A importância do professor no processo de construção do conhecimento

24/02/2012 • Por • 610 Acessos

A IMPORTÂNCIA DO PROFESSOR NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

Elison Ferreira Alves*

Resumo: O presente artigo visa refletir a importância que o trabalho docente deve ter na sociedade de modo geral, tendo como referência a realidade social, política, econômica e cultural de um determinado contexto histórico no qual o educador participa efetivamente no processo de construção do conhecimento. O valor pedagógico da interação humana é ainda mais evidente, pois, é por intermédio da relação professor - aluno que o conhecimento vai sendo construído. Este apoia-se em teóricos renomados como Candau, Gadotti e entre outros que entendem que o profissional da educação tem um papel relevante na transformação do educando e da sociedade atual, vista que a educação é um direito de todos. A construção de uma nova prática pedagógica está diretamente ligada à concepção de mundo e de conhecimentos que fundamentam as relações cotidianas. Repensar essa prática tendo a sociedade como referência significa criar um movimento constante de construção e desconstrução do saber.

Palavras-chave: Professor. Educação. Sociedade. Educando.

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*Graduado em Licenciatura Plena em Letras

*Graduado em Licenciatura Ciências da Religião

*Pós-Graduado em Práticas Pedagógicas Aplicadas a Pessoas com Necessidades            

 Educativas Especiais com Ênfase em LIBRAS.

 E-mail: elisonletras@hotmail.com

THE IMPORTANCE OF THE TEACHER IN THE PROCESS OF CONSTRUCTION OF KNOWLEDGE

Abstract: This article aims to reflect the importance that teaching should have in society in general, with reference to the social, political, economic and cultural life of a particular historical context in which the teacher actually participates in the process of knowledge construction . The pedagogical value of human interaction is even more evident, then, is through the teacher - student relationship that knowledge is being built. This is supported by theorists such renowned Candau, Gadotti and among others who understand that professional education has an important role in educating and transforming today's society, a view that education is a right for all. The construction of a new pedagogical practice is directly linked to world view and knowledge that underlie everyday relationships. Rethinking the practice with reference to society as means to create a constant movement of construction and deconstruction of knowledge.

Keywords: Teacher. Education. Company. Educating.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo tem como objetivo abranger a função social do educador ao propiciar o educando a compreensão da realidade e a formação de consciência determinada pelas condições histórico-sociais.

Vive-se um momento de profundas transformações, pois, a sociedade atual encontra-se em crise, a qual nos remete a repensar sobre os valores e atitudes no que diz respeito à educação. Segundo Gadotti (1998), os cursos de formação de professores, mais especificamente o curso de Pedagogia é regulamentado no Brasil desde 1969 (período da ditadura militar). Diante deste fato, se faz pensar em um educador passivo, técnico e sem preocupações sociopolíticas, com um agir totalmente desvinculado da realidade na qual se inseria.

Dessa forma oferece habilitações para supervisão, orientação, administração, inspeção e planejamento com conotações totalmente tecnicista, apoiada no treinamento desses profissionais para atuarem nas escolas com toda a objetividade possível. Não se pode esperar que tal organização brote espontaneamente, mas sim por meio da educação que pode caminhar lado a lado com a prática política. Sendo assim, o profissional da educação assume aqui um papel, sobretudo político.

Ao examinar a história da educação, constata-se que nem sempre se cuidou adequadamente da importância da formação do professor para sua atuação. Este profissional para desenvolver suas atividades deve educar a partir de valores éticos e, tendo em vista uma sociedade melhor. Se o papel social do educador é um ato de ensinar e ensinar é uma práxis, isto supõe uma relação professor- teoria versos prática.

Hoje o professor exerce seu papel como um facilitador da aprendizagem numa sociedade em mutação, onde é preciso educar para o improvável, o novo, a autonomia, a capacidade de crítica e de disciplina.

Desse modo, este trabalho visa contribuir com a comunidade acadêmica e a sociedade em geral para um entendimento sobre a realidade do papel do professor como facilitador no processo de formação de valores em confronto com a realidade e a prática vivida no dia a dia na escola. Pois o desenvolvimento da escola guarda estreita relação com o desenvolvimento da sociedade, e vice-versa. É através do conhecimento que o educando adquire meios para compreender e transformar a realidade em que vive tornando-se apto a exercer seu papel como cidadão.

2  O PAPEL DO PROFESSOR

A atividade docente é fundamentalmente a tarefa de ensinar, tal tarefa, consiste em dirigir, organizar, orientar e estimular a aprendizagem escolar do educando. Mas para que, tal tarefa, seja alcançada o professor não deve restringir o ensino em um espaço que envolva somente a sala de aula. O ensino deve ter como ponto de partida a vida cotidiana do educando, pois, todo educando possui alguma informação sobre qualquer tema abordado em sala de aula, mesmo que seja de forma superficial, este conhecimento prévio pode advir de uma experiência cotidiana ou aprendizagem anterior na escola. A partir daí, o professor estará ajudando-o a transformar sua curiosidade em esforço cognitivo, passando de um conhecimento confuso fragmentado a um saber organizado e preciso.

