Noções Básicas Sobre Fonética: Articulatória, Auditiva e Acústica

25/06/2010 • Por • 6,451 Acessos

1. Introdução:

Na lingüística, a fonética ocupa-se do estudo de quaisquer sons de uma determinada língua, o que significa admitir que ela se ocupa das diversas variantes de um mesmo som. Assim, por exemplo, pode-se dizer que ao fazer fonética da Língua Portuguesa, a preocupação é em estudar sons, as condições fisiológicas necessárias para a produção dos mesmos e a forma como estes são percebidos. Contudo, este breve artigo tem o objetivo de esclarecer alguns elementos de fonética importantes, mediante referência aos procedimentos que as pesquisas em suas três áreas de interesse compreendem: articulatória, acústica e auditiva.

2. Referencial Teórico:

Em se tratando de fonética, torna-se válido ressaltar CRYSTAL (1988), que diz que "Fonética é a ciência que estuda as características do som humano, quando utilizados na fala, e fornece métodos para sua descrição, classificação e transcrição e se opõe à fonologia cujo propósito é o de "mostrar os sons distintivos de uma língua e chegar a afirmações sobre a natureza dos sistemas de sons das línguas do mundo".

Segundo CRYSTAL, "a fonética divide-se em três grandes ramos de acordo com os estágios sucessivos que possibilitam a transmissão de uma mensagem de um locutor para um ouvinte num ato de comunicação oral. São eles: Fonética auditiva, acústica e Articulatória. Deste modo, numa primeira fase de elaboração da mensagem, irão intervir os mecanismos de produção da fala, ou seja, todas as estruturas anatômicas e as configurações articulatórias fundamentais para a produção de sons, processo este estudado pela fonética articulatória ou fisiológica. Numa segunda fase, será necessário analisar a natureza física dos sons produzidos pelo falante, aspecto de que se irá ocupar a fonética acústica. Finalmente numa última fase, há que ter em conta os mecanismos de percepção do ouvinte, cujo estudo se designa tradicionalmente como fonética perceptiva ou auditiva".

Assim, segundo a lingüista MATEUS (1990), "os objetivos da fonética enquanto disciplina lingüística passa não só pelo estabelecimento das propriedades acústicas, articulatórias e perceptivas que ocorrem nas línguas particulares, mas também pelo modo como aqueles se relacionam entre si, e pelo entendimento da natureza entre as representações lingüísticas e as representações sonoras"

Ainda, segundo MATEUS (1990), "a fonética articulatória tem contribuído fundamentalmente para a fundação da descrição lingüística permitindo a classificação dos sons da fala, de acordo com o contexto no qual os mesmos são articulados. A classificação mais importante é aquele que distingue as vogais das consoantes. A fonética acústica tem se dedicado essencialmente à análise das propriedades físicas dos sons da fala e às correspondências entre traços acústicos e elementos dos sistemas fonológicos das línguas. Relativamente ao estudo da percepção da fala, este tem sido desenvolvido com base em diversas técnicas de análise que envolve as respostas do ouvido, do nervo auditivo e do cérebro aos sons da fala".

Alvarez (1997), "chama a atenção para a compreensão de como o cérebro produz a marcante individualidade da ação humana. É uma rede precisa de mais de 100 bilhões de células nervosas interconectadas em sistemas que focalizam nossa atenção, produzem nossa percepção do meio externo e controlam a percepção de todos os nossos atos."

De acordo com Stevens & House (1993),"os sons da fala encadeada não são representados separadamente através de modelos de movimentos independentes dos articuladores; ao contrário, os movimentos e padrões sonoros de sons adjacentes se sobrepõem, resultando em uma combinação de efeitos. O fato de que o ouvinte é também alguém que fala e realiza os movimentos para fazê-lo, talvez contribua para fornecer informações prévias sobre as mudanças no mecanismo de fala e os meios através dos quais sons adjacentes interagem".

Alvarez; Caetano & Nastas (1997), definem o processamento auditivo central como: "uma série de operações que o sistema auditivo, como um todo, realiza para receber, detectar, atender, reconhecer, associar, integrar os estímulos acústicos e, a partir disso, resgatá-los para planejar e emitir respostas".

Assim, nesta perspectiva, na qual Keith (1982 ); Russo & Behlau (1993) "descrevem a percepção da fala em etapas, iniciando-se com a audibilidade isto é com a detecção do som. A partir da audibilidade temos a recepção da informação sonora, a discriminação entre os sons de diferentes espectros, o reconhecimento ou a comparação do que foi ouvido com experiências anteriores, a memória ou retenção de elementos da fala e, finalmente, a compreensão da mensagem falada".

3. Considerações Finais:

Conclui-se pelo exposto referencial, que a fonética ocupa-se das diversas variantes de um mesmo som. Na qual é dividida em três estágios: Fonética Auditiva, Articulatória e Acústica. Sendo a fonética Auditiva responsável pelos sons produzidos pelo falante, enquanto mediados pelo ouvido o nervo auditivo e o cérebro. A fonética articulatória responsável pela produção da fala, do ponto de vista da produção dos sons pelos órgãos vocais. E por fim, a fonética acústica responsável pelas propriedades físicas dos sons da fala e as correspondências entre traços acústicos e elementos dos sistemas fonológicos das línguas.

Referências:

CRYSTAL, D. Dicionário de Lingüística e Fonética. Jorge Zahar, 1988.

 MATEUS, Maria Helena Mira. Fonética, fonologia e morfologia do português. Lisboa: Universidade Aberta, 1990.

 Alvarez, A .; Caetano, A .;Nastas, S.: "Processamento Auditivo Central: Avaliação e diagnóstico"- Revista Fono Atual - vol. 2; 34 - 36 - 1997.

 Russo, I. C. P. & Behlau, M. S.- Percepção da Fala: Análise Acústica do Português Brasileiro. São Paulo- Lovise- 1993. 57p.

Carvalho,; Alvarez, A; Caetano, A: "Perfil de habilidades fonológicas"- Editora Via Lettera- São Paulo- 1998.

Perfil do Autor

Luciana Soares da Silva Garcia

* Luciana Soares da Silva Garcia – Pedagoga Especialista em Linguistica com ênfase em  letramento