Os Processos De Referenciação “Catáfora” E “Anáfora” Em Textos De Alunos De Uma Comunidade De Baixa-Renda Da Cidade De Maceió

Publicado em: 22/03/2009 |Comentário: 0 | Acessos: 31,966 |

            

INTRODUÇÃO

            A fim de colaborar nas discussões sobre leitura e produção de textos, assunto que tem gerado diversas pesquisas na área da educação, desenvolvemos um estudo sobre os processos de referenciação "catáfora" e "anáfora" em textos de alunos de uma comunidade de baixa-renda da cidade de Maceió, já que a referenciação, muitas vezes, é um dos grandes problemas de coesão em textos produzidos por aprendizes da escrita. Assim, entendemos que esse estudo visa a contribuir na compreensão dos processos de referenciação tratados, de modo a colaborar nas dificuldades encontradas tanto na produção de textos por esses alunos, quanto aos problemas de ensino e aprendizagem de um maneira geral.

              Decidimos analisar tais processos de referenciação em textos de alunos de uma comunidade de baixa-renda por entendermos que os estudos científicos desenvolvidos devem ter um retorno social, já que esses trabalhos se dão a partir de problemas encontrados na sociedade.

              Como estudos sobre a educação apontam que um maior desenvolvimento das habilidades de ler e escrever freqüentemente relaciona-se aos privilégios também no plano social e que os fracassos escolares geralmente ocorrem com mais freqüência nas instituições públicas do que nas privadas, optamos por usar, como dados para análise, textos de alunos não privilegiados socialmente (ou financeiramente). Utilizamos, ainda, no título do estudo, a denominação "alunos de baixa-renda", já que eles não pertencem a uma série específica, além de marcar a posição que defendemos neste trabalho, preservamos a identidade da comunidade analisada.

              Dessa forma, na perspectiva da Lingüística Textual, baseados principalmente nos estudos de Ingedore Koch (1989, 2003, 2004), desenvolvemos este estudo, que tem como objetivo principal mostrar como os alunos analisados fazem uso dos processos de referenciação catáfora e anáfora na produção de textos narrativos e as conseqüências desse uso para compreensão textual.

1. OPÇÕES METODOLÓGICAS

              Baseados na Lingüística Textual, que tem o texto como unidade de análise, e principalmente nos estudo de Ingedore Koch sobre a coesão referencial, optamos em desenvolver o presente estudo a partir da análise de textos narrativos de alunos de uma comunidade de baixa-renda da cidade de Maceió-AL.

              Os textos que compõem o corpus são narrativas escritas por esses alunos a partir de uma narrativa real trabalhada em sala de aula. Optamos pela utilização, neste trabalho, desse tipo textual, pois acreditamos que há uma maior recorrência dos processos referenciais catáfora e anáfora neste tipo de produção.

              Os dados analisados foram produzidos em uma sala de aula de leitura e produção de textos em uma determinada comunidade de Maceió, na qual é desenvolvido um projeto de formação de leitores e produtores de textos de língua materna e língua estrangeira. O corpus do estudo é constituído por 14 textos narrativos, escritos por jovens e adultos alfabetizados, com uma faixa etária que varia de 15 a 35 anos. A seleção do material analisado realizou-se segundo os objetivos desse estudo, já expostos anteriormente. Vale ressaltar, ainda, que os textos em questão fizeram parte da primeira produção escrita dos alunos neste projeto, o que é relevante considerarmos neste estudo.

              Objetiva-se, então, apresentar discussões sobre os processos de coesão referencial catáfora e anáfora, a partir da análise de textos de alunos de uma comunidade de Maceió, sem pretender apresentar soluções imediatas para os problemas detectados, mas contribuir, como já foi dito, para a compreensão dos processos em questão, o que poderá servir para trabalhos posteriores sobre o tema e as questões que o envolvem.

2. A COESÃO REFERENCIAL

              O conceito de coesão textual diz respeito a todos os processos de seqüencialização que asseguram ou tornam recuperável uma ligação lingüística significativa entre os elementos que ocorrem na superfície do texto (KOCH, 1989: 19).

