ANÁLISE DO DISCURSO: A Ideologia presente nas Piadas de Preconceito e de Discriminação aos Nordestinos

Publicado em: 23/06/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 1,253 |

Resumo:

 

O presente trabalho tem como objetivo analisar, por categorias, preconceitos e discriminações contidas no gênero Piada sobre nordestinos. As piadas, embora pareçam neutras, reforçam uma séria de ideologias, de um sujeito discursivo que revela como as vozes de uma determinada cultura vêem os nordestinos brasileiros, é o que Fernandes (2007) chama de heterogeneidade. Nossas análises, com base nos textos discutidos durante o componente curricular Linguística III, objetivam explicitar como as ideologias estão por trás dos discursos e como essas ideias carregam uma construção histórica e social na vida das pessoas. As piadas nada mais são do que a apropriação deste gênero como pretexto para disseminar as formas de se pensar, as visões de mundo que se têm da região nordeste e do nordestino brasileiro, criadas pela mídia e, inconscientemente e irrefletidamente ditas pelo senso comum.

 

  1. 1. Introdução

 

Através de piadas selecionadas, e que serão mostradas mais adianta, apresentaremos preconceitos e discriminações referentes a nordestinos. Categorizaremos tais manifestações do pensamento de uma determinada cultura que perpetra pré-juízos de valores morais e sociais, desconsiderando uma sociedade tão diversificada e estratificada como é a brasileira. As categorias estão divididas, quanto aos nordestinos em: preconceito linguístico, preconceito cultural, preconceito intelectual e de conhecimento de mundo e estereótipos do físico nordestino. Quanto à região Nordeste, as categorias se dividem em: a visão que se tem dos aspectos climáticos e a visão que se tem dos aspectos econômicos, sociais e políticos.

Procuraremos mostrar a existência de preconceito e de discriminação quanto aos nordestinos como sendo, apresentada de forma generalizada, uma classe "pobre", "analfabeta", "desprovida de cultura" e "sem perspectiva de vida". A construção de um estereótipo do físico quanto aos nordestinos são bem presentes nas piadas como também as discriminações em termos linguísticos daqueles que "detém" a variante padrão. Embora as piadas estejam se utilizando de mecanismos linguísticos para implicitar tais preconceitos e discriminações referente aos nordestinos, é possível, por meio da análise do discurso e do senso crítico – que tem como fundamento a reflexão e o questionamento do que é dito -, explicitar as vozes de uma determinada cultura "neonazista", o que e por que esses grupos pensam com tanto desprezo em relação ao Nordeste do Brasil.

Através de categorias distintas nas mais diversas esferas sociais, traçaremos um perfil de como os nordestinos são vistos por outras culturas. Os nordestinos, por exemplo, são taxados de "incultos" por não considerarem a variante falada na região Nordeste. Ora, "inculto" é a pessoa ou um grupo desprovido de cultura, entretanto, não há sociedade formada sem cultura, como afirma a antropologia.

 

  1. 2. Pressuposto Teórico

 

Nossa análise fundamenta-se na Noção de Discurso (FERNANDES, 2007). O conceito que Fernandes (2007) tem sobre o discurso transpassa as acepções advindas do senso comum (que conceitua o discurso como sendo um recurso estilístico mais rebuscado ou um pronunciamento marcado por eloquência), pois o discurso está ligado aos "aspectos sociais e ideológicos impregnados nas palavras quando elas são pronunciadas". (pág. 18). Iremos nos apropriar dos sentidos, e não dos significados em que as palavras trazem nas piadas sobre Nordestinos, pois uma mesma palavra pode ter diferentes sentidos de acordo com o lugar socioideológico daqueles que a empregam. Por exemplo, para os nordestinos, a palavra chuvapode significar fartura e fonte de riqueza pela raridade de acontecimentos deste fenômeno natural em algumas partes da região nordeste. Aplicamos intencionalmente os termos "em algumas partes" sob refutação, que de antemão iremos argumentar, das piadas que generalizam problemas sociais que estão presentes em todo o Brasil com relação à fome e à desigualdade social, e problemas que atingem partes isoladas da região nordeste como: a escassez de água, a falta de intelectualidade, de conhecimento de mundo e o domínio da norma "culta". Sendo assim, tais expressões do pensamento de uma cultura "diferente" e "privilegiada" são colocadas como se no Nordeste em sua totalidade sofresse desses problemas, o que não é verdade. Já para os habitantes das regiões sul e sudeste, esta mesma palavra pode significar um desastre, destruição ou uma tragédia acompanhada de perdas de familiares. Isso porque estas regiões possuem um maior favorecimento climático e geográfico quanto ao fenômeno natural da chuva, e por acontecer com bastante freqüência, às vezes ocorrem enchentes seguidas de destruições. Portanto, Os sentidos variam a depender da marca ideológica num enunciado, pois o lugar histórico-social determinará de onde se procede os enunciados.

