O Desafio Da Leitura Nas Séries Iniciais

Publicado em: 27/02/2010 |Comentário: 1 | Acessos: 12,734 |

1 INTRODUÇÃO

Vivemos em uma sociedade altamente letrada, onde o domínio da leitura é uma atividade de vital importância para o sucesso na vida de qualquer pessoa. É por meio dela que conseguimos compreender e interagir com o mundo a nossa volta. O bom domínio da leitura nos permite realizar com desenvoltura as atividades que colaboraram para o nosso crescimento pessoal e intelectual e ainda capacita-nos a agir de forma ativa e critica na sociedade em que vivemos.

No âmbito escolar, podemos perceber que ainda há muitas dúvidas e discussões a cerca do ensino de leitura nas aulas de Língua Portuguesa, pois muitos professores se formaram há muito tempo e não se reciclam afim de acompanhar as novas teorias e concepções sobre língua e ensino. Tem-se observado em muitos estabelecimentos de ensino que os alunos apresentam dificuldades em ler, reconhecer e interpretar textos em língua portuguesa pela forma como a leitura é processada na escola, desconsiderando-se, muitas vezes, os gêneros textuais que os alunos de fato têm contato no seu cotidiano. Muitos professores, por falta de conhecimento das teorias dos gêneros ou por ignorarem sua relevância, ainda trabalham a leitura de forma descontextualizada, utilizando-se de textos como "desculpa" aos exercícios de gramática. As aulas de leitura por muito tempo foram substituídas pelo estudo de um único elemento da língua: a gramática, especialmente a normativa, que na verdade não desenvolvia as habilidades linguísticas dos alunos, seu estudo se concentrava em exercícios de memorização de funções sintáticas e nomenclaturas que na vida real nunca eram utilizada pelos alunos. A este respeito Antunes (2007, p. 42) afirma que,

Ingenuamente, a gramática foi posta num pedestal e se atribuiu a ela um papel quase de onipotência frente àquilo que precisamos saber para enfrentar os desafios de uma interação eficaz. E daí vieram as distorções: a fixação no estudo da gramática, como se ela bastasse, como se nada mais fosse necessário para ser eficaz nas atividades de linguagem verbal.

Muitos profissionais até gostariam de trabalhar de forma diferente, mas há ainda escolas onde a direção e até mesmo os pais dos alunos exigem o ensino voltado quase que exclusivamente voltado para a gramática, ajudando a perpetuar o problema do déficit de leitura existente no país. Numa sociedade complexa e dinâmica como a nossa saber ler e compreender bem os diversos textos em circulação é mais importante que decorar a gramática da língua. Considerando a relevância social da leitura, Solé (1998, p. 18) afirma que:

Poder ler, isto é, compreender e interpretar textos escritos de diversos tipos com diferentes intenções e objetivos contribui de forma decisiva para a autonomia das pessoas, na medida em que a leitura é um instrumento necessário para que nos manejemos com certas garantias em uma sociedade letrada.

 

Acredita-se que a escola é o lugar onde se aprender a ler e a gostar de ler. Acreditamos que nas séries iniciais do Ensino Fundamental deve-se dar uma atenção especial ao ensino de leitura. Despertar o prazer pela leitura, bem como desenvolver estratégias que facilitem a leitura pode garantir que a criança torne-se um adulto letrato e preparado para agir de forma crítica e significativa na sociedade.

A leitura nas séries iniciais muitas vezes é feita de forma precária, é dada muito mais importância ao ensino lexical em detrimento do ensino do sentido das palavras nos textos. Por muito tempo a escola tem cometido o equivoco de pensar que seu único papel ensinar a ler, escrever e fazer contas. O papel do professor transcende estas questões.

O papel de mediador desempenhado por nós professores não é tarefa fácil, aliás, esse trabalho não deve ser tarefa exclusiva do professor de Língua Portuguesa, em todas as disciplinas ele deve ser desenvolvido. A função de cada um de nós, professores e professoras, independente da área curricular, é promover a leitura de textos que devam ser aprofundados para que todos vivenciem o encantamento da descoberta de sentidos trazido pela leitura, dialogando com a realidade e formando para a cidadania.

(SOUZA, online)

Observa-se no pensamento de Souza (online) que para que o processo de aquisição e valorização da leitura seja eficaz faz-se necessário que todos os professoras de diversas áreas do conhecimento estejam engajados nessa busca pelo desenvolvimento da capacidade leitora de nossos alunos.

2 O QUE É LER?

Fazer os alunos lerem com eficiência sempre foi um desafio para pais e mestres. Muitas pessoas encaram a leitura como simples decodificação de palavras. Muitos professores reclamam da dificuldade que seus alunos apresentam na hora de se trabalhar a leitura, mas este problema é mais comum e corriqueiro do que se imagina. Muitas crianças tem verdadeira aversão à leitura por não conseguirem depreender o sentido do texto e acabam por ficarem cada dia mais desmotivadas em relação ao ato de ler, principalmente a leitura que é imposta pela escola.

Muitos profissionais têm ajudado a perpetuar o problema, pois desconhecem os processos de leitura e continuam a ensinar a leitura como pretexto para exercícios de gramática. De acordo com Possenti (1996) ensinar a língua e ensinar gramática são coisas distintas, por isso defende no ensino da língua (real) e não de regras gramaticais (nem sempre inteligíveis), desta forma, ele acredita que "o domínio competente da língua não requer o ensino de seus termos técnicos" (1996, p.54). Acredita-se que o ensino sistêmico da língua, isto é, das regras gramaticais, é importante se feito de maneira contextualizada usado para desenvolver a capacidade de ler e escrever bem dos alunos, principalmente nas séries iniciais onde se está trabalhando com o sujeito ainda em formação.

É de vital importância que aqueles que se propõem a ensinar uma língua saibam exatamente o que é a leitura e quais processos a envolvem. Solé (1998: 22) afirma que "aleitura é um processo de interação entre o leitor e o texto; neste processo tenta-se satisfazer [obter uma informação importante para] os objetivos da leitura". Isso significa dizer que o texto só tem sentido para quem lê, ou seja, o mesmo texto pode adquirir significados diferentes dependendo de quem e com que objetivo lê. Por isso ao ensinar uma criança a ler o educador deve deixar bem claro para ela o quê e porque ela está lendo.

Saber os objetivos de uma leitura ajuda as crianças e até mesmos os adultos a evitar que se distraiam ou percam o sentido da leitura. A escola nem sempre favorece o desenvolvimento da capacidade leitora do aprendiz, pois

O contexto escolar não favorece a delineação de objetivos específicos em relação a essa atividade. Nele a atividade  de leitura é difusa e confusa, muitas vezes se constituindo apenas em um pretexto para cópias, resumos, análise, e outras tarefas de ensino de língua.

(KLEIMAN,2000 p.30)

 

Desta forma, para se garantir uma leitura eficaz, deve-se deixar bem claro para as crianças qual o objetivo da leitura que fazem ao se ensinar a ler e compreender textos. Fora do ambiente escolar o aluno irá deparar-se com os mais variados tipos de textos nas mais variadas situações e ele deverá ser capaz de interagir com eles a fim de alcançar um determinado objetivo. Ao usar o texto na sala de aula como pretexto para ensinar gramática o professor está impedindo seus alunos de perceberem quão rica e importante é a habilidade de leu e compreender bem textos.

Reiterando a questão da gramática da sala de aula, os Parâmetros Curriculares Nacionais defendem que  repense-se o seu papel no aprendizado de nossos alunos. Segundo os PCN (1997, 31)

 

É o caso, por exemplo, da gramática que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que só serve para ir bem na prova e passar de ano — uma prática pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização de nomenclatura. Em função disso, tem-se discutido se há ou não necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa questão: a questão verdadeira é para que e como ensiná-la.

 

Uma vez que consideramos a leitura uma atividade superior à questão gramatical, devemos optar por ensinar a gramática de forma contextualizada, ou seja, de maneira que seu aprendizado possa ajudar nossos alunos a tornarem-se leitores e, conseguintemente, escritores mais eficazes, com habilidades suficientes interagirem com a linguagem na forma escrita.

 

2.1 Novas concepções de leitura

 

Independente da matéria que se ensina podemos notar pela experiência que as crianças e adolescente e até mesmo adultos, apresentam extrema dificuldade e até mesmo aversão em relação à leitura dentro e fora da sala de aula. Ângela Kleiman (1993: p. 15) afirma que a queixa mais frequente feita por professores é que "os meus alunos não gostam de ler". Despertar nos alunos o gosto pela leitura é um problema que tem tirados o sono de muitos educadores. Sabemos que muitos são os entraves no caminho entre o texto e o leitor, principalmente o leitor em idade escolar.

Nas primeiras séries do Ensino Fundamental os estudantes carecem de um bom suporte gramatical, mesmo já sabendo ler e escrever. Saberes que ele usa no seu dia a dia, mas que precisam ser aperfeiçoados e sistematizados na escola. Talvez por esta razão a leitura seja frequentemente utilizada apenas como pretexto de exercícios gramaticais.

Outro problema apontado por Daniel Pennac (1993: 13) é a forma como a leitura é imposta aos alunos, segundo ele "o verbo ler não suporta o imperativo", ou seja, ler só porque se é obrigado não garantirá que o leitor irá realizar a leitura com eficiência, o mais provável é que a criança crie aversão ao ato de ler. Outro entrave à leitura apontado por Pennac é a concorrência com os meios de comunicação em massa, sobretudo a televisão.

Muitos autores tentam conceituar o que é leitura, Leffa (1996, p. 17-18) por exemplo, ao indicar uma definição do que seja a leitura, afirma que

A leitura é um processo feito de múltiplos processos, que ocorrem tanto simultânea como sequencialmente; esses processos incluem desde habilidades de baixo nível, executadas de modo automático na leitura proficiente, até estratégias de alto nível, executadas de modo consciente.

Diante do exposto percebemos que a leitura envolve múltiplos processos que vai desde a decodificação das letras e palavras até a escolha de estratégias de leitura. Além disso a atividade leitora vai além da percepção da página impressa pelos olhos, ela deve ativas o conhecimento prévio do aluno em relação a determinado assunto.

A compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização de conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento como o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto. E porque o leitor utiliza justamente diversos níveis de conhecimento que interagem entre si, a leitura é considerada um processo interativo. Pode-se dizer com segurança que sem o engajamento do conhecimento prévio do leitor não haverá compreensão.

(KLEIMAN, 1993 p. 13)

 

 

Nem todos os profissionais conhecem as teorias a respeito da leitura e acabam por trabalhar de forma inadequada repetindo antigas fórmulas e velhos "erros", escolhendo textos inadequados para seus leitores. Antunes (2007, p.157) afirma que

(...) aceitar as concepções da linguagem – como atividade funcional, interativa, discursiva e interdiscursiva, como prática social situada e imersa na realidade cultural e histórica da comunidade – acarreta visíveis diferenças na vida da escola, conseqüentemente, no desempenho de professores e alunos.

 

 

Nestas novas concepções a língua deixa então de ser vista como mero depositário de regras para se tornar como instrumento de interação e comunicação. Escolher um texto aleatoriamente sem considerar o conhecimento de mundo dos leitores pode não só tornar a leitura mais difícil como também não imprimir nenhum sentido na mente daquele que ler. Isso não significa que deve-se limitar o conteúdo lido ao conhecimento prévio do aluno, uma interessante alternativa seria  antes de uma leitura mais complexa fornecer aos alunos o conhecimento necessário para a compreensão de determinado texto. Pode-se começar a aula questionando o que os alunos sabem sobre o assunto que será tratado no texto. Esse tipo de abordagem serve não só para o educador  conhecer o que os leitores já sabem sobre determinado assunto como também permitir uma interação entre o conhecimento de vários indivíduos; essa troca de embromações com certeza será de vital importância para a execução da leitura que poderá ser feita em seguida à discussão ou noutra ocasião, ou ainda ser descartado o texto escolhido caso os alunos não tenham nenhum conhecimento ou interesse sobre o assunto escolhido pelo professor.

2.2 Como a Leitura deve ser trabalhada na aula de Português

Escolher um texto apenas para trabalhar o ato de decodificar palavras não é uma alternativa viável quando se pretende ensinar uma criança a ler. Além de ser capaz de ler o texto o aprendiz deve ser "treinado" para entender o que e porque ele está lendo determinado texto. É importante ler um texto com uma meta previamente estabelecida. Kleiman (2000, p.30-39) ressalta que ao ler, todo leitor deve ter claro em sua mente quais os objetivos de tal empreendimento, finalidades específicas e que ao estabelecer metas para a leitura, o leitor poderá enfim ter uma melhor compreensão do texto que está lendo e, além disso, será capaz de lembrar melhor os detalhes relacionados a seus objetivos, isto é, lembrará mais e melhor aquilo que leu. Desta maneira, Kleiman (2000, p.30) confirma esse posicionamento quando afirma que "há evidências inequívocas de que nossa capacidade de processamento e de memória melhoram significativamente quando é fornecido um objetivo para uma tarefa." O sucesso na leitura de determinado texto ou gênero dependerá de vários fatores, como conhecimento prévio do leitor, ativação de estratégias de leitura e de estabelecimento de metas para a leitura. Como podemos perceber, ler não é uma tarefa simples. Entretanto torna-se uma atividade eficaz e prazerosa quando feita de maneira ordenada tendo-se em mente que objetivos se quer alcançar.

A delimitação de objetivos para a leitura talvez seja tão importante quanto a escolha de texto a ser trabalhado na escola, pois guiará o aluno no caminho a que deve chegar com tal ato, ao invés de apenas devanear pelas páginas do livro. Kleiman defende que "a leitura que não surge de uma necessidade para chegar a um propósito não é propriamente leitura" (KLEIMAN, 2000 p.35). Diante disso, percebemos que muitas vezes a leitura efetuada no âmbito escolar acaba se transformando numa atividade desmotivadora, rotineira e mecânica que não leva a aprendizado algum.

Considerando que os objetivos traçados por outras pessoas  para a leitura de um determinado texto, muitas vezes, não condiz com o interesse dos alunos é importante que os mesmos participem efetivamente da escolha do material a ser lido. Desta forma defendemos que a escola deve propor aos estudantes, durante as aulas de leitura, textos que despertem o interesse da turma, textos que sejam adequados à faixa etária da turma a fim de que esta possa definir objetivos para a leitura daquele texto e, consequentemente seja despertado neles o interesse em ler outros textos.

Um dos problemas do ensino de leitura na escola não está além da questão do método, mas na própria concepção é leitura, da maneira como a mesma  é avaliada pelos professores e dos meios que se utilizam para ensiná-la. Solé (1998, p.33) discorre sobre esse problema e esclarece que

O problema do ensino de leitura na escola não se situa no nível do método, mas na própria conceituação do que é leitura, da forma em que é avaliada pelas equipes de professores, do papel que ocupa no Projeto Curricular da escola, dos meios que se arbitram pra fortalecê-la e, naturalmente, das propostas metodológicas que se adotam para ensiná-la.

