Os níveis de análise da linguagem

Publicado em: 07/11/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 1,475 |

 

Os níveis de análise da linguagem

 

Segundo Émile Benveniste, a linguística reconheceu que a linguagem devia ser descrita como uma estrutura formal. Seu objeto não devia ser separável do método que o define e seria necessário utilizar os mesmos conceitos e critérios para descrever fenômenos estudados.

Benveniste estudou, no domínio da língua, a noção de nível, que nos permitirá reconhecer a arquitetura singular das partes e do todo. Os elementos são delimitados através das relações que os unem. O procedimento da análise consiste em duas operações: segmentação e substituição.

Um texto é segmentado até seus elementos não decomponíveis, que são submetidos a substituições, quando assim o admitem. O método de distribuição, através da relação sintagmática e paradigmática, define cada elemento pelo conjunto do meio em que se apresenta.

Segmentação e substituição diferem-se e não têm o mesmo alcance. A substituição pode operar sobre elementos não segmentáveis. A analise identificou, como unidade de fonema, os traços distintivos (merismas) que já não são segmentáveis, porém substituíveis, por isso não constituem classe sintagmática, apenas paradigmática. Assim compreende-se o nível fonemático e hipofonemático (merismático), os dois níveis inferiores da análise.

Encontraremos a condição lingüística das relações acima quando os aplicarmos em texto visando buscar o nível superior da unidade. É necessário compreender que o sentido é condição fundamental às unidades de todos os níveis e à analise lingüística. Além disso, é imprescindível saber que uma unidade lingüística só é percebida como tal se puder identificar-se em uma unidade mais alta.

Do fonema o autor passa ao nível da palavra (signo) que, segundo ele, decompõe-se em unidades fonemáticas, mesmo quando aquela é monofonemática. A unidade superior da palavra é a frase, que se realiza em palavras mas estas não são apenas seus segmentos. A palavra é um elemento sintagmático e as relações paradigmáticas não importam tanto quanto se trata de uma palavra em função da frase, e ai temos as palavras autônomas e sin-nomas.

Quando há mudança da palavra à frase, as unidades se articulam segundo seus níveis, mantendo duas espécies de relação: distribucionais (elementos do mesmo nível) e integrativas (elemento de nível diferente).

Ao se decompor uma unidade, obtêm-se segmentos formais. Essa unidade só será reconhecida como constitutiva uma vez que integra de nível superior. A distinção constituinte e integrante funciona entre dois limites. O limite superior é a frase, o inferior é o merisma. A frase só se define pelo seus constituintes, enquanto o merisma, por ser integrante. Entre os dois há os signos, que contêm constituintes e funcionam como integrantes.

A função da distinção entre constituinte e integrante é fundamental, pois governa a relação FORMA e SENTIDO, que devem definir-se um pelo outro e articular-se juntos na extensão da língua.

É necessário analisar os constituintes de uma unidade visando saber se esta tem função integrante do nível superior, ou não. A análise vai ao encontro da forma (capacidade de dissociar-se em constituintes de nível inferior) e do sentido (capacidade de integrar uma unidade de nível superior).

Baseando-se em Benveniste, podemos afirmar que, na língua, a existência do sentido quer dizer que o signo tem função proposicional. Possuir um sentido quer dizer constituir unidade distintiva delimitada por outra unidade, fato inerente ao sistema lingüístico. Todo enunciado possui um referendum, cuja descrição é uma tarefa distintiva, que delimita a noção do "sentido" e o difere da "designação". Ambos são encontrados no nível da frase.

A frase é o último nível da análise, com o qual entraremos em um novo domínio. A frase pode ser segmentada, mas não pode ser empregada para integrar, pelo caráter, inerente à frase, de ser um predicado. O sujeito não é importante posto que o termo predicativo da preposição basta-se a si mesmo.

A frase distingue-se das outras entidades lingüísticas. É composta de signos, mas ela mesma é um signo. A frase tem como propriedade fundamental o predicado. Os tipos de frase se reduzem a um, a proposição predicativa, que é situada ao nível categoremático, não constitui unidade distintiva e não integra ordem mais elevada.

Benveniste concluiu que a frase é a unidade completa (que tem sentido e referência) do discurso e é a manifestação da língua como instrumento de comunicação. Há três modalidades de frases: proposições assertivas, interrogativas e imperativas que são funções interumanas que refletem intenções do locutor.

O que se torna impressionante ao locutor é a infinitude de conteúdos transmitidos e os poucos elementos empregados para isso, na linguagem. Percebe-se que o signo é a unidade mínima da frase que pode ser idêntica num meio diferente, ou ser substituída por unidade diferente num meio idêntico.