                Para Koch (op.cit: 31), a coesão referencial é aquela em que um componente da superfície do texto que faz remissão a outro(s) elemento(s) nela presentes ou inferíveis a partir do universo textual. Ao primeiro, a autora denomina forma referencial ou remissiva e, ao segundo, elemento de referência ou referente textual. Porém, segundo Kallmeyer et al. (1974), "a relação de referência ou remissão não se estabelece entre a forma remissiva e o elemento de referência, mas também entre os contextos que envolvem ambos".

                 Dessa forma, ao apresentar tal definição a respeito do denominado "elemento de referência", Koch a apresenta, nesse sentido, de forma muito ampla, uma vez que ela pode ser representada por "um nome, um sintagma, um fragmento de oração, uma oração ou todo um enunciado" (op.cit). Assim, "o referente representado por um nome ou por um sintagma nominal (SN) vai incorporando traços que lhe vão sendo agregados à medida que o texto se desenvolve". Concordando com o pensamento de Blanche - Benveniste (1984), "o referente se constrói no decorrer do texto, modificando-se a cada novo ‘nome'que lhe se dê ou a cada nova ocorrência do mesmo ‘nome', ou seja, o referente é algo que se ‘(re)constrói' textualmente".

               A referenciação é o  processamento do discurso e é realizada por sujeitos ativos. Ademais, é estratégico, ou seja, implica, da parte dos interlocutores, a realização de escolhas significativas entre as múltiplas possibilidades que a língua oferece. Esse processo diz respeito às operações efetuadas pelos sujeitos à medida que o discurso se desenvolve. Dessa forma, o sujeito, na interação, opera sobre o material lingüístico que tem à sua disposição, operando escolhas significativas para representar estados de coisas, com vistas à concretização do seu projeto de dizer (KOCH, 2003). Isto é, os processos de referenciação são escolhas do sujeito em função de um querer-dizer.

            Estão envolvidas, enquanto operações básicas, as seguintes estratégias de referenciação, segundo Koch (2004): 

1. Ativação: pela qual um "objeto" textual até então não mencionado é introduzido, passando a preencher um nódulo ("endereço" cognitivo, locação) na rede conceptual do texto.

2. Reativação: um nódulo já introduzido é novamente ativado na memória de curto termo, por meio de uma forma referencial, de modo que o nódulo continua em foco.

3. De-ativação: ativação de um novo nódulo, deslocando-se a atenção para um outro referente textual e desativando-se, assim, o referente que estava em foco anteriormente.

            Os referentes modificam-se ao longo do texto. Para manter o controle sobre o que foi dito a respeito deles, é usado constantemente termos/expressões que retomam outros termos/expressões do próprio texto, constituindo, assim, cadeias referenciais. É nesse processo que dois indivíduos, ao interagirem lingüisticamente, chegam, a saber, do que estão falando e como estão construindo seus referentes  (MARCUSCHI, 2002).

            Ao que escreve cabe a tarefa de delimitar o referente, ou seja, enquadrá-lo em uma classe, torná-lo reconhecível. Ao leitor compete a tarefa de identificar o referente, lançando mão, para alcançar esse objetivo, de toda informação tornada disponível no enunciado. A organização referencial é aspecto central da textualização, pois dá continuidade e estabilidade ao texto, contribuindo decididamente para a coerência discursiva.

             Pelo fato de o objeto encontrar-se ativado no modelo textual, ele pode realizar-se, conforme Koch, por meio de recursos de: 

 

  • Ordem gramatical (pronomes, numerais, etc);
  • Ordem lexical (reiteração de itens lexicais, sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos, etc.).

            Há, dessa forma, dois tipos de mecanismos referenciais: 

  • Relativos ao texto (anáfora/catáfora).
  • Relativos à situação de enunciação (dêixis).

            O processamento textual se dá numa oscilação entre vários movimentos, um para frente (projetivo) e outro para trás (retrospectivo), representáveis parcialmente pela "catáfora" e "anáfora", respectivamente. Em sentido estrito, pode-se dizer que a progressão textual se dá com base no "já dito", no que "será dito" e no que é "sugerido", que se co-determinam progressivamente.

           A coesão do texto depende em parte de retomadas. Há expressões que, no texto, se reportam a outras expressões, enunciados, conteúdos ou contextos, contribuindo para a continuidade tópica. Reconhece-se que a "anáfora" não é necessariamente correferencial e que o referente de uma expressão anafórica não é sempre explicitamente denotado por um termo anterior. A anáfora vem sendo estudada como um fenômeno de natureza inferencial. Vejamos, então, alguns exemplos:

    (1) Ele jogou seu cigarro no jardim e acendeu um outro.

    (2) Em Porto Alegre, eles têm orgulho do pôr do sol.

    (3) Quando Maria disse que ia se casar, perguntaram-lhe o que ele faz. 

 

            Assim, podemos tecer algumas considerações sobre a anáfora, seguindo os estudos de Koch:

  • O pronome não é a única classe de palavras que pode se constituir como "anáfora";
  • Inexiste uma classe de palavras funcionalmente definida como anafórica;
  • A anáfora é um fenômeno de semântica textual de natureza inferencial e não um simples fenômeno de correferencialidade;
  • A anáfora não apenas retoma referentes, mas pode também ativar novos referentes.

A partir das considerações apresentadas sobre a anáfora, vejamos os exemplos de tipos de anáforas, segundo Andreazza e Gregolin (2005):

  • Anáfora nominal: componente da superfície textual, formado basicamente por um nome, que encontra ancoragem num outro componente previamente explicitado, tal como se apresenta no exemplo (4):

 

(4) eu gosto de abacaxi eu gosto muito desta fruta.

  • Repetição: caracterizada pela reiteração de um nome ou sintagma nominal anteriormente apresentado. É um tipo de anáfora nominal. Entretanto, como os textos que analisamos foram produzidos por crianças em fase de aquisição da escrita, esse mecanismo foi tratado separadamente. O exemplo (5) a seguir mostra o uso abusivo da repetição.

 

(5)... O índio ficou muito bravo quando o índio jogou sua flecha no lago o peixe não foi na sua flexa e coitado do pobre índio que levou uma pancada na cabeça do peixe...

 

  • Anáfora pronominal: é aquela em que a relação anafórica é tecida através do uso de pronomes (ele, ela, eles, elas). A função pronominal, nesses casos, é apenas estabelecer a ancoragem com um termo antecedente, como mostramos a seguir no exemplo (6):

 

(6) O jacaré come, peixe e mato e gente ele vive na água.

 

  • Anáfora associativa: ocorre quando um elemento é introduzido no texto, sem que haja uma ancoragem explícita com nenhum outro termo anteriormente apresentado, conforme é demonstrado no exemplo (7):

 

(7) Não use a xícara azul. A asa está quebrada.

 

  • Elipse (ou anáfora zero) consiste na omissão de termos, facilmente inferíveis no decorrer do texto, como no exemplo (8):

 

(8) Ricardo estava dormindo debaixo da árvore e viu um ninho na árvore e não viu o leão atrás da árvore.

 

           A fala e também o texto escrito constituem-se não apenas numa seqüência de palavras e/ou frases. A sucessão de coisas ditas ou escritas forma uma cadeia que vai muito além da simples seqüencialidade: há um entrelaçamento significativo que aproxima as partes formadoras do texto falado ou escrito. Os elementos lingüísticos que estabelecem a conectividade e a retomada e garantem a coesão são, como visto neste tópico, os referenciais textuais. Cada uma das coisas ditas estabelece relações de sentido e de significado tanto com os elementos que a antecedem como os que a sucedem, construindo uma cadeia textual significativa. A coesão, que dá unidade ao texto, vai sendo construída e se evidencia pelo emprego de diferentes procedimentos, tanto no campo do léxico como no da gramática.

 

3. O CORPUS - ANÁLISE E DISCUSSÃO

            Devido à abrangência do tema e o pouco tempo para o desenvolvimento de uma pesquisa mais detalhada, tentamos delimitar o objeto de análise deste trabalho. Dessa forma, preocupamo-nos em analisar os processos de anáfora e catáfora mais recorrentes nos textos narrativos produzidos por alunos de uma determinada comunidade de baixa-renda de Maceió. 

            Os textos produzidos por tais alunos foram desenvolvidos a partir da proposta da organização de um desfecho de um texto narrativo, intitulado "Meu namorado me traiu comigo mesma", retirado de uma revista direcionada para pessoas do sexo feminino. Dando continuidade ao desenrolar da narrativa, foi proposta uma atividade de produção textual, seguindo os moldes do tipo textual em questão.

            A respeito dos processos de referenciação, mais especificamente os de anáfora e de catáfora, vejamos alguns exemplos de anáfora retirados das narrativas em análise.

