Língua Portuguesa: O Ensino de Gramática em uma Perspectiva Textual

Publicado em: 05/07/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 3,410 |

1 INTRODUÇÃO

 

Atualmente tem-se visto a gramática apenas como uma ditadura de regras e normas sobre como se escreve, o que na verdade não se deve considerar como uma verdade absoluta. Além do mais ela tem sua parcela de contribuição para a formação e o desenvolvimento intelectual de todos os indivíduos da sociedade brasileira.

 

Com o avanço exuberante que o ensino de Língua Portuguesa tem tido, em uma modernidade intelectual a qual estamos inseridos, precisa-se recorrer a novos métodos de trabalhar a gramática, método este que venha promover um conhecimento significativo, recorrendo sempre a fontes de informações mais abundantes e especializadas. E nessa sociedade tão cheia de transformações, a língua materna continua sendo o mais valioso e eficiente instrumento de inúmeros acessos em que o indivíduo deve se apropriar para construir um conhecimento linguístico de modo crítico e responsável.

 

Por outro lado, é possível observar que a gramática não se detém apenas a ensinar ou ditar regras, como se pensa por ai, e sim em trabalhar em conjunto com o texto, estimulando a leitura e a produção textual, onde se tem uma visão panorâmica e crítica do ensino da gramática e da produção textual, que quando trabalhada em sala de aula, é capaz de enriquecer grandemente o vocabulário do discente, preparando-o e o capacitando para desenvolver uma nova cultura, uma cultura mais apropriada que é possível adquirir somente por intermédio do conhecimento, o qual engloba também a gramática, como norteadora do desenvolvimento linguístico do cidadão.

 

O ensino de gramática em uma perspectiva textual exige do docente um amplo conhecimento da gramática (normas e regras), bem como do texto e seus elementos textuais, que juntos, dão clareza aos discentes, sobre a grande importância de se trabalhar a gramática em conformidade com o texto, de maneira clara, concisa e objetiva na sala de aula, enfatizando que a gramática contribui essencialmente na vida do aluno, na forma de expressão oral e também da escrita, ensinando-lhes a escrever e a falar bem, com desenvoltura e certeza do que se está falando utilizando palavras coerentes e compreensivas.

 

Partindo dessa ótica, o presente artigo pretende abordar o ensino da gramática na escola como uma maneira de analisar e compreender como este está sendo trabalhado na sala de aula, qual sua importância e contribuição para com o desenvolvimento tanto da escola como do professor e do aluno, e também a língua portuguesa e a gramática em uma perspectiva textual, onde enfatizará a questão do trabalho em conjunto gramática/texto e texto/gramática, relacionando suas importâncias para o desenvolvimento intelectual do discente, dando ênfase à importância que há no ensino da Língua Portuguesa, quando ministrado de forma precisa, compreensiva e proficiente por profissionais da área qualificados e conhecedores dessa importância.

 

 

2 O ENSINO DA GRAMÁTICA NAS ESCOLAS

 

O ensino de gramática deve-se iniciar nos primeiros anos de escolaridade, que é onde a criança vai desenvolver seu pensamento a partir das descobertas que vai surgindo pelos conteúdos aplicados na sala de aula, os quais contribuem para o desenvolvimento da fala e escrita. A partir dessas descobertas, observa-se que todas as matérias básicas são estimuladas pelo psicológico ao longo de um processo ensino aprendizagem. Isso ocorre de forma lenta, interativa, coletiva e contextualizada. No entanto, ao ensinar a gramática, o professor deve levar em consideração algumas questões como: o estudo coletivo, a cooperação e a competição, os quais podem ajudar na aprendizagem no sentido de que as crianças com facilidade colaboram com as demais, também pode haver uma competição entre grupos, de forma em que um seja avaliado pelo outro, recebendo sugestões e reflexões para o próprio amadurecimento escolar gramatical.