Com base na noção de discurso apresentada por Fernandes (2007), discorreremos sobre os conceitos de ideologia e de heterogeneidade, pois estes dos termos estão relacionados ao trabalho de análise do discurso que pretendemos explicitar em cada piada selecionada. Segundo o autor acima citado, a ideologia parte da concepção de mundo de determinado grupo social em uma circunstância histórica, em que a linguagem é apenas a manifestação materializada da ideologia. Nesta, observaremos como o sujeito discursivo (a voz do sujeito passa a representar uma heterogeneidade de discursos de outras vozes que marcam sua identidade cultural e social) demarca suas concepções sobre o outro (neste caso, de como as pessoas de outras regiões brasileiras vêem os nordestinos e sua região).

Com relação ao preconceito linguístico, tomamos por base a obra "Preconceito Linguístico - o que é, como se faz", do teórico Marcos Bagno, para argumentar que a fala Nordestina é um processo de palatalização, assim como a dos falantes do Sudeste. Por exemplo:

  Fala de um Sudeste: Tchitchia (titia)

  Fala de um Nordestino: Oitchu (Oito)

O fenômeno é o mesmo, só que o elemento provocador (i) está antes do (t) e não depois. A grande questão está no que Bagno (2008) aponta como preconceito:

"O que está em jogo não é a língua, mas a pessoa que fala essa língua e a região geográfica onde essa pessoa vive. Se o Nordeste é ‘atrasado', ‘pobre', ‘subdesenvolvido', então as pessoas que lá nascem e a língua que elas falam também devem ser consideradas assim..."

Uma maior prova disso é que, nas piadas, encontramos preconceitos de aspectos não apenas linguísticos, mas social, cultural e intelectual. É evidente que no campo de estudos da linguística, o principal objeto de pesquisa é a língua e suas manifestações, por isso, entre os teóricos da linguística, teremos mais base para discutir apenas sobre uma das categorias que apresentamos neste trabalho: o preconceito linguístico. Entretanto, apontamos, com base nas inferências, que é um instrumento de pesquisa da linguística, aspectos que se relacionam com as manifestações lingüísticas, como citado acima: sociais, culturais, intelectuais, religiosos, econômicos e políticos.

 

  1. 3. Um breve conceito do gênero Piada

Como iremos trabalhar este gênero, é preciso que apontemos as principais características que o compõem, visto que são estas mesmas que contribuem para tanto nas implicitudes das ideologias materializadas nos discursos. É por isso que as piadas são ditas de forma implícita (é o segredo, o proibido que denota a piada). Do ponto de vista semântico são repletas de ambigüidades, que são palavras postas propositalmente para trazer de forma camuflada preconceitos e discriminações, sem que se perceba o grau de ofencividade e com isso torna-se impune diante da Carta Magna. As penalidades podem ser aplicadas por a piada tratar de temas considerados socialmente controversos como: racismo, regionalismo, política, estereótipos, religião, etc.

  1. 4. Análise das Piadas

Partiremos para a análise de cada piada, em que a seleção delas foi criteriosa para apontar a existência de preconceitos e discriminações em categorias discutidos até o momento. Todas as piadas de preconceito aos nordestinos basicamente possuem quase todas as categorias que frisamos acima. Algumas com marcas mais forte quanto ao preconceito linguístico.

Piada 1:

Família de nordestino chegando ao Rio de Janeiro.
O menino de seis anos, pede água pro carioca.
Esse com pena do menino lhe dá água com gelo.
Quando tomou toda a água do copo,

O menino começou a morder a pedra de gelo.
O pai quando vê, diz assustado.
Tá cumeno vrido moleque?
E este responde.
Nada disso não pai.
É água empredada.

 

Esta piada caracteriza uma realidade vivida por alguns nordestinos que saem de sua região para procurar melhores condições em outras partes do Brasil, e em sua grande maioria nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro como está no título da piada "Família de nordestino chegando ao Rio de Janeiro". Esta realidade é marcada na piada por uma imagem de um nordeste pobre e por um povo extremamente desprovido de intelectualidade, de fala tida como "errada", como também nos aspectos climáticos. É um sujeito discursivo que representa uma heterogeneidade, várias vozes que tem como verdade esses aspectos como se em nenhuma parte do Nordeste existisse água, vegetação e pessoas intelectuais e qualificadas profissionalmente. Citamos Bagno (2003) que argumenta sobre tais preconceitos:

 

E que preconceito é esse? É o preconceito de que existe

uma única maneira "certa" de falar a língua, e que seria

Aquele conjunto de regras e preconceitos que aparecem

Estampados nos livros chamados gramáticas. Por sua vez,

Essas gramáticas se baseariam, supostamente, num tipo

Peculiar de atividade linguística – exclusivamente escrita -

De um grupo muito especial e seleto de cidadãos, os

Grandes estilistas da língua, que também costumam ser

Chamados de " os clássicos".

 

Piada 2.

CHEGANDO DO NORDESTE

Chegando na Rodoviaria do Tiete, um nordestino aguardava um parente seu.
Enquanto aguardava observa numa lanchonete ao seu lado um rapaz que pedia dizendo:
_ Por favor, senhor, me dá uma ficha p/ a máquina de refrigerante.
Ele pegou a ficha, colocou na máquina e caiu um refrigerante. Logo pegou e saiu.
O nordestino observando aquilo, foi até o dono da lanchonete e lhe pediu:
_ Me dê duas fichas também.
E o homem lhe deu.
Então o nordestino colocou as duas fichas na máquina e caiu dois refrigerantes, mas não os pegou. Em seguida, ele pediu novamente:
_ Me dê mais três fichas.
E o homem lhe deu.
Então o nordestino colocou mais três fichas na máquina, caindo logo em seguida três refrigerantes, dos quais ele também não os pegou.
Voltou a lanchonete e pediu mais cinco fichas. E o moço da lanchonete lhe perguntou:
_ Por que você compra tantas fichas e não pega os refrigerantes, e o nordestino respondeu ingenuamente:
_ Meu fiu, você acha, se eu tô ganhando tanto eu vô para de jogar!!!

Nesta piada o enfoque maior é a falta de conhecimento de mundo, de intelectualidade, mas sempre o nordestino é marcado por uma fala "inculta", como mostra a piada: "Meu fiu, você acha, se eu tô ganhando tanto eu vô para de jogar!!!". Também está presente nesta, como em quase todas as piadas, a procura por emprego em outras regiões por o Nordeste "não ser desenvolvido". Sobre o preconceito linguístico, Bagno (2004) diz:

 

Tal perspectiva está, muitas vezes, presente no universo conceitual e axiológico dos falantes da norma culta, como fica evidenciado pelos julgamentos que costumam fazer dos falantes de outras normas, dizendo que estes "não sabem falar", "falam mal", "falam errado", "são incultos", "são ignorantes", etc.

 

Piada 3.

Viagem de Nordestinos em busca de emprego

Dois caras ouviram falar em uma grande obra que iria ser feita no Irã e como aqui não havia serviço decidiram juntar as economias e ir para lá trabalhar como serventes de pedreiro. Quando o avião estava quase chegando, um deles olhou pela janela e exclamou: Vige Santa, oi, Severino, oi quanta areia!!
Severino olhou e ficou assombrado, era muita areia, ai falou: Nossa Senhora! cê já pensou quando chegá o cimento?!!

 

Nesta piada, a categoria que mais se destaca é o conhecimento de mundo do nordestino, como também carrega marcas da fala "errada". Nesta fala, é possível perceber a presença de frases que marcam um discurso religioso. Portanto, é mais uma imagem que se tem do nordestino, uma ideia de um povo sofrido (por mais uma vez ir procurar emprego em outra região) e que se refugia na religião como uma forma de amenizar seus sofrimentos. Para estes fatos, citamos Britto, que trata do conceito de senso comum como sendo "todo enunciado que seja partilhado e reconhecido como verdadeiro pela maioria dos membros de um agrupamento social ou hegemônico em determinada sociedade". E, o conceito do que é senso crítico:

[...] a expressão senso crítico indica algo melhor que a expressão senso comum, já que crítico significaria aquilo que é refletido, analisado, pensado e senso comum sugeriria aquilo que é imediato, irrefletido, apenas do mundo visível.

 

Com base nessas afirmações de Britto, observa-se que os discursos são tidos como verdadeiros pelo senso comum por não haver uma reflexão e uma análise do que é dito, mas é expresso inconscientemente por uma carga de conceitos historicamente construídos, provavelmente por uma classe dominante de áreas políticas que discordam dos investimentos voltados para a região Nordeste como: o fome zero, o bolsa família e tantos outros projetos de assistência social.

Piada 4.

"Tsunami Nordestino"

Depois do ocorrido na Ásia, o governo brasileiro instalou em Brasília um medidor de abalos sísmicos que cobre todo o país.

O Centro Sísmico Nacional enviou à polícia de Tauá, no Ceará, uma mensagem dizendo:

"-Possível movimento sísmico na zona. Muito perigoso, superior Richter 7. Epicentro a 3 km da cidade. Tomem medidas. Informem resultados com urgência."

Após uma semana, chega um e-mail no Centro Sísmico Nacional, dizendo:

"-Aqui é da Polícia de Tauá. Movimento sísmico totalmente desarticulado. O tal Richter tentou se evadir, mas foi abatido a tiros. Desativamos a zona. As putas tão todas presas. Epicentro, Epifânio e mais outros três cabras detidos. Não respondemos antes porque houve um baita MAREMOTO aqui que quase acaba com tudo. Não sei se vocês souberam!".

A piada por título "tsunami Nordestino", que conclui na ideia de que o nordestino desconhece desse fenômeno natural por nunca haver sequer chuva no nordeste. Por isso, usam personagens (a Polícia) para enfatizar esta ideia; quando a mensagem de aviso chega ao departamento de polícia, os funcionários interpretam os termos técnicos voltados para a área da meteorologia como sendo um ataque de traficantes e práticas de prostituição: "as putas tão todas presas". É uma imagem que se tem do nordeste, pobreza ligada à falta de intelectualidade, à criminalidade e à prostituição. Mas, será que isso só acontece no nordeste e em toda parte que o compõe? Não há nenhuma parte do nordeste que possua segurança de qualidade, estados e cidades desenvolvidas? São esses questionamentos que o senso crítico nos faz desconstruir imagens politicamente construídas e disseminada na mídia, sobretudo a rede de televisão Globo como bem fala Bagno (2008), para as demais regiões do nosso país.

Piadas 5 e 6.

Baiano

  Baiano tem a cabeça chata porque, desde pequenino, o pai bate na sua cabeça e diz:
- Quando cresceres, irás para S. Paulo, meu filho!

 

  Um viajante no nordeste

Viajando há horas por uma estradinha do interior do nordeste, um caixeiro-viajante, de repente, avista adiante um forte clarão de luz. Ao se aproximar, ele vê contra a luz a silhueta de um ser estranhíssimo: cabeça grande, corpo pequeno, pernas finas dobradas, os braços se arrastando pelo chão. Julgando tratar-se de um E.T.,  o caixeiro-viajante toma coragem e se apresenta:

-      Edmilson, terráquio, caixeiro-viajante, fazendo contato!

-      Do meio daquela forte luz, veio uma voz que responde:

-      - Jesuíno, paraibano, motorista de caminhão, fazendo cocô.

 

As piadas acima colocadas possuem marcas do estereótipo físico do nordestino, são imagens construídas por uma pequena parte de nordestinos, mas que são generalizadas a todos. A imagem que se tem de todo nordestino é: "cabeça grande", "cabeça chata", "corpo pequeno", "pernas finas e dobradas" e "os braços se arrastando pelo chão". Além de colocar o nordestino como sendo um sujeito que é preparado durante a sua juventude para sair da região que nasceu, como também em todas as piadas os cargos que os nordestinos ocupam estão na mais baixa camada da hierarquia social, como: "Jesuíno, paraibano, motorista de caminhão" e "e ir para lá trabalhar como serventes de pedreiro". 

Conclusão

Embora as piadas apresentem posturas neutras e com o objetivo de provocar apenas o riso, elas possuem uma enorme carga ideológica que demarca, ainda que de forma implícita, o pensamento e as vozes de uma determinada esfera social que não consegue conviver com as diferenças e, portanto, caem no ato anti-social do preconceito e da discriminação. Segundo Bagno (2008), As escolas têm um papel fundamental na formação do aluno, e o que se espera é que tais instituições mostrem, "em sala de aula e fora dela, que a língua varia tanto quanto a sociedade varia, que existem muitas maneiras de dizer a mesma coisa e que todas correspondem a usos diferenciados e eficazes dos recursos que o idioma oferece a seus falantes; também é preciso evitar a prática distorcida de apresentar a variação como se ela existisse apenas nos meios rurais ou menos escolarizados, como se também não houvesse variação (e mudança) lingüística entre os falantes urbanos, socialmente prestigiados e altamente escolarizados, inclusive nos gêneros escritos mais monitorados".

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BAGNO, Marcos. A norma culta: Língua e poder na sociedade brasileira. São Paulo: Parábola, Editorial, 2003

BAGNO, Marcos [org.]. Linguística da Norma. 2ªed.: São Paulo, 2004

BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 50ª ed. São Paulo: Edição Loyola, 2008.

BRITTO, Luiz Percival Leme. Língua e Ideologia. A reprodução do preconceito.

FERNANDES, Claudemar Alves. Análise do Discurso: reflexões introdutórias. São Carlos: Clara Luz, 2007.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/linguas-artigos/analise-do-discurso-a-ideologia-presente-nas-piadas-de-preconceito-e-de-discriminacao-aos-nordestinos-4943559.html

    Palavras-chave do artigo:

    analise do discurso preconceito linguistico piadas

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