A gramática no livro didático "links: english for teens"

Publicado em: 30/12/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 1,033 |

1. Introdução


        O presente artigo tem como finalidade analisar o livro didático de língua inglesa "Links: English for Teens", do sexto ano do ensino fundamental. Dentre as seções que permeiam o livro, duas terão atenção especial: Grammar in action e Grammar notes. O objetivo é investigar a gramática em uso, ou seja, sua aplicabilidade em interações contextuais, estabelecendo os sentidos que emanam de palavras, frases dentro de um contexto e não de modo aleatório. As discussões sobre a gramática contextualizada é tema relevante no estudo de línguas, uma vez que se torna viável conhecer o livro didático e sua estrutura para que o ensino de língua inglesa torne-se efetivo no ensino-aprendizagem de qualquer língua. Diante do exposto, ancorados nos estudos de Harmer (1991), Travaglia (2009), Widdowson (2005), dentre outros, neste artigo trataremos da gramática e sua validação na construção de uma aprendizagem com os possíveis efeitos de sentidos no arranjo textual.

2 Fundamentação teórica

2.1 O livro didático e sua estrutura  

     

         Na parte introdutória desse trabalho deixamos evidente a necessidade de trabalhar, nas aulas de língua inglesa, a gramática em processo de interação, isto é, na unidade de contexto, uma vez que sua aplicabilidade na estrutura da língua promove a construção do conhecimento acerca dos elementos linguísticos. A essa aquisição de conhecimento torna nítido um ensino-aprendizagem efetivo dentro dos parâmetros linguísticos de língua inglesa. Assim, o estudo contextualizado da gramática permite ampla visão da autonomia e da capacidade de inferências dos alunos relativos a termos, que numa interação verbal seja ela escrita ou falada não faz sentido se não estiver inserida num dado contexto.
        Harmer (1991) diz que a língua se realiza quando o sujeito diz ou escreve alguma coisa. Desse modo, "Se nossos alunos querem se expressar por meio da fala ou da escrita, eles precisam saber essas funções – em outras palavras como usar a gramática e o vocabulário para expressar significados/finalidades eficazes[1]" (Harmer, 1991, p. 48 Trad. nossa).
        Nesse sentido, a principal função da linguagem é permitir a "criação de sentido, encarnação de significação e, como tal, ela dá origem a comunicação (LEITE, 2008, p. 23). Partindo desse aspecto, o livro didático de língua inglesa deve visualizar e contemplar a realidade dos alunos em termos de organização dos conteúdos a fim de promover o desenvolvimento da autonomia dos alunos, bem como suas capacidades de inferências sobre as estruturas gramaticais.
        O livro didático (LD) em tela intitulado "Links: English for Teens", de Amadeu Marques e Denise Santos, disponibilizado pelo Ministério da Educação, este ano, traz uma estrutura atualizada de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). De modo geral, as unidades do LD estão inseridas numa visão sociointeracionista da linguagem, ou seja, a comunicação é entendida como um processo relacionado a contextos de uso num dado momento histórico e social.
        Estruturalmente, o LD apresenta-se dividido em dez unidades, as quais se dividem em quatro blocos destinados um para cada bimestre. As unidades são compostas de seções que trabalham as habilidades linguísticas, vocabulário, gramática e reflexões sobre as questões socioculturais. Além disso, o livro do aluno contém um Workbook a fim de facilitar a apreensão dos conteúdos, da linguagem como interação sociocomunicativa. Outro ponto que merece destaque são as orientações abordadas no material do professor para que as habilidades sejam desenvolvidas efetivamente. Assim as aulas podem ser articuladas por meio do Let's read!, Let's listen!/Let's speak!, Grammar in action/Grammar notes, Words in action/Let's write! e Let's play!/Let's stop and think. Diante desses aspectos, a promoção e a participação do ensino-aprendizagem de língua estrangeira, com base no LD, contribuem na autonomia dos alunos em relação à língua falada e escrita.

2.2 A língua inglesa em contexto       

Atualmente os estudos de língua centram-se na interação, pois abrange muito mais que o (re)conhecimento das estruturas sintáticas. O ensino-aprendizagem de uma língua segundo (Widdowson, 2005) resulta da capacidade de compreensão dos enunciados dentro de um contexto específico e não apenas das estruturas frasais. Do ponto de vista do estudioso, "o primeiro tipo de capacidade depende do conhecimento de regras gramaticais da língua que esteja sendo aprendida" (WIDDOWSON, 2005, p. 15).
        No LD, a língua inglesa é sempre apresentada em situações de contextos, o que permite aos alunos um entrosamento significativo referente à apreensão dos signos linguísticos. Logo, o trabalho com variedades textuais, temas atuais, interdisciplinaridade são alguns elementos essenciais à aquisição da língua em suas situações de uso.
        Na interação verbal, a linguagem é usada para realizar ações, servindo como um lugar de interação humana, além de ser vista como prática social, pois por meio do Let's read! e do Let's listen!/Let's speak! amplia  a visão dos alunos em relação às competências e proficiências orais em língua estrangeira, conforme pontua  Consolo:

               O "desejo de falar" uma ou mais línguas estrangeiras, dentre as quais destaca-se a opção ou preferência pela língua inglesa  (Consolo, 2002), tem sido a maneira coloquial pela qual se expressa a vontade ou o reflexo da necessidade de ser proficiente no engajamento em interações verbais em outras línguas, pressupondo-se que essa proficiência envolva tanto o processo de compreensão como o de produção oral (2007, p. 110).

        O Let's write! foca a escrito no uso da comunicação, o que também desenvolve estratégias de writing. Embora os textos não sejam autênticos, contribuem na leitura e compreensão oral, permitindo uma produção fundamentada no conteúdo explorado na unidade. Em relevo, os gêneros textuais convergem para as competências escritas, propondo uma interação maior na prática escrita, ou seja, o uso da gramática e contexto. Sobre essa visão, Widdowson assinala que "o ensino da formas parece não garantir um conhecimento de uso (comunicativo). O ensino de uso, contudo, parece garantir a aprendizagem de formas uma vez que essas últimas são representadas como partes necessárias do primeiro (2005, p. 37, grifo nosso).
        O Links: English for Teens traz contribuições dinâmicas e lúdicas para a aprendizagem da língua inglesa cuja finalidade das seções "Let's play!" e "Let's stop and think!" é estimular o aluno a refletir acerca das questões socioculturais e a desenvolver a criticidade por meio produção que resultem em atividades que envolvam habilidades orais e escritas.

2.3 A gramática em uso no LD

        Se pensarmos em gramática do ponto de vista de um conjunto de regras que regem o funcionamento da língua, temos o conceito de que toda língua se constitui dentro de uma gramática, por outro lado, não há gramática sem língua. Vista por um conjunto de normas, a gramática não atende a língua em sua totalidade, pois considera o uso da língua em sua vertente normativa, definindo o que é certo e errado, ou seja, desconsidera as variantes linguísticas diatópicas e privilegia a diastrática. No entanto, a gramática enquanto disciplina de estudo deve ser ensinada e aprendida sob a ótica de contextos linguísticos que tornem válida a comunicação seja oral, seja escrita.
        Em termos linguísticos, a gramática se estrutura numa interação comunicativa, o que permite ao aluno construir seu texto adequando à situação, aos objetivos comunicacionais. Desse modo:

               A proposta é também trabalhar a gramática numa perspectiva formal mais ampla, na dimensão do funcionamento textual-discursivo dos elementos da língua, uma vez que a língua funciona em textos que atuam em situações específicas de interação comunicativa e não em palavras e frases isoladas e abstraídas de qualquer situação ou contexto de comunicação (TRAVAGLIA, 2009, p. 109).       

        Ou seja, abordar elementos gramaticais torna o texto ou discurso mais atraente do ponto de vista semântico quando esses elementos estão conjugados a um sentindo comunicativo, isto é, possibilita inferências sobre o assunto. À vista disso, a gramática não se constitui através de palavras ou frases isoladas.
        A gramática no LD Links: English for Teens é concebida mediante dois aspectos relevantes para o estudo da língua inglesa, pois considera os aspectos: gramática da unidade de contexto e resumo gramatical da unidade. Esses aspectos estão presentes nas seções "Grammar in action" e "Grammar notes".

2.3.1 Grammar in action       

        O grammar in action trata os conteúdos gramaticais em situações de comunicação, em variados contextos situacionais. Além disso, permite ao aluno identificar o uso da estrutura a fim de promover autonomia e estimular a curiosidade do aprendiz acerca da estrutura da língua inglesa. Ou seja, ao desenvolver essas habilidades, o aluno é direcionado a compreender a língua. Para Widdowson (2005) dominar uma língua transcende o simples conhecimento da articulação de frases, bem como envolver a compreensão, fala e leitura, assim quem domina essas capacidades "conhece as maneiras como as orações são utilizadas para se conseguir um efeito comunicativo" (2005, p. 13).
        Ponto relevante nesse estudo é analisar os elementos comparativos que confundem o aprendiz durante a aprendizagem. Exemplificando, as palavras frog e toad significam respectivamente rã e sapo, no entanto na frase "How many frogs must a girl kiss before she can find her Prince Charming?", a palavra frogs será traduzida como sapo, já que usar o termo rã daria um sentido distorcido ao enunciado. Outro exemplo é o uso da linguagem coloquial como em "Cool!", que em sentido literal corresponde a fresco, mas numa interação entre jovens, dependendo do contexto, pode significar "legal!". Nesses casos, a gramática foi empregada corretamente, mas a tradução foi feita por meio do sentido comunicativo. Sobre a esse exemplo de tradução, Nida (apud Mounin, 1975, p. 252) afirma que "a tradução consiste em produzir na língua de chegada o equivalente natural mais próximo da mensagem da língua de partida, em primeiro lugar no que diz respeito à significação e em seguida no que diz respeito ao estilo".

