Leitura e Escrita e Sua Importância no Contexto Social

14/01/2011 • Por • 16,181 Acessos

APRESENTAÇÃO

 

Ler e escrever faz parte do cotidiano de todas as pessoas alfabetizadas, por isso a sua importância e relevância no convívio social, principalmente em  um mundo em que a comunicação de massa  torna-se presente em  todos os lares , pois é através da televisão , rádio, jornais, revistas e internet que                                                         nos mantemos informados dos acontecimentos do mundo. É preciso que a escola forneça aos estudantes os instrumentos necessários para que ele consiga buscar, analisar, selecionar, relacionar e organizar as informações complexas do mundo comtemporâneo.

É dentro da perspectiva de Emília Ferreiro e Ana Teberosky que surgem as novas metodologias de ensino voltada a língua portuguesa nas quais os , professores começam a repensar a sua prática pedagógica e descobre o verdadeiro significado da palavra alfabetização, é baseada nessa concepção que nota-se que ler e escrever  não são condições suficientes para se viver em sociedade, pois alfabetizado é aquele capaz de atuar com êxito nas mais diversas situações de uso da língua escrita. Hoje é preciso que o sujeito interaja com os diferentes tipos de textos que circulam no meio social. É através do uso da leitura e da escrita que o sujeito vai sentir-se incluso na sociedade e caracterizado como  cidadão participante. Sabe-se que um dos responsáveis pela socialização do individuo é a escola: sistematizando os saberes dos alunos desde a Educação Infantil alimentando a reflexão sobre as palavras. Ressaltando que não cabe só ao professor de língua portuguesa, mas, também aos outros que ensinam outras disciplinas, pois sabe-se que cada um tem uma área especifica e com tipos de textos diferenciados e que  cabe a cada um dentro de sua área ensinar  a ler e escrever o que lhe compete, pois  esse é  o caminho para se aprender os conteúdos de todas as áreas.Cabe ao professor como mediador e agente de transformação utilizar-se de textos disponíveis na sociedade e utilizá-los em atividades de leitura ,tendo em mente que não basta ensinar a ler e a escrever é necessário desenvolver o grau de letramento dos educandos, e mostrar-lhes a diversidade dos textos que percorrem a sociedade , dirigindo assim o trabalho para práticas que visem a capacidade de utilizá-los para enfrentar os desafios da vida  e de fazer uso do conhecimento adquirido para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida, priorizando principalmente charges, textos publicitários e jornalísticos. E assim ele estará realmente inserindo seu aluno no mundo letrado. Assim o  texto ganha sentido e deixa de ser silabas ou palavras soltas tornando-se objetos de análises, favorecendo os alunos a diferenciá-los e conhecer melhor suas funções e características particulares.

INTRODUÇÃO

A leitura é muito importante na vida de qualquer ser humano, independente de série ou nível, sabe-se que ler  não resume-se apenas em decifrar letras, palavras, frases e texto, mas atribuir-lhe um  significado.

Hoje para uma pessoa ser considerada alfabetizada  tem que ser capaz de ler as entrelinhas e criar relações entre o texto e seus conhecimentos prévios ou entre o texto e outros textos já lidos. (PCN,1998, p.76).Nesse sentido criou-se então um novo conceito  para aqueles que foram a escola e passaram menos de quatro anos e que são capazes de escrever seu próprio nome ou  ler e escrever um bilhete simples,sem saber fazer  uso da leitura e da escrita,divulgou-se , então o conceito de analfabetismo funcional, pois para que uma pessoa seja considerada alfabetizada essa terá que ser capaz de alcançar propósitos  numa sociedade que se fazem essenciais para o exercício da cidadania., pois estas já estão inseridas no mundo letrado mesmo com ajuda de outras pessoas, por exemplo quando recebem uma carta ou bilhete e pedem para outras pessoas lêem para compreenderem a mensagem, ou assistem a um programa de televisão para manter-se atualizado com o mundo.

