Na Contramão Dos Direitos Dos Cidadãos

18/02/2010 • Por • 107 Acessos

É possível imaginar os desafios que enfrentam as pessoas com deficiências físicas, que não raramente estão sujeitas a transpor obstáculos. É possível imaginar também os desafios enfrentados pelas pessoas idosas. Portanto, foi pensando em agregar benefícios, por menor que sejam aos que estão enquadrados tanto em um exemplo, quanto no outro que foram instituídos estatutos e leis que fazem cumprir o que nele está contido.

Tive a iniciativa de escrever este artigo exatamente por ver direitos conquistados, inclusive via exemplo de convenções internacionais, que não têm sido respeitados, não só em minha cidade Cuiabá, mas em vários lugares por onde passo, principalmente no Brasil. Um destes direitos refere-se a algo simples, como respeitar as vagas de estacionamento destinadas a idosos e pessoas com deficiência. Mesmo garantidos por lei nota-se o quanto os locais reservados para idosos e deficientes físicos, em espaços públicos ou particulares, são ignorados.

Na semana passada um fato, que serve para ilustrar este artigo, me chamou a atenção mais do que ocorre costumeiramente, e fiquei indignado. Fui a um shopping da cidade, passei por um lugar que geralmente gosto de estacionar por ser mais seguro e notei que só havia vagas para idosos e deficientes físicos. Saí do local dei uma circulada e como não achei vagas disponíveis por perto, resolvi voltar ao local e por sorte uma vaga acabava de ficar disponibilizada. Parei o carro e ao olhar para o lado, vi que numa vaga reservada em conformidade com a lei, um carro estacionou e no veículo estava apenas um casal muito jovem.

Naquele momento pensei, o que será que aconteceu com uma pessoa tão jovem, teria sido acidente, problema de nascença... Rapidamente me veio a resposta, ao ver sair do carro o casal, ela usando uma sandália rasteira e shorts, ele, o motorista, de bermudão e tênis. Eu olhei a cena com leve ar de reprovação nos meus olhos, mas nenhum tipo de arrependimento foi demonstrado, pelo contrário, os jovens saíram andando tranquilamente, rindo até, como se estivessem fazendo a coisa mais bonita de suas vidas. Neste caso, é óbvio que o erro foi cometido pelo motorista, mas quem é conivente deveria também se envergonhar e não permitir.

Fiquei muito reflexivo, imaginando como podem as pessoas, além de não respeitarem a lei, não ter ainda por cima a consciência cidadã. Penso que são muitas as infrações cometidas por motoristas, mas quando estas vêm com a agregação da total falta de solidariedade e de respeito são ainda piores. Não pensam que podem passar por problemas semelhantes, todos estão sujeitos às intempéries da vida, e um dia, caso tenham a dádiva divina, irão envelhecer.

Os estabelecimentos estão reservando o percentual estipulado por lei, nas vagas dos estacionamentos isso tem sido observado. Será, entretanto, que estão vigilantes no sentido das vagas serem exatamente usadas para quem é de direito? Contribuem para que os motoristas sejam multados e que seus carros sejam guinchados? Ou aceitam a desculpa mais famosa para justificativa da infração: "são só cinco minutinhos".

O que muitos não sabem e vale como informação é que leis garantem a vaga para quem tem a identificação dos veículos com adesivo. Ou seja, não basta ser deficiente ou idoso. Será então que tais pessoas fizeram os respectivos cadastramentos? Isso realmente facilitaria punir os infratores e também garantir as vagas. Os motoristas deveriam se envergonhar de ficar na pior de todas as contramãos, que é a de não respeitar os direitos dos cidadãos, seja em que sentido for.

Pedro Nadaf é secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia e presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-MT.

E-mail: p.nadaf@terra.com.br

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Pedro Nadaf

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