O preconceito e o racismo

28/12/2011 • Por • 2,224 Acessos

O PRECONCEITO E O RACISMO

         

Beatriz Piran

Cristiane Vasconcelos

Juraci Santana Silva

Sirleide Carvalho Rosa

Verônica de Cássia da Silva

Cuiabá - MT

Dez-2011

Escola Estadual de 1º e 2º Graus "Leovegildo de Melo"

   

O PRECONCEITO E O RACISMO

  

         

                                                                                              Artigo   apresentado    à     coordenação                              

                                                                          Da  Escola   Estadual  Leovegildo    de

Melo pelos professores: Beatriz Piran, Cristiane Vasconcelos, Juraci Santana Silva, Sirleide Carvalho Rosa e Verônica de Cássia Silva.    

                                                                                           

                                               

Cuiabá-MT

Dez-2011

O PRECONCEITO E O RACISMO

Beatriz Piran, Cristiane Vasconcelos,Juraci Santana Silva, Sirleide Carvalho Rosa e Verônica Cássia Silva Professores na Escola Estadual Leovegildo de Melo.

Resumo:

        Este artigo tem por objetivo em apresentar um projeto sobre o racismo e o preconceito racial, os quais levam à discriminação, à marginalização e à violência. Uma vez que é baseado unicamente nas aparências e na empatia. Em nossa sociedade o preconceito é desenvolvido a partir da busca, por parte das pessoas preconceituosas, em tentar localizar naquelas vítimas do preconceito o que lhes "faltam" para serem semelhantes à grande maioria.

       O preconceito racial é caracterizado pela convicção da existência de indivíduos com características físicas hereditárias, determinados traços de caráter e inteligência e manifestações culturais superiores a outros pertencentes a etnias diferentes. O preconceito racial, ou racismo, é uma violação aos direitos humanos, visto que fora utilizado para justificar a escravidão e o domínio de alguns povos sobre outros e as atrocidades que aconteceram ao longo da história
 

Palavras Chaves: PRECONCEITO, RACISMO E A DISCRIMINAÇÃO.

I - APRESENTAÇÃO

       Este projeto foi realizado na Escola Estadual de 1º e 2º graus "Leovegildo de Melo", com duração de uma semana envolvendo as cinco turmas do 8ª ano e as 5 turmas do 9º ano do ensino fundamental no período vespertino, ele contém um conjunto de atividades que ofereceram aos alunos a oportunidade de construírem seus textos de forma criativa, que permitiram verificar a aprendizagem de ortografia, coerência e coesão e a concordância verbal. Expressando seus sentimentos, suas experiências, identificando e analisando criticamente as diferenças de cor, raça e ideologias, produzindo e interpretando textos através de pesquisas, leituras e interpretação de gráficos.

        Aprenderam a interpretar gráficos e a trabalharem em grupo ao confeccionar os cartazes e as suas dissertações foram elaboradas através de diálogos e trocas de experiências.

       O trabalho foi exposto em um mural da escola para a socialização e também a realização de peças teatrais e desfiles de moda.

II – INTRODUÇÃO

       A pesquisa é um procedimento de pesquisa que prevê o aluno como elemento que faz parte da situação em estudo: o racismo e a indiscriminação contra a cor negra e o apartheid.

       O aluno pesquisador não é neutro, nem um mero observador. Suas ações no ambiente e nos efeitos desta ação são também material, relevante para a pesquisa.

       Ela abrange procedimentos com a pesquisa- ação, pesquisa- intervenção e pesquisa participante com essa situação escolar é um processo permanentemente em movimento, este tipo de trabalho permitiu  ao aluno a possibilidade de poder captar as transformações de seus conhecimentos modificando sua maneira de agir e pensar. A partir deste conhecimento ele agirá na sociedade com Ética desenvolvendo o respeito mutuo através do diálogo e da solidariedade. E Também, saberá lidar com a pluralidade cultural e saberá como combater o preconceito, em todas as suas formas, valorizando a produção de conhecimentos e de outras culturas. Foi possível Colocarem em prática de forma consciente respeito ás diferenças foram transmitidos em sala de aula. Este foi o caminho mais curto para superar o racismo e a discriminação, Trabalhamos o espaço e pluralidade, a vida sócio-familiar e comunitária, pluralidade e educação, o ser humano como agente social e produtor de cultura e acima de tudo um cidadão.