 

A gramática, atualmente, pelo que se observa, tem sido definida por estudo ou tratado acerca do modo d falar e escrever corretamente uma língua, no nosso caso, a Língua Portuguesa que é conhecida como a Língua Materna dos Brasileiros, a qual se faz necessário conhecer intelectualmente todas as suas abrangências linguísticas, que contribuem com o bom funcionamento e entendimento dessa língua que ao longo dos anos vem sendo, cada vez mais tem sido valorizada por seus usuários.

 

Porém, atualmente, o ensino da gramática nas escolas apresenta uma falsa transformação. A inclusão de textos nos livros didáticos causou o equívoco de ter minimizado o problema da sistematização gramatical, porém, o conservadorismo de antigas ideias "certo e errado", impulsionados pela mídia, fez com que o professor utilizasse esses pequeninos textos a serviço da gramática e não ao contrário. Segundo Neves (2001, p.48):

 

O mau desempenho da maioria dos alunos é mais facilmente atribuído ao professor que não registrou no caderno de seus alunos uma exercitação e ou uma teorização dos fatos e das regras gramaticais. O professor sabe que para um aluno que "escreve mal" ele será mais culpado se não tiver "ensinado gramática" em sala de aula. Embora o professor saiba que a gramática que ele ensina não ajudará o aluno a escrever melhor, ele cumpre o ritual sistemático da gramática.

 

Atualmente, o ensino da gramática nas escolas, tem sido mostrado, apegando-se a regras de gramática normativa que, são estabelecidas de acordo com a tradição literária clássica da qual é tirada a maioria dos exemplos, (TRAVAGLIA, 1997, p. 101). Observa-se que tal ensino apresenta constantes problemas, tanto no ensino fundamental como no médio, por se tratar de um ensino muito complexo, que visa o desenvolvimento do educando e de cada indivíduo. Os problemas encontrados nesse ensino é pelo fato de muitos professores de Língua Portuguesa não apresentarem amor pela gramática, o que faz com que o aluno se sinta perdido no ensino da gramática. Desta feita, da forma como o ensino é ministrado na escola, faz com que o aluno venha acreditar e se fundamentar que a gramática normativa seja muito difícil, e por mais que isso tenha sido alvo de crítica para a sociedade, a escola ainda privilegia tal gramática, mesmo sendo criticada constantemente. É por isso que Prestes (1996) adverte que não se deve aplicar nas escolas um ensino sistematizado, porque o mesmo se retém da prática afetando o conhecimento que o aluno tem sobre gramática.

 

A gramática é, para todos os brasileiros, o manual da fala e escrita, que consta nos manuais de gramática padrão, cabendo-nos examinar como são estabelecidas as regras que se encontram em tais manuais, pois a língua padrão não é apenas aquela encontrada nos livros de literatura, e sim a que deve ser também ensinada na sala de aula. No entanto, Neves (2004) questiona a forma como a gramática é ensinada nas salas de aula nos dias de hoje e se a sistematização tem de passar pela reflexão dos professores para rever suas metodologias. A autora apresenta uma preocupação muito grande com o ensino/aprendizagem da gramática, até porque tem havido uma defasagem muito grande em relação ao ensino de língua portuguesa, a autora considera importante enfatizar que "a reflexão é algo indispensável para o aprendizado efetivo do aluno, não só no que tange a compreensão das normas linguísticas, mas também sobre o seu próprio mundo". Até que isso é importante porque no ensino gramatical deve ser valorizado tanto quanto o uso linguístico da Língua Portuguesa, a partir de onde surge uma interação entre o uso da linguagem na produção de textos. A autora ainda defende que é na escola que cada indivíduo deve ter garantido a orientação correta para o bom uso linguístico, cabendo a ela, como espaço institucionalizador, a constante reflexão sobre o que é a língua materna e o que é gramática.

 

De acordo com Antunes (2007, p. 53) "não há dúvida de que deve ensinar a gramática normativa nas aulas de língua portuguesa, embora sabe-se perfeitamente que ela em si não ensina ninguém a falar, ler e escrever com precisão". Para falar ou escrever bem depende muito da força de vontade do aluno, do professor e principalmente da escola que tem o dever de ensiná-la oferecendo condições ao aluno de adquirir competência para usá-la de acordo com a situação vivenciada. No entanto, a escola motiva o ensino de gramática motivando seus conceitos que devem ser relativizados, para poder alcançar mais variados tipos de educando na comunidade escolar.