2.3.2 Grammar Notes       

        Enquanto o Grammar in action atua no plano das histórias em quadrinhos, promovendo o diálogo para que a gramática se faça efetiva na aprendizagem por meio do processo de interação, o Grammar notes amplia o conceito do conteúdo estudado na unidade por meio de atividades de complementação ou reescrita de palavras e frases envolvendo o tempo discutido.  As atividades dessa seção são exploradas em grupos a fim de possibilitar a interação dos alunos em relação à língua e a gramática.
        Assim, vale ressaltar que a gramática se aproxima mais das normas do que do uso, o que não se exime, pois mostra claramente a necessidade e a importância da norma culta no uso da língua. Isso é feito através de atividades ora sistemáticas, ora contextualizadas. Nas palavras de Widdowson (2005, p. 16) "geralmente se exige que usemos o nosso conhecimento do sistema lingüístico com o objetivo de obter algum tipo de feito comunicativo".
        Diante disso, essa parte da gramática no LD objetiva a autonomia do aluno em relação às atividades que estimulem a capacidade do aprendiz de modo a inferir as estruturas gramaticais.

2.4 Autonomia do professor   

    

        A pretensão de todo LD destinado ao ensino de língua é estabelecer conexões de sentido entre textos, leituras, produções escritas e estudo da gramática. Porém compreender esses elementos se torna pouco quando o processo não ocorre efetivamente, quando as aulas que tratem tais temas não promovam autonomia e criticidade. Geralmente, os LD trazem informações de diferentes lugares, instituições, costumes sobre os países que tem o inglês como língua materna ou segunda língua. Logo, "do professor de inglês se espera que saiba bastante sobre as instituições britânicas e ou americanas, costumes sociais, tradições e assim por diante uma vez que os seus livros didáticos fazem alusões frequentes a tais fontes no tratamento da sua "matéria" (WIDDOWSON, 2005, p. 34).
        O livro em análise permite ao professor de língua inglesa desenvolver um trabalho centrado na clareza dos conteúdos, viabilizando a coerência na sequenciação das aulas para que os alunos compreendam as pronúncias e o modo correto de escrever determinada palavra. Seguindo esse caráter didático, o livro traz sugestões de projetos interdisciplinares, incentiva o trabalho autônomo do professor. Além disso, o professor fica à vontade para pesquisar em outras fontes.

3. Considerações Finais
 
       

        Diante do exposto, queremos destacar a importância do trabalho quando direcionado e articulado à exposição da gramática no LD. Nossa intenção é apresentar não as seções, mas a contribuição dos conteúdos que a envolvem a fim de que o aluno compreenda os aspectos gramaticais mediante o sentido que a morfologia e a sintaxe demandam na construção do texto, além disso discutir a oralidade e a produção escrita via suporte didático, o livro. Em suma, o livro apresenta um conteúdo que assegura o aluno a desenvolver as habilidades de leitura, compreensão oral e escrita, uso da gramática e que desempenha relevante autonomia e criticidade na aquisição de uma nova língua, nesse caso, a língua inglesa.

Referências

CONSOLO, Douglas Altamiro.  Avaliação de proficiência oral: uma reflexão sobre instrumentos e parêmetros do (futuro) professor de língua estrangeira. In: ALVAREZ, Maria Luisa Ortiz; SILVA, Kleber Aparecido da. Linguística aplicada: múltiplos olhares. Campinas, SP: Pontes, 2007.

HARMER, J. The Practise of English Language Teaching. Third edition. Essex, England: Longman, 1991.

LEITE, L. C. de M. Gramática e literatura: desencontros e esperanças. In: GERALDI, J. W. (org.). O texto na sala de aula. 4. Ed. São Paulo: Ática, 2008.

MOUNIN, G. Os problemas teóricos da tradução. São Paulo: Cultrix.

TRAVAGLIA, L. C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática. 13. ed. São Paulo: Cortez, 2009.

WIDDOWSON, H.G. O ensino de línguas para a comunicação. 2. ed. Campinas, SP: Pontes, 2005.

 

[1] Texto original: "If our students want to express themselves in speaking or writing, they need to know how to perform these functions – in other words how to use grammar and vocabulary to express certain meanings/purposes".

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    Palavras-chave do artigo:

    gramatica interacao livro didatico

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