra. Michely J. Barrosl Direitol 26/08/2009 lAcessos: 28,871 lComentário: 1
    Dra Ryceli Nóbrega

    Quase um ''Second Life'' (uma vida paralela, na qual se pode ser quem quiser) Jurídico no qual o advogado é seu ''Avatar'' (personagem).

    Por: Dra Ryceli Nóbregal Direito> Legislaçãol 15/09/2014

    Marca é a representação simbólica de uma entidade. Ela Identifica no mercado os produtos ou serviços de uma empresa, distinguindo-os dos de outras empresas. Basicamente ela serve para distinguir os produtos, mercadorias ou serviços de outros idênticos, semelhantes ou afins, pertencentes a outros produtores ou prestadores de serviço.

    Por: adminl Direito> Legislaçãol 12/09/2014
    Taciana Dos Santos Chines

    Esclarecer dúvidas sobre o beneficio e fazer entender a importância da existência do mesmo.

    Por: Taciana Dos Santos Chinesl Direito> Legislaçãol 30/08/2014

    O presente artigo trata sobre a regulamentacao da lei n.o 12.305/10, da politica nacional de residuos solidos, que se deu atraves do decreto n.o 7.404/10, abordando, de uma forma geral, os diversos aspectos que envolvem os residuos solidos.

    Por: Guilherme Anderson Caneppelel Direito> Legislaçãol 18/08/2014
    Dra Ryceli Nóbrega

    Por uma questão de igualdade, o homem deve receber o salário maternidade em algumas situações pontuais, é o que veremos.

    Por: Dra Ryceli Nóbregal Direito> Legislaçãol 17/08/2014
    Dra Ryceli Nóbrega

    O Auxílio Acidente deve ser pago ao Empregado Doméstico mesmo que a legislação diga o contrário, com base no Princípio da Igualdade, direito Constitucional.

    Por: Dra Ryceli Nóbregal Direito> Legislaçãol 17/08/2014
    Dra Ryceli Nóbrega

    AUXÍLIO DOENÇA E quando o INSS não paga e nem a EMPRESA aceita o retorno?

    Por: Dra Ryceli Nóbregal Direito> Legislaçãol 17/08/2014
    Dra Ryceli Nóbrega

    O prazo terminou dia 07 de Agosto de 2014, já para os novos contratos, a anotação deverá ser feita em 48 horas! Acabou o prazo, mas ainda existem muitas dúvidas!

    Por: Dra Ryceli Nóbregal Direito> Legislaçãol 17/08/2014
    Elizeu J. Paulino

    A PROBLEMÁTICA DA EXIGÊNCIA DE QUE O RECLAMANTE EFETUE O DEPÓSITO RECURSAL NO ÂMBITO DA JUSTIÇA DO TRABALHO E A CONSEQUENTE MOVIMENTAÇÃO IMPRODUTIVA DA MÁQUINA DO PODER JUDICIÁRIO

    Por: Elizeu J. Paulinol Direito> Legislaçãol 05/03/2011 lAcessos: 3,399
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