 

Para que o ensino de gramática seja bem sucedido na vida do educando, ou para que o mesmo seja bem sucedido por ela, a mesma (gramática) "deve conter uma boa quantidade de atividades de pesquisa, que possibilitem ao aluno a produção de seu próprio conhecimento linguístico como uma arma eficaz contra a reprodução irrefletida e acrítica da doutrina gramatical normativa" (BAGNO, 2000, p. 87). Através dessa perspectiva o autor enfatiza que a gramática em si não justifica seu papel de única fonte para o ensino da língua nas escolas, o que depende de um grande compromisso do educador com o ensino.

 

O ensino de gramática não deve ser restringido apenas a regras, e, para que isso não ocorra dessa forma, o professor deve deixar o comodismo e a timidez de lado e ser mais dinâmico, ministrando o conteúdo de forma reflexiva, com atividades contextualizadas, interdisciplinares, individuais e/ou coletivas, de maneira que o aluno se sinta á vontade para questionar e expor suas opiniões acerca do que está sendo ministrado, e dessa forma, tirando todas as suas dúvidas.

 

Uma das principais funções da escola em relação à gramática, é desenvolver um ensino arcaico, mediante aplicações de métodos totalmente teóricos, de maneira que os alunos consigam estabelecer uma importante relação entre a teoria gramatical e a prática de textos. No entanto, a concepção de que língua e gramática são uma coisa só, deriva do fato de se acreditar na teoria de que a língua é constituída de um único componente: a gramática. Porém, para se ter o domínio de uma língua, deve-se primeiro ter conhecimento de sua gramática, saber empregar corretamente seus componentes gramaticais, pois para saber usar a gramática portuguesa, quer-se dizer que é necessário primeiro, ter o domínio total da língua portuguesa.

 

Considera-se que o ensino de gramática é importante porque oferece condições para o aluno ampliar seu discurso linguístico em relação ao funcionamento da língua padrão, através do conhecimento das regras gramaticais que são trabalhadas em conjunto com atividades aplicadas por professores que demonstram ter domínio e controle da gramática, de maneira que motive o aluno a entender a estrutura, uso e funcionamento da gramática normativa da Língua Portuguesa, que segundo Soares (1988):

 

[...] se faz sim necessário o ensino de gramática, justo para munir os alunos de um instrumento de luta para inserir-se de modo mais efetivo e eficaz na sociedade: o uso da linguagem adequado às mais diversas situações comunicativas em que eles estiverem inseridos, que vão além das situações escolares e se estendem para quaisquer situações de sua vivência no meio social. (SOARES, 1988).

 

De acordo com o autor, esse universo não deve permanecer na base de regras por regras, com base em frases soltas, e sim, deve ser um ensino mais objetivo e aprofundado, de maneira que o aluno tenha gosto e prazer em estudar a gramática para se expressar, comunicar, falar e escrever bem, de maneira que facilite o seu desenvolvimento intelectual e linguístico, cabendo à escola preparar o educando para a sociedade, seja ela familiar ou não, de maneira que o mesmo saiba reconhecer os seus direitos e deveres perante a sociedade, para que o mesmo não venha ser lesado por aqueles que se acham "dono do conhecimento". Agindo dessa forma, a escola terá um maior reconhecimento por todos, os quais entenderão que ela possui uma metodologia bem diversificada e compromissada tanto com a comunidade escolar como a sociedade que a rodeia.

 

As perspectivas dos estudos gramaticais na escola até hoje, centra-se, em grande parte, no entendimento da nomenclatura gramatical como eixo principal; descrição e norma se confundem na análise da frase, esta deslocada do uso, da função e do texto. Tomemos como exemplo um acontecimento escolar.