III- REFERENCIAL TEÓRICO

Conferência Mundial Contra o Racismo. Julho e Agosto de 2001 - África do Sul. Comissária da ONU para Direitos Humanos aponta desafios

     A Organização das Nações Unidas realizará uma Conferência Mundial contra o racismo, na África do Sul, nos meses de Julho e Agosto de 2001. A conferência contará com a presença de líderes governamentais, organizações internacionais e intergovernamentais, organizações não-governamentais (ONGs), entre outras. A Alta-comissária da ONU para Direitos Humanos está responsável pelo planejamento do evento, contando com a ajuda de uma Comissão de Preparação.

         Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda, é a Alta-comissária da ONU para Direitos Humanos. No dia primeiro de maio, ela conversou com membros da Comissão Preparatória, em Genebra, a respeito de suas metas e perspectivas para a Conferência Mundial.

A seguir, excertos de suas observações:

         Esta Conferência Mundial tem potencial para estar entre os mais significativos encontros do início deste século. Pode ser mais: A conferência pode dar forma e simbolizar o espírito do novo século, baseada na mútua convicção de que nós todos somos membros de uma família humana. O desafio está em fazer desta Conferência um marco na guerra para erradicar todas as formas de racismo. As persistentes desigualdades, no que diz respeito aos direitos humanos mais básicos, não são apenas erradas em si, são também a principal causa de revoltas e conflitos sociais. Pesquisas de opinião em vários países mostram que temas ligados à discriminação racial, xenofobia e outras formas de intolerância predominam entre as preocupações públicas hoje. Há uma grande responsabilidade moral de todos os participantes em fazer com que esta Conferência tenha êxito. Depende apenas de todos nós assegurar que tiraremos proveito desta oportunidade e que produziremos um resultado prático, com uma ação orientada, que responda a estas preocupações. Nós devemos isto especialmente às gerações mais jovens, que correm o risco de crescer num mundo cuja população aumenta num ritmo sem precedentes.

Combater o Racismo como Prevenção

        Eu enfatizo mais particularmente o papel que o combate ao racismo pode ter na prevenção de conflitos, reduzindo tensões raciais e étnicas e apontando para o respeito pelas diferenças. A prevenção foi o tema do meu relatório para a 56ª sessão da Comissão de Direitos Humanos. Eu dispensei uma atenção especial à prevenção porque sinto que a importância de se desenvolver estratégias preventivas não foi ainda completamente compreendida pelos governos.

         Quanto mais se observam as situações de conflitos, mais possível se torna compreender que, em primeiro lugar, as oportunidades cruciais para evitar que conflitos ocorram continuam sendo desperdiçadas e, em segundo lugar, os fracassos na prevenção de conflitos acarretam imensos custos. Ainda assim, a tendência de reagir ao invés de antecipar – ainda que em face das poderosas evidências dos riscos em se retardar uma ação – continua apresentando resultados óbvios o bastante para não serem notados.

         Ao confrontar o racismo e a xenofobia, nós estaremos combatendo as forças que constituem a base de quase todos os conflitos. Eu peço aos ativistas que mantenham o foco nas vantagens preventivas da luta contra o racismo e a xenofobia, durante a preparação e a realização da Conferência Mundial.

O Racismo no mundo moderno

        Se nossa intenção é ter uma Conferência produtiva, nós devemos acima de tudo entender e acreditar completamente na natureza e extensão do racismo no mundo moderno. Eu creio que para a Conferência Mundial ser relevante, ela deve apontar para a natureza mutante do racismo e suas causas, além de confrontar as complexas formas de intolerância e preconceito que existem no mundo contemporâneo.

       O foco principal das duas últimas Conferências Mundiais da ONU contra o Racismo foi a luta contra o apartheid. Um esforço que teve praticamente uma adesão universal. Mesmo com o êxito alcançado na extinção do apartheid, tornou-se ainda mais aparente o fato de que o racismo, a discriminação, a xenofobia e o preconceito são fenômenos mundiais, mais enraizados e perniciosos do que se supunha. O genocídio em Ruanda e a limpeza étnica na ex-Iugoslávia aproximaram de nós os extremos a que tal intolerância pode conduzir em nosso tempo. A esperança de que as lições do Holocausto eliminariam tais crimes terríveis para sempre não se mostra sequer um pouco próxima de se concretizar.

       O nome desta Conferência Mundial abarca outras formas de racismo e preconceito em nosso mundo moderno, como a xenofobia em todas as suas manifestações; como o anti-semitismo; a negrophobia; a discriminação contra povos indígenas, migrantes, refugiados, outros povos deslocados de suas localidades de origem e as comunidades minoritárias, tais como Roma e Sinti. Há ainda numerosos exemplos de discriminação com base na religião ou status social.

         Um bom começo seria o reconhecimento de que nenhuma sociedade está livre do racismo. A tendência em discriminar contra nossos pares humanos com base em raça ou outras diferenças não está confinada neste ou naquele país ou continente. Como Martin Luther King recomendou:

Temos o desafio de trabalhar em todo o mundo com a imbatível determinação de erradicar os últimos vestígios do racismo, cujas garras brutais não conhecem fronteiras geográficas.

          Em segundo lugar, devemos reconhecer que as existências de leis e de monitoramentos de acordos não são suficientes. A Comissão para Eliminação da Discriminação Racial é o mais antigo tratado da ONU a monitorar os grupos e, junto com os mecanismos estabelecidos pelas Comissões e Sub-Comissão de Direitos Humanos, tem trabalhado longa e arduamente para erradicar o racismo. Apesar disso e, apesar de duas Conferências Mundiais e de três décadas internacionais de combate ao racismo, o problema permanece ainda bastante vivo. As formas mais explícitas de racismo têm sido consideradas crimes, mas a discriminação persiste em múltiplas formas, frequentemente de maneira sutil e sistemática. Na verdade, para julgar a partir de atitudes racistas diante de freqüentes elaborações de medidas contra a discriminação, teríamos que admitir que as ações contra o racismo contabilizadas, na melhor das hipóteses, alcançaram resultados limitados.

         A tarefa que temos diante de nós é elaborar estratégias inovadoras no combate ao racismo.

O apartheid

         O termo apartheid se refere a uma política racial implantada na África do Sul. De acordo com esse regime, a minoria branca, os únicos com direito a voto, detinha todo poder político e econômico no país, enquanto à imensa maioria negra restava a obrigação de obedecer rigorosamente à legislação separatista.

          A política de segregação racial foi oficializada em 1948, com a chegada do Novo Partido Nacional (NNP) ao poder. O apartheid não permitia o acesso dos negros às urnas e os proibia de adquirir terras na maior parte do país, obrigando-os a viver em zonas residenciais segregadas, uma espécie de confinamento geográfico. Casamentos e relações sexuais entre pessoas de diferentes etnias também eram proibidos.

       A oposição a o apartheid teve início de forma mais intensa na década de 1950, quando o Congresso Nacional Africano (CNA), organização negra criada em 1912, lançou uma desobediência civil. Em 1960, a polícia matou 67 negros que participavam de uma manifestação. O Massacre de Sharpeville, como ficou conhecido, provocou protestos em diversas partes do mundo. Como consequência, a CNA foi declarada ilegal e seu líder, Nelson Mandela, foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua.

     "Apartheid (significa "vidas separadas" em africano) era um regime segregacionista que negava aos negros da África do Sul os direitos sociais, econômicos e políticos. Embora a segregação existisse na África do Sul desde o século 17, quando a região foi colonizada por ingleses e holandeses, o termo passou a ser usado legalmente em 1948. No regime do apartheid o governo era controlado pelos brancos de origem européia (holandeses e ingleses), que criavam leis e governavam apenas para os interesses dos brancos. Aos negros eram impostas várias leis, regras e sistemas de controles sociais. Entre as principais leis do apartheid, podemos citar:

- Proibição de casamentos entre brancos e negros - 1949.
- Obrigação de declaração de registro de cor para todos sul-afriacanos (branco, negro ou mestiço) - 1950.
- Proibição de circulação de negros em determinadas áreas das cidades - 1950
- Determinação e criação dos bantustões (bairros só para negros) - 1951
- Proibição de negros no uso de determinadas instalações públicas (bebedouros, banheiros públicos) - 1953
- Criação de um sistema diferenciado de educação para as crianças dos bantustões - 1953
Este sistema vigorou até o ano de 1990, quando o presidente sul-africano tomou várias medidas e colocou fim ao apartheid.  Entre estas medidas estava a libertação de Nelson Mandela, preso desde 1964 por lutar com o regime de segregação. Em 1994, Mandela assumiu a presidência da África do Sul, tornando-se o primeiro presidente negro do país.'

                                          IV– Metodologia

Este trabalho teve como base a pesquisa qualitativa e quantitativa, foram realizados a partir de leituras de gráficos realizados durante as aulas, com os alunos do ensino fundamental, onde foi aplicada com a seguinte pergunta:

-Você acha que, no Brasil, existe preconceito racial?

Através da leitura de gráficos sobre a discriminação, eles desenvolveram um texto dissertativo sobre o tema estudado.

O procedimento de pesquisa prevê o aluno como elemento que faz parte da situação em estudo: O racismo e a indiscriminação contra a cor negra e o apartheid.

Os alunos pesquisaram o que é o apartheid, e a sobre a conferencia internacional contra o racismo. Após as pesquisas eles elaboraram um texto dissertativo sobre o seguinte tema:

Qual é a mensagem que a declaração internacional contra o racismo procura transmitir aos povos?

Pesquisando sobre esses temas os alunos mostraram a participação através de um mural confeccionado por eles. Apresentaram uma peça teatral: Nega Fulô e fizeram um desfile de moda sempre enfatizando a beleza e a nobreza da raça Negra.

              VI- Conclusão

          Este projeto contribuiu para a formação da personalidade dos alunos, à medida que os inseriram positivamente em um grupo de estudo ou de trabalho. Como também aprenderam o significado das coisas que poderiam ser imaginadas por eles.  Criaram  analogias que tornaram produtoras de linguagens, criadoras de convenções, capacitando para serem submetidas a regras e dar explicações que favoreçam a sua integração num mundo social bastante complexo cheio de diferença.

           Por meio deste trabalho procuramos incentivar as exposições de idéias do aluno, partindo do conhecimento que ele já tem sobre o mundo e sobre alguns fenômenos, para progredirem em direção de um saber cientifico sistematizado, o qual devera subsidiar nas tomadas de decisões com relação aos problemas que surgirão diariamente. Para chegarem à consciência critica que é ao mesmo tempo desafiadora e transformadora, são imprescindíveis o dialogo critico, a fala e a consciência aprimorada de fatos que poderão surgir ao longo de sua existência.

       No entanto o que mais nos chamou atenção foi à frase criada pelos alunos do 9º ano que foi a seguinte frase: "Precisamos conviver com as diferenças, mas que diferença? Se por dentro somos todos iguais, chega de preconceito!"

Referências Bibliográficas

*VyGOTSKY, Leontiev, Luria. - Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. SP, Icone, 1988

*Português Linguagem (Willian Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, Alet, Katia `P.G. Sances, Sebastião Andreu)

*Sociedade e Espaço Geografia geral e do Brasil (J. WILLIAM  VESENTINI) Ed. Ática 2005

 * Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR)

Plano Nacional da Igualdade Racial (PLANAPIR)

*Internet. (Construir Noticia- 20/09/2010)

Perfil do Autor

Marta Nunes e Sirleide Carvalho

Beatriz Piran, Cristiane Vasconcelos,Juraci Santana Silva, Sirleide Carvalho Rosa e Verônica Cássia Silva Professores na Escola Estadual Leovegildo de Melo.