A gratuidade da justiça no processo do trabalho

Publicado em: 07/03/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 2,198 |

Frequentemente tenho me deparado com decisões dos juízes do trabalho, que em nada se coadunam com a finalidade apregoada pelo importante Princípio da Celeridade Processual.

Tratarei neste artigo, de forma objetiva, da problemática enfrentada pelos causídicos,  em especial  àqueles que militam na Justiça do Trabalho, quando o assunto se refere à concessão da gratuidade de justiça  àqueles que buscam obter do Poder Judiciário a satisfação de seus direitos em face de seu empregador, ou, no mais das vezes, de seu ex-empregador.

Há juízes que isentam o reclamante do pagamento das custas processuais, bastando para tanto a  juntada de Declaração de Pobreza  na qual o obreiro declara não dispor de recursos para suportar as custas do processo sem o comprometimento do sustento própria e de sua família. Outros magistrados, entretanto, chegam ao extremo de  indeferir o  benefício caso em  tal declaração não conste a expressão  "sob as penas da lei", hipótese em que o reclamante, caso interponha Recurso Ordinário, se por um lado obtenha a reforma da decisão, por outro, terá movimentado a máquina do Poder Judiciário como resultado do excesso de legalismo e afastamento da realidade e dos propósitos estampados no bojo dos Princípios da Economia e Celeridade processuais.

Nesse diapasão, convido o leitor a refletir sobre os seguintes dispositivos, tanto da Carta Magna como da legislação infraconstitucional:

Artigo 5º, incisos  XXXIV, "a"  e  LXXIV   ,  da Constituição Federal, respectivamente:

"XXXIV -  são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:

a)      O direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;"  (G.n).

"LXXIV – o  Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;" (G.n).

Artigo 790, § 3º, da CLT:

"É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita..........ou declararem, sob as penas da lei, que não estão em condições de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família."

Artigo 4º da Lei 1060/50:

"A parte gozará dos benefícios da assistência judiciária, mediante simples afirmação, na própria petição inicial, de que não está em condições de pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo próprio ou de sua família."

 

Artigo 14 da Lei 5584/74:

"Na Justiça do Trabalho, a assistência judiciária a que se refere a  Lei nº 1.060 , de 5 de fevereiro de 1950, será prestada pelo Sindicato da categoria profissional a que pertencer o trabalhador."

Da análise dos dispositivos aqui transcritos resta cristalino que:

1.   A assistência judiciária gratuita (Lei 1060/50) não pode ser confundida com os benefícios da justiça gratuita (artigo 790, §3º ,CLT), eis que, claro está que para esta última bastará a juntada de declaração de insuficiência econômica;

2.   Em favor do obreiro milita a presunção iuris tantum a respeito de seu estado de pobreza;

3.   O artigo 790, CLT, não contempla exigência de que o reclamante esteja assistido por Sindicato;

4.   O reclamante que estiver assistido por advogado estará recebendo assistência judiciária, restando improcedente eventual pedido, o que não significa que o obreiro não deva ser beneficiário da justiça gratuita, o que, frise-se, são institutos diferentes, conforme já destacado;

5.   Para a concessão da gratuidade de justiça basta a juntada da  "Declaração de Pobreza" na qual o reclamante declara, sob as penas da lei, que não está em condições de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família.

O presente artigo foi escrito de forma sintética, sem  a pretensão  de esgotar o assunto, mas apenas com o intuito de convidar os ilustres leitores à reflexão sobre tema aparentemente simples, mas capaz de produzir celeumas  com conseqüentes acréscimos de custos (não apenas financeiros) para os litigantes e para o Poder Judiciário.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/legislacao-artigos/a-gratuidade-da-justica-no-processo-do-trabalho-4362991.html

    Palavras-chave do artigo:

    justica do trabalho gratuidade de justica reclamante

    Comentar sobre o artigo

    O presente estudo trata da análise da responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais em ações que tramitam na Justiça do Trabalho quando o trabalhador for sucumbente, mas beneficiário da Justiça Gratuita.