 

A importância da gramática na escola é percebido através da escrita e da fala, até porque estamos inseridos em uma sociedade contemporânea, na qual a aprendizagem é medida para se ingressar no mercado de trabalho por meio de concursos públicos que exigem dos concorrentes um conhecimento contextualizado de gramática, dependendo dessa forma,  das regras da gramática normativa. As provas são elaboradas baseadas nos currículos escolares com propostas pedagógicas, onde a gramática normativa está inserida. Neste caso o aluno deve conhecer a estrutura, os usos e o funcionamento da língua portuguesa em seus níveis fonológicos, morfológicos, lexicais e semânticos, que é onde o professor deve enfatizar aos alunos tais informações com bastante precisão, segurança e determinação, demonstrando aos mesmos que é conhecedor de todas as regras e que as mesmas são de extrema importância para a vida em sociedade, familiar e escolar principalmente.

 

Outro fator pelo qual se considera o estudo da gramática de extrema importância, além do que já foi mencionado, é o fato de que a mesma exerce grade contribuição para com o desenvolvimento mental do aluno, embora que o mesmo domine a gramática de sua língua muito antes de entrar na escola, organizando sua fala de acordo com a necessidade, o que é considerado como um domínio inconsciente de gramática, em outros termos quer-se dizer que mesmo o aluno usando o tempo verbal correto ao se expressar, não saberá recusar uma palavra quando isso lhes for solícito. Partindo dessa análise, o ensino de gramática é considerado válido não só porque permite ao aluno estar consciente do que está fazendo, mas de poder usar suas habilidades de forma precisa, além de desenvolver uma maneira de expressar-se com maior clareza e desenvoltura.

 

A escola propicia o ensino de gramática com a garantia de que o aluno a aprenda como algo que serve de uso em suas vidas, acreditando que essa aprendizagem ficará guardada dentro de si, de maneira tal que não esquecerá mais. Acredita-se, no entanto, que há possibilidade da gramática condizer com a nossa realidade, utilizando a própria fala dos alunos para por isso em prática, e um exemplo bem claro disso é quando um aluno expressa algo comum na fala de sua comunidade como os regionalismos e os neologismos, pode-se aproveitar a oportunidade e intervir nessa fala, mostrando que muitas vezes, há várias formas de dizer a mesma palavra, que a linguística explica todas essas variações e posteriormente demonstrar como a gramática normativa usa essa palavra. A abordagem criteriosa que falta no ensino de gramática é acabar com certas "decorebas", muitas vezes, se aprende na escola que os verbos: ser, estar, continuar, parecer, permanecer, dentre outros, sempre serão verbos de ligação, e ao chegar à faculdade leva-se um choque ao se deparar que depende do contexto do texto ou da frase para esse verbo ser realmente de ligação.

 

 

3 LÍNGUA PORTUGUESA: O ENSINO DE GRAMÁTICA NA RESPECTIVA TEXTUAL

 

O estudo da Língua Portuguesa gira em torno do conhecimento gramatical, visando dar clareza ao educando na elaboração de textos, uma vez que tal ensino envolve o texto de modo a desenvolver as competências textuais, tanto na produção quanto na leitura, bem como as competências comunicativas do aluno, possibilitando-lhe uma convivência mais inclusiva no mundo atual, o mundo dos letrados, que exige amplo conhecimento linguístico dos usuários desta língua. Por outro lado, é na produção textual que é percebido se o aluno chegou, realmente, a uma determinada conscientização sobre como funcionar a língua portuguesa, porque é ai que ele irá por em prática todos os elementos vistos nas aulas, em outras palavras o aluno será observado para saber se conseguiu obter domínio dessa língua e se o mesmo está apto a praticá-la.

 

A gramática é a responsável por traduzir tanto os recursos da oralidade como da escrita, pois é ela que permite o educando perceber que se fala de acordo com o meio em que se está inserido, fazendo distinção do emprego adequado das palavras aos diferentes grupos sociais, que preocupa entidades ligadas diretamente ao ensino, como aos Parâmetros Curriculares Nacionais que afirma:

 

Durante os últimos anos, a crítica ao ensino da Língua Portuguesa centrado em tópicos de gramática escolar e as alternativas teóricas apresentadas pelos estudos linguísticos, principalmente no que se refere a consciência dos fenômenos enunciativos e à análise tipológica os textos permitindo uma visão muito mais funcional da língua, o que provocou alterações nas práticas escolares. (BRASIL, 1997).