Esse é um assunto que vem sendo discutido desde a década de 80 por especialistas e pesquisadores da educação, pois uma criança ou adulto ao chegarem a escola já sabem muito  sobre a escrita mesmo sem saber ler,sabe-se também que a escola é uma comunidade  e por isso chegando até ela a criança terá que acostumar-se com normas e aprender a viver em   conjunto.Vygostky e Piaget  diz:é na relação com o outro que o homem constrói e reconstrói seu conhecimento.Diante dessa teoria é que se pode   dar conta do papel da escola e do professor enquanto mediador do processo educativo. Pois, assim como  ler, escrever é um processo de construção e reconstrução de sentidos em relação ao que se ver, ao que se ouve, sente e pensa .   Para Emilia Ferreiro e Ana Teberosky,as crianças não deveriam mais ler textos como os trazidos pelas cartilhas, e sim placas de ruas, folhetos de propaganda, jornais, revistas, instruções de jogos e historias em quadrinho, entre outros materiais             que  fazem sentidos para elas – os chamados textos reais.  A cartilha era e ainda  é usada  como um método de ensino nas séries iniciais na qual se aprende  a decodificar  e soletrar  sílabas e palavras soltas, dificultando assim a verdadeira leitura , é notável que esse método não tem  preocupação nenhuma em formar verdadeiros leitores,pois só trabalha com palavras soltas não valorizando o significado do texto e nem obedecendo as exigências sociais. È comum encontrar nesse tipo de livro os alfabetos de letras maiúsculas e minúsculas de imprensas e de letras cursivas, observa-se que o principal objetivo é ensinar o método de soletração mais comuns, como consoante-vogal,vogal-consoante, consoante-consoante-vogal. Paulo Freire dizia que:"Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.

"Diante dessa concepção nota-se que o professor deve usar práticas escolares que ajudem os alunos a refletir enquanto aprende e a descobrir e experimentar o sistema da escrita e vivenciar essas práticas como cidadãos letrados."

Nessa perspectiva nota-se que o aluno não vai a escola vazio, ele leva consigo seus conhecimentos assistemáticos que o fazem sentir-se um ser social, pois todo conhecimento novo parte de um conhecimento anterior, cabendo ao professor utilizar-se dessa ferramenta e explora´-la  em sala de aula, incentivando e procurando novas práticas de leitura e escrita em diferentes gêneros textuais unindo o conhecimento de mundo e o da palavra ajudando assim o educando a entender o contexto em que vive, pois é nessa etapa que os alunos desenvolverão a criatividade e o senso critico tornando-se verdadeiros leitores e escritores. Analisar o nível de conhecimento dos alunos, antes do processo de alfabetização, é um requisito  indispensável ao sucesso da metodologia utilizada pelo professor, segundo Emilia Ferreiro. Ao identificar em qual etapa do processo o aluno se encontra, os conhecimentos que ele já trazem e o seu repertório de vida, o educador tem condição de melhor selecionar suas estratégias de ensino aplicando metodologia eficaz e eficiente através da promoção de práticas sociais da leitura e da escrita.

O professor como desencadeador do processo de aprendizagem sistemática do ler e escrever.

Para ser um professor desencadeador do processo de aprendizagem sistemática do ler e do escrever, como destaca Emilia Ferreiro, é preciso romper com a imagem medíocre que se tem do aluno. Tem-se uma imagem empobrecida da criança que aprende: a reduzi-los a um  par de olhos, um par de ouvidos, uma mão que pega um instrumento...há atrás  disso um sujeito cognoscente, alguém que pensa, que constrói interpretações. È impressionante como muitos professores ainda usam os métodos tradicionais, método silábico para alfabetizar  crianças e adultos, colocando o aluno como sujeito da aprendizagem, propondo atividades mecânicas como cópias e junção de silabas. É preciso  criar situações em que o aluno tenha contato com o texto, que ele descubra o seu significado, pelo contexto, pela imagem e pelas palavras que conseguem ler, dessa maneira ele será estimulado pelo desafio e descobrirá o significado e a relação estabelecida do texto com o mundo.

Nessa  concepção  nota-se que ler e escrever é muito diferente de falar e compreender a fala, porque não se escreve do mesmo jeito que se fala, pois os fonemas existem desde que existe a linguagem humana...ou seja esse processo era visto como sistematização uma junção entre fonemas e grafemas. Então nota-se que o significado da palavra leitura vai muito além de juntar letras. Graça Paulino e outros pesquisadores (2001, p.11-2), ao discutirem o conceito de leitura, partem da etimologia da palavra ler, que vem do latim legere. Na origem do vocábulo, encontram-se três significados: primeiro, ler significa soletrar, agrupar as letras em silabas, trata-se do período de alfabetização; segundo, ler está relacionado ao ato de colher, a leitura passa a ser busca de significados no interior do texto, significados já existentes; e o terceiro e ultimo sentido apontado vincula o ler ao roubar, isto é, o leitor tem a responsabilidade de tirar do texto sentidos que estavam ocultos, que não tinham autorização para aparecer.

No primeiro significado da palavra nota-se a relação com a alfabetização período em que o sujeito tem o primeiro contato com a escola e o mundo letrado. É importante ressaltar que a escola é a primeira encarregada da alfabetização e letramento, que não é mais aquele lugar onde só se vai aprender a decodificar e transcrever palavras. Para a escola, como espaço institucional de acesso ao conhecimento, a necessidade de atender a essa demanda, implica uma revisão substantiva das práticas de ensino que tratam a língua como algo sem vida e os textos como conjunto de regras a serem aprendidas, bem como a constituição de práticas de textos que circulam socialmente. (PCN,1998, P.30). Assim como a cultura a língua também muda e uma das suas mudanças foi a chegada dos gêneros textuais nas escolas, porém havendo algumas confusões na forma de trabalhar, pois além de explorar suas características é preciso discutir por que e para quem se escreve, não trabalhando apenas com o conteúdo mas com sua estrutura e funções e a  sua utilização na sociedade.

Nesse sentido é preciso que o aluno torne-se um ser em ação, que aprende que constrói e reconstrói seu conhecimento, elaborando suas hipóteses e estratégias  ganhando autonomia e habilidade para melhorar a leitura e a escrita, descobrindo-se leitor capaz de decifrar o código escrito, reconhecendo letras,silabas, palavras, frases, parágrafos, o texto em si, havendo assim

uma interação entre o leitor e o texto. Para que isso aconteça é preciso que o educador propicie um ambiente acolhedor e adequado principalmente na sala de aula criando um cantinho de leitura, com estantes baixas, mesas e cadeiras adequadas ao tamanho dos alunos e o acervo de livros deve ser bem variado, depois leva-los a outros lugares como a biblioteca e a sala de leitura,

A leitura e escrita na Alfabetização

Na verdade, o processo de alfabetização começa quando o sujeito se ver envolvido com a exigência do saber ler e escrever para resolver situações cotidianas. Ao mesmo tempo que vão compreendendo seus significados, vão compreendendo a função da escrita no dia-a-dia: escrever para anotar recados, as compras da feira ou supermercado, para dar notícias a um parente distante, preencher cheques, formulários  etc.

Com o tempo nota-se que certas práticas de leitura e escrita já não  são suficientes  para o sujeito atuar no mundo letrado, pois a complexidade de nossa sociedade faz com que surjam as mais variadas práticas de uso da língua escrita.  Soares (2003) supõe que os saberes aprendidos dentro e fora da escola são assimilados de maneiras diferentes e devem ser levados em conta quando pensamos em educação e, de modo mais específico, quando se trata de conhecimento de língua.

O professor deve garantir que as práticas escolares ajudem a refletir enquanto aprende e a descobrir os prazeres e ganhos que se pode experimentar quando a aprendizagem do sistema de escrita é vivenciando como um meio para, independentemente, exercer a leitura e a escrita dos cidadãos letrados. Para que isso aconteça é preciso que a criança aprenda a ler lendo, a escrever escrevendo, que ela esteja em um ambiente alfabetizador que permita que ela leia o mundo, e que esse mundo tenha um sentindo.