Ao refletir sobre todo esse processo, o professor deve também se preocupar com o contexto social em que vive o educando. Assim, o mesmo poderá direcionar sua aprendizagem de maneira adequada. O conhecimento é um processo interpessoal que pressupõe uma relação bilateral. Por um lado o educando constrói valores, crenças, conceitos e ideias através do processo interativo, mas o papel do educador nesta relação é de perceber e compreender o mundo do educando ao sondar conhecimentos e habilidades que ele trás de seu ambiente familiar e social.                                      

Assim conhecendo novas formas de concepção de mundo, revendo comportamentos e desfazendo preconceitos, pode-se entender a prática docente.

[...] a atual concepção do educador, deve saber tratar tecnicamente os mecanismos pelos quais um indivíduo (educando, no caso) possa adquirir determinados tipos de conduta com maior facilidade. E, então, o ensino da didática passou a ser um ensino voltado para a aprendizagem dos modos de conseguir, do ponto de vista do "saber fazer", que alguma coisa seja ensinada de tal maneira que o educando aprenda com maior facilidade e, por isso, mais rapidamente. A didática passou a ser uma hipertrofia dos modos de fazer, da discussão do "como" se chega a um determinado fim. (CANDAU, 2005, p.30)

O papel do professor na sociedade não pode ser de mero transmissor de informações para o educando, o mesmo deve garantir-lhe autonomia de pensamento, capacidade de tomar iniciativa e de desenvolver o pensamento crítico, pois, o educador é ferramenta de auxílio no processo de crescimento. A partir deste ponto, o professor com o saber organizado, o conhecimento cientificamente estruturado e com valores formais da sociedade, poderá representar um intercâmbio significativo, tal para ambos.

Neste processo social e na perspectiva dialógica, o professor não se relaciona com o educando como se fosse o único que tem algo para ensinar e nem o vê como ser passivo e receptivo que deve aprender tudo, mas estabelece uma relação de mútuo intercâmbio no processo de ensinar e aprender. O papel social do professor deve assumir uma postura diretiva, pois, o mesmo sabe aonde quer chegar com o ensino e o diálogo. Com essa postura, o professor estimula o educando a captar e a polarizar sua atenção, despertando seu interesse. Gadotti (1998), mostra que educar nessa sociedade é tarefa de partido, isto é, não educa para a mudança aquele que ignora o momento em que vive, aquele que pensa estar alheio ao conflito que o cerca. É tarefa de partido porque não é possível ao educador permanecer neutro. Ou educa a favor dos privilégios ou contra eles, ou a favor das classes dominadas ou contra elas. Aquele que se diz neutro estará apenas servindo aos interesses do mais forte. No centro, portanto, da questão pedagógica situa-se a questão do poder.

Educar em uma sociedade altamente diversificada constitui a atividade principal do docente e, por isso, deve ser compreendida como uma "arte" que envolve aprendizagem contínua e envolvimento pessoal, isto é, o docente ensina, mas não deixa de ser um eterno aprendiz. O docente deve reconhecer que o desenvolvimento pessoal e social é um item importante do currículo, de um ponto de vista mais prático, o ensino na base da cooperação pode fazer com que o educando dependa menos do educador.

3  A ARTE DE EDUCAR

A aprendizagem significativa do docente implica em uma representação interna e pessoal quanto ao seu papel social. Neste processo de construção, modificam-se conhecimentos, cria-se uma nova conceituação e perspectiva. A aprendizagem deixa de ser um processo linear de acumulação de conhecimentos e passa a ser "o saber o que fazer". Ao educador compete refazer a educação, reinventá-la, criar condições objetivas para que a educação seja realmente democrática e que favoreça o aparecimento de um novo tipo de educar.

Os meios de acesso as mais diferentes formas de ensinar, tais como, a tecnologia em seus mais inúmeros recursos, apresentam-se como uma forma estratégica de estimular os alunos e desta forma aprimorar o processo de ensino aprendizagem. A inovação tem como característica a curiosidade e através disso o estimulo que reforça a aprendizagem do educando.

Desta maneira é preciso que o professor saiba usar as estratégias que favoreçam a aprendizagem do aluno, onde o mesmo aluno dispõe de recursos tecnológicos como celulares, notebook e acesso a internet através de sites de relacionamentos como Orkut, Facebook, MSN etc. Tais ferramentas que são usadas para enviar e receber mensagens dispõe do uso da linguagem, que acaba sendo de forma culta ou não, mas que é predominante no momento atual.