A partir dos estudos de Émile Benveniste, podemos concluir que os níveis da análise partem dos elementos mínimos (merismas e fonemas) para o ultimo, conferindo-lhes funções e denominando-lhes como constitutivos, integrantes, etc. Pudemos entender, também, claramente, a importância do sentido nos diferentes níveis da análise e na lingüística, em geral.

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 2 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/linguas-artigos/os-niveis-de-analise-da-linguagem-3623859.html

    Palavras-chave do artigo:

    benveniste

    ,

    linguistica

    ,

    linguagem

    Comentar sobre o artigo

    ADILSON MOTTA

    Percebe-se a inerência entre linguagem e sociedade de modo inquestionável. A história da humanidade é a história de seres organizados em sociedades e detentores de um sistema de comunicação oral, ou seja, de uma língua. A sociolinguística, que se ocupa especificamente das relações entre linguagem e sociedade, define como inquestionável esse binômio sociedade/língua.

    Por: ADILSON MOTTAl Educaçãol 02/11/2012 lAcessos: 148

    É de grande relevância dizer que o descobrimento da linguagem surge a partir do nascimento, no decorrer da sua vida, no processo evolutivo, onde a linguagem é efetivada nos fatores da fala pelo indivíduo na sociedade. Como base da linguagem verbal e dos sinais o ser humano tem a capacidade de comunicar-se no meio social pautada nas diversidades linguísticas.

    Por: eva maria da costa cardosol Educação> Línguasl 10/06/2010 lAcessos: 938

    Este ensaio acadêmico tem por objetivo elucidar em breve síntese as principais características das três correntes da Linguística, a saber: o gerativismo, o funcionalismo e o estruturalismo, com o intuito de observar as peculiaridades de cada corrente e a evolução histórica e teórica da lingüística moderna. Serão abordadas as diferentes visões de linguagem pelas três correntes.

    Por: Alice Dantasl Educação> Ensino Superiorl 14/11/2010 lAcessos: 16,803 lComentário: 2

    Resumo Neste Artigo, tenho como objeto de estudo,a linguagem,a lingua e suas variações,a gramática e a pragmática,que são temas,e objetos,que utilizamos diariamente,fazendo se concluir que é importante falar bem e escrever. Ressaltarei, que é importante a cultura, as raízes da sociedade, e que devemos aceitar, e compreender toda a realidade em que cada um esta inserido. È importante falar e escrever bem sempre, mas há casos que são mais formais,outros mais informais,tudo dependera,do tempo,espaç

    Por: Adimaylil Educação> Línguasl 18/09/2012 lAcessos: 499

    A atual situação em que se encontra a educação no país revela a ineficiência claramente constatada em relação à formação de leitores e escritores efetivos, capazes de compreender não apenas os enunciados escritos, mas também outros de natureza não-verbal. Nesta perspectiva, tona-se necessário que a escola promova ações capazes de colaborar para a redução deste problema. Com efeito, o Projeto Viva Linguagem! torna-se relevante quando se pensa que os indivíduos necessitam cada vez mais, utilizar

    Por: RENATO PEREIRA AURÉLIOl Educação> Línguasl 18/05/2011 lAcessos: 376
    Rita de Cássia Santos Almeida

    Este artigo trata de questões relativas à constituição do homem como ser social, a necessidade e a importância da comunicação nas relações sociais, bem como o papel da linguagem nessa circunstância. Desperta para a forma de se expressar, uma vez que a palavra, por carregar um conteúdo ideológico, em determinadas situações envolve não só o racional, mas principalmente o emocional. Assim, enfatiza a dimensão axiológica, em especial, na relaçãoprofessor-aluno em sala de aula.

    Por: Rita de Cássia Santos Almeidal Educação> Ensino Superiorl 16/03/2012 lAcessos: 132
    Paulo Cesar Cabral Correia

    RESUMO A prática para incentivar o hábito da leitura e a formação de leitores, é um processo que ainda visualizamos como um sonho muito distante, quase uma utopia, pois as pedras no meio do caminho que nos dificultam a chegada do sucesso na formação de leitores com capacidade de interpretar um texto e ir além da mera decodificação das palavras sem nexo e descontextualizadas é árduo, mas não impossível.

    Por: Paulo Cesar Cabral Correial Educação> Línguasl 16/05/2010 lAcessos: 4,751
    Curso de Idioma

    O que tem aprender um novo idioma a ver com sexo e chocolate? Segundo pesquisas, muita coisa! Todas são atividades que ativam o sistema de recompensa do cérebro.

    Por: Curso de Idiomal Educação> Línguasl 17/11/2014

    O processo de desenvolvimento ensino- aprendizagem é contínuo. Para tanto, precisamos ver a criança como um ser ativo na construção de seu conhecimento, que aprende a partir de ações, reflexões, interações com adultos, outras crianças e o ambiente em que está inserido. É por acreditarmos que através da leitura e escrita, que formamos homens de bem, cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, assim desenvolveremos este projeto a fim de propiciar a criança as superações de suas dificuldades.

    Por: Luciane do Pradol Educação> Línguasl 15/11/2014

    A leitura e a escrita são fundamentos básicos para a formação de estudantes em fase inicial. O lúdico tem o poder de fazer com que a criança transponha barreiras de dificuldades que para eles inibe a sua criatividade, tanto em escrever quanto em expor em forma desenhos, pintura ou exposições orais. Portanto, o projeto visa em trabalhar o imaginário para que assim a criança possa interagir através da escrita espontânea, uma vez que o aluno precisa se sentir e ser o sujeito de suas próprias ações

    Por: Luciane do Pradol Educação> Línguasl 15/11/2014

    A leitura e a escrita são hoje um dos maiores desafios das escolas, visto que quando estimulada de forma criativa, possibilita a redescoberta e o prazer de ler, a utilização da escrita e a inserção do aluno no mundo letrado. Pensando nesse contexto, o projeto torna-se necessário e viável, pois pretende fomentar a leitura, interpretação e a escrita por meio da contação de história. Durante o desenvolvimento do projeto procuramos incentivar os alunos empréstimo de livros uma vez na semana.

    Por: Isaura do Prado Almeidal Educação> Línguasl 13/11/2014 lAcessos: 11

    Este trabalho teve como objetivo pesquisar a prática pedagógica de professores da Educação Infantil acerca do uso da linguagem oral. Para a coleta de dados foram utilizados a observação e a entrevista. Quatro professoras que atuam na Educação Infantil participaram deste estudo. Os principais autores estudados foram: PCN' s (1997), Barbosa (1994), Cagliari (1990), RCNEI (1998), Ferreiro (1985).

    Por: Luciane do Pradol Educação> Línguasl 09/11/2014 lAcessos: 11

    O inglês é um idioma utilizado amplamente em todo o mundo, dito por isso como um idioma internacional. Isso foi determinado em um acordo para simplificar a comunicação entre os países sendo escolhido o inglês devido a quantidade de países que possuem falantes desta língua.

    Por: mattos andrecl Educação> Línguasl 06/11/2014

    Muitas vezes há dificuldade no aprendizado do inglês pelo fato de ser uma língua muito diferente da nossa. Isso deve-se ao fato da origem da língua inglesa ter uma origem diferente do latim.

    Por: mattos andrecl Educação> Línguasl 06/11/2014

    Você quer aprender espanhol, mas não sabe como. Abre o Google e nos resultados de pesquisa aparecem dezenas de anúncios de escolas de espanhol diferentes. Qual delas escolher? Fazer um curso de espanhol presencial ou estudar espanhol online? Atualmente se fala sempre mais sobre as escolas de idiomas online, mas será que vale mesmo a pena aprender desta maneira?

    Por: MariaSl Educação> Línguasl 27/10/2014
    Lucimar Hammes

    A observação escolar é de suma importância para saber quais são os métodos avaliativos mais adequados e eficazes para que no futuro, como docentes, possamos aprimorá-los e aplicá-los de uma forma verdadeiramente significativa. Tudo isso, tendo como base os Sete Saberes Necessários a Educação do Futuro de Edgar Morin.

    Por: Lucimar Hammesl Educação> Línguasl 09/11/2010 lAcessos: 541
    Lucimar Hammes

    O conceito de dialogismo surgiu através da obra do teórico russo Mikhail Bakhtin, o qual examina o dialogismo em diferentes ângulos e estuda detidamente as suas manifestações. Para Bakhtin, a língua em sua totalidade, no seu uso real, tem a propriedade de ser dialógica. Todos os enunciados no processo de comunicação são dialógicos.Neles existe uma dialogização interna da palavra, que é repassada pela palavra do outro, ou seja, todo enunciador para constituir um discurso,leva em conta o discurso.

    Por: Lucimar Hammesl Educação> Línguasl 09/11/2010 lAcessos: 2,912
    Lucimar Hammes

    O presente artigo tem como principal objetivo analisar e repensar a prática escolar à luz da teoria dos "sete saberes", de Edgar Morin, detendo-se na incerteza. Para isso, falaremos um pouco de cada saber e, em seguida, nos aprofundaremos no aspecto da incerteza, já o situando com a sala de aula. Morin afirma que os setes saberes são "buracos negros" que descobriu na educação após uma análise profunda e generalizada desta.

    Por: Lucimar Hammesl Educação> Línguasl 07/11/2010 lAcessos: 490
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast