A Influência Da Música Na Aprendizagem Da Língua Estrangeira Nas Séries Iniciais

17/02/2010 • Por • 4,430 Acessos

Afora o interesse pessoal e profissional da pesquisadora, o tema se propõe a analisar a influência que a música exerce na aprendizagem de uma segunda língua para as séries iniciais de pré a 4ª série em instituições confessionais de ensino, que levam professores e alunos a se estimularem no ensino nessa faixa etária.

Devido à falta de estímulo dos alunos, não correspondendo através das avaliações interesse em estudar e com o não cumprimento das tarefas programadas, o objetivo de aprendizado não está sendo atingido; ao passo que fazendo uso de canções e música os alunos acabam, por assim dizer, fixando em sua memória o conteúdo estudado.

O objetivo proposto é mudar a metodologia de ensino para que a criança passe a gostar da língua inglesa, não ensinar apenas tradução e sim dentro da música a gramática e a pronúncia.

Infelizmente, as salas de aulas tradicionais permitem pouco espaço para os interesses e necessidades individuais das crianças. A não utilização correta de músicas limita os alunos a utilizarem atividades no livro e caderno que para eles são sem atrativo e repetitivo. Eles precisam realizar as tarefas propostas no mesmo espaço e dentro de um tempo delimitado. É comum ao aluno sentir-se enfadado em executar as atividades, o que os motiva são as músicas.

Dentro do contexto de uma aprendizagem de língua estrangeira, o contato que o aprendiz tem com a língua fica como que restrito à sala de aula e esta nem sempre oferece condições ideais para interação e essas oportunidades são na maioria das vezes, situações artificiais em forma de simulações sujeitas à interferência negativa de fatores sociais e afetivos.

Temos como base fundamental, as teorias sócio-psicológicas e sócio-culturais da linguagem e da mente, que tem em Vygotsky, o teórico de maior expressão, sem deixar de levar em consideração estudos de outros pesquisadores. Uma das hipóteses centrais para o trabalho de Vygotsky, são as teorias sobre a interação entre educador e educando em função dos esquemas de conhecimento sobre a tarefa a ser realizada, recursos e suportes de apoio que serão utilizados.

Este projeto foi realizado na investigação dos benefícios de aprendizagem de Língua Inglesa, através da metodologia com a música, sendo um suporte e apoio motivacional para a criança e o adolescente no ensino fundamental e para o professor. Aborda o uso da música que será analisada como meio para o desenvolvimento humano que atuam sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) e investiga também o papel do educador e aprendiz nesse cenário e suas implicações no processo de ensino e aprendizado.

A fundamentação teórica deste estudo tem como objetivo investigar os benefícios de Vygotsky e sua contribuição: da teoria para a prática, refletir sobre a teoria de Krashen e analisar Beltran que comenta sobre a qualidade de ensino da língua inglesa na educação infantil.

Os métodos para um aprendizado eficaz descrevendo a metodologia adotada e a contribuição de outras, a elaboração de atividades com a música que foi aplicada para crianças do ensino fundamental sendo a faixa etária entre 4 e 10 anos.

Como se deve avaliar e analisar os benefícios do uso da música no Ensino Fundamental, o desenvolvimento e resultado que trata sobre a diferença na qualidade de ensino através do ambiente e materiais adequados para ministrar a aula, práticas didáticas dentro da realidade em sala de aula, contextualização com a realidade do aluno, coleta de dados e resultados obtidos após o uso da metodologia através da elaboração e aplicação da mesma pela professora pesquisadora.        Dentro das considerações finais será abordado sobre as limitações que são encontradas dentro da sala de aula e as vantagens obtidas através dessa pesquisa em usar aquilo que motiva a criança aprender uma segunda língua. Seguem-se as referências bibliográficas.

O objetivo aplicado em questão discutiu sobre a utilização da música por parte do aprendizado da criança e adolescente no ensino fundamental. Vygotsky (1929/2000: 35) nos explica que as funções psíquicas superiores incluem: a sensação, a percepção, a atenção, a memória e o pensamento do qual nos baseamos para a linguagem. A aquisição de uma segunda língua requer do indivíduo um comportamento além do básico, pois são a partir de uma segunda língua que serão avaliados as habilidades de interação em outros contextos além daqueles que são vividos no dia-a-dia.

As brincadeiras e músicas que são oferecidas à criança devem estar de acordo com a zona de desenvolvimento em que ela se encontra, desta forma, pode-se perceber a importância do professor conhecer a teoria de Vygotsky. No processo do ensino fundamental o papel do professor é de suma importância, pois é ele quem cria os espaços, disponibiliza materiais, participa das brincadeiras, ou seja, faz a mediação da construção do conhecimento.

A desvalorização do movimento natural e espontâneo do aprendiz em favor do conhecimento estruturado e formalizado ignora as dimensões educativas da brincadeira, música e do jogo como forma rica e poderosa de estimular a atividade construtiva do educando. Tornam-se indispensáveis e imprescindíveis que o professor procure ampliar cada vez mais as vivências da criança com o ambiente físico, com brinquedos, atividades visuais e manuais, músicas e brincadeiras com outros alunos.

“As concepções de Vygotsky sobre o funcionamento do cérebro humano fundamentam-se em sua idéia de que as funções psicológicas superiores são construídas ao longo da história social do homem. Na sua relação com o mundo, mediada pelos instrumentos e símbolos desenvolvidos culturalmente, o ser humano cria as formas de ação que o distinguem de outros animais”. (OLIVEIRA, 1992, p. 24)

Esta pesquisa – a ação é de caráter qualitativo, que a pesquisadora realizará na sua própria prática pedagógica.

Foi trazido para os alunos de pré a 4ª séries músicas didáticas em inglês para serem apresentadas, dentro do conteúdo estudado, para assimilação do vocabulário. Ouvimos várias vezes para praticar a pronúncia. Com crianças de pré ao 1º ano foi trabalhada a música junto com brincadeiras e jogos da memória, sempre fazendo mímica, pois os mesmos ainda não lêem e não escrevem. O material utilizado para essas aulas foram CD’s e DVD’s que estimularam os alunos a se interarem no conteúdo.

Para os alunos, foi um momento de descontração e para a professora, foi uma forma de aumentar a motivação do grupo e de tornar suas aulas mais “interessantes”, aproximando-se das expectativas deles.

Foi surpreendente a maneira como se dispuseram em realizar esta atividade, em sua maioria cantaram com uma excelente pronúncia.

Há necessidade de se fazer um trabalho diferenciado neste aprendizado, algo trabalhado em sala de aula. A música cristã pode ser trabalhada também com as turmas e abordar tópicos importantes tais como: Mensagens que levem o amor de Deus e o sacrifício de Jesus para os alunos, a pronúncia, a leitura, a escrita e o ouvir da língua estrangeira. O conceito aqui é trabalhar a gramática de uma maneira prazerosa, pois “a música é um dos estímulos mais potentes para ativar os circuitos do cérebro”. (BELTRAN, 2001, p. 21).

Ela contribui para as ligações neurais no cérebro ativando os neurônios facilitando assim o aprendizado de uma segunda língua.

As atividades lúdicas têm o poder sobre os estudantes de facilitar tanto o progresso de sua personalidade, como o progresso de cada uma de suas funções psicológicas intelectuais e morais. Ademais, a ludicidade não influencia apenas as crianças, ela também traz vários benefícios aos adultos, os quais apreciam aprender algo ao mesmo tempo em que se distraem.

Com base nos objetivos do projeto, nos dados obtidos e no referencial teórico, foi possível chegar às seguintes conclusões:

A formação oportuniza o professor não só o saber da sua sala de aula, mas possibilitam também, conhecer as questões da educação, as diversas práticas analisadas na perspectiva histórico, sócio-cultural.

A pesquisa foi feita com base em atividades realizadas em sala de aula com alunos de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, observando que com uma base fraca e sem motivação os alunos apresentaram um bloqueio e rendimento abaixo do esperado. Ao passo que com a metodologia adotada através da música o objetivo para muitos foi atingido.

A  pesquisa possibilitou verificar a distância que existe entre a teoria e a prática concreta em sala de aula. Os alunos admitem uma mudança de atitude após terem tido o conhecimento teórico no processo de formação. Vale ressaltar que, se não houver uma continuidade nos estudos, não haverá uma contínua construção do conhecimento.

Não estamos aqui apenas concluindo um trabalho, ele mostra alguns pontos de partida. Nesse sentido,  sugerimos a possibilidade da escola rever o seu projeto político pedagógico, contemplando o ensino da língua inglesa e as relações do mesmo na escola; a possibilidade de que no projeto político pedagógico, a formação do professor se dê numa perspectiva de formação continuada.  Esse projeto foi de uma representatividade excepcional, não só pelo grande crescimento proporcionado, mas também como quebra de paradigmas, pois, ensinar e aprender podem estar de mãos dadas com o prazer e a satisfação intelectual.

Conclui-se que o papel do pedagogo e do professor é, aliás, de fundamental importância para a difusão e aplicação de recursos lúdicos. O professor ao se conscientizar das vantagens de uma sala ambiente para o ensino da língua estrangeira, adequará a determinadas situações de ensino, utilizando-as de acordo com suas necessidades.  O pedagogo, como pesquisador, estará em busca de ações educativas eficazes.

Assim, o aprendizado se daria em um ambiente mais agradável, pontuado pela coragem de professores e  pedagogos, que não têm medo de se arriscar em sonhar com um ensino de qualidade.

É importante, também observar, conforme a experiência das professoras, que a ênfase na oralidade não deve excluir o trabalho com a modalidade escrita; os alunos sentem necessidade de registrar em seus cadernos os conteúdos trabalhados em sala de aula. Também as expectativas de alguns pais, com relação ao que seus filhos estão fazendo na escola, pressupõem a existência de livros e cadernos que explicitem o que as crianças realmente estão aprendendo nas aulas.

Quanto às atividades, centradas na oralidade, desenvolvidas na sala de aula, algumas recomendações se fazem apropriadas com vistas a facilitar o trabalho do/a professor/a.

No caso da utilização de jogos é importante destacar a necessidade de uma preparação prévia para evitar problemas na sua realização na sala de aula; as regras e os objetivos dos jogos apresentados devem ficar bem claros aos alunos de modo que eles possam desempenhar o conteúdo lingüístico que é solicitado. Todo material extra a ser utilizado no jogo deve estar à disposição dos alunos; cuidados também devem ser tomados quanto à organização do espaço necessário para a realização do jogo.

As canções, as rimas e os poemas também exigem uma preparação, principalmente quanto aos seus aspectos sonoros e rítmicos, uma vez que um dos objetivos principais deste tipo de material é familiarizar os alunos com a sonoridade da língua; os alunos certamente percebem qualquer hesitação por parte do professor o que poderá prejudicar o andamento das atividades propostas.

Vale mencionar que, caso haja acompanhamento de algum instrumento musical, a atividade adquire um caráter extremamente instigante para os alunos; instrumentos de percussão certamente acrescentam colorido especial a este tipo de atividade.

Perfil do Autor

Lúcia Ivete Cardoso Rehbein

Lúcia Ivete Cardoso Rehbein Pós-graduada em Língua Inglesa no UNASP-EC. Professora de Língua Inglesa de pré IV à 4ª série no Colégio Adventista São José dos Pinhais