 

(9) "Anderson foi ao encontro da Paula e Valquíria terminou o namoro. Ele continuou com as traições pela net. Hoje, Valquíria está casada e está esperando um filho e bem feliz" (A.C.).

            Neste fragmento verificamos que o pronome pessoal reto ele faz remissão a Anderson, referente apresentado no período anterior.

 

(10) "Então eu disse que estava tudo certo que ele não precisava se preocupar. Saí para se arrumar, mas já desconfiada que ele iria se encontrar com a Paula, ou seja, comigo mesma" (T.A.S.).

 

            Já nesse exemplo, o pronome ele é usado como referência ao personagem Anderson, que não aparece no texto do aluno, mas na história original.

 

(11) "Eu mesma, então, decidi fazê-lo acreditar que eu iria a festa sozinha e o deixaria estudando" (G.N.S.).

 

            Assim como no exemplo anterior, os pronomes de terceira pessoa do singular lo e o retomam o referente Anderson, apresentado na história original e não no texto do aluno.

            No que diz respeito ao processo remissivo de catáfora, apresentamos os trechos a seguir:

 

(12) "eu ‘Valquíria' iria ao aniversário e não iria ao encontro, deixaria ele esperando." (W.S.).

 

            No exemplo (12), o pronome pessoal reto eu faz remissão a Valquíria, nome apresentado posteriormente no texto.

 

(13) "Ele tentou se explicar, Mais eu falei para ele que nunca existiu Nenhua Paula. Que fui eu, Vaquíria que tinha armado tudo aquilo" (N.S.S.C.).

 

            Como no exemplo anterior, o pronome eu foi utilizado para fazer remissão a algo que é colocado posteriormente, no caso, o nome Valquíria.

 

(14) "dai quando ele mim procurasse eu iria ter uma conversa séria com ele e decidir o que ia fazer, mais tenhe aquele velho ditado o ‘Amor é cego', pois se o amasse de verdade iria perdoá-lo e se ele apronta-se novamente, daí não tinha mais jeito;" (W.S.).

 

            Neste caso, a expressão aquele velho ditado faz referência a o ‘Amor é cego', sendo, desta forma, um processo de remissão catafórica, pois o referente o ‘Amor é cego' aparece posteriormente à expressão remissiva.

Observamos, a partir das produções, uma maior recorrência do processo de anáfora em detrimento ao de catáfora, sendo esta, pouco usada. Tal fato pode ter ocorrido, talvez, porque as palavras e expressões faziam referência principalmente ao que já fora apresentado no texto original, pois, por ser continuação de uma história, não implicaria necessariamente haver necessidade de apresentar referentes, mas de fazer referência aos referentes apresentados anteriormente.

Dentro do processo remissivo anafórico, encontramos os seguintes tipos de anáfora, classificados por Andreazza e Gregolin (2005):

  • Anáfora pronominal, processo de remissão anafórica, no qual a relação remissiva é realizada por meio de pronome, vejamos os exemplos a seguir:

(15) "Como Paula, fui ao encontro. Quando o Anderson me viu ficou espantado, então me apresentei como Paula e contei tudo pra ele e terminei" (A. M. C. R)

            No exemplo 15, o pronome pessoal ele faz relação anafórica com Anderson, um dos personagens da história narrada.

(16) "Valquíria se passou Por outra e conseguiu descobriu que Anderson o traia, o plano dela realmente deu certo, só que ela chegou a perdualo" (R.)

Nesse caso, dela e ela, pronomes de 3ª pessoa, fazem remissão a Valquíria, personagem principal da história apresentada no início do texto.

            Como dito anteriormente, há uma maior recorrência do processo remissivo anafórico em detrimento do catafórico nos textos em análise e, dentro dessas recorrências anafóricas, observamos que os alunos utilizam-se, muitas vezes, da anáfora pronominal. Nesse caso, o pronome tem apenas a função de estabelecer relação com o termo antecedente.

  • Repetição, no qual a referenciação é realizada por meio da reiteração de um dado nome, como nos exemplos (17) e (18):

(17) "Então fui ao local marcado para o encontro e ele estava lá, conversei com ele e perguntei por que ele estava fazendo isso comigo, ele ficou calado, parecia mais que o rato tinha comido a língua dele. Acabei tudo e disse que ele poderia arranjar uma Paula de verdade para namorar, fui embora e o deixei sozinho, cínico" (T. A. S.).

            No trecho acima, há uma repetição exagerada do pronome de terceira pessoa, fazendo remissão a um referente apresentado na história original.

(18) "eu imagino que o Anderson não ia fazer nenhum trabalho de escola ele tinha marcado para encontrar com Paula a fictícia. mas Valquíria inventou sobre a festa, porque ela sabia que ele não ia mesmo. Ai no sábado a noite ela foi se encontrar com ele chegando lá ela desmascarou ele e ela percebeu que ele era infiél, e traidor ele ficou tentando se explicar mas ela que era mais esperta não quis nem papo com ele mais depois que ela percebeu que namorar por bate-papo é a maior roubada" (M. K.).

            Assim como no exemplo anterior, o texto em questão repete, muitas vezes, os pronomes ele e ela, fazendo referência aos nomes Anderson e Paula, respectivamente.

            Notamos, ainda, que a repetição apresentada nos textos analisados são inadequadas à construção do texto, pois torna-o cansativo devido a essa repetição exagerada.

  • Anáfora zero ou elipse, que se realiza quando há a omissão de um termo facilmente inferível pelo leitor. A respeito desse tipo de anáfora, vejamos os trechos abaixo:

(19) "Quando sai, fui para o local marcado para o encontro, quando ele chegou e mim viu, ficou pasmo e parecia um papel de tão branco que ficou". (G. N. S.)

            Nesse caso, o pronome ele está elíptico nas formas verbais ficou e parecia. Apesar de estar omitido, esse pronome é perfeitamente recuperável através das formas verbais e da disposição dessas na frase, pois ele foi apresentado na oração anterior, tornando o texto perfeitamente compreensível.

4. CONCLUSÃO

            No presente estudo, pretendemos refletir acerca dos processos de referenciação catáfora e anáfora em textos narrativos escritos por alunos de uma comunidade de baixa renda da cidade de Maceió-AL, produzidos em situação de leitura e produção de textos num contexto específico de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa.

            Este estudo mostrou que os textos em análise apresentam uma grande recorrência do processo remissivo anafórico em detrimento ao catafórico, pois o último aparece apenas em dois dos 14 textos analisados. Como vimos, isto ocorreu provavelmente porque os textos em análise eram continuação de uma narrativa apresentada anteriormente, portanto, faziam referência a personagens e situações já apresentadas anteriormente, constituindo, dessa forma, muitas relações anafóricas.

            Observamos, ainda, que as anáforas detectadas nos textos dos alunos realizavam-se geralmente por meio de relações proporcionadas por pronomes pessoais, percebemos, então, o uso recorrente das chamadas anáforas pronominais. Assim como a reiteração desses pronomes, detectada nos textos, embora seja inadequada, tornando o texto cansativo, configura-se como repetição, de acordo com Andreazza e Gregolin (2005). Além disso, constatamos também uma notável reincidência da elipse ou anáfora zero, geralmente adequada à construção do texto, colaborando, dessa forma, como o processo coesivo dele.    

            Assim, pretendemos contribuir para estudos sobre os processos de referenciação e fornecer subsídios para trabalhos mais avançados sobre o tema, ao refletir sobre o uso de processos de remissão catafórico e anafórico em textos de alunos em uma determinada situação de ensino e aprendizagem.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

DEMO, P. Escola pública e escola particular: semelhança de dois imbróglios educacionais. Rio de Janeiro, 2007.

 
KOCH, I. G. V. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 1989.

 

 KOCH, I. G. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2003.

 

 KOCH, I. G. V. Introdução à lingüística textual: trajetória e grandes temas. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

 

MARCUSCHI, L. A. ; KOCH, I. G. V. Estratégias de referenciação e progressão referencial na língua falada. In: Maria Bernadete M. Abaurre; Ângela C. S. Rodrigues. (Org.). Gramática do Português Falado. Vol. VIII: Novos estudos descritivos. 1ª ed. Campinas: Editora da UNICAMP/FAPESP, 2002, v. VIII, p. 31-56.

 

ZOZZOLI, R. O processo de constituição de uma gramática do aluno leitor/produtor de textos: a busca da autonomia. In: Trabalhos em lingüística aplicada. n. 33. Campinas: UNICAMPEL/IEL, 1999.

 

 

 

 

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