    Por: Leandra Berttel Direito> Legislaçãol 26/09/2012 lAcessos: 139
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    Por: AGATHA STHEFANINIl Direitol 02/03/2011 lAcessos: 2,374

    O interesse por este tema surgiu coma promulgação da ECnº45, de 8 de dezembro de 2004, que ampliou a competência da justiça do trabalho especialmente no que tange o julgamento de todas as causas envolvendo o trabalhador,quer seja ele empregado ou autônomo, assim atraindo a competência para o julgamento de todas as ações envolvendo relação de trabalho, estando inserido neste contexto o representante comercial que tem a sua vida regulamentada pelas leis 4.886/65 e 8.420/92.

    Por: Danila Salgadol Direito> Doutrinal 20/06/2012 lAcessos: 280
    Dra. Michely J. Barros

    Trata-se de Reclamação Trabalhista proposta pelo rito sumaríssimo, onde deve-se estar atento para o fato de que neste rito todos os pedidos deverão ser liquidados sob pena de extinção da demanda.

    Por: Dra. Michely J. Barrosl Direitol 26/08/2009 lAcessos: 29,061 lComentário: 1

    Breve explicação em torno do tema licitações públicas, descrevendo um pouco do seu significado, a legislação utilizada, as modalidades previstas além dos seus tipos.

    Por: Guilhermel Direito> Legislaçãol 21/10/2014

    Durante anos houveram estudos para que fossem criados meios de proteger os homens e mulheres que precisavam de cuidados especiais, principalmente no momento em que chegasse à idade avançada. Estas pessoas durante toda vida trabalharam e buscaram cuidar de seus familiares, e não poderiam nas fases mais avançadas de idade se sentir abandonados e em situação de vida indigna.

    Por: MAIARA NANCI MICHELONl Direito> Legislaçãol 21/10/2014

    Em tempos de eleição, o que mais ouvimos por ai são propostas, que muitos de nos sabemos, muitas vezes caíram num esquecimento por parte dos nossos governantes atuais, ou futuros. O que todos nos brasileiros concordamos, independente de nossos posicionamentos políticos, è que um dos maiores problemas do país sem dúvida é a segurança pública.

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    Atualmente o Brasil é o país com maior numero de faculdades de direito no mundo, o que significa que ano após ano umas enxurradas de novos profissionais saem ao mercado de trabalho em busca de um lugar ao sol.

    Por: Bruno Souzal Direito> Legislaçãol 10/10/2014
    Paulo Vitor Urbano dos Santos

    A convivência familiar é um direito da criança. A família é responsável pela proteção e formação da criança, mas nem sempre esses direitos são observados, a criança ou menor pode ser vítima de negligência, exploração, violência ou crueldade, nesses casos o Estado passa a ser responsável pela proteção da criança ou adolescente e o Poder Judiciário pode inclusive, a depender do caso, destituir os genitores do Poder Familiar.

    Por: Paulo Vitor Urbano dos Santosl Direito> Legislaçãol 03/10/2014

    Este arquivo descreve o que seria uma procuração e ajuda o leito com uma linguagem simples e exemplos de quando utilizar uma procuração

    Por: Jose Silveiral Direito> Legislaçãol 29/09/2014
    Marco Peixoto

    Através do Criminal Compliance, a atuação de dirigentes e funcionários das empresas deverão estar alinhados aos valores e objetivos da organização, fixando normas relativas a atuação destes, em consonância com a legislação pertinente a respectiva área de atuação, objetivando a redução de riscos e práticas ilícitas, constituindo desta forma, importante instrumento a prevenção da responsabilidade penal das empresas e seus dirigentes.

    Por: Marco Peixotol Direito> Legislaçãol 16/09/2014
    Dra Ryceli Nóbrega

    Quase um ''Second Life'' (uma vida paralela, na qual se pode ser quem quiser) Jurídico no qual o advogado é seu ''Avatar'' (personagem).

    Por: Dra Ryceli Nóbregal Direito> Legislaçãol 15/09/2014 lAcessos: 13
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    A PROBLEMÁTICA DA EXIGÊNCIA DE QUE O RECLAMANTE EFETUE O DEPÓSITO RECURSAL NO ÂMBITO DA JUSTIÇA DO TRABALHO E A CONSEQUENTE MOVIMENTAÇÃO IMPRODUTIVA DA MÁQUINA DO PODER JUDICIÁRIO

    Por: Elizeu J. Paulinol Direito> Legislaçãol 05/03/2011 lAcessos: 3,496
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