Os níveis de análise da linguagem

Publicado em: 07/11/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 1,494 |

 

Os níveis de análise da linguagem

 

Segundo Émile Benveniste, a linguística reconheceu que a linguagem devia ser descrita como uma estrutura formal. Seu objeto não devia ser separável do método que o define e seria necessário utilizar os mesmos conceitos e critérios para descrever fenômenos estudados.

Benveniste estudou, no domínio da língua, a noção de nível, que nos permitirá reconhecer a arquitetura singular das partes e do todo. Os elementos são delimitados através das relações que os unem. O procedimento da análise consiste em duas operações: segmentação e substituição.

Um texto é segmentado até seus elementos não decomponíveis, que são submetidos a substituições, quando assim o admitem. O método de distribuição, através da relação sintagmática e paradigmática, define cada elemento pelo conjunto do meio em que se apresenta.

Segmentação e substituição diferem-se e não têm o mesmo alcance. A substituição pode operar sobre elementos não segmentáveis. A analise identificou, como unidade de fonema, os traços distintivos (merismas) que já não são segmentáveis, porém substituíveis, por isso não constituem classe sintagmática, apenas paradigmática. Assim compreende-se o nível fonemático e hipofonemático (merismático), os dois níveis inferiores da análise.

Encontraremos a condição lingüística das relações acima quando os aplicarmos em texto visando buscar o nível superior da unidade. É necessário compreender que o sentido é condição fundamental às unidades de todos os níveis e à analise lingüística. Além disso, é imprescindível saber que uma unidade lingüística só é percebida como tal se puder identificar-se em uma unidade mais alta.

Do fonema o autor passa ao nível da palavra (signo) que, segundo ele, decompõe-se em unidades fonemáticas, mesmo quando aquela é monofonemática. A unidade superior da palavra é a frase, que se realiza em palavras mas estas não são apenas seus segmentos. A palavra é um elemento sintagmático e as relações paradigmáticas não importam tanto quanto se trata de uma palavra em função da frase, e ai temos as palavras autônomas e sin-nomas.

Quando há mudança da palavra à frase, as unidades se articulam segundo seus níveis, mantendo duas espécies de relação: distribucionais (elementos do mesmo nível) e integrativas (elemento de nível diferente).

Ao se decompor uma unidade, obtêm-se segmentos formais. Essa unidade só será reconhecida como constitutiva uma vez que integra de nível superior. A distinção constituinte e integrante funciona entre dois limites. O limite superior é a frase, o inferior é o merisma. A frase só se define pelo seus constituintes, enquanto o merisma, por ser integrante. Entre os dois há os signos, que contêm constituintes e funcionam como integrantes.

A função da distinção entre constituinte e integrante é fundamental, pois governa a relação FORMA e SENTIDO, que devem definir-se um pelo outro e articular-se juntos na extensão da língua.

É necessário analisar os constituintes de uma unidade visando saber se esta tem função integrante do nível superior, ou não. A análise vai ao encontro da forma (capacidade de dissociar-se em constituintes de nível inferior) e do sentido (capacidade de integrar uma unidade de nível superior).

Baseando-se em Benveniste, podemos afirmar que, na língua, a existência do sentido quer dizer que o signo tem função proposicional. Possuir um sentido quer dizer constituir unidade distintiva delimitada por outra unidade, fato inerente ao sistema lingüístico. Todo enunciado possui um referendum, cuja descrição é uma tarefa distintiva, que delimita a noção do "sentido" e o difere da "designação". Ambos são encontrados no nível da frase.

A frase é o último nível da análise, com o qual entraremos em um novo domínio. A frase pode ser segmentada, mas não pode ser empregada para integrar, pelo caráter, inerente à frase, de ser um predicado. O sujeito não é importante posto que o termo predicativo da preposição basta-se a si mesmo.

A frase distingue-se das outras entidades lingüísticas. É composta de signos, mas ela mesma é um signo. A frase tem como propriedade fundamental o predicado. Os tipos de frase se reduzem a um, a proposição predicativa, que é situada ao nível categoremático, não constitui unidade distintiva e não integra ordem mais elevada.

Benveniste concluiu que a frase é a unidade completa (que tem sentido e referência) do discurso e é a manifestação da língua como instrumento de comunicação. Há três modalidades de frases: proposições assertivas, interrogativas e imperativas que são funções interumanas que refletem intenções do locutor.