Usar essas ferramentas na qual o aluno domina ou até mesmo tem contato em diversos momentos é ampliar as oportunidades de ensino aprendizagem deles, trabalhando de forma conjunta a todos e resgatando o esses aspectos que são de interesse deles no seu dia a dia.

É interessante lembrar Dewey (1978), que nos diz que educar-se:

"... é crescer, não já no sentido puramente fisiológico, mas no sentido espiritual, no sentido humano, no sentido de uma vida cada vez mais larga, mais rica e mais bela, em um mundo cada vez mais adaptado, mais propício, mais benfazejo para o homem" DEWEY, John. Vida e educação. A criança e o programa escolar I, II interesse e esforço. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1978, p 17.

         Portanto, o professor deve ter um olhar mais aberto e perceber que com novas significações podem ajudar não só na aprendizagem do aluno como também em seu estimulo em querer aprender e assim poderá construir novas possibilidades que favoreçam o aluno.

É desta forma que o professor pode trabalhar com o aluno e adaptar essa linguagem onde o aluno passe a utilizar a maneira correta e de fácil entendimento, pois caso contrário, ficará sujeito ao erro constante da forma escrita utilizada pelo aluno.

Rubem Alves sugere algumas indagações

Mas vamos procurar os educadores. Onde poderiam estar? Encontramos professores, muitos... Mas professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança... Que terá acontecido com ele, o educador... resta-lhe algum espaço? Será que alguém lhe concede a palavra e lhe dá ouvidos? Merecerá sobreviver? Tem alguma função social ou econômica a desempenhar? (ALVES, 2004, p. 37)

O autor transmite a ideia de aperfeiçoar a prática cotidiana em desenvolver seu trabalho e buscar uma relação estratégica que permita ao aluno e ao educador interagirem-se para uma autoconfiança entre si.

 A ideia de professor como profissão e enquanto educador como vocação. Isso significa dizer que o sentido e a percepção de educador baseiam-se na de superação de desafios que o educador deverá impor para promover oportunidades dos alunos.

Sendo assim, a principal tarefa é fazer novas associações entre o ensinar e o aprender, preparando-nos para conviver com os novos desafios que nos são postos pelas mudanças no meio social.  Uma maneira de oferecermos novos passos para a construção desse processo educativo do século XXI é transformar nossa realidade junto à dos alunos, pois é preciso acompanhar as mudanças que ocorrem em nosso dia a dia e onde seja viável a flexibilidade e as significativas trocas de saberes, ignorâncias e conhecimentos, em dialógica ação entre todos os que participam do processo educativo.

CONCLUSÃO

Portanto, é importante o professor tenha a concepção de que as inovações são ferramentas onde ele poderá auxiliar o processo de ensino aprendizado dos alunos e a contribuição que se traz de forma satisfatória no qual se pode dinamizar e conquistar cada vez mais o interesse do aluno.

Dessa forma fica evidente a influência de que os teóricos que se ocuparam em estabelecer concepções sobre a melhor forma de construir estratégias para o ensino efetivo dos alunos estão na maneira de utilizar as ferramentas, técnicas, métodos etc. Contribuindo assim para o objetivo deste artigo que era justamente demonstrar essa influência em aplicar as inovações que se dispõem para a melhoria do processo de ensino aprendizado de alunos e estimulo pelo interesse em aprender de forma harmoniosa e interessante ao seu ponto de vista e cotidiano.

REFERÊNCIAS

______. O Desejo de Ensinar e a Arte de Aprender . Campinas: Fundação Educar DPaschoal, 2004.

ABNT. NBR 6022: Informação e documentação: artigo em publicação

ALVES, Rubem. A educação como descoberta. Entrevista a Josué Machado. Revista da Língua Portuguesa. São Paulo: Escala, 2006.

CANDAU, Vera Maria.  A didática em questão. 25 ed.- São Paulo: Vozes, 2005.

DEWEY, John. Vida e educação. A criança e o programa escolar I, II interesse e esforço. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1978.

FONTES, Denis S. Qualificação de professores: perspectivas e possibilidades. Porto Alegre: Mediação, 2001.

GADOTTI, Moacir. Pedagogia da práxis. 2 ed.- São Paulo, Cortez, 1998.

GOODSON, F. D. Formação continuada e os desafios da prática docente . São Paulo: EDUSP, 1994.

HILSDORF, T. S. Formação ou capacitação: desafios à atividade do professor. São Paulo: Moderna, 2003. periódica científica impressa: apresentação. Rio de Janeiro, 2003. p. 5

SANTANA, Ana Ribeiro. Rubem Alves: o educador no filósofo. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.