Mais Uma Falácia Sobre O Ensino De Idiomas

Publicado em: 15/10/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 100

Acabo de ler um  mini artigo: "Falar inglês de verdade", sobre o ensino de língua inglesa, aqui neste site. Na realidade, percebi que o mini artigo é apenas uma estratégia de marketing para mais um curso de inglês.

Neste artigo, o autor fala pouco sobre o inglês ensinado nas escolas e o inglês falado nas ruas, na vida; diz que não se ensina inglês corretamente e que não se prepara o aluno para enfrentar o nativo da língua inglesa com competência.  Parece que ele esqueceu de que qualquer língua - inclusive a nossa - que é ensinada na escola difere da língua utilizada nas ruas, na vida.

O autor quer comparar a fala de um não nativo com a fala de um nativo.  E ainda promete ensinar uma pronúncia correta em seis meses de estudo.  Aqui mesmo eu já publiquei um artigo sobre este tema: Ensino da Língua Inglesa: Cuidado com o Promessa de uma Pronúncia Perfeita", onde discorro sobre pseudocursos de inglês que prometem resultados milagrosos.

Critica também a perda de espontaneidade e naturalidade ao se falar inglês com um nativo e, refoço, promete resultados "infalíveis".

O inglês falado realmente não é o mesmo que o inglês dos livros. Nem o francês, nem o japonês, nem o português e nem qualquer outra língua do mundo.

O inglês ensinado nas escolas e cursos (estou meio farto desses cursinhos enganadores) é uma pequenina parcela do inglês formal, aquele que todos deveriam saber para uma conversação mínima e coerente.

Todos sabemos que a língua da escola não é a mesma língua da vida. o português não é assim, imagine outra íngua qualquer! Jamais poderemos comparar um falante brasileiro de inglês com um falante nativo. Principalmente com relação à pronúncia.

Qual é a pronúncia perfeita? Qual é a pronúncia correta?

Em "Ensino da Língua inglesa: Cuidado com a promessa de uma pronúncia perfeita" publicado aqui mesmo, discorro um pouco sobre essa questão. "How To Be an Alien" de Michael Jacobs, retrata bem essa situação de "saber" falar inglês e, quando deparado com o inglês real, da rua, da vida, perceber que, na realidade, pouquíssimo sabemos.

Falamos mal o nosso próprio idioma; o que dirá de um outro!

Enfatizar o ensino de speaking na escola? Com as grades curriculares que temos em nosso país, com no máximo dois tempos de aula de inglês por semana, com turmas extremamente cheias, cheias de alunos que não querem aprender inglês, sem os devidos e necessários recursos didáticos, sem material diverso adequado, com salas desconfortáveis, com professores despreparados (infelizmente o autor deve saber que o curso de graduação em Letras não prepara o falante de inglês, mas apenas o profissional que vai trabalhar com a estrutura da língua em um sistema que objetiva a prova escrita do vestibular), torna-se quase impossível atingir um nível aceitável de speaking.

Não digo que é impossível. O sistema que não prioriza isso.

O inglês falado, espontâneo e natural é coisa de falante nativo ou de quem tem a possibilidade de viver em países de língua inglesa por algum tempo.

Volto a citar nosso português. Será que, se tirarmos um de nossos alunos de 6º ano e colocá-lo para falar para uma platéia onde se exija nossa língua padrão, formal, com a devida de temida norma culta, ele vai ser espontâneo e natural?

Devemos ter muito cuidado com o "falar inglês de verdade." Cada nativo fala de verdade em seu habitat, seja em que língua for. Quando tirado desse habitat, não só a fala do indivíduo, mas toda sua existência corre o risco de perder a espontaneidade e naturalidade.

Falar de verdade é entender e fazer-se entender, seja em que linguagem for.

O site em questão realmente um ótimo material de publicidade on line e e-commerce,  formação do autor e, provavelmente, dono do site, mas não apresenta muita coisa com respeito ao êxito no aprendizado.

Concordo que é possível aprender rápido. Eu mesmo levei nove meses para aprender inglês e me tornar professor. Aprendi sozinho. Mas acho que ele utilizou este espaço apenas para promover um produto que, para especialistas, não transmite muita confiança.

Sugiro, inclusive, uma revisão gramatical e ortográfica da língua portuguesa em seu site, pois comete alguns deslizes (em nossa língua nativa).

Cuidado com a promessa de um aprendizado infalível!

(Artigonal SC #1340378)

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    Fonte do artigo: http://www.artigonal.com/linguas-artigos/mais-uma-falacia-sobre-o-ensino-de-idiomas-1340378.html

    Palavras-chave do artigo:

    irresponsabilidade com o ensino

    ,

    língua da escola

    ,

    língua da vida

    ,

    pronúncia perfeita.

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