A IMPORTÂNCIA DO LATIM NO ESTUDO DA LINGUA PORTUGUESA

05/06/2010 • Por • 10,286 Acessos

INTRODUÇAO

 

 

O latim teve seu inicio por volta do século VIII a. C, na península itálica, precisamente onde mais tarde foi fundada a cidade de Roma; pelas legiões romanas que impuseram sua língua para os povos conquistados. No entanto há teóricos que afirmam haver registros da língua latina que são datados desde o século XI e VI a. C, nos quais já se utilizava resquícios desta língua, tratando-se de antigas inscrições. No entanto bem opostas as que chegaram a séculos posteriores.

O latim é de fundamental importância no estudo da língua portuguesa, sendo que o português é oriundo do latim vulgar; (sermo vulgaris) sendo este falado pelas pessoas de classes inferiores, enquanto o latim clássico (sermo litterarius) falado somente pela elite romana, esta divisão do latim ocorreu devido a expansão marítima romana e que conseguiu espalhar mundo à fora a língua românica.      Contudo, o expansionismo territorial, que levou os romanos a terem contato com outros povos, outras etnias, remete-nos a idéia de que foi essencial para enriquecimento de sua cultura latina. É importante frizar que o povo de maior influência na cultura romana foi o Grego, visto que, as relações entre essas sociedades exaltaram as manifestações culturais romanas, isto porque Grécia era mais desenvolvida que Roma tanto no aspecto político-social quanto cultural. E a partir daí houve a valorização do culto das coisas do espírito, e com isso, deu-se o inicio ao estudo da filosofia, das letras, belas artes, evidenciando assim a literatura latina e contribuindo para o desenvolvimento da literatura universal.

 

 

O LATIM NAS ORIGENS DO PORTUGUES

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A evolução do latim é tão notória nas origens da língua portuguesa até os dias atuais, é facilmente perceptível; basta dizer apenas hoje é domingo. Pois em latim a palavra domingo (dominus) significa senhor (esta palavra deu origem a várias outras ex: dominar, condomínio, é claro que teremos muitas mais tais como: Antonius ( Antônio), magister (mestre), pecúnia (dinheiro). Vale ressaltar que a importância do latim na língua portuguesa é bem maior do que apenas tê-las originados, evidenciando assim, o seu uso no nosso dia-a-dia é claro que a língua portuguesa ganhou suas próprias regras e formação morfossintáticas, mais se queremos conhecer realmente as estruturas de nossa língua é necessário que estude-se e principalmente se conheça a estrutura da língua latina, pois, segundo Arruda é de fundamental importância este processo transformacional entre as línguas. 

     

Deixar de lado a língua que não só deu origem ao português e demais línguas neolatinas, como também influênciou tantas outras, é deixar de lado a oportunidade de entender como todas essas línguas se relacionam e se transformam.

 

A relação humana talvez, seja a mais complicada, e mais ainda, quando se trata deste processo de comunicação, sendo esta, a principal necessidade do homem, principalmente na época das explorações territoriais onde se fazia necessário uma modificação no código lingüístico de ambas as partes, tanto do colonizador, quanto do colonizado, na tentativa de haver uma comunicação compreensiva. É claro que desta forma surgem novas línguas. Desta maneira o galego-português, na época, sofreu grandes influências de outras línguas chegando ao português da atualidade; que fique claro que o português em questão é o falado no Brasil.

Sendo assim, existe uma relação muito mais profunda da língua portuguesa para com a latina, é verdade que ao estudarmos a gramática do português enfrentamos algumas dificuldades, pois, nem sempre conhecemos as origens das palavras que compõem nosso dicionário, sendo que, uma parte delas é formada por uma junção do latim com o grego, mas, em sua maioria é oriunda do latim, enfim, o português é essencialmente latino em suas raízes.

 

Pertence a todos os membros de uma comunidade, como ela é um código aceito convencionalmente, um único indivíduo não é capaz de criá-la ou modificá-la [...] A língua evolui, transformando-se historicamente, por exemplo, algumas palavras perdem ou ganham fonemas, outras deixam de ser utilizadas; novas palavras surgem, de acordo com as necessidades, sem contar os "empréstimos" de outras línguas com as quais a comunidade mantém contato. (Cereja; Magalhães, 1999, p. 07).

 

A língua latina teve a sua importância desde a sua gênese, é correto afirmar que as transformações ocorridas no latim foram sem duvidas ocasionadas por intermédio de outras variações lingüísticas, e a partir desses contatos ocorridos pela a iminente expansão marítima surgiu o latim vulgar, através da necessidade de comunicação entre povos, e assim denominaram-se por ser falado apenas pelos menos favorecidos da sociedade da época.

Vale a pena ressaltar que foi em decorrência do dito latim vulgar que surgiram inúmeras línguas, além do português em foco, há o Frances, italiano, dálmata, espanhol, sardo e romeno, e assim surgiram as línguas românicas ou neolatinas.

No século III a.C. as legiões de Roma não só impuseram sua língua, cultura e costumes, como também sofreram influencias por parte dos povos conquistados, e esta realidade dialetal diversificada dentre várias regiões do império romano fez surgir transformações no latim das línguas românicas; tais como:

a) Fator cronológico: as regiões foram romanizadas em momentos diferentes, portanto, receberam esta língua (latim) em constante evolução;

b) O contato direto dos romanos com outros povos;

c) A diversidade cultural e sócio-econômica das regiões conquistadas.

Estas influências ocorrem porque se trata de um aspecto-social, ou seja, as relações ocorrem não somente pelo fator econômico, e sim pela relação entre culturas que a partir deste contato sofrem modificações, transformam-se de alguma maneira, pois, o ser humano é totalmente dependente do processo comunicativo, e este processo é o responsável pela eterna evolução humana.

O caráter social da língua é facilmente percebido quando levamos em conta que ela já existe antes mesmo de nós nascermos: cada um de nós já encontra a língua formada e em funcionamento, pronta para ser usada. E, mesmo quando deixamos de existir, a língua substituirá independente de nós (Terra, 1997, p. 20)

Diante de tal afirmação é bastante aceitável que se diga "o latim não é uma língua morta", pelo É contrário está pertinentemente inclusa na nossa língua, e em todas que pertencem ao grupo das línguas neolatinas, tanto que para sabermos tal importância, vejamos o que nos diz Arruda em seu artigo sobre a língua latina no qual ele afirma que:

 

Podemos falar sobre o que algumas gramáticas chamam de irregularidades da língua e perceber que elas têm explicação na sua história. Uma grande pedra no sapato dos alunos é o plural de palavras terminadas em "ão'. Na verdade a irregularidade está em conhecer a origem dos três possíveis plurais (aos, ões, ães). O plural de nação é "nações", por que veio do latim natione; em "pão" (pane), temos "pães", mas "cristãos" para "cristão" (christianu) . 

 

Mediante a citação do autor, acredita-se que o latim é sim necessário e importantíssimo em nossos estudos sobre a gramática da língua portuguesa, pois, há muito o que se aprender, porque não basta saber conjugar um verbo ou simplesmente como transpor uma palavra para o plural. É preciso que o aluno compreenda o porquê desta ou daquela palavra ter determinada terminologia, quando transferida para o plural. Faz-se necessário que se conheçam os significados contidos em nossa cultura, em cada sistema lingüístico cultural.  

É fato que, a sociedade nos cobra a língua como identidade cultural e social, logo, para sabermos falar e escrever bem é necessário que se viva segundo as leis da gramática normativa que nos rege pelos feitos da língua padrão ou, "norma culta padrão da língua". Mas, também se tem a gramática descritiva, ou seja, "a gramática que orienta o trabalho dos lingüistas", que possui um conjunto de regras baseado no uso da língua. Esta gramática é utilizada para descrever ou explicar as línguas, levando em consideração como elas são faladas, ela aceita termos que a gramática normativa não aceita; como por exemplo. Nós (culta), e (agente) na descritiva, pois, a gramática descritiva trata os "erros" de maneira diferente; utiliza o critério social, não lingüístico para a correção.

A língua portuguesa por ser em suas raízes oriunda do latim, e também por ter sofrido diversas influencias por parte de uma gama de outras culturas é concerteza, uma língua que conserva aspectos gramaticais não encontrados em outras línguas românicas.

A individualidade lingüística do português, no ponto de vista lingüístico é muito rico devido à complexidade do seu sistema fonológico. É fato que há diferença nos sons orais e nasais, partindo das vogais a, e, i, o, u nas referidas palavras, ex: ave, pai, mãe, pé, pêra, rei, céu, mi, viu, mim; ovo, herói, foi; uva, azuis, um, etc. Outras características é a que tem a queda das consoantes da forma latina, que permanecem em outras línguas neolatinas, na forma original como no italiano e espanhol, (por exemplo: luna, que em português é lua.)

A língua portuguesa no Brasil passou por varias transformações, desde a sua descoberta em 1.500, dando ao idioma dos colonizadores a incorporação de termos africanos e indígenas aqui existentes, e no contato com essas etnias surgiram características próprias no falar. Isto é notável na nossa gastronomia (mandioca, tucupi, pupunha, etc.), da cultura indígena. Também temos nomes africanos que marcam as expressões de luta contra a escravidão (Colombo, zumbi dos palmares), e mais ainda nas expressões derivadas do ritmo afro-brasileiro.

Ainda percebe-se a influencia indígena em nomes de plantas, animais, etc. Exemplo desta influencia é o livro Iracema de José de Alencar.

Com relação a Portugal as diferenças permeiam na pronuncia e na maneira como se utiliza o idioma na colocação dos pronomes. Observa-se na expressão lusa: "ela me disse: aqui estão nascendo mais meninas...". "Em Portugal seria: disse-me ela: cá estão a nascer mais raparigas..."

Assim como todas as línguas neolatinas, criada por derivação do latim, o galego adquiriu contribuições germânicas e componentes indo-europeus, na verdade, os portugueses não tinham um idioma próprio, mas a língua galega. Assim como o Brasil sofreu influências lingüísticas e manteve a estrutura da "Língua Portuguesa", da mesma forma Portugal adquiriu novos elementos, e manteve a estrutura originalmente galega.

 

CONCIDERAÇÕES FINAIS

 

 

Este artigo foi elaborado mediante pesquisas bibliográficas e laboral, onde se pretende com isso contribuir de maneira fundamental para o enriquecimento da língua latina, sua origem e, sobretudo, as influencias que exercem sobre a língua portuguesa.

Pode-se dizer que entender qual a necessidade do latim para a compreensão da língua portuguesa, e toda a sua evolução, é redescobrir as suas origens, é descobrir como funciona a língua portuguesa, e o quanto é complexa e bela pela sua variedade cultural.

Portanto, fica provado a grande importância do latim no estudo da língua portuguesa e como estas línguas se relacionam na atualidade.

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

TERRA, Ernane. Linguagem,língua e fala.São paulo:Scipione,1997     

 

HAULL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução Tomaz Tadeu das Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.              

 

CEREJA, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Português: linguagens, literatura, produção de texto e gramática. 3ª ed. São Paulo: Atual,1999                                                                                                                                                                                                                    

Perfil do Autor

Shirley

estudante de letras da Universidade Vale do Acaraú, que fica em Macapá-Amapá