 

Observa-se que há, no entanto, uma preocupação muito grande com o ensino de Língua Portuguesa, o qual tem sido muito cobrado e criticado, tem-se visto também a preocupação com a produção textual, que é importante no ensino de português, para que desperte no aluno, o gosto pela escrita e leitura, uma vez que a produção textual exige um conhecimento muito grande, para que se possa produzir um texto coeso e reflexivo, de maneira a despertar o entendimento do leitor e facilitar a sua interpretação.

 

Quando se produz um texto, é preciso garantir as respostas a três condições didáticas: o que será escrito (ou qual é sua função e o gênero do texto)? Par quê (ou qual é sua função comunicativa)? e Para quem (o destinatário)? Essas condições, tanto quanto a pontuação, a gramática e a ortografia, também interferem na produção de textos, uma vez que o texto não deve ser elaborado com recursos gramaticais soltos. Com isso não se quer dizer que se deve decorar regras e mais regras gramaticais, o que não irá servir para desenvolver os comportamentos dos escritores. O que se deve fazer é conhecer as normas e aprendê-las, e não as decorá-las.

 

O ensino de gramática em uma perspectiva textual é importante porque visa conhecimentos associáveis entre gramática e texto. Desta feita a produção textual se faz importante para que por intermédio dele o aluno adquira ter uma visão diferente de mundo, imprescindível pra que o professor aborde em sala de aula, assuntos referentes à produção textual, bem como seus gêneros aplicados a partir da gramática de maneira que o conhecimento das normas gramaticais  ajude o aluno na construção de seus textos, pois para escrever bem é necessário o uso adequado das palavra que dão uma sequência lógica e coesa ao texto.

 

Apesar do reconhecimento das incoerências da gramática, o estudo gramatical sempre esteve presente nos planos curriculares de Português, desde as séries iniciais até a finalização do ensino médio, o que se observa, é que há um tempo absurdo direcionado a nomenclaturas, situação essa que transforma o ensino da língua que deveria ser um exercício para falar/ escrever/ ler bem em um círculo vicioso de se decorar nomenclaturas e regras de exemplos isolados que se encaixam especificamente para as próprias regras gramaticais, causando a falsa impressão de que para ler e escrever bem só é preciso saber gramática.

 

Quando se justifica o ensino da gramática dizendo que é para os alunos escrever (ou ler, ou falar) melhor, estamos prometendo uma mercadoria que não podemos entregar. Os alunos percebem isso com bastante clareza, embora talvez não o possam explicitar; é esse um dos fatores do descrédito da disciplina entre eles. O descrédito que é percebido por parte dos alunos e até mesmo dos professores de língua portuguesa é o resultado de uma ideologia que se formou durante todo o Século XX que para "falar e escrever bem é preciso saber gramática" (PRESTES, 1996). Essa ideologia não se sustenta quando verificamos o desempenho desastroso de nossos alunos em provas e vestibulares, esse desastre causa um desânimo generalizado do ensino da Língua Portuguesa tanto para professores quanto para os alunos.

 

 

3.1 O TEXTO E A GRAMÁTICA NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

 

A gramática da língua da Língua Portuguesa é a gramática da própria natureza humana, já se nasce com essa potencialidade de ouvir e falar. No entanto, o ser humano já nasce com a possibilidade de comunicar-se, com isso a gramática não precisaria do nosso entendimento, seja formalizado ou escrito, onde os traços da oralidade vão respeitar os quadrantes do país e não respeitar as regiões, os costumes familiares, os costumes da cidade. Essa é a gramática viva porque é a gramática do ser humano. A gramática escrita nada mais é que a observação daquilo que há de comum em todos os quadrantes do país. É uma tentativa social de ter um controle, de ter um nivelamento, uma padronização. Por isso, que se leva essa outra forma para dentro da escola. Já ensinar gramática no texto é uma necessidade para se avançar na construção do sentido, da visão crítica, da formação do ser-cidadão. É preciso saber o teor do texto e não somente analisar sua estrutura frasal.

 

A língua portuguesa, com o passar dos anos, tem sido concebida como um sistema, um mecanismo, e o ensino da gramática tem por objetivo, conscientizar o aluno dessa concepção e mudança e melhoria. Ensinava-se a gramática para que o aluno tomasse consciência de algo que fazia sem saber: "Isso que você está falando tem um sujeito, tem um predicado; isso concorda com aquilo; certos verbos pedem um complemento" (SOARES, 1988, p. 11). Vinte anos já havia se passado desde o acesso das camadas populares à escola e vários estudos evidenciaram o fracasso escolar desses "novos" alunos, principalmente na 1ª e 5ª séries.

 

O eixo da discussão no ensino fundamental passa a ser então a questão da leitura e da escrita. Surge a necessidade de se reestruturar o ensino de Língua Portuguesa. As práticas pedagógicas são revistas e propõe-se um deslocamento do ensino centrado na gramática escolar para o ensino de práticas de linguagem (GERALDI, 1989). Essa proposta de reestruturação culmina com a publicação pelo Ministério da Educação em 1997, dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental, cuja proposta de ensino parte de uma concepção de língua como forma ou processo de interação e considera o texto como ponto de chegada e de partida no ensino de Língua Portuguesa. Torna-se inevitável, portanto, a didatização de teorias linguísticas recentes como, por exemplo, as apresentadas pela linguística textual, para começarmos a construir a ponte que irá transpor o até então abismo intransponível (BAKHTIN, 1986) entre texto e gramática. Para se ter um melhor embasamento acerca dessa relação entre o texto e a gramática, faz-se necessário que o professor trabalhe em sala de aula, com atividades diversificadas, o máximo possível, de maneira que as mesmas venham influir no desenvolvimento cognitivo e intelectual do educando.

 

O objetivo da atividade é levar o aluno a refletir sobre a função de certas palavras como recursos de coesão textual: tomam-se para isso conjunções adversativas que são recorrentes no texto, levando-se o aluno a identificar a relação semântica de contraste ou oposição entre ideias que elas estabelecem. Os exercícios pretendem que o aluno identifique e compreenda o recurso coesivo, não se considerando necessário nem pertinente, neste nível de escolaridade e no quadro de uma gramática de uso, o estudo da estrutura sintática em que ele opera e da terminologia conjunção adversativa. (SOARES,1988).

 

O autor ressalta, no seu ponto de vista a grande importância que há no trabalho da gramática a partir do texto, pois é dessa forma que o aluno fará dissertações sem dificuldades, empregando as palavras corretas, e tendo mais agilidade em seu raciocínio, que é tudo que os alunos querem, e é através da prática em atividades que os mesmos poderão assimilar a importância da produção textual, bem como a essência da gramática no ato da produção de texto.

 

É cabível afirmar que em relação ao texto, há várias formas de organizar as ideias quando queremos expressá-las por meio de um texto, seja ele escrito ou falado. Uma delas é a argumentação. O que caracteriza essa opção é o encadeamento de proposições com o intuito de defender um ponto de vista. Essa articulação pode se dar por meio das chamadas conjunções lógicas, como o pois e o porque. O efeito de causalidade característico de um texto argumentativo revela a relação entre duas ideias: uma é a causa, outra, a consequência. Conhecer as relações estabelecidas por essas conjunções é um requisito importante para o aluno ampliar sua capacidade de compreender e de produzir textos cada vez melhores.

 

Destaca-se aqui a importância da produção textual primeiramente, porque o aluno amplie sua visão de mundo, caso essa seja a realidade do mesmo, é imprescindível que o professor aborde determinado assunto em sala de aula, através de debates e pesquisas, de maneira que o aluno construa seu próprio conhecimento de forma crítica e reflexiva. Porém, faz-se necessária a aplicação de conhecimentos da nova gramática, que ajudará o aluno na estruturação de seus textos, uma vez que para se escrever bem é necessário o uso adequado das palavras que dão uma sequência lógica e coesa ao texto.

 

 

4 CONCLUSÃO

 

O Ensino de Gramática em uma Perspectiva Textual trouxe embasamento teórico bastante especializado em relação à gramática, ampliando dessa forma, nossos conhecimentos acerca de sua importância na produção textual, que exige para tanto, conhecimentos proficientes da grande norteadora do ensino de língua portuguesa, conhecida como a gramática normativa. No entanto, ensinar língua portuguesa é aprender a arte mais sublime do ser humano, que é a sua capacidade de comunicar-se através de palavras e da escrita, os seus sentimentos, as suas emoções e os seus pensamentos. Consiste também no ato de compreender a mesma mensagem através do sentido das palavras utilizadas quer seja na língua falada ou escrita. Quando em conjunto com o texto visa atribuir sentido através da entonação, da pausa, da ênfase que na modalidade escrita é representada e/ou codificada através dos sinais.

 

É licito afirmar que o ensino da gramática é tão importante para a vida acadêmica como para os demais indivíduos na condição de alunos e/ou professores, porque oferece condições para ampliação do discurso linguístico em relação ao funcionamento de regras gramaticais trabalhadas em conjunto com as atividades aplicadas pelos professores que demonstram as variedades linguísticas, levando o aluno a entender a estrutura, o uso e o funcionamento da língua materna.

 

Quanto ao texto, é importante ressaltar que seu estudo é importante em conjunto com a gramática porque facilita a compreensão linguística, estilística e retorica do aluno, uma vez que este exige para isso, a leitura, no caso, do aluno, que através desta, desenvolverá um novo vocabulário gramatical na sua vida. A partir dai (da leitura), será possível o desenvolvimento de textos claros e coesos. Porém é pela produção textual que o aluno conseguirá desenvolver um amplo conhecimento do ensino da gramática e da linguística.

 

O presente trabalho nos possibilitou a compreensão da importância do ensino da gramática a partir da produção textual, bem como sua importância para o desenvolvimento do discente em sala de aula em relação à gramática. Possibilitou-nos ainda maiores conhecimentos a respeito da gramática e do texto bem como suas estruturas coesas e linguísticas para o desenvolvimento profissional na área da educação, em especial o professor de Língua Portuguesa que muitas das vezes é tachado como "dono do conhecimento linguístico e responsável pela boa leitura do aluno".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

ANTUNES. Maria Irandé Costa Moraes. Muito além da gramática: por um ensino de gramática sem pedra no caminho. São Paulo: Parabóla, 2007.

 

BAGNO, Marcos. Dramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Loyola, 2000.

 

BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. 3ª ed. São Paulo: Hucitec, 1986.

 

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa/Secretaria de Educação Fundamental. _ Brasília: MEC, 1997.

 

GERALDI, J. Wanderlei. Aprender e ensinar com textos de alunos. In: CHIAPPI, Ligia. [coord.]. Coleção Aprender e ensinar com textos. Vol. 1 e 2. ed. São Paulo: Cortez, 1989.

 

NEVES, Maria Helena de Moura. Gramática na escola. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2004.

 

PRESTES, Maria Luci de Mesquita. Ensino de Português como elemento consciente de interação social: uma proposta de atividade com texto: Ciências e Letras. Porto Alegre: FAPA, 1996.

 

SOARES, Magda. Linguagem e Escola: uma perspectiva social. 5. ed. São Paulo: Ática, 1988.

 

________. Para além do discurso. Presença Pedagógica, n.2. Belo Horizonte: Dimensão, 1995.

 

TRAVAGLIA, Luíz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1° e 2° graus. São Paulo: Cortez, 1997.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/linguas-artigos/lingua-portuguesa-o-ensino-de-gramatica-em-uma-perspectiva-textual-4988350.html

    Palavras-chave do artigo:

    gramatica texto ensino

    Comentar sobre o artigo

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    Carla Ravaneda

    A importância das regras da norma culta da língua portuguesa, e o papel do professor no estímulo do aluno que está buscando o conhecimento. É necessário o engajamento deste profissional, para que nossas futuras gerações se comuniquem de forma desejável de acordo com as regras normativas.

    Por: Carla Ravanedal Educação> Línguasl 11/09/2014

    Se pretende enriquecer o seu curriculum para que possa ter mais oportunidades de emprego na sua área de formação, saiba como fazê-lo neste artigo.

    Por: Bruno Ferreiral Educação> Línguasl 05/09/2014
    Zilda Ap. S. Guerrero

    Esse texto foi produzido mediante uma reflexão acerca de atividade em sala de aula composta por alunos heterogêneos e aprendizagens múltiplas, tendo em vista a presença de um aluno que era portador de necessidades especiais (Surdez), e como não conhecia a linguagem de sinais, tive que passar por uma experiência muito dolorosa para poder ensinar a Língua Portuguesa para esse aluno. Acredito que se eu conhecesse a prática de ensino com o auxílio da Linguagem de Sinais (LIBRAS), fosse mais fácil.

    Por: Zilda Ap. S. Guerrerol Educação> Línguasl 05/09/2014

    Existem diferentes modalidades de tradução, cada uma adaptada a necessidades concretas. As mais conhecidas são a Tradução Simultânea e a Tradução Consecutiva.

    Por: Ricardo Prates Moraisl Educação> Línguasl 04/09/2014

    Há algum tempo existe a necessidade de aprender o inglês, além de ser fundamental em viagens internacionais agora é também fator diferencial capacitivo no mercado de trabalho.

    Por: mattos andrecl Educação> Línguasl 07/08/2014 lAcessos: 11

    Na língua inglesa é necessário interpretar o que está escrito em um texto, para entender o real significado. Dizer que a tradução nao deve ser feita para português acaba sendo um pouco utópico, tendo em vista a que sempre levar idiomas extrangeiros para a língua nativa é um hábito. Embora não se tenha uma grande noção sobre gramática, é possível decifrar o que está escrito em um texto em inglês através de uma identificação de contexto.

    Por: mattos andrecl Educação> Línguasl 07/08/2014 lAcessos: 12
    Ribamar Pinho

    É de extrema importância a presença da família no contexto escolar onde é imprescindível que os pais frequentem o ambiente escolar para saber de que maneira é desenvolvido o comportamento e aprendizagem de seus filhos. A presença da família na escola é significante porque demonstra apoio e preocupação com a aprendizagem da criança, sendo que, com a presença dos mesmos, a sociedade escolar, sentir-se-á honrada, compromissada e motivada para tratar o processo de ensino aprendizagem da criança.

    Por: Ribamar Pinhol Educação> Educação Infantill 20/01/2013 lAcessos: 743
    Ribamar Pinho

    A dificuldade de aprendizagem da Língua Portuguesa nas séries finais do ensino fundamental constitui-se no ato de ler e escrever sempre desempenhando um importante papel muito importante em vários âmbitos da sociedade. Em nossa realidade, quando um indivíduo ingressa no mundo escolar, cria-se em torno dele um verdadeiro circuito de expectativas referentes a organização da leitura e da escrita. Porém, quando se percebe que algo de errado está ocorrendo, que o educando não consegue assimilar as n

    Por: Ribamar Pinhol Educação> Línguasl 09/01/2013 lAcessos: 313
    Ribamar Pinho

    A linguagem pode ser definida como a capacidade de comunicação, ou seja, sistema de signos, sinais, sons, gestos etc., suscetíveis de servirem de comunicação entre os indivíduos. A aquisição da linguagem se dá através de etapas, onde cada uma delas apresenta um momento em que a criança constrói certas estruturas cognitivas. Essas etapas estão divididas em quatro, que são: sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreta e operatório-formal.

    Por: Ribamar Pinhol Educação> Línguasl 11/07/2011 lAcessos: 1,205
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