"Aprender a ler como se a leitura fosse um ato mecânico, separado da compreensão, é um desastre que acontece todos os dias. Estudar palavras soltas, silabas isoladas, ler textos idiotas e repetir sem fim exercícios de cópia, resulta em desinteresse e rejeição em relação a escrita." (Carvalho 2002)

Sabe-se que é no período da alfabetização que as crianças são desafiadas, a pensarem sobre a escrita e o que ela representa na sociedade. Já o desafio do professor é maior, pois vai além de ensiná-los a ler e escrever é preciso criar mecanismos que proporcione e que envolvam práticas sociais de leitura e escrita, pois além de alfabetizar, é preciso também criar situações de letramento, pois além de saber decifrar o código escrito é preciso que o aluno entenda para que, para quem e por que o texto foi escrito, e também qual a função dos diferentes tipos de textos, e como eles se desempenham nos contextos sociais em que circulam, investindo assim na construção da cidadania e considerando a leitura como uma ferramenta importante para conhecer e compreender o mundo.

Assim nota-se a importância da escola na vida do cidadão, mesmo existindo essa diferença de conhecimentos, cabe ao professor fazer a junção desses conhecimentos e coloca-los em prática. Para isso é preciso que se proponha trabalhos com diferentes gêneros que circulam na sociedade, jornais, cartas, fabulas, lendas, informes publicitário, receitas,convites, poesias, cantigas, parlendas...,pois a criança aprende como são usados os diversos materiais de leitura e o propósito comunicativo de cada um, tendo como base para o trabalho as situações enfrentadas no seu dia-a-dia, atendendo assim as exigências da sociedade.

Conclusão

 

Apesar das discussões sobre o ensino da leitura e da escrita nas séries iniciais é possível notar as concepções de ensino nas quais fundamentam suas práticas.Assim sendo alfabetizar é decodificar a língua escrita, enquanto letrar é usar a língua escrita em várias situações e práticas sociais. Diante de toda pesquisa realizada é possível comprovar que se possa alfabetizar  letrando, começando desde a educação infantil como mostra esse estudo. Ao alfabetizar letrando o professor deve criar situações em que as crianças possam pensar sobre a escrita e o que ela representa na sociedade, que a escrita existe e que as pessoas a utilizam em seu convívio social. As observações apresentas demonstram a necessidade de se abrir um espaço, dentro do ambiente escolar para uma pesquisa sobre o processo de aquisição da escrita. Considerando os estudos para a realização deste artigo, nota-se que a alfabetização é um processo que se desenvolve a partir da análise e reflexão que o aluno faz sobre a língua.

REFERÊNCIAS  BIBLIOGRÁFICAS

 

PARAMETROS CURRICULARES NACIONAIS. 2. Língua Portuguesa: Ensino de quinta a oitava séries. I. titulo

 

PARAMETROS CURRICULARES NACIONAIS: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: Língua Portuguesa/Secretaria de Educação Fundamental – Brasília: MEC/SEF,1998.

 

CARVALHO, Marlene. Alfabetizar e letrar: Um dialogo entre a teoria e a prática.5. ed – Petrópolis, RJ: vozes:2008

 

FULGÊNCIO, Lúcia. Como facilitar a leitura/ Lúcia Fulgêncio, Yara Goulart Liberato. 8. ed. 1ª reimpressão, São Paulo: Contexto 2008.

 

FARACO, Carlos Alberto. Escrita e Alfabetização.7. ed.São Paulo: Contexto,2005.

 

MOLLICA, Maria Cecília. Fala, letramento e inclusão social. 1. Ed. 1ª reimpressão – São Paulo: Contexto, 2007.

 

SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. 5.ed. 2ª reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2008.

 

MIRANDA. Sergio. Explorar a diversidade. Revista Nova Escola. São Paulo, Edição Especial, nº xx, 2010.

 

Perfil do Autor

Arabela de Oliveira Santos

Arabela de Oliveira santos, 34 anos, licenciada em Letras/português graduada pela UNIT-SE, Especialista em Português/Linguística pela...