Muitos profissionais, por desconhecerem as novas concepções de leitura ou por negligencia, continuam repetindo antigas formulas de ensino que ajudam a perpetuar o problema da má formação de leitores, que são chamados por alguns autores de analfabetos funcionais.

Sabemos que o brasileiro não tem o hábito de leitura, ele lê muito pouco em comparação com leitores de países desenvolvidos. Uma vez que o ambiente familiar não incentiva tal hábito – muitos pais são analfabetos ou semi-analfabetos - cabe à escola e ao professor preencher essa lacuna na educação da criança, pois se ela não for incentivada a ler na escola onde mais ela será? Toda escola deveria ter um espaço privilegiado para a leitura, uma biblioteca bem organizada e atrativa.

Entretanto ainda hoje, acredita-se que muitos textos, no ambiente escolar são escolhidos exclusivamente pelos conteúdos gramaticais que contem descartando-se a relação de ludicidade e informação que deveria haver no ato de ler.

Outro problema que se faz oportuno mencionar é a prática de leitura voltada quase que única e exclusivamente para o livro didático. Nem sempre os temas contidos no livro didáticos condizem com a realidade vivida pelos estudantes. Segundo Kleiman (2003: p. 21)

 

Uma prática bastante comum no livro didático considera os aspectos estruturais do texto como entidades discretas que têm um significado e função independentes do contexto em que se inserem. Uma versão dessa prática revelada na leitura gramatical, é aquela em que o professor utiliza o texto para desenvolver uma série de atividades gramaticais, analisando, para isso a língua enquanto conjunto de classes e funções gramaticais, frases e orações.

Os livros didáticos estão cheios de exemplos em que o texto é apenas pretexto para o ensino de regras sintáticas, isto é, para procurar adjetivos, sujeitos ou frases exclamativas.

(KLEIMAN: 2003: p. 21)

 

 

O texto tomado como simples depositário de gramática é uma das práticas mais nocivas a que o aluno pode ser submetido. A leitura deve ser encarada como um processo de construção de significados e inferências relacionadas com a vida real. Dito isto, vemos a necessidade de a escola oferecer um ambiente propício à transformação, visando a formação de leitores críticos e conscientes da realidade que o circunda.  Nessa perspectiva,  acreditamos que o ensino de leitura deve ir além do ato mecânico e monótono que é aplicado em muitas escolas e  na maioria das vezes de maneira descontextualizada, mas um processo que precisa contribuir para a formação de individuo críticas e conscientes, capazes de entender a realidade, bem como participar ativamente da sociedade onde atuam.

Conforme o explanado acima percebemos que muita coisa já foi escrita a respeito do ensino de Leitura. Ressaltamos então a importância que a mesma tem na vida dos indivíduos e que é na infância que deve ser ensinada e incentivada e o melhor lugar para isso é, com certeza, a escola.

Um dos objetivos da leitura é situar nossos alunos histórica e socialmente, este deve ser o objetivo maior de todo projeto educativo. Uma vez que estamos falando de leitura, nada melhor do que sugerir que tal trabalho seja feito de forma a privilegiar os textos que se adéquem ao conhecimento de mundo dos alunos e que melhor situem os mesmos em seu tempo e sociedade. Os mesmos devem sentir-se como sujeitos da sua época e não meros espectadores e isso só será possível se eles conseguirem entender o que e por que estão lendo determinado texto e qual a importância de tal texto na sociedade em que ele foi elaborado.

De acordo o que foi dito acima pode-se sugerir que numa turma de  1ª série o professor opte por gêneros que atraiam mais a atenção dos alunos e que possam servir de aprendizado para suas vidas como o gênero fábula, por exemplo. As fabulas são pequenas narrativas em que animais são os  protagonistas. Nesse tipo de texto a conduta humana é quase sempre criticada através de atitudes de animais. Nessa fase da vida as crianças em formação precisam de textos que auxiliem na sua formação como futuros agentes da sociedade onde vivem, por isso defende-se o uso não só de fábulas mas de todos os textos que possam ajudar a formar o caráter da criança.

 

 

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Falar de leitura é sempre um desafio, muita coisa já foi dita e muita coisa ainda por se dizer. Mas não se pode deixar de dizer que muitos avanços há na área, cabe, porém aos futuros professores e os já atuantes tomarem posse desses conhecimentos e por em prática, na sala de aula o que as novas concepções de leitura e educação sugerem.

O trabalho contextualizado e eficaz nas séries iniciais é importante, mas não pode-se esquecer que muitos dos problemas enfrentados no início da escolarização acaba se perpetuando até o final do Ensino Médio. Ao repensar o ensino de leitura, deve-se ir além dos problemas enfrentados no Ensino Fundamental I e entender que, principalmente, o professor de português,  mas não apenas ele, deve estar atento à importância e relevância da leitura na sala de aula, e que a mesma deve exceder e muito aos textos do livro didático, frente a infinidade de gêneros existentes do cotidiano da sociedade Letrada.

Umas das justificativas apontadas por alguns professores e escolas para se privilegiar o ensino da gramática em detrimento de outros aspectos mais importantes como a leitura, por exemplo, são os concursos e vestibulares que em muitos casos ainda privilegiam o conhecimento de regras e normas da gramática tradicional. Entretanto, o objetivo maior da escola, como diz Antunes (2007, p.148) não são os concursos e vestibulares, mas "a vida, em toda sua abrangência social e política, pulsando em cada sujeito, é que é o alvo da escola." Sendo assim ao se propor a dar aulas de Língua Portuguesa aqueles que se habilitam para tal devem ter em mente a importância de, desde as primeiras séries, se trabalhar de maneira objetiva e coesa a fim de desenvolver não só o hábito de leitura nos alunos, mas de capacitá-los para a vida fora da escola que requererá deles uma grande proficiência em leitura.

 

 

 

 

Referências

 

ANTUNES, Irandé. Muito Além da gramática. Por um ensino de línguas sem pedras no caminho. São Paulo. Parábola. 2007.

 

BAGNO, Marcos et alii. Língua Materna, letramento, variação e ensino. São Paulo. Parábola. 2007.

 

BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa /Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, 1997. Disponível em:

< http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro02.pdf >Brasília:144p. acesso em: 09/09/2009.

 

KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura. Campinas, SP: Pontes, 1993.

 

KLEIMAN, Ângela. TEXTO E LEITOR: Aspectos cognitivos da leitura. Campinas, SP: Pontes, 2000

LEFFA. Vilson. Aspectos da leitura. Porto Alegre: Sangra – Luzzatto, 1996.

PENNAC, Daniel. Como um romance. Trad. Leny Werneck. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

 

POSSENTI,Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas/São Paulo: ALB, Mercado de Letras, 1996.

 

SCHENEUWLY, B; DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Trad. e org. Roxane Rojo e Gláis Sales Cordeiro. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2004.

 

SOLÉ, Isabel. Estratégias de Leitura. Trad. Cláudia Schilling. 6 ed. Porto Alegre: ArtMed, 1998.

 

SOUZA, Márcia Patrícia Barboza de. A Leitura que Transforma. Acessível em: < http://www.profala.com/arteducesp139.htm>. Acesso em: 12/10/2009.

 

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/linguas-artigos/o-desafio-da-leitura-nas-series-iniciais-1916438.html

    Palavras-chave do artigo:

    palavras chave ensino

    ,

    leitura

    ,

    ensino fundamental

    Comentar sobre o artigo

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    Léa Silva Porto 18/01/2011
    Adorei os artigos sobre leitura crítica, eles ajudam professores a compreenderem que as práticas que ensinam leitura devem ser mudadas, para que seja formado o leitor crítico e transformador de uma sociedade cheia de contrastes e injustiças sociais.
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