O que se torna impressionante ao locutor é a infinitude de conteúdos transmitidos e os poucos elementos empregados para isso, na linguagem. Percebe-se que o signo é a unidade mínima da frase que pode ser idêntica num meio diferente, ou ser substituída por unidade diferente num meio idêntico.

A partir dos estudos de Émile Benveniste, podemos concluir que os níveis da análise partem dos elementos mínimos (merismas e fonemas) para o ultimo, conferindo-lhes funções e denominando-lhes como constitutivos, integrantes, etc. Pudemos entender, também, claramente, a importância do sentido nos diferentes níveis da análise e na lingüística, em geral.

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 2 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/linguas-artigos/os-niveis-de-analise-da-linguagem-3623859.html

    Palavras-chave do artigo:

    benveniste

    ,

    linguistica

    ,

    linguagem

    Comentar sobre o artigo

    ADILSON MOTTA

    Percebe-se a inerência entre linguagem e sociedade de modo inquestionável. A história da humanidade é a história de seres organizados em sociedades e detentores de um sistema de comunicação oral, ou seja, de uma língua. A sociolinguística, que se ocupa especificamente das relações entre linguagem e sociedade, define como inquestionável esse binômio sociedade/língua.

    Por: ADILSON MOTTAl Educaçãol 02/11/2012 lAcessos: 155

    É de grande relevância dizer que o descobrimento da linguagem surge a partir do nascimento, no decorrer da sua vida, no processo evolutivo, onde a linguagem é efetivada nos fatores da fala pelo indivíduo na sociedade. Como base da linguagem verbal e dos sinais o ser humano tem a capacidade de comunicar-se no meio social pautada nas diversidades linguísticas.

    Por: eva maria da costa cardosol Educação> Línguasl 10/06/2010 lAcessos: 943

    Este ensaio acadêmico tem por objetivo elucidar em breve síntese as principais características das três correntes da Linguística, a saber: o gerativismo, o funcionalismo e o estruturalismo, com o intuito de observar as peculiaridades de cada corrente e a evolução histórica e teórica da lingüística moderna. Serão abordadas as diferentes visões de linguagem pelas três correntes.

    Por: Alice Dantasl Educação> Ensino Superiorl 14/11/2010 lAcessos: 17,044 lComentário: 2

    Resumo Neste Artigo, tenho como objeto de estudo,a linguagem,a lingua e suas variações,a gramática e a pragmática,que são temas,e objetos,que utilizamos diariamente,fazendo se concluir que é importante falar bem e escrever. Ressaltarei, que é importante a cultura, as raízes da sociedade, e que devemos aceitar, e compreender toda a realidade em que cada um esta inserido. È importante falar e escrever bem sempre, mas há casos que são mais formais,outros mais informais,tudo dependera,do tempo,espaç

    Por: Adimaylil Educação> Línguasl 18/09/2012 lAcessos: 506

    A atual situação em que se encontra a educação no país revela a ineficiência claramente constatada em relação à formação de leitores e escritores efetivos, capazes de compreender não apenas os enunciados escritos, mas também outros de natureza não-verbal. Nesta perspectiva, tona-se necessário que a escola promova ações capazes de colaborar para a redução deste problema. Com efeito, o Projeto Viva Linguagem! torna-se relevante quando se pensa que os indivíduos necessitam cada vez mais, utilizar

    Por: RENATO PEREIRA AURÉLIOl Educação> Línguasl 18/05/2011 lAcessos: 382
    Rita de Cássia Santos Almeida

    Este artigo trata de questões relativas à constituição do homem como ser social, a necessidade e a importância da comunicação nas relações sociais, bem como o papel da linguagem nessa circunstância. Desperta para a forma de se expressar, uma vez que a palavra, por carregar um conteúdo ideológico, em determinadas situações envolve não só o racional, mas principalmente o emocional. Assim, enfatiza a dimensão axiológica, em especial, na relaçãoprofessor-aluno em sala de aula.

    Por: Rita de Cássia Santos Almeidal Educação> Ensino Superiorl 16/03/2012 lAcessos: 138
    Paulo Cesar Cabral Correia

    RESUMO A prática para incentivar o hábito da leitura e a formação de leitores, é um processo que ainda visualizamos como um sonho muito distante, quase uma utopia, pois as pedras no meio do caminho que nos dificultam a chegada do sucesso na formação de leitores com capacidade de interpretar um texto e ir além da mera decodificação das palavras sem nexo e descontextualizadas é árduo, mas não impossível.

    Por: Paulo Cesar Cabral Correial Educação> Línguasl 16/05/2010 lAcessos: 4,783

    O inglês é uma das línguas que possui mais palavras de todos os idiomas. De acordo com a segunda edição do dicionário Oxford English Dictionary, a língua inglesa contém 171 476 palavras atualmente usadas. Apesar do grande número de palavras que possui a língua inglesa, não precisa se desanimar - os linguistas afirmam que para você entender 95% de um texto comum em inglês, precisa conhecer apenas 2500 palavras!

    Por: MariaSl Educação> Línguasl 15/12/2014

    O projeto surgiu da necessidade de encontrarmos uma possível solução para a reutilização de tambores de papelão que seriam descartados no meio ambiente e assim, reduzindo estes materiais e reaproveitando como lixeiras para a nossa escola.

    Por: Sortineide Navarro Segural Educação> Línguasl 04/12/2014

    Este artigo tem o objetivo de enfatizar sobre a importância da linguagem no contexto escolar e também na sociedade, a leitura como princípio de sobrevivência.

    Por: SIMONE BERWIANl Educação> Línguasl 03/12/2014 lAcessos: 11

    Esse artigo estabelece as relações gramaticais com as produções textuais, de que uma depende da outra para ocorrer a comunicação.

    Por: SIMONE BERWIANl Educação> Línguasl 30/11/2014 lAcessos: 11

    Como se sabe, os estudos labovianos procuram explicar uma estreita relação em língua e sociedade por meio de pesquisas sociolinguísticas.

    Por: Pollleyka Fraga dos Santosl Educação> Línguasl 30/11/2014

    Apesar de nenhum estudioso da linguagem desconsiderar a existência da variação linguística, foi Willian Labov que conseguiu criar um método que pudesse lidar com a variação, ou com o então chamado caos linguístico de uma forma científica. Esse ponto é claro para Labov, já que para ele "a língua é um conjunto estruturado de normas sociais" (LABOV, 2008, p. 19). Para Tarallo, foi Labov

    Por: Pollleyka Fraga dos Santosl Educação> Línguasl 30/11/2014

    Todas as línguas oficiais dos países da Europa ocidental, com exceção do basco, provêm, segundo os linguistas, de uma mesma língua de origem, o indo-europeu, da qual fazem parte, entre outras, as ramificações dos grupos helênico (grego), românico (português, italiano, francês, castelhano, etc.), germânico (inglês, alemão) e céltico (irlandês, gaélico).

    Por: Pollleyka Fraga dos Santosl Educação> Línguasl 30/11/2014

    Apesar de a disciplina Sociolinguística existir já há vários anos no curso de Licenciatura Plena em Letras e mesmo nos cursos de Especialização da Universidade do estado de Mato Grosso (UNEMAT), em Alto Araguaia, nos Trabalhos de Conclusão de Curso, ou seja, nas monografias finais, verificam-se poucos trabalhos que versam sobre tal tema.

    Por: Pollleyka Fraga dos Santosl Educação> Línguasl 30/11/2014
    Lucimar Hammes

    A observação escolar é de suma importância para saber quais são os métodos avaliativos mais adequados e eficazes para que no futuro, como docentes, possamos aprimorá-los e aplicá-los de uma forma verdadeiramente significativa. Tudo isso, tendo como base os Sete Saberes Necessários a Educação do Futuro de Edgar Morin.

    Por: Lucimar Hammesl Educação> Línguasl 09/11/2010 lAcessos: 545
    Lucimar Hammes

    O conceito de dialogismo surgiu através da obra do teórico russo Mikhail Bakhtin, o qual examina o dialogismo em diferentes ângulos e estuda detidamente as suas manifestações. Para Bakhtin, a língua em sua totalidade, no seu uso real, tem a propriedade de ser dialógica. Todos os enunciados no processo de comunicação são dialógicos.Neles existe uma dialogização interna da palavra, que é repassada pela palavra do outro, ou seja, todo enunciador para constituir um discurso,leva em conta o discurso.

    Por: Lucimar Hammesl Educação> Línguasl 09/11/2010 lAcessos: 2,957
    Lucimar Hammes

    O presente artigo tem como principal objetivo analisar e repensar a prática escolar à luz da teoria dos "sete saberes", de Edgar Morin, detendo-se na incerteza. Para isso, falaremos um pouco de cada saber e, em seguida, nos aprofundaremos no aspecto da incerteza, já o situando com a sala de aula. Morin afirma que os setes saberes são "buracos negros" que descobriu na educação após uma análise profunda e generalizada desta.

    Por: Lucimar Hammesl Educação> Línguasl 07/11/2010 lAcessos: 496
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast