Os níveis de análise da linguagem

07/11/2010 • Por • 1,646 Acessos

 

Os níveis de análise da linguagem

 

Segundo Émile Benveniste, a linguística reconheceu que a linguagem devia ser descrita como uma estrutura formal. Seu objeto não devia ser separável do método que o define e seria necessário utilizar os mesmos conceitos e critérios para descrever fenômenos estudados.

Benveniste estudou, no domínio da língua, a noção de nível, que nos permitirá reconhecer a arquitetura singular das partes e do todo. Os elementos são delimitados através das relações que os unem. O procedimento da análise consiste em duas operações: segmentação e substituição.

Um texto é segmentado até seus elementos não decomponíveis, que são submetidos a substituições, quando assim o admitem. O método de distribuição, através da relação sintagmática e paradigmática, define cada elemento pelo conjunto do meio em que se apresenta.

Segmentação e substituição diferem-se e não têm o mesmo alcance. A substituição pode operar sobre elementos não segmentáveis. A analise identificou, como unidade de fonema, os traços distintivos (merismas) que já não são segmentáveis, porém substituíveis, por isso não constituem classe sintagmática, apenas paradigmática. Assim compreende-se o nível fonemático e hipofonemático (merismático), os dois níveis inferiores da análise.

Encontraremos a condição lingüística das relações acima quando os aplicarmos em texto visando buscar o nível superior da unidade. É necessário compreender que o sentido é condição fundamental às unidades de todos os níveis e à analise lingüística. Além disso, é imprescindível saber que uma unidade lingüística só é percebida como tal se puder identificar-se em uma unidade mais alta.

Do fonema o autor passa ao nível da palavra (signo) que, segundo ele, decompõe-se em unidades fonemáticas, mesmo quando aquela é monofonemática. A unidade superior da palavra é a frase, que se realiza em palavras mas estas não são apenas seus segmentos. A palavra é um elemento sintagmático e as relações paradigmáticas não importam tanto quanto se trata de uma palavra em função da frase, e ai temos as palavras autônomas e sin-nomas.

Quando há mudança da palavra à frase, as unidades se articulam segundo seus níveis, mantendo duas espécies de relação: distribucionais (elementos do mesmo nível) e integrativas (elemento de nível diferente).

Ao se decompor uma unidade, obtêm-se segmentos formais. Essa unidade só será reconhecida como constitutiva uma vez que integra de nível superior. A distinção constituinte e integrante funciona entre dois limites. O limite superior é a frase, o inferior é o merisma. A frase só se define pelo seus constituintes, enquanto o merisma, por ser integrante. Entre os dois há os signos, que contêm constituintes e funcionam como integrantes.

A função da distinção entre constituinte e integrante é fundamental, pois governa a relação FORMA e SENTIDO, que devem definir-se um pelo outro e articular-se juntos na extensão da língua.

É necessário analisar os constituintes de uma unidade visando saber se esta tem função integrante do nível superior, ou não. A análise vai ao encontro da forma (capacidade de dissociar-se em constituintes de nível inferior) e do sentido (capacidade de integrar uma unidade de nível superior).

Baseando-se em Benveniste, podemos afirmar que, na língua, a existência do sentido quer dizer que o signo tem função proposicional. Possuir um sentido quer dizer constituir unidade distintiva delimitada por outra unidade, fato inerente ao sistema lingüístico. Todo enunciado possui um referendum, cuja descrição é uma tarefa distintiva, que delimita a noção do "sentido" e o difere da "designação". Ambos são encontrados no nível da frase.

A frase é o último nível da análise, com o qual entraremos em um novo domínio. A frase pode ser segmentada, mas não pode ser empregada para integrar, pelo caráter, inerente à frase, de ser um predicado. O sujeito não é importante posto que o termo predicativo da preposição basta-se a si mesmo.

A frase distingue-se das outras entidades lingüísticas. É composta de signos, mas ela mesma é um signo. A frase tem como propriedade fundamental o predicado. Os tipos de frase se reduzem a um, a proposição predicativa, que é situada ao nível categoremático, não constitui unidade distintiva e não integra ordem mais elevada.

Benveniste concluiu que a frase é a unidade completa (que tem sentido e referência) do discurso e é a manifestação da língua como instrumento de comunicação. Há três modalidades de frases: proposições assertivas, interrogativas e imperativas que são funções interumanas que refletem intenções do locutor.

O que se torna impressionante ao locutor é a infinitude de conteúdos transmitidos e os poucos elementos empregados para isso, na linguagem. Percebe-se que o signo é a unidade mínima da frase que pode ser idêntica num meio diferente, ou ser substituída por unidade diferente num meio idêntico.

A partir dos estudos de Émile Benveniste, podemos concluir que os níveis da análise partem dos elementos mínimos (merismas e fonemas) para o ultimo, conferindo-lhes funções e denominando-lhes como constitutivos, integrantes, etc. Pudemos entender, também, claramente, a importância do sentido nos diferentes níveis da análise e na lingüística, em geral.

Perfil do Autor

Lucimar Hammes

Acadêmica do Curso de Letras